Tour em fazenda de café na Colômbia: tudo que eu vi e o que achei

um tour em fazenda de café na Colômbia é dos passeios que eu mais recomendo! te conto tudo sobre o roteiro e cafés especiais que provei em Medellín.

vocês acharam MESMO que eu ia ter passado pela Colômbia sem visitar uma fazenda de café? óbvio que não!

em Medellín, região cafeeira chamada de Antioquia, eu e meu parceirinho Gui tiramos um dia para fazer esse tour.

(se quiser saber sobre meu roteiro cafeinado em Bogotá, leia aqui)

indico muito esse passeio, especialmente porque imaginei que seria BEM mais fácil achar um tour cafeinado por lá… mas não foi bem assim. Senta, que lá vem história cafeinada!

Como escolher uma fazenda de café pra visitar na Colômbia? 

Sabendo que o tour cafeinado é essencial, eu pedi pra várias pessoas uma dica de fazenda pra visitar na Colômbia. isso, incluindo gente que trabalha com o café especial no Brasil, viu? e nadica.

por isso, tive que arregaçar as mangas e pesquisar. e te digo que para escolher uma fazenda de café pra visitar na Colômbia você vai precisar: 

  • entender qual tipo de café você curte: é especial? Se sim, deixe isso claro na sua pesquisa. Use “cafes de especialidad” para ser mais preciso.
  • prefira sites confiáveis: a Colômbia hoje é um país mais seguro do que anos atrás, mas você ainda é turista. Vamos ser espertos, né? melhor ir de Airbnb, TripAdvisor e outras plataformas onde tem até avaliação.
  • vá com tempo pra aproveitar o passeio: separe pelo menos 1 dia inteiro do seu itinerário. As fazendas são fora da cidade (quem diria!). então, mesmo as mais próximas, vão precisar de um tempo de deslocamento na ida e volta. 

E só pra concluir a reflexão sobre a dificuldade de encontrar alguém que me indicasse uma fazenda colombiana…

parece que realmente é muito mais fácil encontrar referência pra cafeteria nos EUA do que pra produtores latinos. isso tem vários motivos. vai de destinos mais comuns de viagem até a preferência por visitar lugares cool pra consumir. 

E, claro, tem o fato de que nós já somos produtores incríveis de café. Então, acredito que isso diminui um pouco a curiosidade por visitar outros produtores em um momento de lazer. 

Bom, como o diz a trend: pena que não é caso. Porque eu queria MUITO visitar uma finca dos nossos hermanos. E consegui! 

então, pesquisei e escolhi a que me pareceu mais bem preparada e segura pra receber turistas.

e tive uma grata surpresa descobrindo a finca Santa Elena ⛰️💚. 

Como é um tour em uma fazenda de café na Colômbia? 

Bom, na minha experiência o tour cafeinado em terras colombianas foi uma delícia! A finca (fazenda, em espanhol) Santa Elena tem uma estrutura ótima para receber.

Além do cafezal, eles também têm espaço de torra! E diversos métodos de café, que a Laura usa para servir uma degustação ao final do tour. 

a família produz ali variedades de café diferentes. Eu vi até laurina por lá, uma variedade que tem naturalmente menos cafeína. 

Além disso, eles estão se empenhando em inovar nos processos. tem cafés lavados, naturais e fermentados… e um terreiro suspenso bem legal, com telhado pra evitar as chuvas, bem comuns por lá. 

Por isso, eu pude ver e provar cafés especiais de diferentes tipos e processamentos… e torrados pela Laura! experiência fina mesmo. e a marca dela se chama El Revelo⛰️💚.

a fazenda fica pertinho de Medellín, a 1900 de altura! uma vista linda do cafezal pras comunas que ficam em volta. 

O que estava no roteiro do tour na fazenda de café na Colômbia 

o roteiro na fazenda Santa Elena todo incluiu: 

  • transporte de Medellín para a finca. 
  • todo passeio com uma guia que é um amor e habla español or speak in English. e, claro, entende portunhol, não se aflija.
  • recepção com cafezinho ou suco de uma fruta típica.
  • roupas típicas (o Gui bem que tentou fugir, mas a guia convenceu ele a viver o momento. arriba!)
  • tooooda uma explicação massa sobre as mudas de café, etapas de agricultura e mão na terra pra plantar uma semente.
  • colheita! óbvio, eu não ia embora sem comer uma frutinha do pé, né.
  • almoço campesino, com arroz, frango e várias delícias 🥘. mais suco!
  • degustação com diversos cafés de processos, variedades e sabores diferentes. todos produzidos ali!
  • opção de comprar os pacotinhos.
  • despedida 🙁 e volta até Medellín.

