Reportagem produzida para a 7ª edição do Jornal Laboratório “O Foca”.
Com licença, Damas na Direção
Cada dia mais mulheres tomam a frente como motoristas
A velha rima “mulher no volante, perigo constante” é mesmo coisa do passado. Duvida? Segundo dados da Seguradora responsável pelo DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), de todas as indenizações pagas no ano de 2012, apenas 23% foram destinadas à mulheres. Desse total somente 34% das indenizações foram recebidas por motoristas.
Aqui mesmo, no estacionamento do nosso Campus, a presença feminina já é maciça. Só no dia 18 de março foram contabilizadas 82 mulheres contra 91 homens na direção dos carros. Um número que a cada dia se torna mais equilibrado.
A independência é um dos principais motivos para elas deixarem o banco de passageiros. É o caso de Carolina Medeiros, 7º período de Direito noturno. “Ser motorista é resolver problemas sem precisar, na maioria das vezes, do auxilio de ninguém. A maior facilidade é a agilidade. Um carro além de trazer comodidade, encurta distâncias e atrasa relógios”, revela a garota.
Carolina se mudou para Frutal em 2010 e logo trouxe seu carro para facilitar a vida nova. Para voltar para casa, em Ipatinga, durante os feriados ela dirige na BR-381, uma das mais perigosas do país. A experiência nas rodovias trouxe segurança à estudante que já percorreu outros trajetos ao volante. “A maior distância foi uma viagem de fim de ano para a Bahia. Aproximadamente 1200 km, só a ida”, conta.
Apesar da experiência, Carolina admite que enfrenta dificuldades durante suas viagens. “Os perigos são diversos. O que me assusta mais é que na maioria das vezes eu viajo sozinha, e uma mulher que é acometida por qualquer transtorno durante uma viagem, como problemas mecânicos, sofre, sem dúvida, com a vulnerabilidade”, revela a estudante, que tem apenas conhecimento básico de mecânica: continuo rezando para que nada de mais complexo aconteça com meu carrinho.
A fase da habilitação costuma despertar todos os sentimentos e deixar os nervos à flor da pele. Sirlei Queiroz da Silva, aluna do curso de Sistemas de Informação, passou por isso em 1999. Ela revela que não foi apenas questão de praticidade: foi por vontade própria um sonho que concretizou-se.
Hoje, Sirlei, que dirige carro próprio afirma que valeu a pena vencer o nervosismo e conquistar a habilitação. “O desafio foi enfrentar a parte emocional. Sou muito nervosa, mas em compensação consegui superar com tempo e prática no dia a dia”, afirma. Ela revela ainda, que não se imagina mais sem dirigir: Acho que não fico mais sem o carro não e inclusive estou pensando em trocar de carro (risos).
Sobre duas rodas
Em se tratando de mulher, não pense você que qualquer veículo serve. Tão exigentes quanto com o guarda-roupas, as motoristas são com seus veículos. Elas pesquisam antes de escolher e nesse quesito alguns modelos de moto tem ganhado a preferência do público feminino.
Gleice David Rodrigues dirige uma Biz há 15 anos. “Escolhi meu modelo por ser mais seguro. E melhor também, pra você ter uma noção da pra andar nela de saia. Pra mulher é melhor.” A estudante do 5º período de Administração também tem carteira de carro, mas explica que sua atual opção é a moto. “Ela é uma ferramenta de trabalho, não dou conta mais de viver só de carro. Com o preço da gasolina, não tem como ter apenas o carro.”
A estudante lembra que em Frutal e na própria UEMG observa-se um número crescente de mulheres pilotando, mas nem tudo são flores. “O trânsito aqui é péssimo pra qualquer um. Não só pra moto. É terrível, quem dirige em Frutal, dirige em qualquer lugar.” Gleice ressalva ainda que na hora de pilotar é preciso ter calma. “No trânsito mulher é mais cuidadosa”.
Contudo as mulheres que dirigem também têm suas vantagens. Gleice conta que já recebeu tratamento especial em oficinas mecânicas. “Quando é mulher, eles (mecânicos) são mais gentis. Já aconteceu no funileiro quando o meu ex-marido levou o carro ele cobrou um preço. Quando eu levei, sem falar nada, já foi mais barato”, revela.
E se ainda assim você não acredita na eficiência da mulherada: conforme-se. Vai ser difícil tirá-las da direção. Agora é acompanha-las e, quem sabe, pedir uma carona.
