futuro da comida: laboratórios ou orgânicos?

a maior feira de alimentação do Oriente Médio. um fórum sobre a comida do futuro. uma das cidades mais cosmopolitas da atualidade. e eu, lá no meio!

em fevereiro, tive + 1 oportunidade DAQUELAS. fui à trabalho pra dubai. cobrir eventos sobre alimentos, agricultura e tecnologia. a Gulfood e Food For Future Summit & Expo (onde tirei a foto de capa desse texto!) e eu vi TANTA coisa! ficou até difícil contar pros amigos e família ‘como foi a viagem?’. então, decidi escrever.

comida feita em impressoras 3 D

começando com as expectativas. pré-viagem. olhando algumas companhias que estariam em eventos em dubai… de repente: comida impressa.

sim. uma das empresas está desenvolvendo carne feita em impressoras 3D. ~basicamente~ a ideia deles é utilizar algumas células de um bifão que já existe e, com elas, produzir mais carne. bizarro, né? ainda preciso, francamente, estudar muito mais pra entender a real das impressões em 3D.

inovador é. mas – vide NFT – toda inovação é boa? quanta energia e recursos seriam gastos pra produzir essa carne? qual recurso é esse? pra quem o produto seria acessível? já podemos imaginar algumas respostas.

também é uma solução de alguma forma menos cruel com os animais, já que não seria preciso criar + gado para depois abater. mas a que custo para quem consome? se ultraprocessados já são um problema quando se tornam base da nossa alimentação, imagina como seria o cenário com carnes ‘criadas’ em lab?

todas essas perguntas seguiram em diferentes inovações que vi. a tecnologia vem, claro. mas gosto de pensar que junto vem um questionário. ou seria bom se viesse.

mas quer saber o que + encontrei em dubai no final das contas? orgânicos!! e alimentos produzidos no meio do deserto da Península Arábica. é mole?

orgânicos do deserto

perto do Food For Future eu já tava desconfiada que o jogo ia virar. na Gulfood, eu já visto muito ‘organic‘, ‘vegan’, ‘plant based‘. proporcionalmente, pouco ‘lab’ ou ‘3D’. depois disso, visitei uma feira com pelo menos 3 bancas de produtores orgânicos e locais. COMIDA PRODUZIDA NO DESERTO, literalmente. de mel à vegetais.

claro que aqui há o meu viés pessoal. sou mais atraída por agriculture do que high tech. dá pra pegar a diferença? mas de toda forma, realmente me surpreendi com a quantidade de ‘fazendas’ e projetos de alimentação raiz nos emirados.

só como exemplo: a Emirates Bio Farm. a maior fazenda de produção orgânica do país. e faz delivery direto da produção pros consumidores! a propriedade, em geral, também recebe visitas. uma espécie de turismo rural árabe. infelizmente, por conta da pandemia eles estavam fechados :(.

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café gelado com limão ou laranja dá bom?

‘hum, mas misturar laranja no café…???” já digo, logo de cara: eu também torcia o nariz. mas agora? NUM CALOR DESSES? me gusta! eu acho que cê vai experimentar e agradecer depois…

masss só tu pode dizer! então, vamo de receitinha?

limão simplão

essa aqui é facin facin. água, CAFÉ DELICIOSO, gelo e limão. a lógica é: o gelo vai derreter depois de um tempinho, então fazer um café concentrado é o ideal.
aqui vai a proporção que eu uso pra ter 1 copo americano:

  • 15 gramas de café
  • 150 ml de água
  • 2 ou 3 rodelas de limão
  • muitcho gelo!

e pra facilitar ainda mais, ó o vídeo:

laranja da elis

e agora participação especial da minha amiga Elis Bambil. a barista curte um café geladim cítrico também. mas ela prefere café com laranja… então, perguntei pra ela: comé que cê faz? e segue a dica dela:

“Miga eu faço que nem cê fez com o limão mesmo. Passo um café mais concentrado, 1:9/1:10 dependendo do café, num copo com gelo e coloco uma rodela e meia de laranja depois do café já pronto. Teve uma época que eu tava mais fancy que eu desidratava a laranja hahahaha”.