Em qual época é melhor fazer tour em uma fazenda de café na Colômbia 

esse tipo de tour pode ser feito o ano todinho. na Colômbia, tem colheita [praticamente] o ano inteiro. isso acontece porque lá eles colhem devagar, só os frutos maduros… e aí a colheita vai seguindo, conforme outros frutos vão madurando. 

o que facilita muito a vida do turista que praticamente em qualquer data pode participar dessa etapa da produção… e se esbaldar em cafés fresquinhos. 

Qual a minha avaliação do passeio na fazenda de café colombiana? 

⭐ pra mim, esse passeio foi: 9,9/10. 

a minha única ressalva é que no final foi um cadinho difícil dos carros subirem. nesse caso, eu fico feliz de ser prevenida e andar sempre com meu remédio pra asma! porque, se tivesse que subir tudo a pé, ia ser brabo. mas a própria Laura e a guia resolveram tudo no final). 

Eu indicaria esse tour? 

com certeza. tanto a guia quanto a Laura e a família foram umas fofas. muito receptivas. a comida estava DIVINA. Os doguinhos vieram pra coroar o rolê.

q o café? bom, eu queria ter comprado vários, mas me segurei e comprei apenas 1. o gui comprou outro.

eu encontrei esse Tour de cafés em Medellín aqui. e fechei tudo pelo Airbnb mesmo (não tô recebendo pra indicar, mas bem que podia ne, Airb?).

Onde provar café colombiano no Brasil? 

E agora um bônus para quem ficou até aqui: eu vou compartilhar meu café colombiano com vocês! Siiim. Se ainda não me conhece, eu sou jornalista especializada em cafés. Por isso, escrevo há 10 anos sobre o tema e também ofereço experiências. 

O nome deste blog não é à toa, ein? 

Então, se você e ou estará no Sul de Minas no dia 11/10, está convidado para o próximo evento! Além do café El Relevo, vou levar + cafés gringos e meu parceiro da Gamers Coffee vai trazer cafés incríveis da Região Vulcânica. 

Te espero lá, ein? As informações e inscrição estão aqui ó: 

Cupping Cafés do Mundo   

Uma experiência GAMERS COFFEE & THAIS FERNANDES  
Dia: 11 de outubro, das 09h00 às 12h00.  
onde: Gamers Coffee – Rua Corrêa Neto 589 – Poços de Caldas (MG). 
investimento: R$170,00 no cartão pago no escritório ou link de pagamento.  
R$150,00 pix conforme pix mencionado.
Se inscreva aqui. 

Se estiver lendo este texto no futuro, vem se conectar comigo via Instagram @tha.experimentando. E me pergunte lá sobre outras degustações e experiência pelo Brasil afora. Nos vemos por aí! 

Território do Café 33: complexo valoriza grãos da Região Vulcânica

Leonardo Custódio e Maria Carmen lançaram neste ano o Território do Café 33, complexo cafeeiro na Região Vulcânica. O espaço vai oferecer serviços dentro e fora da porteira.

A cidade de Campestre (MG) ganhou, neste ano, um complexo cafeeiro. A Território do Café 33 é a nova empresa de Leonardo Custódio e Maria Carmen. O casal criou não só uma marca de cafés, mas também um espaço para valorizar os cafés da Região Vulcânica.

O lançamento aconteceu em março deste ano e a empresa já está prestando serviços para diversos setores, especialmente a produtores. 

A Território do Café 33 foi lançada como um complexo cafeeiro por englobar diferentes serviços. Eles vão desde a porteira para dentro até a torra e comercialização de pacotinhos ao consumidor

O que é e o que oferece um complexo cafeeiro? 

Entre os serviços que o complexo vai oferecer estão alguns como: 

  • Consultoria em fermentação de cafés. 
  • Preparo e beneficiamento de cafés. 
  • Avaliação e compra de grãos verdes. 
  • Torra para produtores e marcas terceirizadas. 
  • Venda de pacotes de café torrado ao consumidor final. 

Opa: 😊pausa pra você me seguir no instagram:@tha.experimentando


Por quê Território do Café 33? 

