Reportagem e bobagens – Quando pedi um livro e ganhei Quintana

Esse livro que eu já tenho em mãos, desde 6 de junho, não é apenas mais um para minha querida (porém minguada) coleção de poesias.
Se já existe uma beleza única em estar em um lançamento, ao lado da pessoa que deu luz a cada verso, eu sei que isso fica um pouco maior neste caso. Li cada poema com o cuidado de quem um dia pediu emprestado um livro e ganhou de volta um eterno Quintana – recheado com dedicatória e carinho.
Assim, aqui vai minha primária visão de ‘O Que Resta’, de Lausamar Humberto, em matéria publicada no Jornal de Frutal:
Curtido em espera, ‘O Que Resta’ traz 45 poemas e um reencontro
Livro surge depois de anos de distância entre o autor, Lausamar Humberto, e sua própria escrita
Por Thais Fernandes
Primeiro, é preciso esclarecer: aqui não tratamos de fins. O que resta pode ser e é mais do que suficiente para continuar. O título do primeiro livro de poemas de Lausamar Humberto, 40, pode trazer medidas de melancolia, mas não ensina desesperança. A começar pelo retorno do autor ao universo da escrita.

A concisão do livro, que reúne 45 poemas, é fruto de um faro apurado por anos sem escrever um verso. Depois das primeiras experiências na adolescência, Lausamar seguiu seu caminho e deixou que a poesia seguisse o seu. E como nos melhores reencontros, os anos apenas pensando nela, lendo seus grandes entendedores – inclui-se aí Drummond, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Adélia Prado, Mário Quintana – isso tudo serviu para tornar este retorno coisa séria.

O primeiro poema surgiu há cerca de quatro anos. “Escrevi Poema Cinza e percebi que ainda era capaz de fazer poesia. Estes 45 poemas foram escritos neste período”, conta Lausamar. Entre as grandes referências no gênero, ele não nega sua predileção. “É em Manuel Bandeira que encontro a poesia que mais me toca. Um sentimento tão forte, em versos tão próximos de todos”, revela o autor. Há também espaço para inspirações na nova geração, como Fabrício Carpinejar e Mariana Ianelli.

Toda essa bagagem – presença e ausência – dão o ar da graça em ‘O Que Resta’, que será lançado neste sábado, dia 6, na cafeteria e livraria Coca Café. Com presença do autor, formado em jornalismo e direito e professor no curso de Comunicação Social da UEMG, a manhã será ponto de encontro para os amantes da literatura, em especial àquela nascida e curtida na região. É preciso dizer que nada fala melhor do que a própria obra, portanto, abaixo, alguns aperitivos do que Lausamar nos oferta:

POEMINHA SINCERO

Olha lá!

Se for só por obrigação,

melhor não!


COMPOSIÇÃO INFANTIL

Felicidade é bolha de sabão.

Tão bela,

tão frágil,

tão breve.

E não dá na natureza.

Surge das nossas mãos,

da nossa boca,

do nosso sopro.

Se a queremos,

temos que refazê-la,
e refazê-la,
e refazê-la.


CURRÍCULO
Dizem-me só especialista.
Erram. Sou prendado
em outras faculdades.
Mestre em dores miúdas.
Doutor em solidões avulsas.
Catedrático em saudades.

Opinião – Paulo Múltiplo Leminski (a exposição, a obra e o bigode)

Debaixo dos fios daquele bigode, toda poesia. O que me agrada, de cara, em Leminski é a sua caricata figura. Bigodudo, nem muito novo, nem muito velho. A meia idade de Paulo é o que me vem à mente quando ouço “Leminski”. Um dos autores com menos rugas dos quais consigo me lembrar, – e não há problema nenhum nos nossos septuagenários – acho que foi com Leminski que comecei a entender que o autor é real, ele é gente. E ele pode, vejam só!, ser um alguém jovem e, se a gente e ele tiver sorte, pode até estar vivo.