FINA né mores? desidratar laranja é outro nível! mas pra iniciar nesse universo, uma boa laranja madura já faz a alegria dos cafeinades.

essas proporções que a Elis citou (1/9 ou 1/10) são as medidas de café (tipo 10 gramas de café) para outro tanto de água (90 ou 100 mls de água). se joga nas continhas e manda a ver aí também! que nem eu fiz, nesse vídeo do instagramhttps://www.instagram.com/p/CY_mQCwpwej/:

mesma proporção, mas dessa vez com laranja… hum!

grab and go: vale a pena ir em cafeterias que querem que a gente vaze?

*alerta de polêmica e termos in English de sobra…

desde que retomei o trampo presencial {ainda bem que não todos os dias}, senti a falta real das cafeterias que fecharam as portas na região do meu trabalho. triste pra caramba não ter mais clemente café ou caffe latte a um pulo de distância… e decidi conferir o que tinha em ‘to go‘, ou formatos de espaços mais enxutos.

daí que um dos meus melhores amigos, me conhecendo, lançou: ‘mano, fechou tudoooo :/. mas tem aquele the coffee novo’. eu já tinha ouvido falar da franquia. a proposta faz sentido real nos nossos tempos. quem dirá na maior metrópole da América Latina…

café tá salgado…

mas eu broxei. de colar lá, provar o café… sentir e pensar ‘é, bom café’. mas é isso, bom. 17,40 reais no coado. é bom. mesmo! origem única e tudo, diz a embalagem. mas não me fez brilhar o olho pra repetir a dose. não nesse valor.

mas ainda não é bem esse o ponto… ‘o preço do café tá mesmo caro’, diria qualquer um que faz compras. eu sei. embora ache que esse valor que paguei não vai baixar de acordo com a cotação da saca… mas tem o lance da acolhida.

só o mínimo. mesmo.

vamos ao senso comum do negócio: em geral, é preferível que o cliente pague, pegue e vaze. isso libera espaço pra outras pessoas. faz você circular por aí fazendo propaganda do produto, se estiver na embalagem… e, em tempos de covid, até eu não acho a ideia ruim…. mas estar em um ambiente 100% voltado pra isso, e sem nadica de intenção de troca de ideia com o barista? sem grandes informações sobre o café, o método… aí já não é minha praia mesmo.

no lugar do minimalismo, senti meio que um vazio.

será que a galera gosta desse sensação de fila do metrô? porque faz sucesso. pelo que eu vi nos dias anteriores. lotado. fila no caixa de auto atendimento. e é, o café é bom. talvez a fila seja porque da minha idade pra cima a galera já tem dificuldade de entender o conceito de ‘se atende sozinho aí’. pode ser... mas o modelo tem feito sucesso, sim.

só que, ouvindo em volta… ‘não tem cardápio?’. ‘ah, eu que faço o pedido e pago sozinha..’. ‘mas o que é ‘salted caramel’?’… hum, é complicado. a comunicação de muuuuitos lugares dão preferência pro inglês. o café especial em si, geralmente, chega com termos que criam muitas barreiras.


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mas grab and go? o clássico ‘pega e vaza’. dá pra perceber bem antes de ler o texto na embalagem. e, ah, antes disso, paga aí você mesma e no cartão, tá?

como eu disse pro meu amigo: acho que pelo espresso deve valer a pena. espresso bom é bem difícil de achar…. mas o coado? acho que é hora de levar as bugigangas e começar a fazer eu mesma lá no trampo.

Harmonizando café com chocolates da Mission

harmonizar alimentos (e não pessoas) é incrível! experimentei unir cafés especiais e chocolates da Mission Chocolate. Se deu bom? IMAGINA!

harmonizar alimentos (e não pessoas) é incrível! com estudo e testes, dá para achar combinações que exaltem o sabor. o aroma. as delícias de cada comidinha ou bebida. pesquisei bastante sobre isso, quando entrevistei a fazedora de chocolates Arcelia Gallardo. ela criou nada menos do que um chocolate ao leite de camela! (aqui cê pode ler a reportagem sobre isso).

bom, daí que quando recebi 4 chocolates diferentes da Mission Chocolate, não tive dúvida. era hora de harmonizar com cafés incríveis!
a harmonização pode ter diferentes técnicas:

  • uma das possibilidades é combinar dois sabores parecidos. doce com doce. salgado com salgado. ácido com ácido.
  • OUTRA? juntar os opostos. uma bebida docinha misturada com um salgado acentuado. um vinho com acidez boa somado a um doce de leite. Huuummm… já dá agua na boca só de pensar.