Desde o início, a ideia principal dos fundadores era selecionar e torrar grãos os cafés especiais da Região Vulcânica. Por isso, a marca própria de pacotinhos também carrega o ‘Território do Café’ em seu nome. O objetivo é lembrar que quem fornece os cafés são produtores da região, formada por 12 municípios mineiros e paulistas.

Já o número 33 veio porque foi nessa idade que Léo teve uma virada de chave na vida. “Eu tinha uma trava que me bloqueava. Era muito tímido. Mas com 33 anos eu desbloqueei, porque ganhamos dois prêmios no Cup of Excellence (COE). Então, o Júlio Tuim me chamou para fazer uma palestra sobre fermentação, em Franca”, contou ele. 

O casal Leo Custório e Maria Carmen lançaram a Território do Café 33 este ano.

O COE é uma das principais premiações de café do mundo. Com a equipe da Mantissa, Leo se destacou nesse e outros concursos por diversas vezes. Mas, somente depois que precisou encarar o público, ele conquistou a confiança para tomar as rédeas de sua carreira.

Com apoio de Maria Carmen e conselhos de amigos próximos, Leo superou a barreira da timidez e passou a participar de eventos por todo o país.

Leia mais: Território do Café 33: complexo valoriza grãos da Região Vulcânica

Quem é Léo Custódio 

O Léo já é figurinha conhecida no mercado de café há tempos. Classificador e provador profissional, ele também já foi juiz em diversas competições e atua na qualidade de cafés do campo à xícara.

Além de consultor, Leo trabalhou por mais de 15 anos na AgroFonte Alta, grupo ao qual a Fazenda Mantissa pertence.

Nestes anos de trabalho, ele se tornou uma referência nos processos de produção e pós-colheita, principalmente fermentação dos grãos.

Ao lado da companheira, Maria Carmen, Leo criou a Território do Café 33 há oito anos. Neste tempo, eles desenvolveram o projeto com calma e apenas agora, em 2025, decidiram lançá-lo de vez, já como complexo cafeeiro e como marca própria de café especial.

Agora, o complexo segue unindo a trajetória pessoal de Léo com o que o trabalho coletivo de todo o território.

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Café sustentável: a bióloga que refloresta e colhe qualidade em Andradas

A bióloga voltou para o sítio da família e investiu em qualidade e, em seguida, em café sustentável, reflorestando plantas nativas da Região Vulcânica.

conhecer lavouras de perto é sempre um ponto alto pra mim. mas chegar ao Sítio Santa Luzia foi um pouquinho melhor. é lá que a Tamires Ribeiro e seus pais cultivam cafés e tem reflorestado parte da propriedade com plantas nativas. é um trabalho que está plantando café sustentável pra colher qualidade como um dos frutos

a lavoura fica em Andradas, na Região Vulcânica. e a visita que eu fiz foi parte de um roteiro turístico que será lançado no Andradas Café Festival. Saiba mais na primeira matéria que fiz sobre esse tour: Andradas Café Festival amplia evento com novo roteiro de agroturismo

eu conheci a Tamires há alguns anos, na primeira vez que estive em Andradas. E foi acompanhando o trabalho dela que fiquei cada vez mais curiosa para ver de perto o reflorestamento e cada detalhe. E, finalmente, esse dia chegou! 

Quem é Tamires Ribeiro, do Café da Tamires 

A Tamires Ribeiro é bióloga e cresceu no Sítio Santa Luzia com os pais Berenice e Fernando. Para estudar, Tamires se mudou e só retornou à propriedade durante a pandemia. O período foi quando muitas pessoas também retornaram ao interior para passar o período de isolamento social.

lá, ela decidiu ficar de vez e entrar de cabeça na produção cafeeira. “Esse sítio sempre foi da minha família. Quando eu voltei, durante a pandemia, vi que tínhamos potencial para produzir cafés especiais e começamos a fazer os primeiros lotes de cafés especiais e comercializar torrado. Trabalhamos juntos, eu e meu pai”, contou ela durante a visita do grupo à propriedade. 

uma das principais mudanças foi quando a produtora começou um trabalho de reflorestamento que dura até hoje. Para isso, Tamires buscou mudas de plantas nativas da região e iniciou o processo em áreas próximas a um córrego que corta a propriedade. 

são árvores como jequitibá, ipê, jatobá, aroeira, pitanga, jabuticabeira e paineira. E boa parte delas está crescida já! A Tamires sempre mostra a evolução delas no instagram (@cafe_da_tamires). 