Esses dias fui à exposição ‘Múltiplo Leminski’, aqui em SP. A curadoria é de Alice Ruiz e das filhas do casal, Aurea e Estrela. Um detalhe que, sim, faz toda diferença. Não conheço bem a obra da Alice, também escritora, tão pouco a vida da Aurea e da Estrela. Mas, olha, me senti em casa.. Na casa deles, vendo um álbum de família em forma de poemas, recortes de jornal, móveis e livros do meia Paulo.
Os rabiscos, as interações e os móveis de madeira me fizeram ter uma noção mais concreta da inquietudade de Leminski. É como se cada um desses elementos retratasse um pedaço seu: rabisco – haicai, móveis – concretude, interações – pop. Esse mix ambulante e com bigode é puro ponto de exclamação pra mim!

Onde já se viu um intelectual do naipe dele, poliglota, escrevendo “Tudo que li/ me irrita / quando ouço / Rita Lee”?Me irrita também, Paulo!, tenho vontade de gritar, sempre que relembro esse.

E minutos depois, a calmaria de enxergar essa condição humana.
“Teses sínteses / Antíteses / Vê bem onde pises / Pode ser meu coração”

É como se, entre os móveis da sua casa, ele me abrisse um diário: não importa por onde andes, é sempre um coração no caminho, me confidencia esse danado.

Alguém com uma cara entre pai dos anos 80 e hippie aposentado… e tão genial! E tão ao alcance. Adoro Leminski especialmente por ter sido um dos primeiros a desarmar minha estúpida tese de adolescência, a de que autor era um imortal-morto com cadeira em alguma distante Academia de Letras. O bigodudo viveu com tudo! E é isso, Alice, Aurea e Estrela, não há meio melhor de lembra-lo. Paulo muito “Múltiplo Leminski”.

Bobagens – Mergulho de Hermógenes

Eu não conheci alguns dos meus heróis e a culpa é toda minha.
Eles existiram por aqui. E eu não fui atrás deles.
Mas, nem tudo é cobrança. Eles existiram, eu soube. E eu ouvi. E por causa deles eu conheci outros. Outros tão heróis quanto os primeiros, mas tão próximos quanto um amigo, um mestre.
Acho que é isso. Ídolos, heróis, inspirações. Eles não nasceram para que eu corra atrás deles. A grandeza de um Hermógenes é me fazer enxergar quão grande são as pessoas que eu vejo todos os dias.



“Entrego, Confio, Aceito, Agradeço”

Cê vai comigo até o dia em que eu me for, professor. Até esse dia, muitos outros vão chegar e se achegar por aqui. Passar e deixar muito mais. Só esse pedacinho, e já é tanto! Só meu único livro seu, Mergulho na Paz, e já é tanto. Gratidão. 

Bobagens – No dia em que a saudade for justa

A vida não é muito justa, eu sei.
Mas, talvez, ela possa ser mais divertida a cada vez que eu ver vocês. Quem sabe, ela possa ser mais leve sempre que o celular assobiar nova mensagem. E mais calorosa quando meu abraço encontrar o seu.
Talvez a gente nunca mais possa ser feliz por inteiro – já que cada pedaço meu está num canto.

Mas isso não é motivo para que ela esteja despedaçada. Ela – a vida – e eu só estamos espalhadas. Esparramadas na acomodação de me sentir em casa em mil lugares ao mesmo tempo. Enquanto não tenho uma casa para chamar de minha, eu tenho mil pessoas para chamar de eu.

Opinião – O Som do Pasquim: que trilha!

A delícia da oralidade sem frescuras e da entrevista cara a cara

Acabou meu som. E continua ecoando. Que livro! Quantos nomes… do lado de cá, Jaguar, Ziraldo, Júlio Hungria, Ivan Lessa… de lá, Caetano, Morengueira, Luiz Gonzaga, Raul Seixas (ah, Raulzito!). Caramba! Lupicínio Rodrigues. E eu nunca tinha ouvido esse nome.
– Como não? Mas ele é um dos grandes.

Eu sei, pai. Agora, eu sei.