Chocolate + café – o dream team da harmonização

aqui, a ideia foi complementar. então, busquei um café com características opostas ao do chocolate.
bora lá que vou te contar minhas escolhas. e espero que você se inspire (ou fique com muita vontade) e experimente suas próprias combinações por aí. vamos lá:

1 – Café com acidez e doçura + chocolate ao leite com especiarias

e deu bom! apesar da acidez do café ter ficado menos presente, as especiarias do chocolate foram lá pra cima! e o todo foi doçura boa.

☕ o café que escolhi é o Arara, da rede Santo Grão. a torra é clara e feita pela minha grande amiga Keiko Sato. o resultado é uma bebida docinhaaa e com uma acidez gostosa. eu sinto esse acidinho ainda depois de tomar o café. é o que se chama de retrogosto. chiquérrimo, né?

barras da Mission Chocolate harmonizando com cafés especiais.

🍫 já o chocolate que harmonizei com o Arara foi o Pão de Mel! (passarinho e agora doce?). é, o nome é justamente por conta do projeto da Mission que se chama Sobremesas Brasileiras. nele, a Arcélia, criadora da marca, busca características dos doces nacionais. e, de quebra, ainda apresenta nossas gostosuras pros compradores gringos.

2- Chocolate ao leite de camela + café floralzão

aqui, a ideia foi mesclar a doçura desse chocolatão com a delicadeza de um café com notas florais. deu bom, viu? o chocolate é da marca parceira aqui do blog, a Gamers Coffee (e comprando com cupom EXPERIMENTAL cê tem 10% de desconto). então, capricha na escolha e harmoniza lá.

Chocolate ao leite de camela, e um café floralzão.

3 – Chocolate Cupuaçu com um café de doçura e corpão!

ahhhh, um café encorpado! nada como esse perfilzão para harmonizar com um chocolate complexo que nem esse. a barra tem até pedacinhos de capuaçu! uma explosão de azedinho e textura. foi muito bem com um café menos delicado, que nem esse que é da Associação de Pequenos Agricultores Familiares de Palmeiral, a Assofé.

Café docinho e chocolate com cupuaçu.

4 – Chocolate Arroz Doce somado a um café frutado

e pra concluir, uma barrinha de chocolate branco! mas não só isso. chocolate branco com sabor de ARROZ DOCE. mais uma barra do projeto Sobremesas Brasileiras da Mission. esse chocolate também vem bastante informação de sabores, viu? e doçura alta! por isso, escolho o cafézão Frutas Amarelas, da UCA café orgânico, pra harmonizar. um café com mais acidez pra contrapor a doçura do chocolate. achei que foi bem!

Chocolate Arroz Doce + café frutas amarelas!

AH! no insta @blogexperimental, fiz uma análise em vídeo dessa harmonização! pra assistir, cola aqui ó.

e aí, o que achou das misturas? dá um alô quem também AMA harmonizar café e chocolate. e, claro, manda suas dicas pra cá também. 💅🏼

O que é cafeína, afinal?

que tem cafeína em várias plantas acho que você já sabia, né? é café (coffea)! chá (camelia sinenses)! guaraná! mate! ah, chocolate (cacaueiro). uhum!

mas cê já imaginava que ela tá presente em mais de 60 espécies?

eu tenho pesquisado muito pra entender como o café me afeta. faz algum tempo que entendi que convivo com ansiedade. é algo que provavelmente vai seguir me acompanhando… então, vamos chamar isso de ‘vida em andamento’.

e, sem dúvidas, tem uma coisinha que faz parte da minha vida: uma boa xícara de café. parece meio contraditório querer manter os dois? às vezes, é. por isso tudo, comecei a me perguntar: o que no café pode acender o interruptor da minha ansiedade? e, obviamente, me veio à mente ela. a famigerada cafeína.

nas plantas

que tem cafeína em várias plantas acho que você já sabia, né? só pra ficar na nossa mesa de quase-todo-dia: café (coffea)´! chá (camelia sinenses)! guaraná! mate! ah, e também tem o chocolate (cacaueiro). uhum!

mas cê já imaginava que ela tá presente em mais de 60 espécies? (cara de espanto). nem eu!
os cientistas ainda estão estudando qual a função desse composto nas plantas. será que servem como um repelente natural? xô insetos e pragas! ou ajuda a formar uma reservinha de nitrogênio? pelo menos nesse artigo aqui, ainda não há conclusões. mas que ela tá em muita ´planta, isso tá!