O que é café sustentável? 

a família participa da associação local, a Acafeg, e tem o selo fair trade. Ele determina uma relação de comércio justo entre produtores, trabalhadores e compradores. 

mas Tamires queria ir além do que já era requisitado pela certificação. Como bióloga, faltava para ela a recuperação de áreas através das plantas que antes habitavam lá. “Como começamos a ter outras fontes de renda, como café torrado, investimos em manejos mais sustentáveis, e nas áreas de reflorestamento. Então, foi a partir do café especial que começamos a introduzir sustentabilidade”, lembrou ela.

hoje, a família tem uma propriedade com 11 hectares de café e outra com 10 hectares. E o 1 hectare e meio de reflorestamento está para ser ampliado. “Eu sou bióloga e sempre trabalhei em sustentabilidade e agricultura. Visando isso aqui dentro do sítio, começamos não só o reflorestamento próximo aos córregos e nascentes, mas também a sustentabilidade na área de café. Trabalhamos com planta de cobertura para melhorar a qualidade do solo e ter mais matéria orgânica. Isso é para conseguirmos viver em mais harmonia não só com a produção, mas com o meio ambiente”, explicou Tamires. 

Turismo rural em uma fazenda de café sustentável 

Andradas é um município que já tem fluxo turístico alto, impulsionado por esportes de aventura como trilhas, rapel e cachoeiras. Mas a família Ribeiro tem uma forma de se destacar. No novo roteiro turístico, o papel do Sítio Santa Luzia será mostrar como funciona uma fazenda de café sustentável. E que, sim, é possível produzir qualidade adequando manejos e reflorestando. 

“Nossa intenção é começar a receber as pessoas, porque falamos tanto que fazemos sustentabilidade… e queremos agora mostrar isso na prática também para as pessoas. Para elas saberem que comprando nosso café eles adquirem cafés de qualidade, mas também ajudando a reflorestar”, destaca a produtora. 

No passeio turístico, os visitantes são convidados a passear pelo cafezal, que fica bem próximo da casa. Lá, eles ouvem pai e filha contar sobre suas experiências, enquanto avistam uma lavoura à direta, outra à esquerda, e no meio há uma nascente e córregos que vem da mata nativa no meio do morro. É lá o foco dos trabalhos de sustentabilidade. 

No reflorestamento, a bióloga trabalha com árvores nativas e frutíferas. Como ainda há vacas na propriedade, eles separam as áreas reflorestadas com cercas. A propriedade já se dividiu entre cafeicultura e manejo de gado, mas hoje a família explica que o foco é total em cafés e as vacas e outros animais no local não são comercializados. 

Para os turistas que vem de grandes cidades, porém, os bichinhos são uma atração à parte. Além das vacas, há cavalos, cães (fofos) e até pavões no sítio! 

Café Tamires: linha de cafés sustentáveis de cara nova 

achou que estava faltando alguma coisa nesse passeio? Uma degustação, por exemplo! pois é óbvio que não vai faltar. Em uma clareira charmosa, a família montou uma mesa cheia de delícias e, claro, café coado na hora. 

os turistas vão provar delícias como diferentes bolos caseiros, doce de leite mineiro. e, claro, levar um pacote do Café da Tamires. a nova linha de cafés sustentáveis dela, aliás, está com embalagem renovada. 

“Nós montamos essa embalagem e temos uma parceria de torra. A Mariana Nakagawa também auxiliou com essa parte de embalagem e visual”, contou a produtora.

Os pacotinhos têm o nome da variedade cultivada e cores diferentes para cada perfil sensorial. Tem cafés que vão lembrar mel e avelã tostada, outro com notas de mel e laranja. E ela vende também online. Mas, sinceramente? Se tiver a oportunidade, vá presencialmente. Conhecer essa produção e entender sobre como é possível produzir café sustentável é uma delícia!

Aliás, os roteiros começam no Andradas Café Festival desse ano. Procure pela programação que já foi liberada, que vale a pena esse passeio.

Perguntas frequentes sobre café sustentável 

Qual o impacto ambiental do café? 

O impacto ambiental do café vai depender muito do manejo feito na lavoura. E, claro, de como esse alimento é processado nas outras etapas da cadeia: a indústria, o comércio, as cafeterias e supermercados. No caso da lavoura, quando a produção tem manejos como a cobertura de solo, a produção de outras culturas próximo ou em meio às linhas do cafezal, tudo isso ajuda a diminuir o impacto ambiental. 