O Som do Pasquim estimula a vontade de entrevistar cara a cara. No bar, em casa, na redação. Preservar a naturalidade com a qual esses gênios/ cantores/ músicos contam suas mais íntimas convicções e revelam seus mais descuidados preconceitos – Waldick Soriano e Agnaldo Timóteo dando um show de ‘moralidade’ às avessas e machismo. Com ressalva do Agnaldo aos 45 do segundo tempo, mais precisamente em nota anexada a entrevista -.
Mais que isso, estimula aos leitores. A vontade de saber exatamente o que o tal cara disse sobre tal assunto. Resposta limpa, na íntegra. Com comentários – que comentários! Sutileza não tem vez quando é se pode ser claro.

E é Caê naquela naturalidade, e é Chico Buarque na mesa do bar, direto e reto, e é Gonzagão falando do pai, com o filho, Gonzaguinha acompanhando a entrevista!, e é Antonio Carlos Jobim atribuindo seu sucesso musical à bisavó, que “tinha uma musicalidade excepcional”. Ah – suspiros! –  

Livro de cabeceira para apaixonados por música – tem mesmo gente que não é? – e para todo e qualquer inclinado à carreira de perguntador.

p.s: Jaguar, eu senti as dores dos seus foras na entrevista com o Chico. Tamo junto.

Vídeo – Ocupação com poesia no Sul de Minas

Um ano atrasada. Graças a Deus existem coisas que são atemporais – pensei comigo. Aqui vai um bel exemplo de uma dessas coisinhas que o tempo não consegue dispensar: poesia!
O #Esquina, grupo formado em Poços de Caldas, fez mais uma de suas ocupações em bairros periféricos da cidade. Isso foi lá pra 2014 e, para minha sorte, eu estive junto. O resultado foi este registro experimental, cheio de defeitos, dedicação e um pouco da arte contagiante que rolou neste dia.
Antes, duas amostras grátis dos trabalhos dos poetas, de quem me tornei fã, presentes nesta tarde aquecida do Sul de Minas.
“A arte não me levou onde eu queria
mas fez do meu coração um lugar habitável”
“a justiça tarda
mas não farda
#versosparaaumentaromundo
#alguémexplicaproalckmin”
Agora, só dando play para saber:

Opinião – Buzinas em silêncio: aos garis

A vitória deles é a nossa. Uma vez meu irmão me disse uma coisa que resume bem o que vem acontecendo no Rio com os garis. Indo de carro para o centro, ele ao volante – benza Deus. Estávamos em cima da hora – até aqui nenhuma novidade.  Só que bem no começo da via, um pequeno trânsito se formava. Com pressa, eu e ele já começamos a procurar o motivo.
– Quê isso ainda aqui no começo? – se perguntou em voz alta o Douglas, impaciente, franzindo a testa. – Ah, é o caminhão de lixo. – soltou, já com tom mais calmo, quando avistou os garis.
– Ah é. Engraçado, né. Por isso que ninguém buzinou ainda. – disse eu, na minha imbecil inocência de continuar o assunto.
– Buzinar? Cê é louca? Quem que vai buzinar pros caras? Eles tiram nosso lixo! – respondeu de súbito meu irmão, me olhando como se eu fosse mesmo maluca por supor que alguém fosse buzinar para os garis, que estavam cumprindo seu serviço.
  Trabalho que ninguém quer. Quanta sanidade! Meu irmão estava coberto de razão. Quem vai desrespeitar uma pessoa que FAZ O GRANDE FAVOR de tirar o lixo que VOCÊ produziu de perto de você, da sua família, da sua casa? Alguns tentam. E isso devia nos surpreender tanto quanto minha suposição surpreendeu meu irmão. Foram tantas reviravoltas no caso. Infelizmente nós temos a mania de só festejar pela vitória de causas próprias.
  Classes, profissões. Hoje a vitória dos garis surpreendeu pela obviedade que deveria conter, vindo de pessoas que tem o respeito de toda uma sociedade. Em meio ao samba carnavalesco… que grande estratégia, garis! E ainda lidar com o lixo dos outros, com um sindicato que não os representa e com a causa colocada em xeque por tantas vezes. Que grande garra.