um alcalóide nervoso

beleza… mas, quimicamente, o que é cafeína? ela é um composto orgânico da família dos alcaloides. a nomenclatura oficial é 1,3,7-trimetil-3,7-dihi­dro-1H-purina-2,6-diona. e olha só como é estrutura química da cafeína da danada:

fonte: Brasil Escola

agora, tecla SPA: a cafeína é, basicamente, como um estimulante do nosso sistema nervoso central (SNC).

como funfa?

bom, pra saber isso, você precisa conhecer outra substância: a adenosina. essa fofa aqui é produzida pelo corpo e ajuda a gente a dormir!
o modus operandi da cafeína é justamente driblar a ação da adenosina. os receptores confundem as duas. e aí? a cafeína passa na frente! e no lugar de dar sono, ela dá AQUELA sensação de AGORA VAI! uma energia que a gente busca muito nesses tempos acelerados.

claro que essa explicação de 1 parágrafo é bem rasa, né? vamos combinar que o drauzio varella deve te explicar BEM melhor do que eu: aqui neste artigo do site dele, tem infos sobre uma pesquisa que analisa a relação cafeína x sono.

porta pra drogas + pesadas

“A cafeína é a droga mais consumida em todo mundo“. foi o que eu li em dois artigos sobre ela.
bom, fato é que muitos estudos apontaram que a cafeína pode causar dependência.
nessa matéria da Revista Galileu, eles explicam os efeitos que esse consumo tem no nosso corpitcho. mas tenho a impressão que você já deve saber alguns deles… tipo:

  • insônia
  • acelero
  • ansiedade
  • cansaço excessivo depois do pico de energia louca ai meu deus do céu

ok, acima eu descrevi os meus próprios sintomas quando tomo café DEMAIS. e, principalmente, se eu SÓ tomo café. dicas muito simples pra evitar isso são:

  • reduzir a quantidade (avá)
  • comer algo enquanto toma café. se você não quiser que interfira muito no sabor do café, pode comer um pedaço de pão simples, ou uma bolacha de água e sal, manja?
  • estar atento ao seu organismo. eu não costumo ter muito problema com a quantidade, mas a cafeína definitivamente potencializa o que já estou sentindo no dia.
foto: Thais Fernandes (eu merma)

de toda forma, vale ficar atento a tudo que tá ‘demais’. café é uma delícia. um cházinho é amor. chocolate é o paraíso. vamos só tomar cuidado com volume… e, por que não?, cuidar mais da qualidade!


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Vídeo: faz café e fala sobre UCA orgânico especial

Com muuuito orgulho, apresento a #FazCaféeFala! Uma pequena série de vídeos que são ~quase reviews~ dos cafés que eu tomo! Neles vou contar sobre a produção e história por trás grãos. Mas com aquele jeitinho descontraído que esse blog prega. E com a fala do própria cafeicultora (or) / torrefadora (or) / vendedora (or) de café, quando possível! E vamos ao primeiro cafezão: orgânico e especial, o UCA <3.

⚡️Com muuuito orgulho, apresento aqui a Faz Café e Fala! Uma pequena série de vídeos que são ~quase reviews~ dos cafés que eu tomo! Neles vou contar sobre a produção e história por trás grãos. Mas com aquele jeitinho descontraído que esse blog prega. E com a fala do própria cafeicultora (or) / torrefadora (or) / vendedora (or) de café, quando possível!

Os vídeos vão estar disponíveis no instagram @blogexperimental e no meu canal no Youtube! Diga lá, gostou desse formato? Quais cafés quer ver aqui? Deixa um comentário para eu saber tudim. E vamos ao primeiro cafezão:

UCA – café orgânico especial


O Delmar, vulgo Tuca, nunca tinha trabalhado no campo. Mas depois de fazer faculdade, viajar por lá e estudar sobre cafés especiais, decidiu produzir ele mesmo. Mas não bastava ser especial, ele aprendeu a produzir café orgânico especial.

Nesse primeiro vídeo da série ‘Faz Café e Fala, conto sobre um microlote dele chamado Frutas Vermelhas. E ele mesmo te conta como é essa aventura de produzir organicamente sendo um pequeno agricultor!

Aqui, fiz esse café da UCA no método Koar (já conhece?), enquanto conto essa história. E SPOILER: Ficou muito bom!

Diga lá, gostou desse formato? quais cafés quer ver aqui?