O que é café ecológico ou sustentável? 

Café ecológico é um termo um pouco amplo, assim como café sustentável, por isso não existem certificações ou parâmetros certeiros sobre ele. Alguns manejos podem ser considerados ecológicos, como: produção orgânica, ou uso consciente de fertilizantes e outros produtos, agricultura sintrópica, agricultura regenerativa, entre outras.

Andradas Café Festival amplia evento com novo roteiro de agroturismo

a cidade de Andradas já é rota de turistas de diferentes tipos, mas o café e a agricultura vem ganhando cada vez mais espaço. dá pra entender o motivo só por essa foto que abre a matéria? eu fiz ela nos dias que passei nas terras andradenses, nesta lavoura que tem vista para a Pedra do Elefante. é de emocionar!

lançamento do Andradas Café Festival

a organização do Andradas Café Festival organizou um café da manhã na Cafeteria Reduto para lançar a edição deste ano e anunciar a nova data. o evento vai acontecer de 1 a 4 de maio de 2025.

mas uma das principais novidades é que, nesse ano, além de exposição de marcas e palestras, o festival vai para o campo! isso vai acontecer através de um novo roteiro turístico que foi estreado pelo grupo de jornalistas em que eu estive.

a ideia é mostrar na prática como é a agricultura e as paisagens locais. só para se ter uma ideia, as propriedades de café de Andradas tem de 12 a 15 hectares em média. o vinho, outra estrela local, também é de base familiar. e, claro, em torno disso estão produções artesanais de doces, queijos, bolachas e artesanato.

além disso, a cidade tem pontos turísticos de natureza que incluem o Pico do Gavião, a Pedra do Elefante, Pedra da Cruz, Pedra do Pantano, que ficam localizadas na Serra do Pau D’Alho. vem ver os detalhes desses lugares no roteiro a seguir.

novo roteiro de agroturismo de Andradas

em 2022, eu fiz um tour cafeinado bem massa por lá também, mas o passeio não era oficial. agora, esse roteiro vai ser oferecido já durante o Andradas Café Festival desse ano! então, já anota e se prepare porque é muita coisa LINDA pra ver incluindo:

  • café;
  • vinho;
  • gastronomia local;
  • música andradense;
  • turismo de natureza.

Café na Pedra da Cruz

nosso roteiro foi acompanhado pelas explicações e companhia das incríveis Camila Barbosa, gerente de Desenvolvimento Econômico e Agrário de Andradas, e Dalva Sasseron, engenheira agrônoma especializada em agricultura sintrópica e cafés especiais. e a Desbravar Turismo levou a gente para tomar um café nas alturas da Pedra da Cruz. pega essa vista maravilhosa:

sinceramente, imagina que delícia provar um café especial produzido em Andradas e extraído pela Mariana Nakagaw lá no altooo! e, além disso, o que deu um toque especial a esse momento foram as músicas que o cantor Anderson Martins tocou pra gente.

ele é um artista da cidade e tem composições lindinhas sobre Andradas e o café. e, claro, tocou clássicos da nossa música na viola de cabaça. coisa de emocionar mesmo.

foto: Gabriel M. Teixeira | Andradas Café Festival

Passeio na vinícola da Casa Geraldo

um tour com direito a degustação de vinho. tivemos essa experiência e ainda ganhamos taças personalizadas lá na Casa Geraldo, que foi lançada no ano de 2.000. a origem da marca, no entanto, é bem anterior.

na década de 60 o fundador começou a produzir e, anos depois, percebeu que a hospitalidade podia ser seu diferencial e passou a receber turistas na propriedade. e assim é até hoje. um espaço de produção e turismo famoso em toda região.

o passeio passa pelo parreiral de uva Shiraz, onde aprendemos sobre método dupla poda que possibilitou o cultivo de uvas que produzem os vinhos finos da chamada “colheita de inverno”. esse é um dos destaques, aliás, já que antes a região só conseguia produzir vinhos de mesa e foi essa técnica que revolucionou a agricultura local.

no tour, em meio à lavoura tem degustação de oito vinhos diferentes, entre secos e suaves. no final, acontece também uma harmonização com queijos de Minas e o azeite Extra Virgem da Casa Geraldo (incrível também!). a produção de oliveiras deles no local ainda não teve colheita, mas a empresa tem lavoura em Divinolândia, de onde vem a matéria para fazer o azeite.

