Deixe café pago para o próximo na Motherland Coffee – na África do Sul

Por Thais Fernandes 

P
ara aquecer meu coração nesse friozinho… comecei a me lembrar das aventuras em Cape Town, um ano atrás. Deu saudade! Em Cidade do Cabo eu conheci o mundo! Como é que sairia de lá sem conhecer os cafés? Hora de colocar esses grãozinhos para trabalhar a meu favor. Falar inflês e viver! E, fora que já tinha dado aquele café solúvel das escolas, casas... OMG. 


Assuntando com os sul-africanos. Upando o nível de cafeína no organismo. Assim meus dias passaram deliciosamente. E aqui vão minhas lembranças mais quentinhas das melhores cafeterias que visitei na África do Sul. Começando por essa:
  

Motherland Coffee Company – share your love! 

Lembra que Cidade do Cabo é conhecida como Mother City? ❤ Com muita fofura, a Motherland Coffee Company se apropriou do apelido. E criou uma cafeteria no centro da cidade. Clima de inverno lá fora – quentinho lá dentro. Olha só essa belezinha.

Isso aí. Você podia deixar um café pago para o próximo + recadinho compartilhando amor. Muito motherland, sim. E os cafés? Espresso bem tirado pra mim. Cappuccino pra Alice, com direito a latte arte de coração. 

Love this place: 

Como dizia uma das paredes do MotherLand, Africa is the future”. I totally agree!

Onde fica? Mandela Rhodes PlaceWale St & Georges Mall, Cape Town City Centre, Cape Town, 8000, África do Sul 

Como está sendo seu retorno?

Já se passaram duas semanas. Gigantes.
Vou ter que explicar de um jeitinho todo meu e que é o único que eu posso. Está sendo surrealista. Sabe aquelas pinturas dos relógios derretendo? Estou toda Dalí. Salvador me falta. É como se tudo tivesse sido um sonho. Três meses lá na África do Sul e parece que se passou um dia no meu país. Na minha família. Nos meus amigos. As casas, eu penso, como as casas podem estar tão iguais? Não são elas que estão iguais. Sou eu que derreti feito os relógios. Meu tempo lá passou sem horário. Cinco horas de diferença e anos de experiências de uma vez só.


Encolhe e esquece o que ficou pra trás, me falou a Alice. Não essa, a do País das Maravilhas mesmo. E tudo que eu vivi veio de uma vez. Um combo de emoções por dia. Três tapas na cara. Um de raspão que eu não sei por quê veio, mas sei de onde, é machismo todo dia aqui, por quê não ia ser lá? Os outros dois também foram, qualquer dia explico.
Beba-me, esquece, coma-me e cresce agora, dizia a África todos os dias. Eu e os meus bebemos até o fim. Todos os dias bêbados de novidade, nenhum dia de ressaca. Quem tinha tempo pra isso? No Sul o tempo não se arrasta. Toda vez que o sol toca o mar, ele é engolido tão rápido! E a gente parava tudo pra ver esse desastre natural. A gente ia junto e se permitia meia hora de êxtase. Ninguém para pra ver isso em São Paulo? Não tem mar pra engolir o sol. Aqui os engolidos somos nós, eu penso.

Eu e os meus. Eu deles. Eles-eu. A gente junto. Let’s go? Let’s go! Bora. Nós em todo lugar! Lá me lembrou que tudo é benção e que todo tempo é agora. A gente viveu cada minuto, se amou, se conheceu, se esqueceu e olhou pro lado de novo. Eram lembranças em todo lugar, como quem viveu uma vida inteira.

Me sinto enorme. Aquele pedacinho de continente me encheu. De tão grande, o retorno é como se estivesse prestes a explodir, ou a transbordar… E o que fazer agora? Decifra-me ou devoro-te, esfinges que ainda não vi, relógios que vem comigo e as respostas que eu não quero dar.