Fichinha técnica do café
Marca: UCA
Produtor: Delmar Benelli
Município onde produz: Caldas (MG)
Nome do microlote: Frutas Vermelhas

Como eu fiz?
Método Koar
Moagem: média, um pouco mais fino do que aquele açúcar mascavo, sabe?
Proporção: 1 medida de café para 14 medidas de água.

Me conta aí, já tomou esse café? Qual a tua receita?

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Truth Coffee – A cafeteria mais estilosa do mundo

Apresento ela: a cafeteria eleita duas vezes uma das 13 melhores cafeterias do mundo pela agência de notícias britânica The Telegraph.

E eleita a mais estilosa do mundo por… mim mesma! 😬 Mas juro que merece o título. Olha só:

Fiz uma enquete no instagram (@blogexperimental, j´á segue?) e o pessoal quis conhecer ela, a cafeteria mais estilosa do mundo! Então, lá vai:

A vida tem dessas surpresas… e um dia desses eu conheci o que me disseram que seria ‘a melhor cafeteria da África do Sul’.
Truth Coffee Roasting. Eleita duas vezes uma das 13 melhores cafeterias do mundo pela agência de notícias britânica The Telegraph.

E eleita a mais estilosa do mundo por… mim mesma! 😬

Que lugar, senhoras e senhores! O espaço todo tem um pé direito altíssimo. Bem no centro de Cidade do Cabo, na África do Sul. A cidade já é charmosa, mas a Truth Coffee me surpreendeu. Eles prezam muito pelo ambiente. Uma mistura de futurista com old school. A própria equipe da Truth explica que a cafeteria é inspirada em ‘steampunk‘, um movimento que cresceu na ficção científica e trata justamente de ideias futuristas. Dá um confere no ambiente e diz se a inspiração tá ou não tá bem firmada:

“Não precisa de açúcar, ESTAMOS ENTENDIDOS?”. é mais ou menos esse o recado da barista 😉

E a cafeteria com baristas e garçons mais estilosos do universo (já visitado por mim 😂). Pra começar o hostess, famoso anfitrião, recebeu a gente de cartola e bengala na porta. Lá dentro é tudo tão lindo. TÃO em numa paleta de marrons e ferrugem…

Foto: Thais Fernandes

As luzes amarelas pendem do teto… Dá aquele ar de aconchego – quase mistério. Não sei se é o lugar que eu escolheria para ler ou trabalhar no computador, mas muita gente lá escolhe! Tem mesões para dividir e tomadas espalhadas. E, claro, mesas mais individuais. Eu e minha amiga ficamos em uma mesa em forma de engrenagem. Maior doideira!

Aliás, os móveis lá eram assim. Para sentar, puxamos os banquinhos que ficam encaixados embaixo da mesa. Acoplados mesmo, manja? Parecia tudo parte de uma máquina antiga. Ou de um futuro distópico, quem sabe?

Torra artesanal

Como o nome diz ‘Truth Cofffee Roasting‘, lá eles também torram. Aliás, a máquina de torra está bem no meio do salão! Amo esse estilo. Bem Santo Grão e Suplicy aqui no Brasil, ein?

Lá na Truth, um torradorzão da probat. Eles compram cafés de muitos locais do mundo. Inclusive, quando visitei um dos cafés era daqui de Botelhos, em Minas. E outros grãos da Etiópia, e mais outros da Guatemala! Incrível, né?

Cafés coados do mundo afora

Além de espressos tirados na linda máquina Slayer, eles também servem bebidas diferentonas e criações da casa.

Eeeeeee o meu mais queridinho método: A CLEVER! Você conhece? É uma forma de fazer café que mistura infusão com coado. O pó fica em contato com a água por alguns minutos primeiros (estilo chá mesmo, manja?), e só depois uma travinha abre e libera o café que vai sendo filtrado.

Para medir esse tempo de infusão, a Truth usa pequenas ampulhetas. Eles levam essa belezinha na mesa do cliente, e quando a areia acabar de cair para a parte de baixo? É hora de coar o café. Aí é só encaixar o método na xícara. A magia está feita.

Olha só que lindeza essa foto que fiz do meu café:

Clever e ‘cronômetro’ style, assim como tudo na Truth!

Vendo essas fotos me deu uma baita saudade desse lugar. Da vibe da equipe que trabalha ali… dos cafés, claro. Cidade do Cabo, e a África do Sul em geral, é um lugar muito especial. E você, concordou com a eleição que eu mesma fiz? A Truth Coffee é ou não é a cafeteria mais estilosa do mundo?

