etiópia: minha viagem ao berço do café arábica [parte 1]

berço e presente. fui a Adis Abeba e fiz uma viagem de 5 horas até de carro até uma região produtora de café.

quantas vezes na vida 1 oportunidade de realizar um sonho aparece do NA-DA?

esse ano rolou! no meu trabalho, tive que cobrir um evento na gringa, e o voo passava por – adivinhem? – ETIÓPIA! a origem do café da espécie arábica. cara, sempre que via algo desse país, eu corria pra saber mais… ler, ver. e de repente eu estava lá!

viajei sozinha à Etiópia e quero trazer detalhes para ajudar quem quer fazer algo parecido. vale muito! vem comigo. vou te guiar nessa viagem!

a agência de turismo que indico

para começar, não foi tão simples assim fechar um pacote de turismo. ou melhor, encontrar uma agência com pacotes flexíveis. eu só tinha 2 dias, inicialmente (depois, viraram 3) e queria conhecer a capital e uma região produtora de café. mas a maioria das agências que contatei só tinha pacotes acima 3 dias só nos cafezais. só que eu não queria passar tão reto assim pela capital, Addis Abeba. a gente nunca sabe quando vai ter uma segunda chance de conhecer um lugar, né?

enfim, por intermédio do Vinícius Assis, um jornalista que cobre diferentes países africanos, conheci a Travel Ethiopia. melhor presente que recebi! a CEO da agência é a etíope Samrawit Moges. eu também fui atendida por uma gerente mulher, a querida Wusfte.

ainda assim, decidi fazer um tour pela capital primeiro, para viajar com mais tranquilidade depois.

e que surpresa boa foi conhecer o guia Assefa (que significa fortune, algo como fortuna ou sorte, em português) e o motorista Fikar (que quer dizer love, amor). sim, os nomes por lá costumam ter significado conhecido por cada um. massa, né? e eles são dois queridos! muito respeitosos e tranquilos.

sério, indico demais. principalmente se você for mulher e estiver viajando sozinha, como eu estava, é importantíssimo escolher bem a agência e os guias. quer falar comigo sobre a experiência com essa agência? me manda uma DM.

adis abeba: a nova flor

Adis Abeba, a capital etíope. esse nome significa ‘a nova flor da África’. o nome foi dado por uma rainha desse império, quando subiu a um dos pontos mais altos da cidade e decidiu que, ali, eles criaram a capital. essa história quem me contou foi o Assefa, o guia mais risonho que já conheci, e que me acompanhou nos meus passeios pela Etiópia.

a capital etíope é bem grande, embora o centro mais conhecido seja concentrado. a questão é que Adis cresce espalhada. é linda e contraditória. com riquezas e desigualdades, que acredito que quem é brasileiro consegue ter a consciência dessa realidade por vezes bem parecida com a nossa.

impressões e dicas

particularmente, a minha experiência com a recepção do povo etíope foi muito boa. mas vale falar de algumas impressões e dicas:

  • língua nacional: é o amárico. que vem do tronco linguístico semítico. (mesmo do árabe, por exemplo). o amárico foi escolhido para ser a língua de trabalho do país, que tem cerca de 80 idiomas falados por lá. mas me senti bem tranquila, porque no setor do turismo, a maioria de quem encontrei falava inglês.
  • mulher viajando sozinha: me senti relativamente segura. infelizmente, ser mulher é estar alerta em todos os locais, então nada de novo. uma questão é que muitos homens perguntaram sobre meu marido (risos), mas isso costuma acontecer sempre que viajo sozinha (no Brasil, inclusive).
  • táxi: não pegue. foi o que ouvi de toooodo mundo. inclusive dos meus amigos dos hotéis. o que todos indicam é usar um app local chamado RIDE;
  • internet: não conte com ela. haha tô rindo, mas é de nervoso. mesmo no wi-fi o sinal é bem ruim. eu fui com um pacote internacional da Claro, e tentei também da Vivo, e simplesmente não rolou. acredito que o lance seja comprar um chip local, coisa que acabei não fazendo, mas não recomendo, rs;
  • segurança: em todos os hotéis, e até um bar que fui, há revistas e/ou detectores de metais. isso pode dar um clima um pouco tenso, mas entendo que é uma questão de segurança que só a história do país pode explicar;
  • segurança 2: como sempre faço, converso bastante com a equipe do hotel onde estou sobre os locais e a segurança neles. só saí sozinha à noite quando um amigo que mora lá me acompanhou. e durante o dia, é aquela coisa de evitar sair com o celular à mostra, etc. natural para quem vive em São Paulo;
  • moeda: Birr etíope. já vi sites indicando comprar a moeda de forma irregular, porque é muito mais barato. e, sim, vão te oferecer. mas eu indico usar um daqueles cartões de viagem para pagar hotéis e passeios turísticos, e pedir indicação de casas de moeda confiáveis para ter um trocado em dinheiro. o Birr está bastante desvalorizado, então poucos dólares vão resultar em um bolo de dinheiro local, não se assuste;