só não esquece de ir tomando água entre uma taça e outra. eles vão te dar uma garrafinha no início do passeio, então beba mesmo. é sol na cabeça e vinho na mão, então hidratação é o mínimo. 😅

Gastronomia típica de Andradas

nos dois dias de tour, a gente foi abastecido com comida local da boa. começamos provando simplesmente um prato que é reconhecido como patrimônio cultural andradense. o Virado de Frango! preparado no Taverna Restaurante, ele pode levar coxa, moela e até coração de frango. o caldo é feito com floco de farinha de milho e os relatos é que este prato tem origem na comida de tropeiros que passavam pela região antigamente. eu amei.

e a noite? uma pizza? não sei se dá pra dizer que foi ‘só’ uma pizza, porque que trem maravilhoso que a Pizzaria Tradicionalle faz. as pizzas são artesais, assadas em forno à lenha com massa com longa maturação. a de abobrinha foi a que mais me ganhou, com um recheio suculento e saborosa demais. (mas deixe espaço para a pizza doce de banana com chocolate branco, vai valer a pena!).

ah, o último almoço foi no Mirante of Dreams, com uma comida caseira delícia e a seguinte vista:

Visita aos cafeicultores e cafeicultoras

no dia seguinte, esse mega passeio seguiu com a World Adventure Tur. e a gente foi visitar uma das associações de produtores que eu mais curto o trabalho, a Associação dos Cafeicultores do Bairro Gabirobal (Acafeg). eles trabalham com fair trade, o comércio justo. e desde quando os visitei pela primeira vez, tem expandido e crescido!

o café é incrível e a qualidade é um dos focos, mas o que eu mais valorizo ali é ver o empenho deles em oferecer conhecimento para as cafeicultoras e cafeicultores e contribuir com a comunidade como um todo.

só pra ter uma ideia, além do salão para reuniões e eventos, a Acafeg tem um laboratório de provas de café… e uma sala de pilates! sim, eles construíram esse espaço pensando na saúde dos associados, que trabalham nas lavouras e precisam ter esse tipo de cuidado com o corpo ainda mais reforçado. mas o serviço também é oferecido à toda a comunidade local.

e hoje, entre os cerca de 30 alunos, a maioria é de não-associados, contou a Aline Benevene, que cuida do administrativo da cooperativa e é filha do Seu Sebastião Benevene, presidente da Acafeg.

tá achando que acabou? pois a gente ainda foi conhecer de pertinho o Sítio Santa Luzia, da Tamires Ribeiro. mas essa história é tão bacana que eu vou deixar para contar em um texto todinho dela, tá? fica de olho no meu insta @tha.experimentando e assine [de graça] a Newsletter Experimental para saber em prima mão quando o texto for publicado!

*eu viajei à convite da organização do Andradas Café Festival e fiquei hospedada no Hotel Delainn, no centro da cidade. Vale fazer reserva com antecedência, porque turistas visitam a cidade o ano todo.

café especial em Monte Belo: descubra o potencial da região

Monte Belo: cidade com cafés especiais e potencial pra crescer na área.

frutas vermelhas, como morango e amora.  e imaginar que isso tudo estava no café especial de Monte Belo. nas notas da bebida que a família que eu visitei produziu!

lá no alto de 1.200 metros de altitude, as lavouras da família Adolfo venceram o 3º Concurso de Qualidade da Apcemb, a Associação dos Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região. foi com esses produtores que eu fiz um pequeno tour, e vou contar agora o que vi: 

o café especial em Monte Belo 

o município fica na região do Sudoeste de Minas. e, há cinco anos, os produtores se uniram para focar no que muito me interessa: café especial em Monte Belo

foi por causa do trabalho da Apcemb que eu fui fazer esse pequeno tour pela cidade! Monte Belo faz divisa com outros municípios conhecidos pela cafeicultura, como Cabo Verde, cidade que eu conheço e adoro! 

se tem uma coisa que eu amo é viajar para novos lugares. por isso, topei na hora conhecer Monte Belo. lá, acompanhei o concurso e também consegui conhecer a propriedade, vejam só, da família que acabou vencendo a premiação! 

sou pé quente sim, e essa história vai provar: 

Luz da Serra: café especial feito em família 

a produtora que me buscou na rodoviária e me levou para conhecer Monte Belo foi a Bianca Caldas Adolfo! entusiasta dos cafés especiais por ali, conhecer ela me ajudou a ver porquê a cafeicultura de Monte Belo está crescendo.

a família dela cultiva cafés de alta qualidade na Serra Escura, bairro local. e nas alturas: o ponto mais elevado ali gira em torno de 1.200 metros. de lá, saiu o café natural vencedor da Apcemb (85,25 pontos na escala da SCA) e o vice-campeão em Cabo Verde (com 86,68 pontos).

