uma ‘boa cafeteria’ tem que ser descolada?

(já dá pra saber a resposta pela minha cara na foto que abre esse texto) eu tava em uma cafeteria lindíssima. descolada. ponto alto de Cusco, no Peru. e o espresso? bom. acidez nível chupando limão e equilíbrio nível nenhum.

mas essa provocação do ‘ah, se tem cara de ‘não-descolada’ eu nem vou’ é coisa que percebi nos últimos tempos. ouvi, mais de 1 vez, sobre o que se considera uma boa cafeteria. eee como dou um boi pra não entrar em treta, e 1 boiada pra não sair dela… vou falar uma paradinha pra vocês 😊. a fórmula mágica não existe. é um lugar descolado? que tem um café que custe o salário mínimo? ou aquele que te falaram que é incrível? pequeno? grande? salões e cadeiras coloridas? minimalista?

eu não sei. só posso te dizer: nem tudo que reluz é ouro. nem tudo que é descolado é de qualidade. nem todo dinheiro que cê paga no seu pacotinho remunera bem os elos da cadeia. de produtor à barista. a cafeteria que cê paga um pau tá devendo algum deles? talvez sim.

são muitos pontos que compõe um lugar bacana. mas eu olho muito o café especial como 2 coisas: o produto em si. e as pessoas que fazem ele. tem tanto pacotinho sendo vendido como exótico, mas que só é médião. e tanto lugar bonito que não dá nome e nem protagonismo pra quem produziu.

só um café bom. é tão bom!

fico pensando… qual o problema de vender um café que é bom. e dizer isso. e qual o problema de ser bom? bom é uma delícia. é o suficiente em boa parte dos meus dias, inclusive!

só que parece que os descolados não concordam. ou não querem concordar. pra cobrar 60 reais em 150 gramas… eu realmente creio que o café PRECISA SER INCRÍVEL. e dizer de onde veio, quem produziu, torrou… e pagar bem cada parte envolvida.

enfim. pode cobrar caro, porque vai ter público. pode ter um espaço descoladão, porque vai ter cliente. pode – e deve – aparecer nas mídias. se posicionar. eu amo isso tudo. e agrega valor mesmo. MAS concluir que ‘só’ por isso o café é bom? já é outra história…

tem muito pacotinho no kraft que tá entregando mais que embalagem requentada. e muita portinha ou salãozão que vende de tudo, comida, drinks, doces… mas que mesmo assim tira um espresso muito bem tirado. eu amo demais essa sensação. e tenho pensado… ‘instagramável é daora. mas amável é bem melhoooor!’.

São Paulo Coffee Festival chegou BEM: experiências e consumo realzão

o que eu vi nesse São Paulo Coffee Festival dificilmente eu vi em outros eventos. experiências, mais diversidade e consumidores reais!

foram 2 anos aguardando essa edição presencial do São Paulo Coffee Festival. E, como diz a chamada na entrada do evento: “CHEGAMOS, SÃO PAULO”. e estreando muito bem, por sinal.

a edição online do ‘SPCF em casa’ já tinha sido linda de ver. mas estar na bienal do Ibirapuera! andando pelos corredores de uma feira exalando café… afff, foi emocionante.

é por isso que quero deixar registrado aqui nesse texto um cadinho do que vi e senti. bora pra esse tour? SÓ ARRASTA PRA LER 🙂

pra consumidor real!

um dos pontos altos dessa feira foi ver gente que curte café, mas não vive café. sim! porque na maior parte dos eventos que acompanho, o público maior é profissional. produtores, torrefadores, baristas… mas e os consumidores?

mas no SPCF a maioria das pessoas circulando eram gente que compra, consome. muitos buscam informação e até estudam a bebida. mas boa parte ‘só’ queria tomar e levar um café bom pra casa! uma moça me perguntou:

-você trabalha com isso? então, me diz, qual café moído é bom para eu comprar?

pergunta genuína. objetiva. e que eu queria muito ter respondido com um ‘DEPENDE’. mas tentei uma manobra, pra não perder de vez essa interlocutora que tava pronta pra me ouvir.

-olha, qual tipo de café você gosta? porque aqui tem de tudo! e na maioria dos estandes você consegue experimentar antes de levar!

assim foi o papo… ela me explicou o tipo de café que gostava. um clássico. simples e ‘forte’. o que eu hoje entendo como um estilo ‘encorpado’, doce, até básico. indicou umas três opções… e lá foi ela. experimentar.

créditos dessas 3 fotos e da foto de abertura desse texto: dos incríveis da Agência Ophelia/Divulgação São Paulo Coffee Festival

experiências e degustações

bom, como boa experimentadooora, eu fiquei de olho no que rolou ali no SPCF. além de todas as aulas nos espaços criados pela organização, o evento tava cheio de possibilidades. cito aqui algumas:

  • harmonização de queijos e cafés! vi + de um estande oferecendo essa delícia;
  • cappuccinos e diversos tipos de bebidas com leite vegetal;
  • opções de sorvetes! pago e/ou grátis (infelizmente, essa não deu pra mim kkkkring);
  • cafés gringos no estande da CULTO;
  • espresso x coado! muitos estandes tinham as duas opções e é uma delícia ver a BAITA diferença que dá o mesmo café dessas duas formas.

diversidade

aqui abro espaço para um debate. havia equilíbrio de origens, etnias e tamanhos o suficiente? não. mas o que eu vi nesse São Paulo Coffee Festival dificilmente eu vi em outros eventos, como um todo. englobo aí os de café, os de alimentação, os nacionais e os gringos onde já estive.

fiquei emocionada de ver famílias pretas passeando pela feira. provando. manjando ou aprendendo de café. vivendo aquilo ali. vi muitas equipes mais diversas do que há alguns anos.

vale dizer que ainda vejo muita padronização como um todo. branquitude. magreza. elitismo.

mas vi muito mais mulheres com a palavra. vi homens e mulheres negras ministrando cursos ou dando aula nos estandes. vi gente diferente. e isso é inspirador pra mim, uma mulher branca cis, mas sem grana e fora do padrão de magreza e de estética, no geral.

falta TANTO! mas, honestamente, é emocionante ver alguma movimentação no setor… é ‘a galera do café’ que precisa mudar como um todo. de pouco em pouco, eu vejo gente entendendo e agindo. é isso que traz mais diversidade pra cá. abrir as portas, os cursos, as vagas de emprego, os holofotes…

que as próximas feiras, cafeterias, torrefações, eventos todos sejam mais recheados de gente diferente. gente do café é gente que parece mais com o nosso país, no melhor sentido dele.

é tudo cappuccino? [+ uma experiência em cafeteria ‘to go’]

sim, lá vou eu em mais um to go. pega e vaza, enfim. mas dessa vez a expectativa era mais alta!

eu fui em uma unidade de um restaurante que amo. sim, lá vou eu em mais um to go. pega e vaza, enfim. se cê não leu o texto anterior, espia aqui. mas dessa vez a expectativa era mais alta. um espaço daquele lugar que eu gosto tanto, e mais pertinho de casa! afff, que alegria. não é bem uma cafeteria, mas tem, adivinhem, cappuccino!

daí que a comidinha tava bem gostosa! mas a apresentação… ou melhor, a entrega? ah. como é que eu vou dizer? seria ok pra um grab and go SE não fosse dentro de um shopping.

por quê? porque ali tem estrutura para as pessoas se sentarem enquanto comem e AÍ SIM, saírem vazado. é coisa básica. uma bandejinha pra apoiar a comida. um copo de um material mais ok. por mais besta que pareça, foi disso que eu senti falta.

e agora vem o questionamento relacionado ao café em si. essa loja vende alguns tipos dele. e eu pedi meu cappuccino. tinha lá no cardápio, uai. pedi. e chegou? bom, um café com um tanto de espuma de leite por cima.

e isso não é cappuccino? bom, vamos ao *polêmica alert*.

por que não chamar de média?

não tem absolutamente nada de errado com o bom e velho pingado. ou numa média. aquele café com leite, namoralzinha. é afetivo. e, se tem ingredientes bons, fica uma delícia sim!

mas daí as marcas querem falar que vendem cappuccino. mocha. unf, respiros fundos. pra quê, gente? se não vai servir o trem que tão prometendo… pra quê?

vamos dar uma olhada nas medidas:

o que é cappuccino?

a marca italiana illy diz: “Um cappuccino corresponde aproximadamente a 150ml de bebida, composta por um espresso (30 ml) + partes iguais de leite e crema de leite“.

mas há controvérsias. nesse artigo do PDG gringo (traduzido), tem algumas opiniões e vivências de baristas sobre.

pois é. no caso do shopping, algumas coisas decepcionaram. a medida menor do que os 150 ml esperados. e o leite que veio pura espuma. não rolou muita cremosidade… enfim.


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Processando…
Sucesso! Você está na lista.

miraram no cappuccino e quase acertaram no macchiato, rs. mas acho que podia ter ficado tranquilamente na brazuca ‘média’, que geralmente acompanha pão na chapa. ia ser lindo! autêntico.

mas a embalagem, olha… ☹️. não por ser descartável, mas por ser de um papel com cara que ia se desfazer.

e aí volta o lance de não ter nem bandeja pra apoiar o pedido, que veio pelando de quente.

a atendente foi muito fofa e me descolou uma bandejinha. mas garantiu que esse não é o costume ali naquela unidade.

ou seja, comida boa. café ok. mas nada exatamente como o ‘combinado’. cappuccino é outro esquema. loja de shopping, pelo menos um pratinho ou bandejinha, é o habitual.

triste. saí com aquela impressão que não valeu, sabe? coisas de uma cliente que, em geral, só não volta mais. e você, já teve experiências assim? ou acha de boas? questão de adaptação aos novos {velhos} tempos?