vamos falar de criação de conteúdo? e de desinformação hypada e precarização no café?
já fez um café correndo, com a moagem que apareceu na frente, tacando a água de qualquer jeito? e provou como fica depois? então, vamos falar de conteúdos feitos desse jeitinho.
começamos com exemplos práticos dessa desinformação hypada (e precarização) e, depois, a gente vai se aprofundar, combinado?
- coar café com uma fatia de bacon (
ou qualquer comida que achar).
- termos técnicos jogados e ‘fermentações’ milagrosas.
- compartilhar conteúdo histórico com erros básicos.
- precarizar profissionais de conteúdo = não pagar por palestras, mediações, parcerias e afins.
1 – Trends bizarras: colocar bacon e outras comidas no café coado
Isso dá visualização. E como dá! Mas alguém acredita que faz sentido coar um café com uma fatia de bacon junto?
Deve ter quem acredite, sim. E até quem goste. Eu tinha um amigo que comia linguiça com leite condensado e adorava. O ponto, então, não é gosto. Mas, sim, o desespero por likes.
Eu e criadoras que eu admiro (como a @PuraCaffeina) recebemos sempre mensagens diretas (DMs) compartilhando esse tipo de vídeo. Não é nosso estilo. Por que, então, as pessoas compartilham? Pelo absurdo. Pela vontade de dizer: “olha isso, que bizarro”.
especialista em café. será?
Eu te respondo: não. Isso não é ser especialista em café, isso é estratégia de crescimento com base no absurdo.
eu sei que é tentador compartilhar as doideiras, masss você pode muito mais! por isso, compartilhe e salve posts de quem estuda e quer democratizar o acesso ao café como alimento de qualidade.
formas de criar conteúdo
existem diferentes estratégias para criar conteúdo. o modo turbo dos virais requer velocidade. o que muitas vezes significa sair passando a bola pra frente sem pensar. como naquela brincadeira da ‘batata quente’, sabe?
só que todo conteúdo traz uma informação. pode ser através da música, do texto, da fala, da dança… enfim. nenhum vídeo, foto ou post, mesmo os mais rápidos, vem num ‘vácuo’. afinal, é conteúdo.
por outro lado, tem estilos mais ‘slow content‘. aqueles criadores que aparecem vez em quando, sem necessariamente seguirem trends. um conteúdo que muitas vezes tem aquela carinha de ‘acordei assim’. toda naturalzinha. e esses? bom, eles também tem uma mensagem. mesmo os que parecem mais ‘despretenciosos’.
e, por fim, chegamos aos conteúdos especializados. ou naqueles que são lidos como especializados. é mais ou menos por aqui que quero estacionar com vocês. bora dar uma olhadinha de perto? e, claro, focando no nosso café de cada dia?
2- fermentação (nem nada) sozinha não faz verão
mais uma pequena polêmica. falar ‘difícil’ ou usar termos hypados também é estratégia.
eu tive um professor que dizia “escrever difícil não é escrever bem”. e é exatamente nisso que eu acredito! só que usar termos técnicos pode, sim, passar uma imagem de ‘especialista’. e quando a pessoa só joga as palavras por aí, sem conhecer mesmo, acaba sendo só enganação.
um exemplo bem atual é falar de fermentação – baita assunto complexo – como se fosse a tábua de salvação de um café. “Ah, tal café é fermentado, por isso é tão bom”.
gente, fermentação pode ser feita de várias formas. é complexo e é caso de saúde. se você é produtor, busque cursos com quem sabe realmente sobre isso. não faça correndo, sem estudar, só porque estão pagando melhor. e se tu é consumidor, vai com calma. confia no seu paladar mais do que nos coachs.
3 -compartilhar conteúdo histórico com erros básicos.
é o seguinte, todo mundo está sujeito a errar. isso tá claro. mas produzir visando só os likes… sem pesquisa, sem embasamento, sem noção até (rs)… é muito diferente de errar tentando acertar.
isso acontece em todas as áreas do conhecimento e divulgação. inclusive no café! mas, por favor, se você se propõe a ser criador de conteúdo/influencer… estude. pesquise. diga de onde veio aquela informação. é o mínimo.
se a ideia é informar, e não levar desinformação hypada, pesquisa é só o começo. q é uma delícia, vai por mim. eu amo fazer! se quiser, me contrate 🙂
4 – você apoia grandes eventos que precarizam profissionais de conteúdo e nem sabe
uma palestra incrível. um painel com uma baita mediação e convidados que trouxeram muita informação da boa!
e todos esses trampos não são remunerados. já imaginou? nem precisa. essa é a realidade na maioria dos grandes eventos do café. e eu estou falando de eventos grandes mesmo, tá?
os Mestres de Cerimônia dos campeonatos, por exemplo. já perguntou para algum deles como tá o pagamento pelo trabalhão que dá apresentar uma disputa tão específica?
melhor: vamos começar a perguntar aos organizadores dos eventos:
-Quanto você paga para trazer conteúdos bons? (evento que cobra entrada, cobra espaço de exposição e tem patrocínio, viu).
se a resposta for que não pagam nada, ou pagam muito mal, há algo muito estranho no reino do café especial… concorda?
mais conteúdo em vídeo, foto e algumas reflexões em @tha.experimentando