Consumindo localmente: cinco marcas de café pra comprar em poços

Tomar café é um ato danado de impactante. Por isso, consumir mais localmente é uma meta. Aqui vão 5 dicas de ótimos pacotinhos pra comprar em Poços de Caldas, Sul de Minas.

Tomar café é um ato danado de impactante. Um dos pilares da minha escolha é: consumir localmente. Uma mistura do ‘Think globally, act locally‘, em português ‘pense globalmente, aja localmente’, com ‘compre do pequeno’.

-O primeiro jargão gringo, traz a estratégia de pensar: ao invés de me desesperar pensando no tamanho do problema, repenso. o que posso fazer aqui, na minha casa? na minha vila? no meu pequeno alcance? Um desses problemões que vejo é gasto enorme de combustível fóssil no mundo. O que posso fazer daqui, da minha vilinha? Comprar de quem tá mais perto é uma pequena possível ação.

-Já o ‘compre do pequeno‘ é um belo slogan do Sebrae. E faz muito sentido! Dou o maior duro pra ganhar meu salário… quero escolher bem pra quem ‘repassar’ a grana. E melhor ainda se esse dinheiro for pros pequenos negócios.

Pensando nisso, quero te ajudar a repensar o café que cê tem aí no armário. Como minha vida se divide entre Poços de Caldas e São Paulo, vamos começar com o lado mineiro?

cafés produzidos perto: fortalece negócios locais! usa menos recursos do planeta (tipo gasolina, que vem do petróleo, que vem da terra….)

Cafés de Poços de Caldas

Poços faz parte de uma macrorregião produtora importante. O Sul de Minas. E, mais especificamente, é o polo da região dos Cafés Vulcânicos. (Se quiser que eu te conte mais sobre isso, deixa um alô nos comentários. Combinado?) Mas hoje quero falar sobre as MARCAS DE CAFÉ TORRADO que você encontra para comprar diretamente em Poços.

  • Café FUCA: Um café pro dia a dia! Esse pacotinho com um design lindo é produzido em Cabo Verde. Também Sul de Minas, bem pertim. E é um café que eu recomendo para quem tá começando a buscar qualidade. Por quê? Ele é bastante equilibrado! Então, esquece aquela conversa de ‘notas disso’, ‘sabores daquilo’. O Fuca é doce, e é café bom! Ainda por cima, produzido por uma família e vendido por uma mina massa! Aliás, contei a história da Sandra neste texto.
    Como comprar? Pelo telefone (35) 9 999 648 436.

  • Tradi Café: uma microtorrefação com diversos pacotinhos? Temos! A maior parte dos grãos da Tradi são do entorno de Poços. É café bão e local pra mais de metro! E sempre tem renovação. Para quem, assim como eu, ama descobrir novos sabores, é o canal!
    Quer saber mais? Também tem texto especial sobre essa marca que produz cafés de Torra fresca em pleno mercadão de Poços!
    Como comprar? No telefone (35) 99704-6930.

  • UCA: Café orgânico de produtor local. Quer mais o que??? Café de qualidade, lógico. Esses grãos são produzidos pelo Delmar Benelli (ou Tuca Mineiro). Ele produz micro e nano lotes. Ou seja, os cafés são separados em ‘pacotinhos pequenos’ ainda no campo. É tudo daqui do Sul de Minas e vendido direto pelo produtor. Massa, né?
    Como comprar? Você pode fazer pedidos no inbox do insta @ucacafeorganicoespecial

  • Âncora Coffee: Tá no auge da vida coffeelover? Ah, então você já deve conhecer a Âncora. Cafeteria voltada aos grãos especiais – às bikes? – no centro da cidade. Com uma equipe super querida e pacotinhos novos de tempos em tempos. É uma boa pedida pra garantir seus cafés frescos e aquecer o mercado local!
    Como comprar? Delivery no telefone (35) 3715-9951 ou iFood!

  • Gamers Coffee: O bônus é pra dar o play nesses cafés! A Gamers tem grãos torrados por um poços-caldense. Isso acontece lá em Franca, mas como ele é daqui – e parceiro deste blog! – os cafés vem pra cá fácil fácil toda semana.
    Como comprar? Com meu cupom EXPERIMENTAL, cê ganha 10% de desconto! É só ir direto no site deles: Gamers Coffee.
    OU se você tá em Poços, me chama aqui thais.blogexperimental@gmail.com ou no instagram @blogexperimental que te conto + como ter desconto e retirar direto aqui no centro da cidade.

