Eu só queria tomar um vento na cara, me deu saudade da Bahia

Um ano de saudades. Mas, afinal, onde fica e o que tem na Costa do Sauipe?
Se você ainda não teve vontade de ser baiano e sair por aí falando que bom mesmo é ganhar “xêro”, rapaz, por onde cê anda?

 Se as praias da Costa do Sauipe não recarregarem suas energias, eu não sei o que vai!

Nosso Senhor do Bonfim, sim! 😍

Essa semana fez um ano que conheci um pouquinho de lá em uma viagem especial (ownt) com minhas duas irmãs japas. E, olha, já me deu uma saudade da Bahia! Alguns dias na Costa do Sauípe e um dia bem turista de busão em Salvador são suficientes pra querer teletransporte agora para lá.



Inspira, expira e admira!




A Costa do Sauípe é um complexo hoteleiro (ui) e fica ao norte de Salvador. Então, o rolê é pra ficar de boooooa sem trabalho, só descansando e pegando um sol no tempo que for estar por lá. ❤ Não foi nada de mochileira dessa vez, mas vale muito para curtir as companhias, nadar nas piscinas e naquela praia sem igual!, caminhar nessas areias, curtir uma regalia anual que ninguém é de ferro e à noite ir no centrinho que imita uma vila baiana. Os músicos que trabalham ali a noite são incríveis!

-Quando fomos? Novembro
-Clima? Sol todos os dias da vida!
-Onde? Resort
-Qual a vibe? Recarregar energias!
-Com quem ir? Família
-Atividades? Tem, sim! Tirolesa, por exemplo!
Ihul! Garanto que esse até os mais medrosos vão 😛
Em Salvador teve Pelourinho e a vista das ladeiras e as vendedoras no caminho e os penduricários e os orixás. Gente, mais gente. Gente da terra e que vive de contar a sua história e de vender lembranças de lá. Tem alguma coisa de bonito nisso, mesmo ainda tendo tanto descaso nessas lidas. Teve também Elevador Lacerda (cadê vista panorâmica? :O), Igreja de São Francisco e o pátio do convento, além do Mercado Modelo. Tudo farofeiro e turismo de busão de minha parte, tudo de História transbordando da parte deles.
Passado um ano, hoje não vai ter teletransporte, muito menos resort à vista. Nadica de xêro e colares coloridos subindo o Pelourinho. E o que a gente faz nessas horas? Recorda. Reouve. Revê.




Baiano que sabe fazer música tem demais da conta. Mas na minha cabeça não tem trilha mais visceral do que Vivendo do Ócio em Nostalgia. É uma mistura das minhas tantas saudades com esse verdadeiro grito de ‘lá em casa’. Papo sério. Aumenta o volume, vá:


“Eu só queria tomar um vento na cara, me deu saudade da Bahia
Eu só queria passar um tempo lá em casa, me deu saudade da Bahia”

Voando em Poços de Caldas

Voando em Poços de Caldas (MG), paraglider em dupla para turistas lá na rampa Norte do Cristo.
Vai #SuldeMinas!
Quando meu irmão saltou com nossa visita querida, a Dê, eu ainda tava meio… magina, pra quê isso? Também conhecido como: medrosa e fim.

Aí ela foi. Voou um cadinho, buscaram ela de carro, lá embaixo e ela quis mais! Poxa, só 5 minutinhos? E teve! O pessoal foi bem atencioso. Aí foi meu irmão. Caramba! Uns 20 minutos no céu azul de Poços. Quase nenhuma nuvem naquela tarde cheia de ares quentes, que o piloto dele encontrou pelos caminhos.
Mas passou.
Só alguns anos depois, com mais uma visita tão querida, a Maí, eu fiquei meio… magina, com certeza é isso! E a gente combinou de ir juntas. E aí, combinado você já, viu, né? Tem que cumprir. Pra dar aquela coragenzinha a mais, convoquei mais uma aprendiz de passarinho, a Bá!
agora sim. nem que eu quisesse essas duas não me deixariam dar pra trás. Ah, a pressão da amizade! ❤
Mas, sério. De novo, o profissionalismo da equipe de pilotos que contatamos na rampa do Cristo, em Poços de Caldas (MG) foi singular. Conversamos bastante sobre as influências do clima, melhores horários e temperaturas para saltar e conseguir permanecer mais tempo com os pés fora do chão.

