PODE PÁ: Emicida comenta Passarinhos, Baiana e Quadris

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa e, muito, MUITO mais do que poderia caber em um dos enormes títulos que esse cara gosta de dar aos seus discos.

Essa semana o  Alexandre Matias e seu #JornalismoArte convidaram o Emicida para uma aula de música e entrevista em profundidade. A experiência de estar ali valeu – e como! – o registro. Foi muita história e lembranças de Angola, Cabo Verde e Madagascar, países africanos que o rapper visitou para conceituar e produzir o CD.

Entre tudo que ficou na memória, tem o que foi possível gravar para ouvir repetidamente. Ficam aqui alguns comentários sagazes e cheios de conteúdo sobre duas faixas e uma das palavras chaves do SCQPL:


A participação de Caetano Veloso na música Baiana
O ritmo delícia vem logo de cara. Com um pouco de atenção dá para notar as muitas referências às figuras e locais marcantes da Bahia. Mas o que você não esperava é o seguinte:  Lembra quando Caetano deu bronca na equipe para aprender a usar a crase? O Emicida lembra bem.

QUADRIS livres
Cada palavra do consistente título do álbum tem seu significado e trabalho.
Para falar sobre Quadris foi preciso que uma cena lá em outro continente mostrasse o quão livres devem ser para movimentarem-se para onde e como quiserem.

Passarinhos tem muito a ver com o banzo
A música prende pela cantoria dos protagonistas – a passarada – logo no início. Mas a letra mostra que não se trata de pura fofura. É bem mais.
Faixa cheia de delicadeza e sentimento ganhou com a voz de Vanessa da Mata, mas vale ouvir quem são as duas outras mulheres que deram uma força para a música entrar no álbum.

Opinião – O Som do Pasquim: que trilha!

A delícia da oralidade sem frescuras e da entrevista cara a cara

Acabou meu som. E continua ecoando. Que livro! Quantos nomes… do lado de cá, Jaguar, Ziraldo, Júlio Hungria, Ivan Lessa… de lá, Caetano, Morengueira, Luiz Gonzaga, Raul Seixas (ah, Raulzito!). Caramba! Lupicínio Rodrigues. E eu nunca tinha ouvido esse nome.
– Como não? Mas ele é um dos grandes.

Eu sei, pai. Agora, eu sei.

O Som do Pasquim estimula a vontade de entrevistar cara a cara. No bar, em casa, na redação. Preservar a naturalidade com a qual esses gênios/ cantores/ músicos contam suas mais íntimas convicções e revelam seus mais descuidados preconceitos – Waldick Soriano e Agnaldo Timóteo dando um show de ‘moralidade’ às avessas e machismo. Com ressalva do Agnaldo aos 45 do segundo tempo, mais precisamente em nota anexada a entrevista -.
Mais que isso, estimula aos leitores. A vontade de saber exatamente o que o tal cara disse sobre tal assunto. Resposta limpa, na íntegra. Com comentários – que comentários! Sutileza não tem vez quando é se pode ser claro.

E é Caê naquela naturalidade, e é Chico Buarque na mesa do bar, direto e reto, e é Gonzagão falando do pai, com o filho, Gonzaguinha acompanhando a entrevista!, e é Antonio Carlos Jobim atribuindo seu sucesso musical à bisavó, que “tinha uma musicalidade excepcional”. Ah – suspiros! –  

Livro de cabeceira para apaixonados por música – tem mesmo gente que não é? – e para todo e qualquer inclinado à carreira de perguntador.

p.s: Jaguar, eu senti as dores dos seus foras na entrevista com o Chico. Tamo junto.