Jornal "O Maestro"

Durante o 6º período do curso de Jornalismo nos foi proposto um trabalho em equipe. O diferencial desta equipe é que ela se estendeu além da Universidade. Nosso grupo foi até a Escola Estadual Maestro Josino de Oliveira e, junto dos alunos do Ensino Médio, produzimos um jornal interno.

Esta grande troca de conhecimentos resultou no Jornal O Maestro. Nome imponente e resultado de nos deixar orgulhosos. Editorias de Política, Esporte e Moda (com direito a editorial!), colunas de opinião e fotos. Tudo feito pelos estudantes da EEMJO, sob a nossa orientação.

Vale a pena conferir. Clicando em O Maestro, veja nosso trabalho na íntegra.

Reportagem – Com licença, Damas na Direção

Reportagem produzida para a 7ª edição do Jornal Laboratório “O Foca”.

Com licença, Damas na Direção

Cada dia mais mulheres tomam a frente como motoristas

A velha rima “mulher no volante, perigo constante” é mesmo coisa do passado. Duvida? Segundo dados da Seguradora responsável pelo DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), de todas as indenizações pagas no ano de 2012, apenas 23% foram destinadas à mulheres. Desse total somente 34% das indenizações foram recebidas por motoristas.

Aqui mesmo, no estacionamento do nosso Campus, a presença feminina já é maciça. Só no dia 18 de março foram contabilizadas 82 mulheres contra 91 homens na direção dos carros. Um número que a cada dia se torna mais equilibrado.

A independência é um dos principais motivos para elas deixarem o banco de passageiros. É o caso de Carolina Medeiros, 7º período de Direito noturno. “Ser motorista é resolver problemas sem precisar, na maioria das vezes, do auxilio de ninguém. A maior facilidade é a agilidade. Um carro além de trazer comodidade, encurta distâncias e atrasa relógios”, revela a garota.

Carolina se mudou para Frutal em 2010 e logo trouxe seu carro para facilitar a vida nova. Para voltar para casa, em Ipatinga, durante os feriados ela dirige na BR-381, uma das mais perigosas do país. A experiência nas rodovias trouxe segurança à estudante que já percorreu outros trajetos ao volante. “A maior distância foi uma viagem de fim de ano para a Bahia. Aproximadamente 1200 km, só a ida”, conta.

Apesar da experiência, Carolina admite que enfrenta dificuldades durante suas viagens. “Os perigos são diversos. O que me assusta mais é que na maioria das vezes eu viajo sozinha, e uma mulher que é acometida por qualquer transtorno durante uma viagem, como problemas mecânicos, sofre, sem dúvida, com a vulnerabilidade”, revela a estudante, que tem apenas conhecimento básico de mecânica: continuo rezando para que nada de mais complexo aconteça com meu carrinho.

A fase da habilitação costuma despertar todos os sentimentos e deixar os nervos à flor da pele. Sirlei Queiroz da Silva, aluna do curso de Sistemas de Informação, passou por isso em 1999. Ela revela que não foi apenas questão de praticidade: foi por vontade própria um sonho que concretizou-se.

Hoje, Sirlei, que dirige carro próprio afirma que valeu a pena vencer o nervosismo e conquistar a habilitação. “O desafio foi enfrentar a parte emocional. Sou muito nervosa, mas em compensação consegui superar com tempo e prática no dia a dia”, afirma. Ela revela ainda, que não se imagina mais sem dirigir: Acho que não fico mais sem o carro não e inclusive estou pensando em trocar de carro (risos).

Sobre duas rodas

Em se tratando de mulher, não pense você que qualquer veículo serve. Tão exigentes quanto com o guarda-roupas, as motoristas são com seus veículos. Elas pesquisam antes de escolher e nesse quesito alguns modelos de moto tem ganhado a preferência do público feminino.

Gleice David Rodrigues dirige uma Biz há 15 anos. “Escolhi meu modelo por ser mais seguro. E melhor também, pra você ter uma noção da pra andar nela de saia. Pra mulher é melhor.” A estudante do 5º período de Administração também tem carteira de carro, mas explica que sua atual opção é a moto. “Ela é uma ferramenta de trabalho, não dou conta mais de viver só de carro. Com o preço da gasolina, não tem como ter apenas o carro.”

