Café sustentável: a bióloga que refloresta e colhe qualidade em Andradas

A bióloga voltou para o sítio da família e investiu em qualidade e, em seguida, em café sustentável, reflorestando plantas nativas da Região Vulcânica.

conhecer lavouras de perto é sempre um ponto alto pra mim. mas chegar ao Sítio Santa Luzia foi um pouquinho melhor. é lá que a Tamires Ribeiro e seus pais cultivam cafés e tem reflorestado parte da propriedade com plantas nativas. é um trabalho que está plantando café sustentável pra colher qualidade como um dos frutos

a lavoura fica em Andradas, na Região Vulcânica. e a visita que eu fiz foi parte de um roteiro turístico que será lançado no Andradas Café Festival. Saiba mais na primeira matéria que fiz sobre esse tour: Andradas Café Festival amplia evento com novo roteiro de agroturismo

eu conheci a Tamires há alguns anos, na primeira vez que estive em Andradas. E foi acompanhando o trabalho dela que fiquei cada vez mais curiosa para ver de perto o reflorestamento e cada detalhe. E, finalmente, esse dia chegou! 

Quem é Tamires Ribeiro, do Café da Tamires 

A Tamires Ribeiro é bióloga e cresceu no Sítio Santa Luzia com os pais Berenice e Fernando. Para estudar, Tamires se mudou e só retornou à propriedade durante a pandemia. O período foi quando muitas pessoas também retornaram ao interior para passar o período de isolamento social.

lá, ela decidiu ficar de vez e entrar de cabeça na produção cafeeira. “Esse sítio sempre foi da minha família. Quando eu voltei, durante a pandemia, vi que tínhamos potencial para produzir cafés especiais e começamos a fazer os primeiros lotes de cafés especiais e comercializar torrado. Trabalhamos juntos, eu e meu pai”, contou ela durante a visita do grupo à propriedade. 

uma das principais mudanças foi quando a produtora começou um trabalho de reflorestamento que dura até hoje. Para isso, Tamires buscou mudas de plantas nativas da região e iniciou o processo em áreas próximas a um córrego que corta a propriedade. 

são árvores como jequitibá, ipê, jatobá, aroeira, pitanga, jabuticabeira e paineira. E boa parte delas está crescida já! A Tamires sempre mostra a evolução delas no instagram (@cafe_da_tamires). 

O que é café sustentável? 

a família participa da associação local, a Acafeg, e tem o selo fair trade. Ele determina uma relação de comércio justo entre produtores, trabalhadores e compradores. 

mas Tamires queria ir além do que já era requisitado pela certificação. Como bióloga, faltava para ela a recuperação de áreas através das plantas que antes habitavam lá. “Como começamos a ter outras fontes de renda, como café torrado, investimos em manejos mais sustentáveis, e nas áreas de reflorestamento. Então, foi a partir do café especial que começamos a introduzir sustentabilidade”, lembrou ela.

hoje, a família tem uma propriedade com 11 hectares de café e outra com 10 hectares. E o 1 hectare e meio de reflorestamento está para ser ampliado. “Eu sou bióloga e sempre trabalhei em sustentabilidade e agricultura. Visando isso aqui dentro do sítio, começamos não só o reflorestamento próximo aos córregos e nascentes, mas também a sustentabilidade na área de café. Trabalhamos com planta de cobertura para melhorar a qualidade do solo e ter mais matéria orgânica. Isso é para conseguirmos viver em mais harmonia não só com a produção, mas com o meio ambiente”, explicou Tamires. 

Turismo rural em uma fazenda de café sustentável 

Andradas é um município que já tem fluxo turístico alto, impulsionado por esportes de aventura como trilhas, rapel e cachoeiras. Mas a família Ribeiro tem uma forma de se destacar. No novo roteiro turístico, o papel do Sítio Santa Luzia será mostrar como funciona uma fazenda de café sustentável. E que, sim, é possível produzir qualidade adequando manejos e reflorestando. 

“Nossa intenção é começar a receber as pessoas, porque falamos tanto que fazemos sustentabilidade… e queremos agora mostrar isso na prática também para as pessoas. Para elas saberem que comprando nosso café eles adquirem cafés de qualidade, mas também ajudando a reflorestar”, destaca a produtora. 

No passeio turístico, os visitantes são convidados a passear pelo cafezal, que fica bem próximo da casa. Lá, eles ouvem pai e filha contar sobre suas experiências, enquanto avistam uma lavoura à direta, outra à esquerda, e no meio há uma nascente e córregos que vem da mata nativa no meio do morro. É lá o foco dos trabalhos de sustentabilidade. 

No reflorestamento, a bióloga trabalha com árvores nativas e frutíferas. Como ainda há vacas na propriedade, eles separam as áreas reflorestadas com cercas. A propriedade já se dividiu entre cafeicultura e manejo de gado, mas hoje a família explica que o foco é total em cafés e as vacas e outros animais no local não são comercializados. 

Para os turistas que vem de grandes cidades, porém, os bichinhos são uma atração à parte. Além das vacas, há cavalos, cães (fofos) e até pavões no sítio! 

Café Tamires: linha de cafés sustentáveis de cara nova 

achou que estava faltando alguma coisa nesse passeio? Uma degustação, por exemplo! pois é óbvio que não vai faltar. Em uma clareira charmosa, a família montou uma mesa cheia de delícias e, claro, café coado na hora. 

os turistas vão provar delícias como diferentes bolos caseiros, doce de leite mineiro. e, claro, levar um pacote do Café da Tamires. a nova linha de cafés sustentáveis dela, aliás, está com embalagem renovada. 

“Nós montamos essa embalagem e temos uma parceria de torra. A Mariana Nakagawa também auxiliou com essa parte de embalagem e visual”, contou a produtora.

Os pacotinhos têm o nome da variedade cultivada e cores diferentes para cada perfil sensorial. Tem cafés que vão lembrar mel e avelã tostada, outro com notas de mel e laranja. E ela vende também online. Mas, sinceramente? Se tiver a oportunidade, vá presencialmente. Conhecer essa produção e entender sobre como é possível produzir café sustentável é uma delícia!

Aliás, os roteiros começam no Andradas Café Festival desse ano. Procure pela programação que já foi liberada, que vale a pena esse passeio.

Perguntas frequentes sobre café sustentável 

Qual o impacto ambiental do café? 

O impacto ambiental do café vai depender muito do manejo feito na lavoura. E, claro, de como esse alimento é processado nas outras etapas da cadeia: a indústria, o comércio, as cafeterias e supermercados. No caso da lavoura, quando a produção tem manejos como a cobertura de solo, a produção de outras culturas próximo ou em meio às linhas do cafezal, tudo isso ajuda a diminuir o impacto ambiental. 

O que é café ecológico ou sustentável? 

Café ecológico é um termo um pouco amplo, assim como café sustentável, por isso não existem certificações ou parâmetros certeiros sobre ele. Alguns manejos podem ser considerados ecológicos, como: produção orgânica, ou uso consciente de fertilizantes e outros produtos, agricultura sintrópica, agricultura regenerativa, entre outras.

café especial em Monte Belo: descubra o potencial da região

Monte Belo: cidade com cafés especiais e potencial pra crescer na área.

frutas vermelhas, como morango e amora.  e imaginar que isso tudo estava no café especial de Monte Belo. nas notas da bebida que a família que eu visitei produziu!

lá no alto de 1.200 metros de altitude, as lavouras da família Adolfo venceram o 3º Concurso de Qualidade da Apcemb, a Associação dos Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região. foi com esses produtores que eu fiz um pequeno tour, e vou contar agora o que vi: 

o café especial em Monte Belo 

o município fica na região do Sudoeste de Minas. e, há cinco anos, os produtores se uniram para focar no que muito me interessa: café especial em Monte Belo

foi por causa do trabalho da Apcemb que eu fui fazer esse pequeno tour pela cidade! Monte Belo faz divisa com outros municípios conhecidos pela cafeicultura, como Cabo Verde, cidade que eu conheço e adoro! 

se tem uma coisa que eu amo é viajar para novos lugares. por isso, topei na hora conhecer Monte Belo. lá, acompanhei o concurso e também consegui conhecer a propriedade, vejam só, da família que acabou vencendo a premiação! 

sou pé quente sim, e essa história vai provar: 

Luz da Serra: café especial feito em família 

a produtora que me buscou na rodoviária e me levou para conhecer Monte Belo foi a Bianca Caldas Adolfo! entusiasta dos cafés especiais por ali, conhecer ela me ajudou a ver porquê a cafeicultura de Monte Belo está crescendo.

a família dela cultiva cafés de alta qualidade na Serra Escura, bairro local. e nas alturas: o ponto mais elevado ali gira em torno de 1.200 metros. de lá, saiu o café natural vencedor da Apcemb (85,25 pontos na escala da SCA) e o vice-campeão em Cabo Verde (com 86,68 pontos).

Foto: acervo Bianca Caldas

“Se eu conseguir vender as sacas da minha família a um preço melhor, já será uma realização”, contou ela, que aposta e trabalha pelo café especial na região. 

mas quando era mais nova, a Bianca não se interessava por cafeicultura. só depois, trabalhando com lingeries, outro setor importante para Monte Belo, que ela despertou para o potencial dos cafés especiais.

em uma das reuniões com o Sebrae, Bianca ouviu sobre o incentivo para produtores se unirem visando qualidade.