  Ainda há muita demanda para a lei da oferta e procura ser lembrada em casos como o dos “empregos que ninguém quer”, mas a vitória dos garis tem que ser vivida como a nossa própria. E a dúvida sobre o que ainda está por vir, tem que ser partilhada.
  Que as prefeituras reconheçam. Que o respeito prevaleça e a mínima dignidade seja oferecida. Eles são só um exemplo, o exemplo mais claro de como funciona essa cadeia. Que as buzinas se calem e esperem, os garis precisam trabalhar em paz.

foto: Mídia Ninja

Jornal "O Maestro"

Durante o 6º período do curso de Jornalismo nos foi proposto um trabalho em equipe. O diferencial desta equipe é que ela se estendeu além da Universidade. Nosso grupo foi até a Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira e, junto dos alunos do Ensino Médio, produzimos um jornal interno.

Esta grande troca de conhecimentos resultou no Jornal O Maestro. Nome imponente e resultado de nos deixar orgulhosos. Editorias de Política, Esporte e Moda (com direito a editorial!), colunas de opinião e fotos. Tudo feito pelos estudantes da EEMJO, sob a nossa orientação.

Vale a pena conferir. Clicando em O Maestro, veja nosso trabalho na íntegra.

Reportagem – Com licença, Damas na Direção

Reportagem produzida para a 7ª edição do Jornal Laboratório “O Foca”.

Com licença, Damas na Direção

Cada dia mais mulheres tomam a frente como motoristas

A velha rima “mulher no volante, perigo constante” é mesmo coisa do passado. Duvida? Segundo dados da Seguradora responsável pelo DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), de todas as indenizações pagas no ano de 2012, apenas 23% foram destinadas à mulheres. Desse total somente 34% das indenizações foram recebidas por motoristas.

Aqui mesmo, no estacionamento do nosso Campus, a presença feminina já é maciça. Só no dia 18 de março foram contabilizadas 82 mulheres contra 91 homens na direção dos carros. Um número que a cada dia se torna mais equilibrado.

A independência é um dos principais motivos para elas deixarem o banco de passageiros. É o caso de Carolina Medeiros, 7º período de Direito noturno. “Ser motorista é resolver problemas sem precisar, na maioria das vezes, do auxilio de ninguém. A maior facilidade é a agilidade. Um carro além de trazer comodidade, encurta distâncias e atrasa relógios”, revela a garota.

Carolina se mudou para Frutal em 2010 e logo trouxe seu carro para facilitar a vida nova. Para voltar para casa, em Ipatinga, durante os feriados ela dirige na BR-381, uma das mais perigosas do país. A experiência nas rodovias trouxe segurança à estudante que já percorreu outros trajetos ao volante. “A maior distância foi uma viagem de fim de ano para a Bahia. Aproximadamente 1200 km, só a ida”, conta.

Apesar da experiência, Carolina admite que enfrenta dificuldades durante suas viagens. “Os perigos são diversos. O que me assusta mais é que na maioria das vezes eu viajo sozinha, e uma mulher que é acometida por qualquer transtorno durante uma viagem, como problemas mecânicos, sofre, sem dúvida, com a vulnerabilidade”, revela a estudante, que tem apenas conhecimento básico de mecânica: continuo rezando para que nada de mais complexo aconteça com meu carrinho.

A fase da habilitação costuma despertar todos os sentimentos e deixar os nervos à flor da pele. Sirlei Queiroz da Silva, aluna do curso de Sistemas de Informação, passou por isso em 1999. Ela revela que não foi apenas questão de praticidade: foi por vontade própria um sonho que concretizou-se.

Hoje, Sirlei, que dirige carro próprio afirma que valeu a pena vencer o nervosismo e conquistar a habilitação. “O desafio foi enfrentar a parte emocional. Sou muito nervosa, mas em compensação consegui superar com tempo e prática no dia a dia”, afirma. Ela revela ainda, que não se imagina mais sem dirigir: Acho que não fico mais sem o carro não e inclusive estou pensando em trocar de carro (risos).