A estudante lembra que em Frutal e na própria UEMG observa-se um número crescente de mulheres pilotando, mas nem tudo são flores. “O trânsito aqui é péssimo pra qualquer um. Não só pra moto. É terrível, quem dirige em Frutal, dirige em qualquer lugar.” Gleice ressalva ainda que na hora de pilotar é preciso ter calma. “No trânsito mulher é mais cuidadosa”.

Contudo as mulheres que dirigem também têm suas vantagens. Gleice conta que já recebeu tratamento especial em oficinas mecânicas. “Quando é mulher, eles (mecânicos) são mais gentis. Já aconteceu no funileiro quando o meu ex-marido levou o carro ele cobrou um preço. Quando eu levei, sem falar nada, já foi mais barato”, revela.

E se ainda assim você não acredita na eficiência da mulherada: conforme-se. Vai ser difícil tirá-las da direção. Agora é acompanha-las e, quem sabe, pedir uma carona.

Fotoreportagem "Comércio nas ruas: faça você mesmo"

O trabalho original possui um belo formato em P&B! Clique em Foto reportagem completa
para apreciá-lo.
Comércio nas ruas: faça você mesmo
Trabalhadores com o dom da produção e venda que não esperam emprego nas lojas
O comércio ao ar livre. Essa é uma opção cada vez mais aceita para quem decidiu não esperar por empregos tradicionais. Alguns vendedores ambulantes já tem inclusive ponto fixo. É o caso de Itamar, que vende frutas em uma das esquinas da Praça da Matriz de Frutal.
Com um ponto fixo de venda, é mais fácil fidelizar o público. Além disso, o trabalho nas ruas pode funcionar muito bem para quem tem contato direto com os produtores das mercadorias, comprando e vendendo em maior escala.
Existem, no entanto, pontos negativos em se ganhar a vida como camelô. Alguns vendedores procuram estar atentos a presença da polícia e mesmo de repórteres. A venda de produtos sem registro chama a atenção das autoridades.
 
O vendedor em movimento. Munido de buzina, apito ou gaita o carrinho de sorveteiro é um dos comércios de rua mais presentes em cidades pequenas. O sorveteiro tem o seu som particular como aliado para chamar a atenção da freguesia. Além da gaita, o clima tropical e a estação do verão colaboram para o trabalho desse ambulante que enfrenta longas caminhadas.
Robespierre Tonbon é um dos trabalhadores que já deixou de ser ambulante para se encaixar praticamente no perfil de nômade. De nacionalidade colombiana, ele não costuma ficar muito tempo em uma só cidade. Em Frutal o artesão pretende passar apenas mais uma semana, tempo suficiente para juntar algum dinheiro e seguir em nova viagem.

Por onde passa ele costuma ser chamado de hippie, como são conhecidos os vendedores que produzem suas próprias peças de artesanato e bijuterias. Além de vender, ele utiliza suas próprias obras, tornando evidente sua opção pelo comércio ao ar livre não apenas como meio de sobreviver, mas também como estilo de vida.

Com a matéria prima sempre à mão, Robespierre produz algumas peças na hora. E atende a pedidos dos compradores, inovando no estilo das obras.
Não são apenas os mais jovens que se aventuram no mercado informal. Senhor de 80 anos ganha a vida vendendo diversos artigos no centro de Frutal.
Produtos cada vez mais inusitados estão ganhando lugar no mercado informal. Vendedor de acessórios para automóveis atravessa o centro de Frutal em busca de compradores. 

Vídeo – Curta-metragem Ocupação dos Pedais

O curta-metragem Ocupação dos Pedais retrata um projeto de ciclistas na cidade de Frutal, triângulo mineiro. O grupo cresce rapidamente e, em apenas quatro meses, saltou de alguns amigos para até 80 pessoas por pedalada. 
Aos poucos eles ocupam o lugar deste veículo nas ruas de Frutal e pedalando tornam este coletivo de ciclistas parte do trânsito em meio aos carros, pedestres e motos. 
Ficha técnica
Direção: Thais Fernandes 
Produção: Isabella Alves 
Edição: Daniela Moreira e Thais Fernandes 
Trilha Sonora: Http://Audionautix.Com/ 
Roteiro: Isabella Alves e Thais Fernandes 
Cinegrafistas: Daniela Moreira, Isabella Alves e Thais Fernandes

Vídeo – Teaser do Documentário sobre a Água Santa


O teaser produzido para convidar a apresentação do documentário “ÁGUA SANTA: a fé que brota da mina”, faz uma prévia sobre a história de fé do povoado da Água Santa. Durante o dia de Nossa Senhora Aparecida, milhares de pessoas se dirigem à Vila, pertencente ao município de Frutal, Triângulo Mineiro.