história milenar

império e resistência. a etiópia já foi um império, sabia? também conhecida como Abissínia, nome que até hoje é bem simbólico por lá e batiza até um banco do país. fiquei impressionada em ver como os etíopes conhecem sua história e fazem questão de contá-la. o país tem uma questão bem forte de demonstrar autoestima, principalmente em relação a países colonizadores, como os da europa.

aliás, a Etiópia se orgulha de ser o único país da África a nunca ter sido colonizado. apesar de ter sido ocupado pela Itália durante alguns anos, a nação manteve sua identidade ao máximo que pôde. isso, talvez, explique um pouco o que comentei sobre a segurança reforçada que vi por lá. mas isso é só uma impressão de quem veio de fora e ainda tem muito o que aprender sobre esse país.

a resistência etíope aos colonizadores é muito simbólica para o continente africano como um todo. tanto é que as cores da bandeira do país estão estampadas em várias outras bandeiras dos vizinhos, e ilustram as cores do movimento Pan-Africano.

com uma história tão longa, claro que uma parada obrigatória era o Museu Nacional da Etiópia! lá você vai descobrir porque o país, inclusive, também é citado por muitos como berço da humanidade. ❤

um dos pontos altos do museu é ver de perto a Lucy. ou Dinkinesh! quando foi descoberta, ela era o fóssil do hominídeo mais antigo do mundo. encontrado e conservado lá na Etiópia! o fóssil fica no laboratório do museu, e uma réplica está à disposição dos turistas, olha só:

tem tanta coisa que eu podia falar sobre esse museu. as artes de diferentes períodos e influências. os fósseis. os artefatos e utensílios antigos e os clássicos (usados até hoje!) de diferentes tribos da nação.

para você ter ideia, uma das coisas mais delicada e simbólica que vi foram banquinhos! isso mesmo. cada região e tribo etíope tem seu próprio estilo de bancos, usados para diferentes atividades. depois, eu vi como são usados na prática, inclusive nas cerimônias do café. mas isso é papo para um outro texto que #vemaí! fica de olho nesse blog 🙂

e, se quiserem, posso escrever sobre o Merkato, maior mercado a céu aberto da África, as igrejas que visitei e +! me conta lá no instagram/tha.experimentando se querem. E:

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Processando…
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Torra fresca em pleno Mercadão de Poços de Caldas

Sentiu o aroma? A Tradi Café torra seus microlotes bem no meio do Mercadão de Poços de Caldas.

Tradi Café: uma microtorrefação bem no Mercadão de Poços

O Mercadão, pra mim, é meio mágico. Frutas, verduras, doces, pimentas. Tudo ali tem frescor. Tem cor. Os cheiros e a vontade de provar um pedacinho daquele queijo.

E aqui em Poços, minha descoberta mais recente: um torrador de café! Lá no segundo andar: microtorrefação e cafeteria. Tudo juntim! A Tradi Café abarca toda uma experiência. De um lado, uma prateleira com cafés de diferentes produtores, variedades e sabores. Do outro, uma máquina de espresso e uma prateleira de métodos. E no meio, o responsável pelo cheirinho no ar: o torrador.

Microlotes
Quando visitei a Tradi, em novembro, eles tinham cinco microlotes diferentes! Que danado é isso? Microlote é um café comprado em pequena quantidade. E mais: a qualidade é rara. Ou seja, com aquelas características ali tem poucos!

Fiquei bem doida com o que vi ali: Arara, Mundo Novo, Obatã, Catuaí e Bourbon Amarelo. Todos esses títulos são os nomes das variedades da planta de café da espécie arábica. Cada uma é diferente da outra. Isso ajuda a tornar esses cafés únicos. Claro, tem muito mais variável aí: o processo de secagem dos grãos, a altitude, o solo… a mão de cada produtor!