DICAS
-O ideal é saltar em dias mais quentes
-Você pode procurar pelos pilotos antes de ir a rampa, através de algumas páginas no Facebok. Em especial, tem a página do CPVL – Clube Poçoscaldense de Vôo Livre, ou do site do Clube.
-Vá preparado para a ventania nas rampas do Cristo: melhor priorizar roupas que deixem confortável e quentinho.

INVESTIMENTO
– Média de R$200 por voo duplo

OCUPAR E RESISTIR: lição de casa se faz na escola

Não quero encerrar 2015 sem essas lembranças publicadas, então aqui vai:

Estilo São Tomé – mas já, confesso, apaixonada pela causa – fui ver pra crer as ocupações dos secundaristas mais empoderados que eu já tive notícia. Sobre duas visitas a diferentes escolas estaduais ocupadas em São Paulo:

Escola Estadual Maria José, 3 de dezembro de 2015

Início das manifestações que fecharam diversas vias na capital paulista.
Em paralelo, estudantes fazem vigília nas escolas para se proteger de possíveis abusos da PM. No portão, alunos e comunidade conversam com sobre os motivos, o funcionamento da ocupação e, por fim, do que os secundaristas precisam para manter o movimento.
Virada Ocupação
Diversos artistas declararam seu apoio à ocupação feita por estudantes em escolas estaduais. A Rede Minha Sampa propõem e articula com voluntários o evento Virada Ocupação. Entre 7 e 8 de dezembro, contou com uma galera como Criolo, Maria Gadú, Céu, Arnaldo Antunes, Lucas Santtana, Emicida e Chico César.


Escola Estadual Caetano de Campos, 7 de dezembro



Aceite-C: O paulistano Rico Dalasam manda seu rap e, por fim, um importante recado sobre diversidade e direito à ocupação dos espaços.
De minha parte, o Rico tem uma importância enorme no que diz respeito a ocupação de novos espaços. Ele foi o primeiro rapper que eu vi se declarar gay – e usar isso com naturalidade (dããã) na música dele. (conheci ele assimImagina fazer esse mix entre rap, ativismo e estilo LGBT. Ele dá o papo:

 

Cachorro Grande: ver a energia desses gaúchos de tão perto já valeria a pena em outras circunstâncias, imagina em um evento desses. Ao som de ‘Bom Brasileiro’ – que ganhou um sentido mais profundo pra mim –, essa sequência de shows foi encerrada com muita classe naquela segunda-feira. E fala de novo Beto Bruno: Não tem arrego, não!


PODE PÁ: Emicida comenta Passarinhos, Baiana e Quadris

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa e, muito, MUITO mais do que poderia caber em um dos enormes títulos que esse cara gosta de dar aos seus discos.

Essa semana o  Alexandre Matias e seu #JornalismoArte convidaram o Emicida para uma aula de música e entrevista em profundidade. A experiência de estar ali valeu – e como! – o registro. Foi muita história e lembranças de Angola, Cabo Verde e Madagascar, países africanos que o rapper visitou para conceituar e produzir o CD.

Entre tudo que ficou na memória, tem o que foi possível gravar para ouvir repetidamente. Ficam aqui alguns comentários sagazes e cheios de conteúdo sobre duas faixas e uma das palavras chaves do SCQPL:


A participação de Caetano Veloso na música Baiana
O ritmo delícia vem logo de cara. Com um pouco de atenção dá para notar as muitas referências às figuras e locais marcantes da Bahia. Mas o que você não esperava é o seguinte:  Lembra quando Caetano deu bronca na equipe para aprender a usar a crase? O Emicida lembra bem.

QUADRIS livres
Cada palavra do consistente título do álbum tem seu significado e trabalho.
Para falar sobre Quadris foi preciso que uma cena lá em outro continente mostrasse o quão livres devem ser para movimentarem-se para onde e como quiserem.

Passarinhos tem muito a ver com o banzo
A música prende pela cantoria dos protagonistas – a passarada – logo no início. Mas a letra mostra que não se trata de pura fofura. É bem mais.
Faixa cheia de delicadeza e sentimento ganhou com a voz de Vanessa da Mata, mas vale ouvir quem são as duas outras mulheres que deram uma força para a música entrar no álbum.