Reportagem – Trote UEMG 2013

Cobertura do primeiro dia de aula na Universidade do Estado de Minas Gerais, campus de Frutal, em 2013. A equipe do site Fzine conferiu de perto tanto a Aula Magna quanto a recepção dos bixos organizada pelos veteranos, o caloroso trote! Tudo registrado no vídeo, abaixo:
Matéria produzida por Heron Marques, Isabella Souza Alves, Kaio Cezar e Thais Fernandes.
Foto: recepção feita pela ABU (Aliança Bíblica Universitária) – Frutal

Reportagem – Alegria Compartilhada

O Jornal 360 – edição 4 teve em matéria de destaque o tema dos Doutores Palhaços. Jovens, que com o espírito subversivo do palhaço, se vestem de médicos de nariz vermelho e visitam crianças e projetos beneficentes. Abaixo a matéria, que circulou na cidade de Frutal -MG, em 2011.

O remédio é riso e carinho

Nariz vermelho, roupa colorida e sorriso largo. Aquele que lhe encantava no centro de um picadeiro qualquer, na infância ou mais tarde, que lhe fazia gargalhar e aplaudir de pé é o mesmo ser que, com o figurino um pouco diferente, jaleco de médico e maquiagem mais leve, encanta novas platéias. Com a vontade de levar alegria ultrapassando barreiras e chegando a locais inusitados: hospitais, creches, asilos.

“Eis o que ninguém sabia: hospital também é lugar de alegria”. E foi levando essa ideia à diante que o grupo de jovens, que se encontrou em Frutal, resolveu iniciar um novo projeto. Os Doutores Palhaços da Alegria frutalenses começavam a surgir bem antes da primeira reunião.

“Quero ser doutor palhaço também! Tem esse projeto em Frutal?” A curiosidade de alguns dos participantes em saber mais sobre um trabalho realizado anteriormente por uma das voluntárias. A falta de projetos que seguissem essa linha na cidade. Eis os motivos para a criação do grupo.

A inspiração vem de outros trabalhos ao redor do mundo. Como o de Patch Adams (representado por Robert Willians no filme ‘O Amor é Contagioso’), médico que atua como Dr. Palhaço em locais carentes e até mesmo zonas de conflito mundial.

Trabalho em que qualquer pessoa que queira ser voluntária pode, com muita responsabilidade, vestir-se de palhaço e, ao invés de esperar seu público aparecer, ir até ele. Mais do que isso, esses clowns, termo em inglês para palhaço, assumem o papel de médicos formados em besteirologia. Usam de brincadeiras, conversa e muito afeto para encontrar o melhor em seus “pacientes”.

Os Doutores Palhaços nascem

Muitas conversas e ideias até a prática. Aos poucos, o grupo frutalense foi encontrando participantes e tomando os cuidados para que tudo pudesse se tornar real. Os 12 jovens que atualmente integram o projeto são: Daniel Bizanha, Fernanda Brahan, Juliani Lima, Lucas Góis, Matheus Bassi, Matheus Brambatti, Matheus Frizoni, Nayara Trindade, Ramon Portes, Thais Fernandes, Thiago Couto e Vagner Delvecchio. E pretendem aumentar seu número para 14 voluntários em breve.

Todos eles se encontraram graças ao vínculo criado por estudarem na UEMG, mas os cursos e turnos variam e a iniciativa de realizar o projeto em Frutal foi independente da universidade.

Dos atuais participantes, nove não nasceram em Frutal e não tiveram contato com a cidade antes de se mudarem para cá para estudar. É um dado peculiar. Pessoas que, a princípio, não teriam que se preocupar com a sociedade local e que estão atuando com uma preocupação social.

O que motivou cada um deles foi ter encontrado pessoas com a mesma vontade e iniciativa. O momento foi propício para a criação do projeto, e independente de onde vêm, eles agora têm um vínculo muito maior com a cidade. Compreenderam que o que importava era praticar o bem, e não onde ou para quem se estava praticando.