Sobre duas rodas

Em se tratando de mulher, não pense você que qualquer veículo serve. Tão exigentes quanto com o guarda-roupas, as motoristas são com seus veículos. Elas pesquisam antes de escolher e nesse quesito alguns modelos de moto tem ganhado a preferência do público feminino.

Gleice David Rodrigues dirige uma Biz há 15 anos. “Escolhi meu modelo por ser mais seguro. E melhor também, pra você ter uma noção da pra andar nela de saia. Pra mulher é melhor.” A estudante do 5º período de Administração também tem carteira de carro, mas explica que sua atual opção é a moto. “Ela é uma ferramenta de trabalho, não dou conta mais de viver só de carro. Com o preço da gasolina, não tem como ter apenas o carro.”

A estudante lembra que em Frutal e na própria UEMG observa-se um número crescente de mulheres pilotando, mas nem tudo são flores. “O trânsito aqui é péssimo pra qualquer um. Não só pra moto. É terrível, quem dirige em Frutal, dirige em qualquer lugar.” Gleice ressalva ainda que na hora de pilotar é preciso ter calma. “No trânsito mulher é mais cuidadosa”.

Contudo as mulheres que dirigem também têm suas vantagens. Gleice conta que já recebeu tratamento especial em oficinas mecânicas. “Quando é mulher, eles (mecânicos) são mais gentis. Já aconteceu no funileiro quando o meu ex-marido levou o carro ele cobrou um preço. Quando eu levei, sem falar nada, já foi mais barato”, revela.

E se ainda assim você não acredita na eficiência da mulherada: conforme-se. Vai ser difícil tirá-las da direção. Agora é acompanha-las e, quem sabe, pedir uma carona.

Fotoreportagem "Comércio nas ruas: faça você mesmo"

O trabalho original possui um belo formato em P&B! Clique em Foto reportagem completa
para apreciá-lo.
Comércio nas ruas: faça você mesmo
Trabalhadores com o dom da produção e venda que não esperam emprego nas lojas
O comércio ao ar livre. Essa é uma opção cada vez mais aceita para quem decidiu não esperar por empregos tradicionais. Alguns vendedores ambulantes já tem inclusive ponto fixo. É o caso de Itamar, que vende frutas em uma das esquinas da Praça da Matriz de Frutal.
Com um ponto fixo de venda, é mais fácil fidelizar o público. Além disso, o trabalho nas ruas pode funcionar muito bem para quem tem contato direto com os produtores das mercadorias, comprando e vendendo em maior escala.
Existem, no entanto, pontos negativos em se ganhar a vida como camelô. Alguns vendedores procuram estar atentos a presença da polícia e mesmo de repórteres. A venda de produtos sem registro chama a atenção das autoridades.
 
O vendedor em movimento. Munido de buzina, apito ou gaita o carrinho de sorveteiro é um dos comércios de rua mais presentes em cidades pequenas. O sorveteiro tem o seu som particular como aliado para chamar a atenção da freguesia. Além da gaita, o clima tropical e a estação do verão colaboram para o trabalho desse ambulante que enfrenta longas caminhadas.
Robespierre Tonbon é um dos trabalhadores que já deixou de ser ambulante para se encaixar praticamente no perfil de nômade. De nacionalidade colombiana, ele não costuma ficar muito tempo em uma só cidade. Em Frutal o artesão pretende passar apenas mais uma semana, tempo suficiente para juntar algum dinheiro e seguir em nova viagem.

Por onde passa ele costuma ser chamado de hippie, como são conhecidos os vendedores que produzem suas próprias peças de artesanato e bijuterias. Além de vender, ele utiliza suas próprias obras, tornando evidente sua opção pelo comércio ao ar livre não apenas como meio de sobreviver, mas também como estilo de vida.

Com a matéria prima sempre à mão, Robespierre produz algumas peças na hora. E atende a pedidos dos compradores, inovando no estilo das obras.
Não são apenas os mais jovens que se aventuram no mercado informal. Senhor de 80 anos ganha a vida vendendo diversos artigos no centro de Frutal.
Produtos cada vez mais inusitados estão ganhando lugar no mercado informal. Vendedor de acessórios para automóveis atravessa o centro de Frutal em busca de compradores.