“quando ouvi que iam criar uma associação para cafeicultores, pensei na hora no meu pai. falei que também tínhamos interesse de participar. dali para frente, fui aprendendo sobre a qualidade e que trabalhar com cafés especiais poderia ser melhor inclusive financeiramente”. 

a Bianca é filha do José Gervásio Adolfo e da Roseli Caldas Adolfo, e irmã da Letícia Conceição Adolfo. os pais sustentaram a família com o trabalho no campo. porém, até poucos anos atrás, não tinham ainda seu próprio pedaço de terra. 

só quando começaram programas governamentais de incentivo a compra de terras por pequenos agricultores é que a família decidiu tentar dar esse passo. a compra acabou saindo de forma direta e é até hoje motivo de orgulho para eles.

Foto: acervo Bianca Caldas

“foi com muito esforço, e ajuda que ele agradece até hoje, que meu pai comprou nossa lavoura. incluindo o ponto mais alto de onde veio o café que ganhou o concurso”, disse ela.

a Bianca, que também trabalha com pedagogia, me contou que a família já criou uma marca para seu café. é o Luz da Serra! “esse nome é porque os tesouros vem de onde há luz”, me contou ela.

a família segue produzindo nas alturas e secando os cafés no terreiro que fica em frente à casa. tudo feito com cuidado e trabalho coletivo, inclusive os processos pós-colheita. e assim é com a maioria dos agricultores da associação.

Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região 

em apenas cinco anos de existência, a Apcemb, já tem uma estrutura que me surpreendeu. a sede da associação fica no centro da cidade e já conta com salas de prova e de seleção dos cafés, torradores de amostra, sala de reunião… um baita capricho! 

sede da Apcemb: bom demais ver produtores investindo em qualidade e em conhecer seus próprios cafés. fotos: Thais Fernandes

e com a orientação do Sebrae, os agricultores tem se envolvido em cada etapa da construção dessa marca deles. a grande vantagem da associação, pra mim, está justamente na marca que eles criam juntos. assim, quando o café de um produtor da Apcemb é exportado, ou ganha um prêmio, todos eles são elevados juntos.

foi sobre isso que eu falei durante a cerimônia de premiação deles. Fui lá na frente pra parabenizar a organização e o trabalho coletivo. porque eu vejo, na prática, como isso funciona!

eu e a Bianca durante a minha visita ao cafezal dela & família! foto: Thais Fernandes

como eu disse no evento:

quando um produtor da cidade tem um café reconhecido, todo mundo ganha. Porque o consumidor vai lembrar “o café de Monte Belo é incrível”. e sempre que ver um outro café com essa mesma origem, a tendência é confiar na qualidade! 

por isso, fazer o marketing e comunicar o que se está produzindo é tão importante. e isso a própria cerimônia de premiação já mostrou. nesse ano, o concurso cresceu e eles apostaram em tornar o evento uma festa para a cidade como um todo. na minha opinião um grande acerto!

além do anúncio dos campeões, o concurso também teve um cupping para quem quisesse experimentar os cafés finalistas. fotos: Thais Fernandes

hoje, a Apcemb tem 22 associados que produzem em 16 propriedades diferentes. como o nome já diz, os agricultores são tanto de Monte Belo quanto de municípios próximos. 

o café da família Caldas Adolfo, por exemplo, fica no bairro da Serra Escura, um lugar bem pertinho da divisa de Monte Belo e Cabo Verde. e é com as imagens lindíssimas do sítio deles que eu fecho esse texto, cheia de vontade de encontrar cada vez mais cafés de Monte Belo nas minhas andanças por aí! 

Monte Belo: e coloca BELO nisso! (tunduntssss). Foto: acervo Bianca Caldas

bônus: dúvidas sobre café especial e Monte Belo  

quais são os cafés especiais? 

caiu de paraquedas aqui e quer saber o que são os cafés especiais? te explico! existem diferentes categorias de qualidade de café. o café especial é aquele produzido de forma sustentável, incluindo ambientalmente e socialmente.

na definição de café especial também é preciso que esses grãos tenham nota acima de 80 pontos na escala que vai de zero a 100 pontos e foi criada pela SCA (sigla em inglês para Associação de Cafés Especiais). 

idealmente, esses grãos especiais também devem seguir outros critérios, como rastreabilidade. isso quer dizer que quando chegar ao consumidor, a gente ainda precisa saber a origem daquele café, quem produziu, onde e quando. 

onde fica Monte Belo?

Monte Belo fica próximo a cidades como Poços de Caldas e Alfenas. o município faz parte da região do Sul de Minas. já em termos de café, as regiões reconhecidas são Sudoeste de Minas (que Monte Belo faz parte) e Região Vulcânica (bem próximo).

Qual região de Minas tem o melhor café? 

pergunta de 1 milhão de dólares! e a resposta, claro, não existe. qual região de Minas tem o melhor café vai depender de qual o tipo de café que cada consumidor busca. além disso, são tantos detalhes que influenciam um café especial que, também se alternam os vencedores de prêmios de qualidade. 

o fato é que Minas Gerais é o estado que mais produz cafés no Brasil. só os mineiros produziram cerca de 29 milhões de sacas de 60 quilos em 2023. o dado é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 


quer acompanhar mais viagens como essas? posto bastante no instagram @tha.experimentando! também pode ser que você curta a newsletter que envio de quando em quando> assine as Notas Experimentais aqui ó


Minas Mais Café volta com feira e papo com mulheres em Poços

ação movimenta a cena de mulheres que trabalham com café, desde a produção até várias formas de arte. vai ter uma boa roda de conversa, mediada por essa jornalista que vos escreve, Thais Fernandes. espero vocês, dia 07, no IF Sul de Minas de Poços!

uma feira, degustação e uma boa roda de conversa com mulheres incríveis do café! vai ter tudo isso na nova ação do Minas Mais Café. esse projeto incentiva o setor cafeeiro feito por mulheres no Sul de Minas. e a ideia é ir além para aliar a produção do café a vertentes artísticas, em especial as artes visuais e a música.

  • há alguns meses o projeto teve sua primeira edição. e eu contei sobre isso nesse texto aqui. estão lembradas?

pois bem! agora, teremos esse novo encontro gratuito, na quinta-feira, 07 de dezembro, das 17h às 21h. o evento é lá no no IF Sul de Minas – Campus Poços de Caldas. e eu estarei lá! vou mediar uma roda de conversa muito massa. e espero te ver lá, hein? olha só os detalhes:

feira, degustação e papo bom!

o encontro vai ter uma feira de produtos relacionados ao café com as inúmeras possibilidades dessa cultura. curiosos? eu já! e como se não bastasse, ainda vai ter degustação de cafés e de quitutes à base de café.

também acontece uma roda de conversa com diversas participações, mediada por mim, Thais Fernandes 🥰.esse papo vai ser sobre a valorização e preservação dos saberes das mulheres relacionados ao café, evidenciando a riqueza da cultura sul-mineira e da Região Vulcânica. vai ser uma prosa boa e necessária demais!

a arte fica por conta da exposição fotográfica e intervenção visual de textos por Sandra Ribeiro (adianto que me emocionei com vários textos na primeira ação). também vai ter pocket show da cantora Nathalia Diniz e a discotecagem da dj Isadbob.

novo encontro do Minas Mias Café movimenta a cena de mulheres que trabalham com café. vai ter uma boa roda de conversa, mediada por essa jornalista que vos escreve, Thais Fernandes.
Sandra Ribeiro, idealizadora e fotógrafa talentosa, e eu na primeira ação do Minas Mais Café.

a ação é gratuita e aberta ao público de todas as idades, justamente pra mostrar as inúmeras possibilidades da cultura do café. ou seja, é só chegar e celebrar com a gente!

o evento conta com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de Poços de Caldas / Prefeitura de Poços de Caldas, com produção da equipe formada por Sandra Ribeiro (idealização e direção geral), Chiara Carvalho (produção executiva), Diego Ávila (assistente de produção), Bjuá Masofie (criação identidade visual e mídias digitais), Isadbob (assistente de produção e dj) e Kauana Benelli (curadoria de imagens), tem apoio da Carvalho Agência Cultural, Café Fuca, IF Sul de Minas, Associação de Produtores de Cafés Especiais de Cabo Verde (ASSPROCAFÉ) e Associação dos Produtores do Café da Região Vulcânica.

punga é nova torrefação e escola de barismo feita por mulheres em SP

o mundo precisa conhecer a Punga Cafés Especiais! Torrefação e escola de barismo, cheia de muita história e mulheres incríveis.

o mundo precisa saber que a Punga Cafés Especiais tá na área! 🥰 Com cursos, pacotinhos e muita história de mulheres incríveis.

essa é uma torrefação e escola de barismo que já nasce cheia de propósito, já que está sendo fundada pela Elis Bambil, uma mulher negra e pela Keiko Sato, uma mulher amarela.

quer mais? o nome ‘Punga’ é uma homenagem e resgate histórico à Maria Punga, uma mulher negra pioneira, dona da primeira cafeteria de que se tem registro aqui em São Paulo!