Francisco da Sé

Mas, Francisco… Quem carrega a responsabilidade pelas balas que te atingiram? Minha outra dúvida é se isso importa agora.
Mas quem, Francisco, fica para viver com o mais genuíno orgulho por ter te conhecido?
Em imagens exclusivas o Datena abre o mar vermelho: um lado clamando inferno a Luis, outro clamando louvor a PM. E você, Francisco, no meio disso tudo. Desse vermelho que te escorre o peito, Sé abaixo – olha lá ele, morto.
Quem oferece ombro ao Povo da Rua que quer chorar você? Sua ausência, essa fica para as Mães de Maio. Fica, também, aqui comigo, mas não se avexe em ficar mais por aqui, Francisco. Isso passa. Para alguém que todos os dias vê o mar se abrir na esquina de casa – quando um igual a você me olha -, então alguém que vê isso todos os dias não pode mais te carregar pra sempre, Francisco.
Então, como eu sempre tenho medo de pensar, é o fim para você. E, pela lógica, pra mim também. Fim de linha para nós, Francisco. Sorte a minha que gente igual a você, faz parecer que ainda tem mais trilho pela frente.
*a Francisco Erasmo Rodrigues de Lima.
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Livro + música: Guia dos mochileiros 2 + Edu Sereno 1

Ler O Restaurante no Fim do Universo e ouvir O Pão que o Diabo Amassou

  Entre as misturebas mais requintadas dos últimos tempos, livro + música merece um espaço no meu coração de pedra.
  Um achado numa dessas lojas-de-um-milhão-de-coisas-que-você-não-precisa-mas-ah-vou-levar, o segundo volume da série ‘O Mochileiro das Galáxias’ fez estes olhinhos brilharem *-*. Tente entender, levar esse livro para casa é tipo carregar o Marvin na mochila. Você conhece o Marvin, né? – aquele robô deprimido que parece com você, o Kaio diria, mas te explicaria melhor que eu.

  O Restaurante no Fim do Universo. – só pelo título não gostei, meu pai diria com cara de ‘leitura pouca’. Eu acho uma combinação excelente entre o ridículo e o verdadeiro – mais ou menos como a gente é todos os dias.

  Entre robôs, vidas extra-terrestres, condição humana e naves e viagens universo à fora ou a dentro, o jeito doidão do Douglas Adams narrar ficção científica. Gosto de parecer história de criança – apesar de tripudiar do nosso tamanho ínfimo no meio desse resultado de Big Bang.

  
  Pois Marvin, meu brother – Titãs, é esse Marvin, né? – pensei que talvez você pudesse adicionar uma trilha sonora no nosso dia. Imagine a Coração de Ouro passando pelo Viaduto do Chá. Voo baixo.

  É que essa semana chegou meu CD do Edu Sereno. Achei propício e rolou superbem. São Paulo de boa. Finalmente, uma São Paulo de boa pra mim! De cara, Mantra é um tic tac calmante bem bom pros meus fones de ouvido matutinos. Tipo: 

“um minuto pra calçar o pé/ meia hora pra chegar à sé/ dois minutos pra ferver a água do chá/ quatro anos para graduar/ e em cinco minutos jogar pro ar/ um minuto pra se benzer/
e um piscar de olhos pra recordar.

  Sabe? Não vou nem comentar Agenda – porque, né. Mas além de adorar gente que usa “pra”, e fala de Mantra, acho que a faixa Viaduto do Chá casa bem com o Guia! “Pra você que pensa que eu sou bom moço/ quem sabe amanhã seja um bom dia pra pular do parapeito e se fazer poesia? Ou quem sabe voar? Ou se estatelar?” Tanto faz, concordo.

  E o título do álbum “O Pão que o Diabo Amassou” dá uma equilibrada nas fofuras do restante. Não tô numa fase vomitando arco-íris de graça. Você tá, Marvin? De qualquer forma, o último clipe dele é puro amor. Vale ❤ :

Bobagens – Maktub

Eu sei, você disse que já estava escrito e não tinha mesmo como adulterar essa porcaria de documento.

‘porcaria’ – passei a gostar bastante dessa palavra depois de ‘O apanhador no campo de centeio’. Vale à pena para adjetivar basicamente tudo. Substitui bem ‘merda’.

