Casal se dedica a formar palhaços para trabalho voluntário há 16 anos

O casal referência quando se fala em Clínica da Alegria é quase uma representação das figuras materna e paterna. Rose Zangiacomi e Francisco Bertollino estão à frente a entidade praticamente desde que ela iniciou suas atividades, 16 anos atrás, e definem o trabalho como “missão”.

Francisco assumiu a diretoria artística e ensina os voluntários a arte do palhaço
Um nariz vermelho surge no corredor, em meio a paredes cor de creme e jalecos brancos alvos, uma figura completamente fora dos padrões locais adentra. Entre médicos, pacientes e funcionários, passado o primeiro momento de espanto, o que a tal figura causa ao redor? Sorrisos, olhares atentos e, vez ou outra uma gostosa gargalhada.

Rose é psicóloga do grupo, mas também dá uma força com as maquiagens e embelezamento dos palhaços 🙂

Essa cena, hoje, já se tornou corriqueira nos hospitais centrais de Poços de Caldas (MG). Há 16 anos, a arte do palhaço (um ser desengonçado por natureza) é levada pela Clínica da Alegria e, em cada visita os pacientes hospitalizados, os acompanhantes se tornam os parceiros de uma relação mais humana e que visa, antes do riso, o laço da amizade.


O trabalho se alicerça na doação e voluntariado. Doação para se manter do ponto de vista financeiro e voluntariado para formar seu corpo de Doutor Palhaços. Esses alicerces trazem para quem participa muito mais do que se pode imaginar. “Nós aprendemos muito com quem passa pela Clínica. E o que ouvimos sempre é que a troca entre os voluntários e as pessoas atendidas é enorme. Todos saem dessa relação maiores do que entraram”, descreve Rose.
A arte de ser bobo
O trabalho foi, lá no início, formado por um grupo de atores inspirados nos Doutores da Alegria, grupo com sede em São Paulo, capital. Com o tempo, a Clínica da Alegria foi criando sua própria linguagem e linha de atuação. “No início era apenas a Pediatria a ser visitada. Quando comecei a participar ampliamos para todo o hospital, Cacon, Hemodiálise, etc”, explica Rose, que hoje atua como psicóloga do grupo, dando suporte aos participantes, e é também a administradora executiva do trabalho.





A Clínica espalha sorrisos pela vida há 16 anos em Poços de Caldas, sul de Minas



Os voluntários, aqui, são batizados como ‘besteirologistas’, especialistas em ser bobos o suficiente para enxergar além das características explícitas. Eles são orientados a olhar o outro de uma maneira aberta e disposta a ouvir o que ele tem a dizer. “Depois de todo esse tempo, uma coisa que ainda me emociona é o sorriso da criança internada”, dispara Francisco, que atua como coordenador artístico da Clínica da Alegria desde 2001 e realiza visitas periódicas como o Doutor Chumbrega.
Para chegar a esta amorosa graduação, os voluntários passam pelo treinamento oferecido pela Clínica. A formação das turmas dura alguns meses apenas dentro da entidade e passa por um período de observação dos Doutores já formados, até que os novatos possam entrar em contato com o público através de sua personagem.
Hoje, mensalmente, são cerca de 600 pessoas atendidas, entre adultos e crianças. “Frisamos que é necessário ser o mais natural e agradável possível nas interações”, aponta o coordenador artístico, que completa: “O que eu procuro passar para os voluntários durantes os treinamentos é, acima de tudo, ter respeito para com as pessoas que vamos ter contato”.
Para manter as atividades do ponto de vista financeiro, entra em campo a doação. Chamados de ‘doadores de sorrisos’, a população poços-caldense que contribui é contatada através do serviço de telemarketing da entidade. Quem quiser auxiliar o trabalho com artigos mais específicos, pode ficar a vontade, a Clínica aceita doações como roupas de palhaço, maquiagem, brinquedos, livros infantis e materiais de escritório.

O que motiva a instituição a prosseguir com seu trabalho por todos estes anos? “Teimosia”, declara entre risos Rose, que completa: “Na verdade, o que nos mantém no projeto é acreditar no bem que fazemos e recebemos”. 

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