Os três frutalenses, Lucas, Thiago e Nayara, colaboram no contato direto com a comunidade. Eles conhecem os problemas e instituições mais carentes de Frutal, além de saber por onde começar a procurar auxílio e novos parceiros para levar os Doutores Palhaços sempre adiante.

A cidade tem mostrado ótima receptividade. Tanto por parte das instituições quanto dos moradores e estudantes. “Sem dúvidas a repercussão foi grande e está sendo muito aceito e procurado. É inevitável, desperta a curiosidade de todo mundo. Eu acredito que só tem a crescer e se expandir cada vez mais. Devemos ter futuramente mais participantes e, para isso, devemos estar abertos, como nós estamos.”, é o que afirma o voluntário Thiago Couto.

Palhaçada levada à sério

No final de 2010 uma loja local doou um ventilador e o grupo realizou o sorteio de uma rifa. Com o dinheiro arrecadado foi possível a compra de brinquedos e doces para doar as crianças visitadas, além de maquiagens e roupas para os Doutores Palhaços.

Juliani Lima participa de todas as visitas desde o início do Projeto. Ela encontrou ali a maneira certa de colaborar, exercendo sua cidadania fazendo algo com o qual se identifica. “Sempre gostei de lidar com crianças. Quando eu soube que estaria fazendo isso no projeto, eu quis participar. Até pra poder dar essa contribuição para a sociedade, já que foi a primeira vez que eu tive a oportunidade de participar de um trabalho voluntário.”, conta ela.

A criadora da Dra. Jujuba revela ainda que as idas até as entidades carentes são sempre momentos especiais. “É muito gratificante. Durante a semana inteira nós vamos à faculdade, trabalhamos, fazemos as coisas do cotidiano. Mas acabamos não tendo esse contato, não fazendo realmente o bem pra alguém. É com esse trabalho  que eu me sinto realizando essa parte. Eu sempre achei que o voluntariado era muito legal pra quem participava. E agora eu só tenho comprovado isso.”, diz Juliani.

Thiago Couto Silva se divide nas tarefas de auxiliar geral, fotógrafo e organizador da bagunça desde que os Drs. Palhaços surgiram em Frutal.

Ele conta que ver o retorno por parte das crianças atendidas é o que o incentiva. “Em geral é tranquilo exercer todas essas funções. Ir aos encontros e ter contato com as crianças. Independente de idade, sexo, cor. É muito satisfatório levar o sorriso, o amor.”

Thiago entende que as visitas fazem tão bem aos voluntários quanto a quem é visitado. “Essas são crianças carentes. Pessoas que precisam de mais brilho na vida e acredito que isso seja o mínimo que podemos oferecer”, conclui ele.

Desde o início o ponto de encontro é sempre na casa de um dos estudantes. E atualmente o foco do trabalho são crianças de creches ou instituições carentes. Nas cinco intervenções realizadas até aqui o grupo já aprendeu muito e agora procura se organizar mais. Ainda neste mês de junho eles começam a realizar treinamentos. Neles, cada um terá como lição de casa procurar por novas brincadeiras, jeitos diferentes de animar as pequenas plateias. Aprender e repassar para o grupo.

E com o tempo todos ao redor começam a entender melhor o intuito desses jovens. Seu papel, por incrível que pareça, não é apenas o de fazer palhaçada. A frase que eles encontraram para lema do trabalho é: “Levando amor em um sorriso”.

Vai muito além do riso, é companhia sincera. Estes jovens incentivam que todos criem a atitude de ir ao encontro de quem precisa. Estar junto com alguém, fazer-se presente na vida das pessoas, ouvir suas histórias e angústias, tudo isso faz a diferença.

Disseram-me um dia: “o melhor remédio não é o riso, o melhor remédio é a amizade”. E é essa a maior verdade que eu tenho visto acontecer.

Segredo nosso

“Vou te dar o meu bombom, mas é segredo nosso, tá bem?”
A fala acima é do Doutor Teteco, um outro lado do naturalmente brincalhão Ramon Portes. E mostra quando a doação vai além do simples falar, passa por pequenos gestos.