A verdade é que eu não acredito, não. É mais fácil fazer que sim com a cabeça e dizer que você tá certo e a vida segue. Agora, posso te falar a verdade? Eu não entendi nada. Se esse lixo todo já estava escrito, quem é o imbecil que assina a obra? Porque se a culpa é minha, então faz mais sentido. A idiota sou eu e pronto, mas sabe, tudo bem, porque é claro que eu não sabia onde tava pisando.



Essa coisa de estrelas e alinhamento dos planetas já fodeu com muita gente, né? E olha que no meu caso isso tudo é puro drama. Mas hoje não é dia de pensar nos outros. Preciso celebrar minhas próprias tragédias.

“Já aconteceu, não tem que se preocupar com isso tudo, já foi”. A parte boa é que sempre vai ter sua mensagem pra eu olhar e dizer pra dentro:
É isso. Mas, que droga, até parece.

Opinião – De Daniela Mercury a Emicida: os que não estão surdos

No meio de todo esse discurso de ódio, quem ainda escuta?

Só não ouve quem não quer.
“A história do Brasil fez o brasileiro ter medo de macumba. Macumba é uma coisa boa! É uma oferenda, assim como em tantas outras religiões”. 

Quando Daniela Mercury falou isso, nesse sábado gelado, foi só um motivo a mais para eu ter certeza de que valia a pena estar ali. Em meio a tambores e dança solta de influência deliciosa da África, como não jogar na nossa cara o que nós somos?

Domingo, 21/6, Palco Júlio Prestes na Virada Cultural 2015 – SP.
Foto: Ênio César

A gente dá ouvidos para uma minoria – que se acha maioria – mas o que eles tem? Holofotes. Muito mais do que esses milhões de ‘diferentes’. As estatísticas deles não levam em consideração o Brasil. Essa sua “”família””, pode ficar com ela, ela não tem nada de minha.
Para cada discurso de ódio que nós temos ouvido, quantas vozes nós temos negligenciado?
Mais do que pelas músicas, essa Virada Cultural 2015valeu muito pelos que ainda estão ouvindo – Ah, Roberto de tantos tempos/ Chico Science de sempre, eles não estão surdos, porque sim, eles quiseram ouvir! E mais do que ouvir, em tempos como esse é delirante que alguém diga!
Emicida, meu quiridu! Quantas coisas você disse lá e que – pelo amor de Deus, se eles não ouviram é porque não quiseram, todos estão surdos – precisam ser ditas todos os dias? A gente precisa gritar.
“tempo doido, época feia
O mundo quer salvar o jovem
Mas não fala de escola?
Só fala de cadeia”
Eu sei, dá vontade de transcrever o discurso inteiro. Mas quer saber? Se a voz é dele, deixa que ele te conta:

Reportagem e bobagens – Quando pedi um livro e ganhei Quintana

Esse livro que eu já tenho em mãos, desde 6 de junho, não é apenas mais um para minha querida (porém minguada) coleção de poesias.
Se já existe uma beleza única em estar em um lançamento, ao lado da pessoa que deu luz a cada verso, eu sei que isso fica um pouco maior neste caso. Li cada poema com o cuidado de quem um dia pediu emprestado um livro e ganhou de volta um eterno Quintana – recheado com dedicatória e carinho.
Assim, aqui vai minha primária visão de ‘O Que Resta’, de Lausamar Humberto, em matéria publicada no Jornal de Frutal:
Curtido em espera, ‘O Que Resta’ traz 45 poemas e um reencontro
Livro surge depois de anos de distância entre o autor, Lausamar Humberto, e sua própria escrita
Por Thais Fernandes
Primeiro, é preciso esclarecer: aqui não tratamos de fins. O que resta pode ser e é mais do que suficiente para continuar. O título do primeiro livro de poemas de Lausamar Humberto, 40, pode trazer medidas de melancolia, mas não ensina desesperança. A começar pelo retorno do autor ao universo da escrita.

A concisão do livro, que reúne 45 poemas, é fruto de um faro apurado por anos sem escrever um verso. Depois das primeiras experiências na adolescência, Lausamar seguiu seu caminho e deixou que a poesia seguisse o seu. E como nos melhores reencontros, os anos apenas pensando nela, lendo seus grandes entendedores – inclui-se aí Drummond, João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Ferreira Gullar, Adélia Prado, Mário Quintana – isso tudo serviu para tornar este retorno coisa séria.