o espaço fica na capital paulista. a Punga Cafés Especiais vai oferecer consultoria e mentoria em torra, além de cursos sobre café, do iniciante ao avançado. as sócias – e minhas amigas – abriram as portas em outubro e já tem, também, pacotinhos com grãos produzidos por mulheres.

as sócias se conheceram no mercado do café, quando Elis teve Keiko como sua mentora. Logo, elas perceberam a demanda por ambientes mais saudáveis e decidiram criar um negócio com espaço com uma lógica de negócios mais matriarcal. “A ideia foi trazer uma visão mais humana sobre a cadeia de café, desde o produtor até o barista, sem transformar pessoas em números, ou os processos em algo tão mecânico”, explica Elis. 

essa escola incrível já tá oferecendo os cursos de:

  • Barista Básico
  • Barista Avançado
  • Latte Art
  • Métodos de Preparo
  • Mentoria em Torra
  • Consultoria

as empresas, como cafeterias, também poderão comprar cafés torrados diretamente pela Punga. fica aí a oportunidade para ter seu próprio pacotinho de cafés em uma torra linda!

Mulheres 

o nome Punga veio da história de Maria Emília Vieira. conhecida como Maria Punga, essa mulher negra foi pioneira em criar o que é o primeiro café que se tem registros em São Paulo. ainda na década de 1850, a quituteira abria as portas de sua casa e servia cafés torrados, moídos e preparados na hora.

Elis e Keiko souberam da história inspiradora através do Cartografia Negra, coletivo de pesquisadoras pretas que promove a busca da memória negra apagada do centro de São Paulo. foi desses dados resgatados pelo coletivo, que nasceu a homenagem ao pioneirismo de Maria Punga. essa história é demais e tem que chegar em mais gente mesmo!

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outra ação da torrefação será com seus próprios cafés. a Punga já lançou 3 pacotinhos, com grãos fornecidos apenas por mulheres que produzem café. A ideia é ampliar a visibilidade dessas produtoras, que por vezes não tem seus nomes e trabalho reconhecidos pela indústria. E, claro, trabalhar com cafés de alta qualidade.

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só vale para cafés e vai até dia 31/12, beleza? então bora! compra lá que tem 3 opções deliciosas!

grãos lindos do Café Maria Emília, da Punga Cafés
foto: Thais Fernandes

Minas Mais Café é papo de protagonismo feminino (e degustação!)

Minas Mais Café é novo projeto focado em protagonismo feminino no Sul de Mnas. E já começa com evento que oferece papo e degustação nesse mês

primeira ação do novo projeto já vem cheia de cultura e, óbvio, café! vai rolar esse sábado, dia 22, lá no Mercado Municipal de Poços. o Minas Mais Café é organizado e vai ter protagonismo de mulheres que fazem essa produção aqui na região. Na foto acima, uma barista faz café na SIC de 2018, em BH.

foi olhando a cena de produção de café na região do Sul de Minas e o expressivo número de mulheres agricultoras da região, que a agitadora cultura AND produtora, Sandra Ribeiro se juntou a outras mulheres para criar o Minas Mais Café. O projeto é novinho e já vai ter sua primeira ação dentro da programação do Festival de Inverno de Poços de Caldas.

Reprodução/Instagram Minas Mais Café
Essa imagem lindona é reprodução de um post do instagram Minas Mais Café

a ideia é promover a gastronomia mineira e outras vertentes artísticas, em especial as artes visuais e a música. eu conheço o trampo da Sandra nas artes há um bom tempo, só observando de longe. mas foi com o Fuca Café, a marca que ela criou, que eu descobri mais dessa poços-caldense massa que vive entre cultura e agricultura. tem tudo a ver, aliás.

Minas Mais Café no inverno

prepara os sentidos aí, porque a primeira da ação do projeto acontece neste sábado, 22 de junho, às 15h, no Box Cultural, lá em cima, no 2º piso do Mercado Municipal de Poços.

eu sei que você tá aqui pra ler isso.. então, sim! vai ter degustação de cafés de sensoriais diferentes e degustação de quitutes à base de café.

vai rolar uma exposição fotográfica e intervenção visual no espaço. o projeto também convidou produtoras de café da região para criar um bate-papo entre elas e a comunidade. e pra esquentar ainda mais, música! com discotecagem e tudo.

esta é só uma de muitas ações que estão por vir. um evento maior está em fase de produção para acontecer no segundo semestre. e eu só tenho a desejar: vida longa!