Aô trem! Com esse tantão de dica, quero saber: qual você vai escolher???

Por que ter seu próprio moedor de café?

Um amigo pediu pra indicar um primeiro método. Pra iniciar a vida de coffeelover, sabe? Lembrei do V60. Da prensa francesa… da clever. Mil possibilidades! Mas aí esbarrei em: e o moedor? Já tem? Não tinha. OPA. Para tudo, vamos repensar a prioridade.

Só pra aquecer, pega essa informação: Logo depois de moído, o café perde 70% de gás carbônico. Um dos compostos mais voláteis produzidos. Essa perda pode servir como um parâmetro para determinar o “envelhecimento” do grão inteiro após a torra. Isso também pode ser uma referência de percentual de perda dos outros compostos.

Resumindo, é correr contra o tempo. Da torra à moagem. Por isso, moer na hora é uma vantagem e tanto.

Outro motivo pra investir primeiro no moedor é: cada método pede uma moagem!
Pra prensa, por exemplo, a moagem é mais grossa. No V60? Média pra fina… E se você curte um preparo árabe (vai que), vai de grão moído bem fino!

Além disso, moer o café JÁ é uma experiência! E o que é o coffeelover se não um sedento por viver coisas únicas???

É um dos meus momentos preferidos. Porque quando abro o pacote já é bom. Mas quando moo? Aí o trem fica doido. Aí, a dúvida… Por que isso acontece?

O que acontece moendo na hora

Moer é quebrar em micropedaços. Milhões deles. Assim que a gente mói, o café começa a liberar seus bens preciosos. Aromas. Gases (ué, você também libera). São os danados dos voláteis. Óleos ou gases liberados pelos café… e que dão o sabor e aroma! Ou seja, quando eles escapam… lá se vão também as delícias que queremos sentir.

Pra entender melhor isso, eu falei com a pesquisadora Michelle Amaral. Ela tem PHD em Química, e cientista de produtos naturais, alimentos, aromas e fragrâncias, e escreveu um artigo bem legal chamado “O irresistível aroma do café“. Então, ela vem com a parte técnica, e eu com a simplicidade da ´prática, certcho? 😜.

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Pra começar, a Michele lembrou que os “compostos voláteis de aroma” ou “compostos orgânicos voláteis”, começam a ‘fugir’ dos cafés ainda antes da moagem. “A etapa mais determinante para o aroma do café é a torra. Nesse momento, todos os compostos voláteis de aroma são produzidos e o odor é bastante rico e intenso, variando conforme o grau de torra escolhido. A partir daí, os voláteis começam a ser liberados dos grãos”.

A partir daí, abrem-se as portas e tudo que é aroma e sabor quer sair correndo do grão! E quanto mais contato com o oxigênio? Mais os voláteis escapam! “Podemos pensar no grão como uma “cápsula protetora” para os aromas produzidos durante a torra. O processo de moagem, portanto, destrói essa “cápsula”, aumentando a superfície de contato dos grãos com o ar e facilitando a perda dos voláteis e oxidação de lipídios, o que gera a rancidez”, me falou a Michelle.

Café moído na hora… pra quê?

Logo depois de moído, o café perde 70% de gás carbônico! Já no grão inteiro, essa liberação pode levar atééé 30 dias. Baita diferença, ein?

Fuga rápida de aromas e sabores

No caso dos voláteis de café, a Michele frisa: “Estamos falando de mais de 500 compostos”.
Esse estudo aqui conta os cafés perdem até 70% de gás carbônico (CO2) imediatamente após a moagem! Isso tudo só escapa dos grãos inteiros em até 30 dias. “A partir desse dado e considerando que o CO2 é um dos componentes mais voláteis no café torrado, pode-se ter uma noção dos tempos e percentuais máximos para a perda dos outros componentes com a moagem”, explicou a cientista.

Para ficar bem explicado, a Michelle me lembrou que “o CO2 é um gás e é volátil, mas os outros compostos voláteis não são gases. Gases e compostos voláteis são duas coisas diferentes. A importância do CO2 para a bebida está relacionada à formação daquela espuma que aparece em algumas preparações de café. O CO2 é apenas um dos compostos mais voláteis produzidos, cuja perda pode servir como um parâmetro para determinar o “envelhecimento” do grão inteiro após a torra, ou melhor dizendo, determinar há quanto tempo atrás a torra foi feita. Podendo também ser uma referência quanto ao percentual de perda dos outros compostos. Já que ele é um gás, espera-se que ele seja um dos primeiros voláteis a serem perdidos”, explicou ela.

