Cíclicos: o café, eu e você

Dentre taaantas coisas, café é planta. E as plantas, a gente sabe, tem ciclos.
Eu tenho mergulhado em conteúdos sobre a ciclicidade feminina. E, quando parei para pensar? Descobri que isso tem tudo a ver com café! Na verdade, com qualquer alimento à base de plantas.

Tudo é cíclico. Tudo. Da planta ao ser humano. Do café à mulher. Eu amo acompanhar o cafeeiro crescendo. Chuva induz a florada. Nutriente engorda o chumbinho.. que vira fruto maduro no pé. Já falei que é docinho no pé, ne? E igualzinho o café, eu também preciso de água. De sol. De nutriente. Que coisa doida… E a ciclicidade feminina me lembra a do pé de café. O ano pra ele é o mês pra mim. Hora tô quietinha, guardando energia pro coração ou pro fruto. Hora cresço em disparada. Sinto falta do sol. Mas também preciso da chuva pra florir. É tilelê só se a gente não olhar pros outros seres vivos. Tudo que vive é cíclico. Por que a gente não haveria de ser? 💗😊

O ciclo do café

O cafeeiro (planta do café), leva pelo menos 1 ano para dar fruto. Mas, calma lá, que a safra vai ser boa mesmo… só três anos depois! Aquela clássico ‘tudo tem seu tempo’. Se identificou?

Feliz. Isso é muito auto descoberta: sol e plantas…mudam meu humor!

Os produtores, geralmente, compram diretamente as mudas. As sementes crescem nos viveiros. Com o ambiente protegido o suficiente. Luz. Água. Adubação. Tudo na medida. Sóóó depois elas seguem pro campo aberto, pra enfrentar sozinhas o solão, chuva, e o que mais vier.

Tem uma tabelinha muito massa no livro Guia do Barista sobre o que seria um ‘calendário do café’. Mas, hoje em dia, eu já não acho que uma tabela só dê conta das produções que estão espalhadas no mundo todo. Só no Brasil, são mais de 30 regiões produtoras. Cada uma com um clima diferente. Quem tá na Bahia não recebe o mesmo calor do que quem está no Paraná, certo? Daí, o desenvolvimento também muda.

O calendário vai incluir: o preparo do solo. Correção. Adubação. Plantio. Podas… e colheita! Mas isso tudo segue não só as estações do ano. O clima faz muito pela planta! Por exemplo, só tem florada quando a chuva vem. E a gente que vive reclamando dos torós, ein?

Em geral, a danada da colheita se estende de maio até setembro… Mas já tomei muito cafezão colhido em novembro, visse? 🙂 A colheita tardia!

O nosso ciclo

Sobre o meu próprio ciclo, tenho aprendido muito com perfis como o da Nataly Neri. E, mais recentemente, com a Mandala Lunar. Esse livro-agenda é cheio de conteúdos incríveis. Mas o que acho essencial, a mandala em si, está disponível no site, saca só.

Muito mística fuçando na minha Mandala, recém chegada!

A ferramenta é incrível! Tão incrível quanto simples. Com um calendário feito de forma circular, a ideia é que você registre pontos importantes do seu dia em cada pedacinho. Em paralelo a isso, tem o ciclo lunar! Daí a gente vai entendendo como as sensações, humores, disposição, mudam ao longo do mês. Ao longo da lunação.

É muito auto observação. Como eu tô hoje? O que eu quero para daqui uma semana? O que eu preciso plantar agora? E o que, afinal, eu consigo plantar hoje? De exercício físico a descanso e recolhimento. De chocolate à leitura… Nossos momentos vão e vem.

Escrever, pra mim, é terapêutico. Sei que com anotações eu consigo entender melhor o tempo das minhas plantas.. e é a mesma coisa comigo mesma! Em que fase do meu crescimento eu tô? O que eu preciso é sol, ou repouso e clausura?

No fim, é isso. O cafeeiro, eu e você. Cíclicos. Integrados com tudo que tem ao redor. É papo tilelê? Ah, vai. Aqui é o melhor espaço pra eu te dizer: experimenta! Se observa. Anota, confere se tem um ciclo aí… E depois me diz. 🙂

Ah, acho que essa tirinha resume tudo. Em português, é algo como

“Beba água. Tome sol. Você é, basicamente, uma plantinha com sentimentos mais complicados”

Coffea: a planta que dá café

Dinheiro ainda não dá em árvore… massss CAFÉ SIM!

E não é pouca planta não, viu? Existem, pelo menos, 25 espécies diferentes do gênero coffea. Mas vamos falar um cadinho das mais conhecidas e consumidas?

100% arábica

Você já deve ter lido em rótulos por aí “100% arábica”. E pensado: UAU. O que raios isso quer dizer? ‘Arábica’ é o nome de uma das espécies mais consumidas do mundo! Essa belezinha tem:

  • 44 cromossomos
  • curtem um clima mais frio: 15 a 24° C
  • É menos resistente às pragas = custa mais caro produzir
  • E tem uma graaande variedade sensorial: acidez, doçura, aromas.

E por conta dessa gama gigante de possibilidades de aromas e sabores? A maior parte das marcas de café usa o ‘100% arábica’ pra dizer que aquele produto tem qualidade. Mas, sabe, qualidade é muito mais que isso. Tem arábica por aí que deixa muito a desejar, tá? A planta tem que ser muito bem cuidada. E os frutos, depois de colhidos, mais ainda! AÍ SIM: a qualidade vem.

Esse é um cafeeiro da espécie arábica. Frutos maduros! Dependendo da variedade, o fruto pode ser de cores bem diferentes

Fato é que o arábica é uma espécie cheia de variedades de plantas lindas e imponentes! ❤ Aqui no Brasil, a maior parte dos grãos produzidos é dessa espécie. Somos os maiores do mundo.

Ex-patinhos feios: os canéforas

Bom, se todo mundo queria correr pra dizer que no seu café só tinha arábica… é porque existia um consenso de que a outra espécie mais comercializada do mundo não era lá aquelas coisas.
Mas isso vem mudando! Hoje, já tem muito produtor da espécie canéfora arrasando! Aqui no Brasil, as principais variedades são: conilon e robusta. E essas plantinhas são:

  • Muito resistentes às pragas! Por isso, tem custo menor de produção
  • Tem 22 cromossomos (metade do arábica, lembra?)
  • Preferem climas mais quentes: de 24 a 30° C
  • E altitudes menores: até 700 metros
  • As características sensoriais, geralmente, variam menos. É um café encorpado e pode ter amargor.

Aqui no Brasil, o estado que mais produz conilon é o Espírito Santo! E o robusta? Tá crescendo muito lá na região Amazônica!

Confere aqui o postq eu fiz lá no instagram @blogexperimental contando também sobre essa planta e as espécies que mais produzimos e consumimos!