“Estamos muito felizes em fazer parte da programação do Festival de Inverno com esta pequena amostra do nosso evento que será realizado em meados do segundo semestre. Queremos demonstrar o protagonismo da mulher na cultura do café e enaltecer as possibilidades de empreendedorismo feminino em diversas áreas relacionadas, mostrando o desenvolvimento de talentos, desde a produção do café à pesquisa científica, reconhecendo os saberes ancestrais das mulheres, e claro, aliando a arte a cultura para tanto”, disse, em nota a Sandra.

a equipe do projeto é formada por: Sandra Ribeiro (idealização e direção geral), Chiara Carvalho (produção executiva), Bjuá Masofie (criação identidade visual e mídias digitais), Kauana Benelli (direção de arte e curadoria) e Isadbob (assistente de produção e dj).

O Festival de Inverno é promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Poços de Caldas / Prefeitura de Poços de Caldas, e a ação Minas Mais Café tem apoio da Carvalho Agência Cultural, Café Fuca, Associação de Produtores de Cafés Especiais de Cabo Verde (ASSPROCAFÉ), Casa do Artesão de Cabo Verde.

A programação é:

Local: Box Cultural do Mercado Municipal de Poços de Caldas (Rua Pernambuco, s/n, Centro, 2º piso)

Dias 20 e 21 de julho – montagem da intervenção

*público poderá acompanhar a construção da intervenção visual

Dia 22 de julho (15h às 18h)

Abertura da exposição fotográfica de Sandra Ribeiro e intervenção visual com direção e curadoria de Kauana Benelli

Bate-papo

Degustação de cafés especiais da região vulcânica

Degustação de receitas feitos à base de café

Discotecagem com a DJ Isadbob

De 23 de julho a 22 de agosto

Exposição aberta à visitação no Box Cultural do Mercado

Horários: Segunda à Sábado: 7h às 18h / Domingo: 7h às 13h

etiópia: minha viagem ao berço do café arábica [parte 1]

berço e presente. fui a Adis Abeba e fiz uma viagem de 5 horas até de carro até uma região produtora de café.

quantas vezes na vida 1 oportunidade de realizar um sonho aparece do NA-DA?

esse ano rolou! no meu trabalho, tive que cobrir um evento na gringa, e o voo passava por – adivinhem? – ETIÓPIA! a origem do café da espécie arábica. cara, sempre que via algo desse país, eu corria pra saber mais… ler, ver. e de repente eu estava lá!

viajei sozinha à Etiópia e quero trazer detalhes para ajudar quem quer fazer algo parecido. vale muito! vem comigo. vou te guiar nessa viagem!

a agência de turismo que indico

para começar, não foi tão simples assim fechar um pacote de turismo. ou melhor, encontrar uma agência com pacotes flexíveis. eu só tinha 2 dias, inicialmente (depois, viraram 3) e queria conhecer a capital e uma região produtora de café. mas a maioria das agências que contatei só tinha pacotes acima 3 dias só nos cafezais. só que eu não queria passar tão reto assim pela capital, Addis Abeba. a gente nunca sabe quando vai ter uma segunda chance de conhecer um lugar, né?

enfim, por intermédio do Vinícius Assis, um jornalista que cobre diferentes países africanos, conheci a Travel Ethiopia. melhor presente que recebi! a CEO da agência é a etíope Samrawit Moges. eu também fui atendida por uma gerente mulher, a querida Wusfte.

ainda assim, decidi fazer um tour pela capital primeiro, para viajar com mais tranquilidade depois.

e que surpresa boa foi conhecer o guia Assefa (que significa fortune, algo como fortuna ou sorte, em português) e o motorista Fikar (que quer dizer love, amor). sim, os nomes por lá costumam ter significado conhecido por cada um. massa, né? e eles são dois queridos! muito respeitosos e tranquilos.

sério, indico demais. principalmente se você for mulher e estiver viajando sozinha, como eu estava, é importantíssimo escolher bem a agência e os guias. quer falar comigo sobre a experiência com essa agência? me manda uma DM.

adis abeba: a nova flor

Adis Abeba, a capital etíope. esse nome significa ‘a nova flor da África’. o nome foi dado por uma rainha desse império, quando subiu a um dos pontos mais altos da cidade e decidiu que, ali, eles criaram a capital. essa história quem me contou foi o Assefa, o guia mais risonho que já conheci, e que me acompanhou nos meus passeios pela Etiópia.

a capital etíope é bem grande, embora o centro mais conhecido seja concentrado. a questão é que Adis cresce espalhada. é linda e contraditória. com riquezas e desigualdades, que acredito que quem é brasileiro consegue ter a consciência dessa realidade por vezes bem parecida com a nossa.

impressões e dicas

particularmente, a minha experiência com a recepção do povo etíope foi muito boa. mas vale falar de algumas impressões e dicas:

  • língua nacional: é o amárico. que vem do tronco linguístico semítico. (mesmo do árabe, por exemplo). o amárico foi escolhido para ser a língua de trabalho do país, que tem cerca de 80 idiomas falados por lá. mas me senti bem tranquila, porque no setor do turismo, a maioria de quem encontrei falava inglês.
  • mulher viajando sozinha: me senti relativamente segura. infelizmente, ser mulher é estar alerta em todos os locais, então nada de novo. uma questão é que muitos homens perguntaram sobre meu marido (risos), mas isso costuma acontecer sempre que viajo sozinha (no Brasil, inclusive).
  • táxi: não pegue. foi o que ouvi de toooodo mundo. inclusive dos meus amigos dos hotéis. o que todos indicam é usar um app local chamado RIDE;
  • internet: não conte com ela. haha tô rindo, mas é de nervoso. mesmo no wi-fi o sinal é bem ruim. eu fui com um pacote internacional da Claro, e tentei também da Vivo, e simplesmente não rolou. acredito que o lance seja comprar um chip local, coisa que acabei não fazendo, mas não recomendo, rs;
  • segurança: em todos os hotéis, e até um bar que fui, há revistas e/ou detectores de metais. isso pode dar um clima um pouco tenso, mas entendo que é uma questão de segurança que só a história do país pode explicar;
  • segurança 2: como sempre faço, converso bastante com a equipe do hotel onde estou sobre os locais e a segurança neles. só saí sozinha à noite quando um amigo que mora lá me acompanhou. e durante o dia, é aquela coisa de evitar sair com o celular à mostra, etc. natural para quem vive em São Paulo;
  • moeda: Birr etíope. já vi sites indicando comprar a moeda de forma irregular, porque é muito mais barato. e, sim, vão te oferecer. mas eu indico usar um daqueles cartões de viagem para pagar hotéis e passeios turísticos, e pedir indicação de casas de moeda confiáveis para ter um trocado em dinheiro. o Birr está bastante desvalorizado, então poucos dólares vão resultar em um bolo de dinheiro local, não se assuste;

história milenar

império e resistência. a etiópia já foi um império, sabia? também conhecida como Abissínia, nome que até hoje é bem simbólico por lá e batiza até um banco do país. fiquei impressionada em ver como os etíopes conhecem sua história e fazem questão de contá-la. o país tem uma questão bem forte de demonstrar autoestima, principalmente em relação a países colonizadores, como os da europa.

aliás, a Etiópia se orgulha de ser o único país da África a nunca ter sido colonizado. apesar de ter sido ocupado pela Itália durante alguns anos, a nação manteve sua identidade ao máximo que pôde. isso, talvez, explique um pouco o que comentei sobre a segurança reforçada que vi por lá. mas isso é só uma impressão de quem veio de fora e ainda tem muito o que aprender sobre esse país.

a resistência etíope aos colonizadores é muito simbólica para o continente africano como um todo. tanto é que as cores da bandeira do país estão estampadas em várias outras bandeiras dos vizinhos, e ilustram as cores do movimento Pan-Africano.

com uma história tão longa, claro que uma parada obrigatória era o Museu Nacional da Etiópia! lá você vai descobrir porque o país, inclusive, também é citado por muitos como berço da humanidade. ❤

um dos pontos altos do museu é ver de perto a Lucy. ou Dinkinesh! quando foi descoberta, ela era o fóssil do hominídeo mais antigo do mundo. encontrado e conservado lá na Etiópia! o fóssil fica no laboratório do museu, e uma réplica está à disposição dos turistas, olha só:

tem tanta coisa que eu podia falar sobre esse museu. as artes de diferentes períodos e influências. os fósseis. os artefatos e utensílios antigos e os clássicos (usados até hoje!) de diferentes tribos da nação.

para você ter ideia, uma das coisas mais delicada e simbólica que vi foram banquinhos! isso mesmo. cada região e tribo etíope tem seu próprio estilo de bancos, usados para diferentes atividades. depois, eu vi como são usados na prática, inclusive nas cerimônias do café. mas isso é papo para um outro texto que #vemaí! fica de olho nesse blog 🙂

e, se quiserem, posso escrever sobre o Merkato, maior mercado a céu aberto da África, as igrejas que visitei e +! me conta lá no instagram/tha.experimentando se querem. E:

aproveita e se inscreve na newsletter!

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

5 coletivos de mulheres do café pra seguir nesse 8 de março

Dia internacional das mulheres. Vou começar com uma pequena polêmica. Recebi esses dias um e-mail marketing dizendo que a marca havia lançado o ‘primeiro café feminista do mundo’. Poxa. Eu sei que aquela marca tem o feminismo no nome… mas, primeiro do mundo? Sério? Num meio onde conheci tantas mulheres fodas. Trabalhos fodas. Coletivos incríveis! Muito anteriores a 2021. Fiquei bolada. Não sabia o que fazer com esse sentimento.. mas com o 08 de março chegando… decidi que era uma boa hora pra citar algumas mulheres que vieram antes.

Aproveito pra dizer que tenho aprendido MUITO com o feminismo negro sobre isso. Lembrar quem veio antes. Aquelas que abriram o caminho. Ouviram, viveram, escreveram e fizeram… E que o dia ‘das mulheres’ precisa realmente ser no plural. ‘Mulheres’. Somos muitas, diversas. Cada uma distinta da outra. Indico muitcho a coleção Feminismos Plurais, da editora Jandaria, organizada pela Djamila Ribeiro.

Agora, sem mais delongas… vamos a lista de 5 coletivos de mulheres incríveis do café?

  • 1- IWCA – A Aliança Internacional das Mulheres do Café. EITCHA. Vem de movimento internacional, bb. A IWCA tem capítulo brasileiro. E aqui dentro, vários subcapítulos espalhados por regiões produtoras.
    E quando eu digo espalhas pelo Brasil… não é brincadeira! Olha só onde tem grupos:
    Em Rondônia, no Norte Pioneiro do Paraná, no Sul de Minas, nas Matas de Minas, na Mantiqueira de Minas, no Cerrado Mineiro, na Chapada Diamantina, em Campos das Vertentes, no Espírito Santo. UAU! É mulher produtora incrível pra mais de metro. Com certeza tem um grupo mais próximo de você aí pra conhecer.
  • 2 – bucecoffeebr: “Bem-vindas ao Bucecoffee: um lugar seguro para as mulheres do café”, assim dizia o primeiro post desse coletivo que já me ganhou logo no nome. As fundadoras contam que o Bucecoffee é uma forma de expressão feminista da cadeia do café. Significa mulheres apoiando mulheres desde o plantio até a xícara.
    O grupo surgiu para ser um lugar confortável para tirar dúvidas, compartilhar receitas, conselhos, experiências, e muito mais. “A parte mais importante, foi criar um lugar livre de julgamentos para mulheres dentro de uma área predominantemente dominada por homens.
  • 3 – Selo Amor Espresso: Esse trabalho começou no ano passado. O projeto busca ajudar a quebrar o ciclo de pobreza e opressão da mulher no Brasil. Como? Promovendo a formação de barista para essas mulheres. Assim, com uma profissão, elas terão acesso a recursos financeiros e isso impacta direto nas comunidades vulneráveis. A Jornada da Autonomia, criada no projeto, envolve 7 semanas. Nesse tempo, há acompanhamento psicológico treinamento profissional de Barista.
  • 4- confrariadocafesm: Vou estar puxando uma sardinha pra minha cidade do coração? Sim, rs. Aqui em Poços, a Confraria do Café do Sul de Minas reúne mulheres para compartilhar conhecimento e experiências. Tem produtoras, consumidoras, empreendedoras. É uma alegria ver as fotos dos encontros delas, saber dos trabalhos que promovem juntas. Vale a pena o quentinho no coração.
  • 5- elastorram: Aqui entra uma parte da cadeia que eu fico animadíssima quando vejo uma mina. A torra do café. Ciência pura. Acho que é uma das etapas consideradas mais complexas. E ver mulheres mestras de torra é a certeza de que mulheres e ciência tem tudo a ver! É aí que entra o Elas Torras, instagram que compartilha a história dessas ‘torradoras’ incríveis. A iniciada da Moni Abreu vem identificar, valorizar e impulsionar mulheres envolvidas com torra!

Bônus: marcas de cafés que visibilizam mulheres

  • lunaroastery: Essa torrefação é feita por duas minas, e está nas suas últimas semanas de venda antes de uma pausa! Aproveite 🙂
  • MOBI – grupo de mulheres da Coopfam: Eu já provei os dois cafés produzidos pelas incríveis cafeicultoras da Coopfam. Ave, ques trem bom! Meu preferido é o Café Orgânico. Vem cá pra ver a resenha: Orgânico, feminino e macio. O café produzido pelas mulheres da Coopfam
  • As produtoras de Mtão, no Paraná, também vendem seus cafés! Em parceria com a Supernova, olha que lindeza de pacotinho do blend ‘PIONEIRAS‘.
  • projetoconsolida: Embora esteja pausado, o Projeto Consolida tem um lugar especial no meu coração. Conheci elas através do PuraCafeina (outra empreendedora fodaaa pra você conhecer já!). E me encantei com os detalhes. São apenas cafés produzidos por mulheres, torrados por elas e que levam nas entregas uma arte – também de minas. E a torra… meu Deus, que primor!