Na visita à Casa da Sopa realizada no dia 30 de abril de 2011, o Doutor se encantou com o garoto chamado “Luan”. O pequeno provou que o maior mestre de um bom palhaço é mesmo a criança. Divertiu-se muito e deu um show à parte. Cantou, desfilou e ao final de toda a brincadeira ganhou como presente o bombom do próprio Doutor Teteco.

Coragem

“Vocês voltam aqui amanhã?” “Posso te dar um abraço?”

Duas frases ditas frequentemente pelas crianças visitadas. Revelam um pouco da essência do projeto dos besteirólogos.

É preciso muita coragem para conseguir expressar exatamente do que precisamos. E tem sido isso que muitas crianças visitadas demonstram. No início, é difícil se abrir e a confiança delas tem que ser conquistada. Aos poucos elas se sentem à vontade com a presença dos Doutores e acabam revelando nessas frases e detalhes suas fragilidades.

A carência aqui não é apenas financeira ou social. É também de apoio, de brincadeira, de afeto. E só nesse contato é possível adquirir confiança para melhorar a auto-estima dessas crianças.

Sempre tem um destaque

Após as visitas os voluntários conversam e costumam perceber algum caso que marcou.
Alguma criança que surpreende: “a menininha que desfilou na ultima visita, toda ‘se achando’. Como se fosse modelo mesmo. A reação positiva de um menininho que tem câncer. A gente consegue ver, mesmo através das fotos, a emoção. O brilho no olhar de cada um. Perceber que a nossa mensagem está sendo transmitida”, afirma Thiago.

Juliani também se recorda de um caso específico. “Em uma das visitas que nós fizemos, estavam todos interagindo. Foi quando eu olhei pro lado e vi um menininho que estava quieto. Fui brincar com ele e vi que ele não respondia verbalmente. Então alguém me explicou que ele era mudo. Isso é normal, mas eu nunca tive contato assim tão próximo com uma criança muda. Foi aí que eu percebi que deu tudo certo. Ele brincou e se divertiu junto com a gente também.”

Por quê Palhaço?

“Aquele bebê, parecendo uma bolinha de tão rechonchudo. Estava lá chorando nos braços de uma das moças que trabalhavam na creche. E com tantas crianças pra tomar conta, ela me viu e pediu pra que eu o segurasse. Quando eu o peguei no colo, ele ainda chorava. Foi quando finalmente virou o rosto pra mim e parou. Ficou uns minutos sem chorar, só me olhando.” É o que conta o Doutor Bizi, vivido por Daniel Bizanha, que numa tarde de novembro de 2010 visitou uma creche com cerca de 80 crianças entre 0 a 8 anos.

Esse olhar curioso explica o porquê da caracterização de um Doutor Palhaço. Um pouco mais de cor pra quem já está acostumado a enxergar as mesmas coisas todos os dias. Isso vale para crianças, professoras e funcionários, dos locais visitados. Todos precisam desse tempo. Dessa saída da rotina. É bom se deparar com algo de diferente. Que atice a curiosidade e encha os olhos. Algo que faça uma criança que chorava desesperadamente ficar em silêncio. Parar de chorar só pra olhar e analisar aquela figura tão colorida e fora do comum.

Convenhamos: estar no centro das atenções de cerca de 80 crianças, como geralmente acontece, não é nada fácil. É aí entra o verdadeiro encanto em ser palhaço. Ter a liberdade de não precisar mais se limitar. Tornar-se um personagem com características diferentes das suas, e poder fazer de tudo que em seu estado normal, não ousaria. Vendo os Doutores Palhaços atuando percebe-se que cada um deixa de lado seus problemas e horários. Adquire um único compromisso. O de se doar.

Fotoreportagem – Folia de Reis em Frutal (MG) – 2012

      Em 2012 o XIII Encontro de Folia de Reis levou para a cidade de Frutal -MG, dezenas de Folias de toda região.

O cenário da praça da Matriz foi colorido e enfeitado para o evento, realizado pela Secretaria de Cultura da cidade.

Tudo ocorreu após a primeira missa da manhã de domingo, e o público preencheu a praça da Matriz.