Perguntei para a Michele o que ela acha de moer na hora do consumo. “A importância da torra e moagem na hora do consumo, no final das contas, será determinada pelo consumidor ou o local de venda da bebida. Em analogia, um barista ou um profundo apreciador de café sentirá grande diferença na moagem dos grãos na hora do preparo, da mesma forma que um chef de cozinha sempre opta por ingredientes frescos para o preparo dos pratos. Os chefs, inclusive, também costumam moer ingredientes como a pimenta do reino na hora do uso principalmente pelo mesmo motivo – o aroma”.

Então, moer é coisa de profissional? Para a Michelle, não tem uma coisa melhor ou pior que a outra. “São só expectativas diferentes”, ela disse. Pra mim, moer na hora é pra todos os amantes de café. Alguém que dedica tempo e dinheiro a esse alimento. E se você gasta mais dinheiro pra comprar um café bom… por que perder tanto dele antes de sentir o cheiro?

Vai comprar um moedor?

  • Pega essa dica: Aqui tá o link do moedor que eu uso! <- comprando por aqui, você apoia meu trampo! Tô de associada à Amazon, então quando alguém compra pelo meu link, eu ganho um cadim – e isso não encarece em nada sua compra!
    Moedor elétrico: É um modelo da Cadence. Um dos mais simples e em conta. É elétrico e mói 45 gramas por vez. E atende super bem pra preparos em casa! 🙂 Dica de ouro: quando usar esse modelo, chacoalha! haha É sério. Quando você mexe o moedor, ele deixa a moagem mais uniforme.
  • Se preferir um modelo manual: O moedor da Hario de cerâmica é uma boa. Só prepara o braço, ta? Moer é tipo musculação.
  • Quer começar com um moedor mais robusto? Esse da Philco é uma boa pedida.

Moedores escolhidos? Divirta-se!


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Oi, mudei! a nova cara do blog experimental

Já faz mais de sete anos que tenho esse blog. Aliás, pra quem não me conhece, muito prazer! Sou a Thais. Jornalista, leitora, curiosa e observadora. Também sou palhaça. A vida tem dessas coisas, né? A gente é um montão em uma só.

E com o Blog Experimental também é assim. Aqui, eu já contei as aventuras da primeira viagem ao exterior. Sozinha, num intercâmbio incrível pela África do Sul. Escrevi sobre exposições… histórias que vi e ouvi. E as que vivi mesmo.

Café e mulheres inspiradoras

Hoje, o café é o rei desse espaço. Mas não só ele: as pessoas que fazem o café, principalmente!

E as mulheres, cada dia mais as musas inspiradoras! Porque eu mudei. Passei a querer contar mais as histórias das minhas manas. Das que vieram abrindo caminho… das que produzem no campo. Ou fazem história nas cidades.

Descobri que café é planta. É alimento. E nisso tem tanta importância. Tanta luta!

Renovando a cara pro Blog Experimental

https://www.behance.net/pokegiuMinha alegria é ter esse espaço pra poder contar tudinho. Me expressar. E como essa forma de expressão vem mudando, nada melhor que um novo visual! Logo, cores, tudo feita pelas mãos de uma mina incrível. A artista e designer gráfica Giulliana Iannaco. Minha amiga desde os tempos em que eu trampava na Café Editora, a Giu tem um olhar ‘moderno e leve’, como disse outra grande amiga linha ao ver o logo pronto! Conheçam mais o trampo dessa pequena full pistola: Aqui no Behance dela, ou no insta da @pokegiu.

As cores: verde e vermelho. Verdinho das plantações. Vermelho dos frutos e da luta. Formas circulares e rechonchudas. Pra ter sempre possibilidade de expandir pra tudo quanto é lado… e deslizar. Porque como diz o ditado ‘pedra que não rola cria limo’.

Seguimos aqui mais um capítulo deste Blog! Espero que curtam tanto quanto eu. E ainda vem mais novidades nos próximos dias! Vídeos! Entrevistas e dicas de preparo mais mão na massa ainda! Nos vemos! Um abraço bem apertado,

Thais.

Tô só orgulho: nossa nova logo. A cara do Blog Experimental!