futuro da comida: laboratórios ou orgânicos?

a maior feira de alimentação do Oriente Médio. um fórum sobre a comida do futuro. uma das cidades mais cosmopolitas da atualidade. e eu, lá no meio!

em fevereiro, tive + 1 oportunidade DAQUELAS. fui à trabalho pra dubai. cobrir eventos sobre alimentos, agricultura e tecnologia. a Gulfood e Food For Future Summit & Expo (onde tirei a foto de capa desse texto!) e eu vi TANTA coisa! ficou até difícil contar pros amigos e família ‘como foi a viagem?’. então, decidi escrever.

comida feita em impressoras 3 D

começando com as expectativas. pré-viagem. olhando algumas companhias que estariam em eventos em dubai… de repente: comida impressa.

sim. uma das empresas está desenvolvendo carne feita em impressoras 3D. ~basicamente~ a ideia deles é utilizar algumas células de um bifão que já existe e, com elas, produzir mais carne. bizarro, né? ainda preciso, francamente, estudar muito mais pra entender a real das impressões em 3D.

inovador é. mas – vide NFT – toda inovação é boa? quanta energia e recursos seriam gastos pra produzir essa carne? qual recurso é esse? pra quem o produto seria acessível? já podemos imaginar algumas respostas.

também é uma solução de alguma forma menos cruel com os animais, já que não seria preciso criar + gado para depois abater. mas a que custo para quem consome? se ultraprocessados já são um problema quando se tornam base da nossa alimentação, imagina como seria o cenário com carnes ‘criadas’ em lab?

todas essas perguntas seguiram em diferentes inovações que vi. a tecnologia vem, claro. mas gosto de pensar que junto vem um questionário. ou seria bom se viesse.

mas quer saber o que + encontrei em dubai no final das contas? orgânicos!! e alimentos produzidos no meio do deserto da Península Arábica. é mole?

orgânicos do deserto

perto do Food For Future eu já tava desconfiada que o jogo ia virar. na Gulfood, eu já visto muito ‘organic‘, ‘vegan’, ‘plant based‘. proporcionalmente, pouco ‘lab’ ou ‘3D’. depois disso, visitei uma feira com pelo menos 3 bancas de produtores orgânicos e locais. COMIDA PRODUZIDA NO DESERTO, literalmente. de mel à vegetais.

claro que aqui há o meu viés pessoal. sou mais atraída por agriculture do que high tech. dá pra pegar a diferença? mas de toda forma, realmente me surpreendi com a quantidade de ‘fazendas’ e projetos de alimentação raiz nos emirados.

só como exemplo: a Emirates Bio Farm. a maior fazenda de produção orgânica do país. e faz delivery direto da produção pros consumidores! a propriedade, em geral, também recebe visitas. uma espécie de turismo rural árabe. infelizmente, por conta da pandemia eles estavam fechados :(.

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Al Janiah é Palestina Livre cultural, gastronômica e viva!

Se trata de um mundo com fronteiras. Refugiados para quem? Linhas. Que não existem. A linha do equador existe? E o trópico de capricórnio? Nossas limitações são imaginárias.

Eu queria mergulhar no universo dos outros. É tudo coisa da nossa cabeça. Então, conheci o Abraço Cultural – dele, eu falo mais em outro post! por causa disso, eu cheguei até a Al Janiah. 
No muro da Rua Rui Barbosa, 269, um grito: Palestina Livre! 

Palestina livre! Foto: Thais Fernandes

Inventadas nossas línguas, árabe é desenho. Que desenho mais lindo! Logo na porta desse restaurante-resistência, o moço anota meu nome. 
-THAIS, digo, com H.

ثيس  , ele anota
Surpresa desde a porta. Aprendendo. Ele indica as mesas. Lá dentro, tem palco. Às vezes música árabe. No que eu fui? Cantoria Cubana. Antropofagia. A liberdade e diversidade ali é incrível.


No cardápio, muitas comidas típicas. Minha professora e amiga síria, Nour, indica! É referência mesmo do que é comida árabe tradicional. Comidinha da vez: FALAFEL(R$17) Chega a salivar… bom demais! Bolinhos para pedir com os amigos e dividir como aperitivo. (ou comer todos, o que dá vontade). Também por estarmos em turma, teve espaço para Prato Pastas (25), Prato de Taouk (22) eeeee….

Bebidas, amamos: Palestina Libre – tem arak. Essa bebida é tradicional árabe/plaestina. Tem hortelã, pimenta biquinho e um toque de cachaça artesanal. Vale bem, é álcoolica, mas suave! Olha só a cara dele:




Alguns dos nomes também são resistência. Retorno a Haifa (22), por exemplo, cita o nome de uma antiga cidade estratégica de Israel. O drink leva vodka, miturada ao chá o limão.

No final? Mesa com doces. Coloridos. De encher os olhos. Os donos da banca, falantes, contam tudo. 
Doces árabes. Mesa exposta na saída do Al Janiah / Foto: Thais Fernandes
Só sei que ‘refugiado’ é uma palavra inventada. Num mundo onde estamos pra lá e pra cá. Imigrantes e emigrantes todos os dias. Nesse corre-corre, o Al Janiah é refúgio. Encanto. Comidas, bebidas. Pessoas! 


BÔNUS: Do lado de fora, uma biblioteca móvel fica estacionada. Estacionada? Movimentando, cheia de livros lado B. Vale!