Por que Cândido pintava coisas horríveis?

Vejo ele lá no fundo. primeiro fico feliz. é um reencontro. Vou andando entre os quadros… e penso em Cândido. Penso nas pessoas que ele pintou. eu já conheço elas. mas sempre tem mais uma lágrima ali. muda.

Imagem: Reprodução da obra Retirantes, de Cândido Portinari

-ainda não está nada no lugar, cândido.

olho uns bocados de minutos. clico. e ouço um menino:

-Por que ela está tirando foto de uma coisa tão horrível?
-Não é horrível – Uma moça responde.

-é horrível, sim – eu queria responder. eu queria saber rápido o que responder. e eu queria não ter o que responder.
mas só falei com o Cândido.

Retirantes.

-por que mesmo você pintou uma coisa tão horrível?

“… uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. Só o coração nos poderá tornar melhores e é essa a grande função da arte”.
Candido Portinari”

cândido, é dolorido. faz tanto tempo. e ainda é.

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Eu escrevi esse texto acima em uma das minhas idas ao Masp, na Avenida Paulista.
Lá, moram algumas obras do Portinari. Ele me emociona. Em tempos bizarros quanto mais Cândidos, melhor.

E para quem não é de São Paulo… vale muito uma visita virtual. Onde? Pelo projeto do Google. Eles selecionaram as obras de Portinari – que estão espalhadas em museus diferentes.

Espalhemos a arte que nos choca. Porque, talvez, essa seja justamente a sua função:
Recomendo, especialmente, a seleção: “O Pintor Social“.

Audrey Hepburn e Salvador Dalí te encaram na exposição de Irving Penn: centenário

Natureza morta, fotografias em preto e branco mais vivas que muitas que já vi por aí mas o que mais me chamou a atenção na exposição que visitei no IMS – Paulista? As caras que me olhavam no fundo dos olhos. Os retratos de Irving Penn vão te encarar. Eu sei disso, porque me encararam. Rindo-se. Sérios. Profundamente...

Audrey Hepburn – sorrindo e conversando com com você só com os olhos.


Não se perca: a entrada para a exposição fica no terceiro andar! Ao final? Você desce as escadas e continua se encantando no segundo andar! Giro ao contrário. 😛 É tanto foto que são divididas em 12 eixos temáticos. Em cada seção, a curadoria destaca o processo de experimentação que permeia a produção do artista. 

RETRATOS QUE TE ENCARAM 
Em 1947, sob encomenda da Vogue, Penn começou a fotografar intelectuais que viviam em Nova York. Esses retratos, presentes na segunda sala da mostra, foram feitos em um cenário pouco convencional: um canto estreito, formado entre dois tapumes. Isso, pra mim, foi incrivel de ver! Como a gente é diferente e igual enquanto humano. Vulnerável naquele cantinho.

Acuados nesse pequeno espaço, os modelos hesitavam, mas Penn os estimulava a improvisar, “sabendo que acabariam se revelando ao tentarem acomodar seus corpos, egos e expectativas à estrutura”, como afirma Maria Hambourg. Nessa famosa série, o fotógrafo retratou nomes como Igor Stravinsky, Marcel Duchamp, Alfred Hitchcock e Truman Capote. E tem os inconfundíveis Salvador Dalí e Audrey Hepburn (que não resisti, fotografei, e tá ali em cima). 

Outro cenário, nos mesmos tons, era esse fundo aberto. E uma luz incrível que só fotgógrafo sabe arrumar!

Pedacinho interativo! Aqui, um fundo com luz simulando o que Irving usava em seus retratos…
Ao fotografar, Penn dedicava grande atenção aos detalhes, preferindo trabalhar no estúdio, onde se sentia mais confortável para criar. 

QUEM RESISTE TESTAR ESSA LUZ???


A exposição Irving Penn: centenário começou agora em 21 de agosto, e já foi exibida pela primeira vez no Metropolitan Museum of Art (The Met)! A mostra faz um panorama da produção do fotógrafo norte-americano, reunindo mais de 230 fotografias. Irving Penn (1917-2009), além de trabalhos inovadores no campo da moda, produziu retratos, naturezas-mortas, nus femininos, peças publicitárias, entre outras obras. A curadoria é de Maria Morris Hambourg, curadora independente, e de Jeff L. Rosenheim, curador do departamento de fotografia do Met. 

E tem tanto mais! Cola lá. Entrada gratuita aos sábados! 

Se liga no vídeo, produzido pelo IMS Paulista, sobre essa exposição:

Vídeo – Ocupação com poesia no Sul de Minas

Um ano atrasada. Graças a Deus existem coisas que são atemporais – pensei comigo. Aqui vai um bel exemplo de uma dessas coisinhas que o tempo não consegue dispensar: poesia!
O #Esquina, grupo formado em Poços de Caldas, fez mais uma de suas ocupações em bairros periféricos da cidade. Isso foi lá pra 2014 e, para minha sorte, eu estive junto. O resultado foi este registro experimental, cheio de defeitos, dedicação e um pouco da arte contagiante que rolou neste dia.
Antes, duas amostras grátis dos trabalhos dos poetas, de quem me tornei fã, presentes nesta tarde aquecida do Sul de Minas.
“A arte não me levou onde eu queria
mas fez do meu coração um lugar habitável”
“a justiça tarda
mas não farda
#versosparaaumentaromundo
#alguémexplicaproalckmin”
Agora, só dando play para saber: