"Obrigado por emprestar as orelhas"

Obrigado por emprestar as orelhas 
Valeu pela terapia de hoje. 
Ouvi essas duas frases. Na mesma semana! …. e aquela velha dúvida... que barco é esse em que viemos parar?  

Como você se sente quando alguém te escuta?



Corta pro Titanic. Balada grande. Falação. Barco afundando. Todo mundo gritando. Correria. A banda tocando (?). Todo mundo no mesmo lugar. Falando ao-mesmo-tempo. Ninguém ouve ninguém? 
Eein. Nem de balada barulhenta eu gosto. 
Minha dificuldade de falar trouxe um presente: Ouvir. Enquanto a gente naufraga, posso ouvir os pedidos de socorro. Parece presente de grego olhando assim. 
O que a minha escuta pode fazer? Nada. É passivo. E eu pensava que era besteira. 
Umas semanas antes, era eu falando. Fiquei com a sensação que não adiantaria falar. ‘Que besteira’, eu mesma gritava lá dentro. 
Mas, tenho me auto analisado. Depois daquela semana, veio um pouco mais de calma. Não de calmaria, diga-se de passagem. Mas de calma nos meus próprios gritos… talvez porque alguém escutou. Fiquei com vontade de abraçar o Júnior. A Vanessa e a Aline (inclusive mó legal falar mesmo quando não é pra você ouvir). 
Então, continuei escutando. 
O meu amigo da portaria falou uma hora a fio… depois me mandou dormir. 
“Vai dormir, Thais. Obrigado por emprestar as orelhas”. 
A moça do uber, todo nosso trajeto. Uns 25 minutos. 
“Olha, valeu a terapia hoje. Tudo que eu ouço todos os dias, você escutou de volta agora”. 
Eu fui dormir boiando nessa sensação de… ‘por que as pessoas estão agradecendo?’. Eu, literalmente, não fiz nada. A cada 10 palavras, minha resposta era com os olhos. Não eram histórias de se opinar. Mas de ouvir mesmo. Não precisei de ação ativa. 
Fui pro meu dicionário ostentação – comprado naqueles trem do metrô – e aí… 
Escutar (verbo) 
  • 1transitivo direto 
  • estar consciente do que está ouvindo. 
  • “conversando na praia, ouvia o mar, mas não o escutava” 
  • 2transitivo direto 
  • ficar atento para ouvir; dar atenção a. 
  • “escutava com paciência aquelas queixas” 
… entendi o tamanho dessa não-ação. Não falar. Só escutar não é ‘só’. É o que a gente precisa de nós. 
Tenho pra mim que não precisamos de coachs pra isso. É um hábito que se cria. Pra isso, trabalho, disciplina e – aí sim – ferramentas podem ajudarMas, escutar não tem hora marcada. Tem? A gente não precisa transformar mais uma coisa humana em mecanizada, precisa? 
Um abraço pro meu amigo da portaria e pra motorista do uber. 
Escutar vocês foi maravilhoso. E o que vocês falaram no fim? Foi generoso. Me fez pensar. Abraçar a escuta. E, por que não, a minha própria fala? Quando for a hora. A hora que for.  

Falando em museus… só o humor de Guerrilla Girls salva

Me sinto presa num eterno quadro de EXPECTATIVA x REALIDADE.

Por exemplo, 2017 e a pergunta que não DEVERIA calar com relação aos museus do Brasil e do mundo:

Guerrilla Girls no Masp – mais de 60% dos nus expostos no museu são femininos, contudo apenas 6% dos artistas são mulheres
Porém, a pergunta que não cala na boca de um pessoal e que, só de pensar, me dá uma deprê… essa todo mundo já deve saber. E tem pano pra manga nestes textinhos aqui: 
Agora sobre uma boa pergunta a fazer sobre museus, o grupo feminista Guerrilla Girls monitora e denuncia os índices absurdamente baixos de artistas mulheres e não negras (os) nas galerias e museus de todo mundo. São mais de 30 anos explorando esses números e, infelizmente, parece que os dirigentes da arte mundial não tem se sentido muito envergonhados já que pouco ou nada mudou.
Tudo isso foi reunido na retrospectiva “Guerrilla Girls: gráfica 1985-2017”, em exposição no Museu de Arte de São Paulo até 14 de fevereiro de 2018. DICA: às terças a entrada é gratuita!
As minas estão em massa na exposição das Guerrilla Girls no Masp
Público acompanhando a exposição das Guerrilla Girls no Masp
Além de apontar desigualdade no número de exposições únicas celebradas por mulheres em praticamente todos os museus analisados, a Guerrilla Girls também investiga outros dados. Nos Estados Unidos, por exemplo, elas afirmam que as mulheres recebem apenas 2/3 do salário dos homens para a mesma função. Na arte os dados são ainda piores: as artitas recebem somente 1/3 do que seus colegas homens.
São muitas obras expostas e, segundo o Masp, “É interessante considerar como o discurso humorado das Guerrilla Girls se articula com questões mais abrangentes e profundas como o eurocentrismo, o privilégio branco, a heteronormatividade e o domínio masculino”. Por fim, sabe quanto custa o catálogo da exposição? R$10! Você encontra ali mesmo nas lojas do Map a brochura com os 117 cartazes traduzidos para o português, presentes na retrospectiva “Guerrilla Girls: gráfica 1985-2017”.
Vídeo produzido pelo Masp/ Facebook Masp


Então, já sabe, né? Coloque a máscara e se junte-se ao ideal!




Mais uma lição do intercâmbio: to encourage

Enquanto eu estava no avião, indo para a África do Sul, mil coisas passaram pela minha cabeça. Quanto eu iria conhecer? Quantas pessoas passariam pelas retinas e com quantas eu trocaria palavras, abraços, sentimentos? Confesso que nessa hora, a mais genuína e completa expectativa do intercâmbio, não lembrei do certificado que ganharia ao final do curso de inglês. Aprimorar a língua era o fim, mas o certificado nunca foi o único meio. Por isso a cultura, os sorrisos, a música, as danças, a História! Por isso a África do Sul.

Grand Africa Cafe – Região de Waterfront – Cape Town // Foto: Thais Fernandes

Passaram-se três meses, como se fossem três dias para o meu coração que queria mais, como se fossem três anos para o meu caráter e minha experiência que se fortaleceu como nunca. Ao final disto, ganhei meus certificados. Estudei em duas escolas que recomendo sem pestanejar: LAL e Interlink. Cada uma no seu estilo e para determinado perfil, me ensinou tanto, me encheu de amigos, consolidou meu inglês.

Nesta última, eu nunca vou esquecer minha professora vindo até mim para dizer que havia sido um prazer e que eu continuasse estudando para, com certeza, ter meu inglês cada dia melhor. São coisas básicas para um professor dizer, pensava, mas eu vi no olho dela um brilhinho. A Leandra é muito gentil, calma e reservada, esta última na medida que tem origem familiar holandesa. Mas, nessa hora ela não hesitou em se aproximar e pontuar muitas coisinhas que eu havia feito. Como eu interagia com os outros alunos para que eles participassem mais. A minha turma era pequena, maioria esmagadora de meninas árabes (suas lindas! miss you), eu e meu pequeno amigo turco (cute and silent).

Era mais fácil para mim criar sentenças usando a criatividade, por exemplo. Meu exercício preferido na vida, inclusive, era receber duas palavras aleatórias e inventar na hora uma frase que utilize as duas. Para mim era divertido, soava engraçado e eu testava os tempos verbais enquanto criava sem medo do ‘nonsense’. Mas, para alguns dos meus amigos era dificílimo. Aí a Leandra lembrou como além de me arriscar, falando bastante e sem medo, eu havia olhado para meus outros colegas. Chamava eles e dizia que ‘yes, of course you can. just try!’, quando gaguejavam e pensavam que ‘it’s impossible’. Brincava de ‘soprar’ ideias e eu sei que eles confiavam em mim.

Então, li meu certificado e a observação “Thais has improved substantially over her time at Interlink. She is always eager to speak and encourages other students to speak” me encheu com o mesmo brilho da minha teacher. Eu sempre admirei a palavra ‘coragem’. Quem diria que meu maior presente dessa jornada para aprender seria ouvir que fiz algo para ‘encorajar’ outras pessoas a se arriscar e aprender também?

Com certeza, quando citar essa experiência, a observação da minha professora valerá mais do qualquer nota nesse certificado.

Encourage yourself, and never forget to look to your brothers and sisters as equal. ❤

Como está sendo seu retorno?

Já se passaram duas semanas. Gigantes.
Vou ter que explicar de um jeitinho todo meu e que é o único que eu posso. Está sendo surrealista. Sabe aquelas pinturas dos relógios derretendo? Estou toda Dalí. Salvador me falta. É como se tudo tivesse sido um sonho. Três meses lá na África do Sul e parece que se passou um dia no meu país. Na minha família. Nos meus amigos. As casas, eu penso, como as casas podem estar tão iguais? Não são elas que estão iguais. Sou eu que derreti feito os relógios. Meu tempo lá passou sem horário. Cinco horas de diferença e anos de experiências de uma vez só.


Encolhe e esquece o que ficou pra trás, me falou a Alice. Não essa, a do País das Maravilhas mesmo. E tudo que eu vivi veio de uma vez. Um combo de emoções por dia. Três tapas na cara. Um de raspão que eu não sei por quê veio, mas sei de onde, é machismo todo dia aqui, por quê não ia ser lá? Os outros dois também foram, qualquer dia explico.
Beba-me, esquece, coma-me e cresce agora, dizia a África todos os dias. Eu e os meus bebemos até o fim. Todos os dias bêbados de novidade, nenhum dia de ressaca. Quem tinha tempo pra isso? No Sul o tempo não se arrasta. Toda vez que o sol toca o mar, ele é engolido tão rápido! E a gente parava tudo pra ver esse desastre natural. A gente ia junto e se permitia meia hora de êxtase. Ninguém para pra ver isso em São Paulo? Não tem mar pra engolir o sol. Aqui os engolidos somos nós, eu penso.

Eu e os meus. Eu deles. Eles-eu. A gente junto. Let’s go? Let’s go! Bora. Nós em todo lugar! Lá me lembrou que tudo é benção e que todo tempo é agora. A gente viveu cada minuto, se amou, se conheceu, se esqueceu e olhou pro lado de novo. Eram lembranças em todo lugar, como quem viveu uma vida inteira.

Me sinto enorme. Aquele pedacinho de continente me encheu. De tão grande, o retorno é como se estivesse prestes a explodir, ou a transbordar… E o que fazer agora? Decifra-me ou devoro-te, esfinges que ainda não vi, relógios que vem comigo e as respostas que eu não quero dar.

Como deixei de detestar inglês para me conectar a pessoas incríveis

A verdadeira magia aconteceu a partir da minha escolha. E, ouçam, três meses ainda foram pouco para quantificar tudo que aprendi a amar

Por Thais Fernandes
O que o inglês me proporcionou vai além de qualquer aula
Até três meses atrás eu detestava com muitas das minhas forças a ideia e ouvir e tentar reproduzir a língua inglesa. Desde o colegial, até as aulas em escolas particulares a vontade de pular pela janela quando chegava a hora do curso de inglês era praticamente instantânea. Essa é a história da minha vida desde que alguém teve a brilhante ideia de emitir a frase: “inglês hoje é essencial”. Que logo mudou para “ah não, mas inglês agora já nem diferencial é. É mais do que obrigatório”. E hoje, meus amigos, quando alguém começa com a conversa do mandarim ser a próxima primeira língua… meus olhos lacrimejam.
Mas não choremos ainda. Preciso contar a vocês que minha relação de ódio x ódio com inglês mudou radicalmente nos últimos meses. Talvez isso também te inspire a ter uma DR definitiva com essa língua e resolver suas questões.
Suzanne e Leandra, professoras na Interlink School, e amigas que quero levar para vida! Foto: Thais Fernandes

Não teve fórmula mágica, nem chip instalado no meu cérebro pra me fazer aprender. (Alô programadores, aguardo). Foi o que a gente sabe que funciona: guardar dinheiro e partiu intercâmbio, com todo apoio da Agência Planeta África, que me guiou e indicou as escolas pelas quais passei! Mas não é tão simples. Eu continuaria detestando inglês se tivesse me bitolado na ideia de aprender ‘porque hoje nem diferencial é mais’. Alguém aqui detesta essa pressão escrota tanto quanto eu?

A verdadeira magia aconteceu a partir da minha escolha. E, ouçam, três meses de intercâmbio ainda é pouco para quantificar tudo que a África do Sul me ofereceu! Turquia, Arábia Saudita, Angola, Alemanha, Suíça, Itália, França… e suas próprias 11 línguas! Cape Town muda a vida. E Congo, Zimbábue, Gabão, Zâmbia, Ruanda. Cidade do Cabo é o mundo! Registrei um tiquinho desse convívio na Interlink School, uma pequena e aconchegante escola onde eu conheci alguns destes amigos e aprendi infinitamente sobre respeito, diferenças e línguas:
Foi o mundo que me conectou ao inglês, e não o contrário. Eu precisei inverter o caminho para começar a sentir algum prazer em estudar essa língua. Precisei espremer os olhos e o cérebro para assimilar sotaques tão fortes e diferentes para, então, entender que aprender inglês é construir uma ponte. Não é sobre o mercado de trabalho. É sobre relações humanas, culturais, de afeto e, obviamente, isso inclui trabalho por consequência.

O meu trabalho como jornalista cresceu vertiginosamente nesses meses. Mas antes disso veio a ligação de gente com gente. Ligação. Como eu poderia me sentir tão próxima a alguém da Bélgica se não fosse através do inglês? Como aprender frases de carinho e, na mesma medida, bad words de amigos em outras línguas? Foi o inglês que me permitiu amar meus novos amigos e dizer em cada despedida que a gente ainda vai se ver. Aí o ponto de virada. Essa construção diária me fez deixar de detestá-lo pra, então, agradecer a cada palavrinha, frase, conversa e amizade proporcionada.

Carta aberta a Michel (não o Fora), o Teló

Eu confesso que sei a letra de cor. Quem não sabe? Mas, amigo, você ultrapassou todos os limites. As fronteiras e os limites. Já vai para o final do intercâmbio e tudo que eu quero é sair para tomar um café e dar aquela improvada no English. Pedir alguma coisa de café da manhã (tem como tirar o abacate, please?) e, sei lá, ouvir uma música ambiente. Talvez alguma coisa mais calma que eu possa ouvir em inglês enquanto leito o jornal do di… Essa sanfona… eu conheço essa sanfona… NOSSA, NOSSA ASSIM VOCÊ ME MATA.

Admito. Em dois karaokês foram duas vezes no palco com essa mesma letra. Gente, o shot era de graça para quem cantasse. Me respeitem, né. Oh, if I catch you.
Meu Deus, Michel. Assim você me mata! – você também, Fora. Mas qual o nível de concentração que eu preciso ter para em uma quinta-feira à tarde conseguir trocar uma ideia com os sul-africanos em inglês com sotaque britânico que se mistura com Xhosa, e isso tudo ouvindo Ai se eu te pego????

Por favor, Michel… já se passaram quantos anos? Na balada ainda, vá lá. Mas no café?

Não tem condições. Pra mim já chega. Moço, do me a favour, muda essa música. Não tem nada mais atualizado? Tá, tá bom. Coloca um Wesley Safadão, vai.

Os pinguins africanos e suas famílias – que você precisa conhecer

Por Thais Fernandes
Vocês podem imaginar a cara das crianças quando os pais contam que tem pinguins na África do Sul??? E o rostinho se iluminando quando descem do ônibus e vão chegando pertinho da Bolders Beach, a praia que guarda uma colônia inteira dessas aves? Podem refazer a cena do queixo de uma pequenina criatura caindo ao ver as outras pequeninas criaturas recém-saídas do ninho?
Pois bem. Substituam as crianças por mim. Nem tão pequenina, nem tão rostinho iluminado, mas com certeza de queixo caído:
Essa sou eu com cara de trouxa tipo ‘PENGUINSSSSS’. Eu não queria tirar essa foto, já sabia que ia sair com cara de trouxa, mas o amigo japonês insistiu em retribuir o favor só porque eu tirei uma foto pra ele. Japoneses, sempre tão fofos.
Eu estava tranquila em conhecer o Cape of The Good Hope e combinei o passeio com os queridos da Agência Planeta África, aproveitado a companhia de outros turistas e uma guia que falava em espanhol. Mas os pinguins são um dos pontos mais marcantes. Seja por quebrar aquele velho e errado conceito de que na África você vai ver apenas leões e girafas (vi eles também! *-*), seja porque eles são irresistivelmente fofos!
Nessa de me encantar por esse passeio, fiz um vídeo com as principais curiosidades que descobri sobre essa espécie e algumas imagens captadas durante o tour:
Curiosidades e Boulders Beach
A melhor maneira de te proporcionar diversidade desse continente é chegar a Boulders Beach. Mais uma praia de mar azul intenso, mas dessa vez com uma grande colônia de… pinguins!

Os Pinguins Africanos estão ameaçados de extinção, mas nesse pedacinho do extremo sul do continente a colônia é cheia de famílias e lindos filhotes: os “baby blues”! A preservação do local fez o grupo crescer de apenas dois casais em 1982, para 2.200 Pinguins Africanos nos últimos anos. O local fica entre Simon’s Town e Cape Point e tem buscado diversas maneiras de manter a colônia de pinguins saudável. Você pode acessar uma passarela e ficar a apenas alguns metros dos pequenos, mas nem tão dóceis assim, animais. Como os pinguins estão em seus ninhos e cuidando de seus filhotes, não é uma boa ideia tentar tocá-los.

A espécie é monogâmica, ou seja, seus parceiros são para toda a vida. Os casais se revezam para incubar os ovos e para alimentar seus filhotes. Dica valiosa, segundo o informativo do Table Moutain National Park, apesar da Boulders Beach ser o ponto mais famoso, o melhor local para ver as aves é a Foxy Beach. Vale a pena ficar atento aos mapas entregues no parque.

Nada menos do que cinco vinícolas africanas em GIFs, fotos e dicas!

Por Thais Fernandes

*Trilha sonora pra ler esse texto: vinho caindo na taça e essa música*
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Nada menos do que cinco vinícolas visitadas em um dia. Nessa estrada sul-africana que venho explorando no intercâmbio, algumas coisas vão marcar mais do que as outras. O domingo, dia 9 de julho, foi um desses dias inesquecíveis. Talvez tenham sido as dezenas de taças. Mas eu aposto muito mais nas boas companhias de gringos queridos, um guia apaixonado pelo que faz e os especialistas acompanhando as degustações! Embarquei nesse roteiro com o melhor dos vinhos sul africanos nas primeiras horas da manhã e o curti o dia todinho nele.
Para aquecer corações, a Agência Planeta África embarca os visitantes em um van que passa pelos bairros de renomadas vinícolas de Cidade do Cabo, até algumas preciosidades menos exploradas pelos turistas. Blusas e cachecol a postos, nada que o país do vinho, com 300 anos de tradição nesta cultura, não possa tornar charmoso e uma excelente desculpa para degustações inverno à dentro.

Entre as vinícolas que passamos estiveram Mitre’s Edge, Uitkyk Wine Estate, LovanE Boutique, Vergenoegd Wine Estate e Uitkyk Wine Estate. Foi uma manhã para entender porque aquele pessoal gira a taça fazendo o vinho rodopiar.

  • 1. Aprendendo a degustar
Sério que precisa girar a taça assim? SIM, se você quer facilitar a sua percepção dos aromas e gosto do seu vinho.
Na degustação, nosso guia e a dona desta primeira vinícola explicaram que esse remelexo da taça ajuda a inserir oxigênio no vinho. Pura química que mexe com sabores e aromas. Mesmo sendo amadores, vale testar, né? 🙂

Uma outra explicação que vi é histórica. Pros curiosos, tá no blog da importadora Wine no texto “Por que girar a taça de vinho?“.

  • 2. Não esqueça de se aquecer nesse inverno
Parada para alimentação é essencial. Sopinha que aquece a alma e combina com o que? Mais wine!

O tour inclui várias harmonizações (conto + ali embaixo) e refeições completas! Esse almoço com caldo foi tudo que às deusas! Como a gente começa a beber cedo, lá pras 9h30 eu já tava pra lá animada haha. Foi ótimo comer essa espécie de sopinha com pão e salada. Se for passar o dia nesse rolê, confira se tem alimentação inclusa, ein? Vai por mim.

  • 3. Tipo profissional
Aprender sobre os processos de envelhecimento é incrível! E, é claro, não dá para perder a oportunidade de fazer coisas como degustar o vinho direto do barril onde eles descansam *-* Like a boss
  • 4. Variedade sem fim para harmonizar também
Não vamos esquecer da variedade incrível de tipos de uva e vinhos que resultam desse cultivo. AH! E de harmonizar com chocolates. (Obrigada, de nada!) Mas além de fazer esse mix de vinhos com chocolates finos, amargos, brancos e ao leite, também teve harmonização com carne. Experiências únicas. Visual e sensorialmente.
  • 5. Se isso não é fechar com chave de ouro…
E a última parada, com o jardim mais aconchegando que você respeita! Que delícia de lugar. Mesmo chuviscando o cenário era lindo demais. E nada me preparou para a surpresa que veio ali. PATOS! Sim, eu disse no plural. E mais: patos organizados.
Eu sei, quando você tem um tour repleto de vinhos de um país referência no setor e que termina com uma procissão de patos é porque o dia valeu a pena! 💜🍷🍷🍷🍷

Esqueça, intercâmbio não é sobre inglês


É muito mais do que inglês. Não foi por isso que eu vim para a África do Sul. É estar disposto a estar completamente vulnerável. Ridículo. Confundir chicken com kitchen e pedir a chave do frango na recepção. (?) Ser gente é ser ridículo. Ridiculous. Nunca amei tanto os cognatos. Pega agora um ‘frightened’, ‘answerable’. Qual é a necessidade disso, gente???



Deve ser a do crescimento. É a humildade de ter que fazer mímica pro moço da pizzaria querendo entender se tem muita pimenta naquele sabor ou se dá pra encarar. É ele dar risada quando a gente dá a primeira mordida e percebe que ou a mímica foi ruim ou ‘chili’ não é a mesma coisa em todos os países. E NÃO É. Remember.


O abacate também é ingrediente surpresa em: TUDO



Please, one sprite. E vir uma porção de fries. Ser igual criança de novo, tentando juntar as letras pra formar uma palavra e, um dia quem sabe, uma frase completa e com sentido e no tempo verbal correto.
Não é sobre english. Bom mesmo é ver o doutorando consultando o porteiro para saber se falou direito. É reaprender o básico. Lembrar que é um passo de cada vez. Step by step. Restart the game. Thanks God, intercâmbio é só mais um recomeço de tantos. E é tão mais do que ‘só’.



De São Paulo à Cidade do Cabo, meu primeiro dia convertendo Real em Rands

Spoiler: só quando cheguei a Cape Town entendi que o primeiro dia diz muito sobre como ficar de boca aberta o tempo todo
Por Thais Fernandes
Eu decidi. Tudo bem, a vida decidiu por mim. Eu preciso melhorar meu inglês. Eu sou preguiçosa demais para aprender estudando duas vezes por semana, uma hora por dia. Guardando dinheiro, tendo a melhor família que alguém pode ter e procurando coragem até embaixo da cama. Escolhi. Mas, ÁFRICA DO SUL? Por quê?
-International Flights
Passagem, visto e horário quase ok.
Me sinto bem. Em quantos aviões eu já estive nos últimos tempos? É, tô em casa. Embarque, túnel sem fim… Um casal passa com um bebê. ‘Hello, how are you?’. Ok, não me sinto em casa. Poltrona número 50 A. Janela! Amo/sou. ‘Hello’. ‘Oi!  Você é brasileira, né? Que bom ir com você’, ela diz enquanto explica que tem 60 e poucos e está indo a Moçambique. Me sinto em casa com um pouco de pé na rua. Moçambique. Você pode imaginar? ‘Pois é menina, você precisa levantar e anda um pouco durante o voo, ok?’. Empresto meus fones de ouvido e ela a gentileza de me contar como é o voo, como é Cape Town, as pessoas, a comida que posso pedir no avião, e o cuidado: quer levantar e andar um pouco? Jesus, eu só queria tirar um cochilinho… Claro, levanto e caminho. Até que foi uma ideia.

O sol nascendo, apressado. Cinco horas antes do que de costume. Luzinha fina rompendo meu horizonte, mais apressado que o sol. Dia.
Em Joanesburgo, desço do avião. Moçambique pra um lado, voos domésticos pra outro. Algumas filas e imigração depois, ‘My name is Thais. Yeah, brazilian. No, I’ll just study english in Cape Town. OK, thank you’ Novo despacho de bagagem. ‘Can I help you?’, alguém me pergunta enquanto procuro o novo portão de embarque. Digo que não, mas ele me leva até o portão B2. ‘Do you have tip for me?’. Olho com cara de confusa. ‘Wait, I just have Real’. Ele concorda e pergunta só mais uma vez: ‘No Rands?’. No, e entrego uma preciosa nota de cinco reais. See you. Nessa hora eu já não conseguia fazer uma boa conta de quanto aqueles cinco reais estariam valendo em dólar ou, claro, em rand. Talvez nem mesmo em real. Será que hoje desvalorizou mais? Bolsas e especulações. Turismo ou comercial. Humanas. Mas foi bom – penso – o portão era mesmo distante. Hum. It’s OK.
Mais um voo. Poltrona 58 A. Janela. Me sinto feliz. O dia caminhando. Cape Town International  Airpoint. Meu conterrâneo da Agência Planeta África me espera e, claro, um novo chip também. By the way, o Wifi dos aeroportos são um oásis em meio deserto. Me sinto viciada em internet. Mas olho ao redor e todos estão, então tudo bem. Grande chegada com um grande guia e passo a passo a cidade montanha vai se abrindo.

Olá, Table Montain! Hello, companheiras Devil’s Peak e Lion’s Head. As duas últimas são uma grata surpresa que completa a paisagem. Está mais quente do que em Joanesburgo, mas ainda parece uma pintura de cores frias lá fora. Azul Montains. Sinto mais frio quando me dizem que em julho a temperatura cai bem mais. ‘Em julho você pode ver até neve lá no topo das montanhas’. Congelo. Sabia que devia ter trazido mais casaco.
Passamos pelo centro. Cidade grande. Cidade com história nos detalhes. Chegamos em Sea Point. O azul ainda é intenso, mas um quentinho toma conta. ‘Quantas famílias!’. Bicicletas, skates, futebol. Brasil, é você? Parquinhos, orla, o mar azul, algas, bancos com palavras como ‘Respect’. Brasil, podia ser você?
Chego à escola. LAL. Uma quadra da orla. Poderia ser melhor? Na rua do Mc Donald’s e de muitos outros restaurantes. É, melhor assim. Felicidade. Chego no quarto. A tomada… cadê a tomada? O que é essa coisa com três buracos na parede onde devia estar… ah, a tomada! Tristeza. Vou para a recepção: COMO É QUE EU FALO ADAPTADOR EM INGLÊS? Melhor do que o google, só a mímica. ‘OK, thank you’.

Atravesso a rua. ‘Hello, I want to buy an..’ ‘Are brazilian, rigth?’ Gente. Brasileiro será que tem cara? Falei tudo errado? Meu novo amigo é um especialista no Brasil. Sabe falar algumas palavras em português, que aprendeu com os alunos da escola. ‘Bom dia, meu amigo. Obrigado! De nada’. Saio feliz. Caminho uma quadra, e o mar. E música na areia. Crianças, famílias, Robben Island. ‘Eu realmente vou precisar de muitos anos para explicar porque a África do Sul’. E esse foi só o primeiro dia.