O que posso dar de dica? Eu mesma levei o Arara e o Obatã pra casa. E estou BEM satisfeita! O Arara tem um acidez… que dá aquela puxada no canto da boca. Brilha! Eu tava doida pra provar essa variedade. Ela foi desenvolvida aqui no Brasil. E tem sido bem falada, visse?
E o Obatã também é diferente, doce que nem caramelo. (Pra entender essas definições doidas? Melhor cê provar :P).

Tradi Café
De Belém, o Sandro Dias é um pouco de tudo: fundador, barista, caçador de novos cafés, e, claro, mestre de torras. Ele começou a Tradi Café há 2 anos. Estudou sobre métodos, prova e sensoriais. Muito do que aprendeu foi com o pessoal da Um Coffee, de São Paulo. E ele colocou em prática, viu? Na cafeteria, além de ter grãos que ele mesmo ‘caçou’, tem muito método.

De ondulada Kalita Wave, ao clássico Hario v60, passando pelo espresso… E até globinho! O famoso sifão. Você já viu? Parece um método de alquimista. E a Tradi tem! Achei isso um detalhe de apaixonado mesmo. De quem testa, prova… e descobre novas possibilidades no café. Me senti em casa.

O Sandro, criador da Tradi, e o Roni. Quem extraiu os cafés pra gente, inclusive, foi o Roni. Figurinha e barista de mão cheia.

Na real, o café tá na vida do Sandro há muitos anos. O pai dele trabalhou com café lá no Pará, quando ele era pequeno. Mas o Sandro só descobriu que esse universo era cheeeio de possibilidades agora, depois de adulto. “Nunca pensei que tantos anos depois eu ia trabalhar com café também”, lembrou. Reencontros que a vida traz. Que bom que esse trouxe junto essa cafeteria tão querida.

Quer ver mais conteúdo? Segue lá no @blogexperimental

Coffea: a planta que dá café

Dinheiro ainda não dá em árvore… massss CAFÉ SIM!

E não é pouca planta não, viu? Existem, pelo menos, 25 espécies diferentes do gênero coffea. Mas vamos falar um cadinho das mais conhecidas e consumidas?

100% arábica

Você já deve ter lido em rótulos por aí “100% arábica”. E pensado: UAU. O que raios isso quer dizer? ‘Arábica’ é o nome de uma das espécies mais consumidas do mundo! Essa belezinha tem:

  • 44 cromossomos
  • curtem um clima mais frio: 15 a 24° C
  • É menos resistente às pragas = custa mais caro produzir
  • E tem uma graaande variedade sensorial: acidez, doçura, aromas.

E por conta dessa gama gigante de possibilidades de aromas e sabores? A maior parte das marcas de café usa o ‘100% arábica’ pra dizer que aquele produto tem qualidade. Mas, sabe, qualidade é muito mais que isso. Tem arábica por aí que deixa muito a desejar, tá? A planta tem que ser muito bem cuidada. E os frutos, depois de colhidos, mais ainda! AÍ SIM: a qualidade vem.

Esse é um cafeeiro da espécie arábica. Frutos maduros! Dependendo da variedade, o fruto pode ser de cores bem diferentes

Fato é que o arábica é uma espécie cheia de variedades de plantas lindas e imponentes! ❤ Aqui no Brasil, a maior parte dos grãos produzidos é dessa espécie. Somos os maiores do mundo.

Ex-patinhos feios: os canéforas

Bom, se todo mundo queria correr pra dizer que no seu café só tinha arábica… é porque existia um consenso de que a outra espécie mais comercializada do mundo não era lá aquelas coisas.
Mas isso vem mudando! Hoje, já tem muito produtor da espécie canéfora arrasando! Aqui no Brasil, as principais variedades são: conilon e robusta. E essas plantinhas são:

  • Muito resistentes às pragas! Por isso, tem custo menor de produção
  • Tem 22 cromossomos (metade do arábica, lembra?)
  • Preferem climas mais quentes: de 24 a 30° C
  • E altitudes menores: até 700 metros
  • As características sensoriais, geralmente, variam menos. É um café encorpado e pode ter amargor.

Aqui no Brasil, o estado que mais produz conilon é o Espírito Santo! E o robusta? Tá crescendo muito lá na região Amazônica!

Confere aqui o postq eu fiz lá no instagram @blogexperimental contando também sobre essa planta e as espécies que mais produzimos e consumimos!