Reportagem – Mariana Tavares e a Cassino Queen

foto: Facebook Mari Tavares

Revista Panorâmica foi produzida durante o curso de Jornalismo, na UEMG, neste último semestre de 2013. O Perfil produzido foi o da cantora Mariana Tavares, abaixo o resultado desse trabalho:

Música na veia e pé na estrada
Com 4 capitais e 20 anos de carreira no currículo, Mariana Tavares não para

“Nasci em Manaus, mas acho que não tenho nenhuma foto na floresta!”, comenta com humor minha vizinha de porta. Eu não me lembrava que ela havia nascido em Manaus. Como é que pode? Tão carioca que é, ninguém lhe daria outra naturalidade que não a cidade maravilhosa. No entanto, pasmem, apesar do sotaque que transforma “isqueiro” em “chiqueiro”, Mariana Tavares residiu por apenas um ano no Rio de Janeiro, capital.

Aos 24 anos, ela já morou em cinco cidades, entre elas quatro capitais e uma interiorana. No estado do Amazonas, apenas seu primeiro um ano e meio de vida foi desfrutado. “Eu era bem pequena, não tenho muitas recordações.” Mas, dentre as poucas, uma se destaca: “Minha mãe tinha um macaco! Era desses pequenos, ela adorava. Os vizinhos, se não me engano, também tinham um macaco de estimação.” Peculiaridades de uma cidade que, segundo Mariana, no geral era bem comum, como qualquer cidade grande, inclusive com um zoológico local.
Alguns pontos de Manaus também ficaram na memória como o Museu e o Teatro. “Na época do Natal, nós íamos ao Teatro Municipal, onde um coral de crianças cantava nas sacadas.” É uma das primeiras recordações musicais da pequena menina que viria a se interessar cada vez mais por esta arte.

Saindo de Manaus, foi a vez de se mudar para Curitiba, no Paraná. A época de cidade fria também durou pouco. Em apenas um ano, Mari e os pais já se mudavam novamente, partindo para o interior do estado do Rio de Janeiro. Em uma cidade chamada Valença, a família esteve mais próxima, com a presença dos avós, que já residiam no local. “Morava perto da casa dos meus avós, foi a cidade onde morei por mais tempo”, relembra.
Em Valença, aos 4 anos, o contato com o universo musical se intensificou. Como boa parte dos artistas, Mari começou a cantar na igreja, além de ingressar no coral da cidade. Também lá surgiu a primeira banda, ainda que mais por brincadeira, entre os amigos.
Mas a vida cigana não abandou a família de vez. De volta a uma capital, estado novo. Brasília se tornou uma cidade crucial na vida de Mariana. A esperada apresentação à sociedade, tradicionalmente feita aos 15 anos, teve que esperar. A mudança para a capital nacional ocorreu quando Mari tinha 14 anos e estava prestes a completar os 15. “Nem quis fazer festa, porque ainda não conhecia ninguém na cidade”, relembra. Mas não demorou muito para a recém-chegada fazer amigos e se sentir em casa. Em Brasília, Mariana passou boa parte de sua adolescência e completou o ensino médio. “Lá eu não fiz amigos, fiz irmãos. A gente sempre marca de se encontrar e eu vou pra casa deles. É um lugar que eu sei que sempre vou ter onde ficar, com quem contar”, lembra, com saudades.

Depois da época do Ensino Médio e de ter formado duas bandas em Brasília, Mari morou um tempo com os avós em Valença e ufa! Finalmente veio a mudança para a cidade do Rio de Janeiro. A época do cursinho, como quase sempre acontece, foi inesquecível para a cantora. Da temporada fluminense de um ano saiu o lugar mais inusitado onde Mariana já cantou. Em um salão de beleza, em meio a cortes de cabelo, manicures e chapinhas, a estudante tocava violão e cantava para as clientes. “Quando me convidaram eu não acreditei. Não entendi como podia fazer música lá, pensei que o barulho do secador fosse atrapalhar, mas no fim deu tudo certo, o pessoal gostava muito.” Apesar de ter acertado na mosca em convidar músicos para se apresentarem no salão às quintas e sextas-feiras, Mari acredita que o contratante não soube valorizar o trabalho deles. “O cara que tocava nas quintas tinha mais experiência, mas a gente ganhava muito pouco… e o salão lotava nos dias das apresentações.”
No fim de um ano no Rio, ela já tinha conquistado experiência musical e lugar cativo no coração dos cariocas. “Você cativa muitos amigos”, revela Mari sobre a época intensa do cursinho, vivência que a trouxe direto para o triângulo mineiro, onde cursa Publicidade e Propaganda na UEMG.