O primeiro poema surgiu há cerca de quatro anos. “Escrevi Poema Cinza e percebi que ainda era capaz de fazer poesia. Estes 45 poemas foram escritos neste período”, conta Lausamar. Entre as grandes referências no gênero, ele não nega sua predileção. “É em Manuel Bandeira que encontro a poesia que mais me toca. Um sentimento tão forte, em versos tão próximos de todos”, revela o autor. Há também espaço para inspirações na nova geração, como Fabrício Carpinejar e Mariana Ianelli.

Toda essa bagagem – presença e ausência – dão o ar da graça em ‘O Que Resta’, que será lançado neste sábado, dia 6, na cafeteria e livraria Coca Café. Com presença do autor, formado em jornalismo e direito e professor no curso de Comunicação Social da UEMG, a manhã será ponto de encontro para os amantes da literatura, em especial àquela nascida e curtida na região. É preciso dizer que nada fala melhor do que a própria obra, portanto, abaixo, alguns aperitivos do que Lausamar nos oferta:

POEMINHA SINCERO

Olha lá!

Se for só por obrigação,

melhor não!


COMPOSIÇÃO INFANTIL

Felicidade é bolha de sabão.

Tão bela,

tão frágil,

tão breve.

E não dá na natureza.

Surge das nossas mãos,

da nossa boca,

do nosso sopro.

Se a queremos,

temos que refazê-la,
e refazê-la,
e refazê-la.


CURRÍCULO
Dizem-me só especialista.
Erram. Sou prendado
em outras faculdades.
Mestre em dores miúdas.
Doutor em solidões avulsas.
Catedrático em saudades.

Opinião – Paulo Múltiplo Leminski (a exposição, a obra e o bigode)

Debaixo dos fios daquele bigode, toda poesia. O que me agrada, de cara, em Leminski é a sua caricata figura. Bigodudo, nem muito novo, nem muito velho. A meia idade de Paulo é o que me vem à mente quando ouço “Leminski”. Um dos autores com menos rugas dos quais consigo me lembrar, – e não há problema nenhum nos nossos septuagenários – acho que foi com Leminski que comecei a entender que o autor é real, ele é gente. E ele pode, vejam só!, ser um alguém jovem e, se a gente e ele tiver sorte, pode até estar vivo.

Esses dias fui à exposição ‘Múltiplo Leminski’, aqui em SP. A curadoria é de Alice Ruiz e das filhas do casal, Aurea e Estrela. Um detalhe que, sim, faz toda diferença. Não conheço bem a obra da Alice, também escritora, tão pouco a vida da Aurea e da Estrela. Mas, olha, me senti em casa.. Na casa deles, vendo um álbum de família em forma de poemas, recortes de jornal, móveis e livros do meia Paulo.
Os rabiscos, as interações e os móveis de madeira me fizeram ter uma noção mais concreta da inquietudade de Leminski. É como se cada um desses elementos retratasse um pedaço seu: rabisco – haicai, móveis – concretude, interações – pop. Esse mix ambulante e com bigode é puro ponto de exclamação pra mim!

Onde já se viu um intelectual do naipe dele, poliglota, escrevendo “Tudo que li/ me irrita / quando ouço / Rita Lee”?Me irrita também, Paulo!, tenho vontade de gritar, sempre que relembro esse.

E minutos depois, a calmaria de enxergar essa condição humana.
“Teses sínteses / Antíteses / Vê bem onde pises / Pode ser meu coração”

É como se, entre os móveis da sua casa, ele me abrisse um diário: não importa por onde andes, é sempre um coração no caminho, me confidencia esse danado.

Alguém com uma cara entre pai dos anos 80 e hippie aposentado… e tão genial! E tão ao alcance. Adoro Leminski especialmente por ter sido um dos primeiros a desarmar minha estúpida tese de adolescência, a de que autor era um imortal-morto com cadeira em alguma distante Academia de Letras. O bigodudo viveu com tudo! E é isso, Alice, Aurea e Estrela, não há meio melhor de lembra-lo. Paulo muito “Múltiplo Leminski”.