Hoje, em Frutal, prestes a defender seu TCC perante uma banca de publicitários e professores prontos para testar os quatro anos de aprendizado, Mari se divide entre a publicidade e a música. No dia a dia quase não se separa do amigo Lucas Miranda, com quem divide sonhos e trabalhos na banda Cassino Queen. Nossa pequena Frutal é palco de ensaios e criações da dupla que começou a realizar shows em 2011.

Segundo eles mesmos se descrevem: “A Cassino Queen é uma banda de Noise Rock que carrega elementos eletrônicos e psicodélicos em suas composições, buscando sempre novas sonoridades carregadas de distorção”A música produzida pela dupla de fato não se encaixa nos padrões esperados pela maioria. Mas isso não é impedimento algum para que a Cassino Queen tenha conquistado fãs das mais diversas cidades e caído na estrada!
A divulgação via internet é apenas um apoio ao maior veículo de ampliação de público da banda: o boca a boca. “A maioria dos locais que nos convidou para apresentações, ficou sabendo através de um amigo que curtiu nosso show. Hoje em dia, é preciso ter alguém que leve seu nome e diga que vale a pena.”

Em apenas dois anos de banda, a dupla já visitou oito cidades levando sua sonoridade e conhecendo pessoas e lugares. Para Mari, o diferencial de sua banda é o ao vivo. “Nós procuramos fazer coisas diferentes em cada show. Para fazer a noite de quem nos assiste divertida, um momento para ficar marcado. Por produzirmos música eletrônica podemos deixar sempre rolando um som, mesmo entre uma música e outra, o som nunca para”, explica.

Em Guaíra- SP, Mari conta que a experiência com o público superou as expectativas. “Foi incrível, muito receptivo. Trataram a gente como astros. Arrancaram meu cabelo, loucura de fã.” Tudo aconteceu durante o festival Grito Rock e eles repetiram a dose na cidade mais tarde, no ECAL – Encontro Cultural de Arte Livre. Mas na vida de músico quase nada é turismo.
A Cassino Queen costuma viajar com carro particular e quase sempre vai direto ao local do show e de lá de volta para Frutal. “Sempre gostei de viajar, é uma sensação ótima. Mas antes de começarmos a viajar com a banda, eu sempre pensava ‘nossa, que demais tocar fora e tals’. Hoje, a gente vê que precisa de muita força de vontade.”
Depois de diversas viagens em função dos shows, e quase sempre num bate e volta para conseguir conciliar com a faculdade, Mari procura deixar claro o valor de seu trabalho. “É uma batalha. Muitas pessoas deixam de dar valor. É como se fosse um som ambiente”, afirma ela sobre os contratantes e público que não apoiam o artista.

Apesar das dificuldades, a musicista almeja levar a Cassino Queen para muitos lugares, inclusive fora do país. Sobre o circuito de bandas conhecidas de Mari, muitas vão para países vizinhos, como a Argentina. “Você tem que acreditar muito no que você faz”, conclui Mari, que segue com a América Latina na mira e de malas prontas para os destinos que surgirem.

Acima, a versão feita pela Cassino Queen da música Black Balloon da banda The Kills.

Entrevista – Heloisa Buarque de Hollanda e a Universidade das Quebradas

O programa experimental Debate Papo entrevistou Heloísa Buarque de Hollanda (Professora e Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea – Universidade das Quebradas -PACC/UFRJ) durante a 3ª Semana UEMG, em Belo Horizonte (MG).
Que papo enriquecedor! Heloísa falou sobre o trabalho na Universidade das Quebradas, o papel da Academia na hora de colocar em prática seus projetos, além de seus trabalhos atuais e futuros. Vale a pena para todos os universitários e cidadãos, a universidade é um mini universo do que será nossa vida em sociedade. Mas, essa e outras discussões ganham voz muito mais habilidosa com Heloísa, clica só pra entender do que eu tô falando:
PRODUÇÃO
Ana Carolina Datore
APRESENTAÇÃO
Thais Fernandes
EDIÇÃO
Thais Fernandes
Daniela Moreira 
IMAGENS
Daniela Moreira
ABERTURA
Criação – Fernando Ringel
Edição – Daniela Moreira/ Fernando Ringel
Trilha – About Time – feeplaymusic.com
Encontro com a Figura :), em BH.