Foto: acervo Bianca Caldas

“Se eu conseguir vender as sacas da minha família a um preço melhor, já será uma realização”, contou ela, que aposta e trabalha pelo café especial na região. 

mas quando era mais nova, a Bianca não se interessava por cafeicultura. só depois, trabalhando com lingeries, outro setor importante para Monte Belo, que ela despertou para o potencial dos cafés especiais.

em uma das reuniões com o Sebrae, Bianca ouviu sobre o incentivo para produtores se unirem visando qualidade.

“quando ouvi que iam criar uma associação para cafeicultores, pensei na hora no meu pai. falei que também tínhamos interesse de participar. dali para frente, fui aprendendo sobre a qualidade e que trabalhar com cafés especiais poderia ser melhor inclusive financeiramente”. 

a Bianca é filha do José Gervásio Adolfo e da Roseli Caldas Adolfo, e irmã da Letícia Conceição Adolfo. os pais sustentaram a família com o trabalho no campo. porém, até poucos anos atrás, não tinham ainda seu próprio pedaço de terra. 

só quando começaram programas governamentais de incentivo a compra de terras por pequenos agricultores é que a família decidiu tentar dar esse passo. a compra acabou saindo de forma direta e é até hoje motivo de orgulho para eles.

Foto: acervo Bianca Caldas

“foi com muito esforço, e ajuda que ele agradece até hoje, que meu pai comprou nossa lavoura. incluindo o ponto mais alto de onde veio o café que ganhou o concurso”, disse ela.

a Bianca, que também trabalha com pedagogia, me contou que a família já criou uma marca para seu café. é o Luz da Serra! “esse nome é porque os tesouros vem de onde há luz”, me contou ela.

a família segue produzindo nas alturas e secando os cafés no terreiro que fica em frente à casa. tudo feito com cuidado e trabalho coletivo, inclusive os processos pós-colheita. e assim é com a maioria dos agricultores da associação.

Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região 

em apenas cinco anos de existência, a Apcemb, já tem uma estrutura que me surpreendeu. a sede da associação fica no centro da cidade e já conta com salas de prova e de seleção dos cafés, torradores de amostra, sala de reunião… um baita capricho! 

sede da Apcemb: bom demais ver produtores investindo em qualidade e em conhecer seus próprios cafés. fotos: Thais Fernandes

e com a orientação do Sebrae, os agricultores tem se envolvido em cada etapa da construção dessa marca deles. a grande vantagem da associação, pra mim, está justamente na marca que eles criam juntos. assim, quando o café de um produtor da Apcemb é exportado, ou ganha um prêmio, todos eles são elevados juntos.

foi sobre isso que eu falei durante a cerimônia de premiação deles. Fui lá na frente pra parabenizar a organização e o trabalho coletivo. porque eu vejo, na prática, como isso funciona!

eu e a Bianca durante a minha visita ao cafezal dela & família! foto: Thais Fernandes

como eu disse no evento:

quando um produtor da cidade tem um café reconhecido, todo mundo ganha. Porque o consumidor vai lembrar “o café de Monte Belo é incrível”. e sempre que ver um outro café com essa mesma origem, a tendência é confiar na qualidade! 

por isso, fazer o marketing e comunicar o que se está produzindo é tão importante. e isso a própria cerimônia de premiação já mostrou. nesse ano, o concurso cresceu e eles apostaram em tornar o evento uma festa para a cidade como um todo. na minha opinião um grande acerto!

além do anúncio dos campeões, o concurso também teve um cupping para quem quisesse experimentar os cafés finalistas. fotos: Thais Fernandes

hoje, a Apcemb tem 22 associados que produzem em 16 propriedades diferentes. como o nome já diz, os agricultores são tanto de Monte Belo quanto de municípios próximos. 

o café da família Caldas Adolfo, por exemplo, fica no bairro da Serra Escura, um lugar bem pertinho da divisa de Monte Belo e Cabo Verde. e é com as imagens lindíssimas do sítio deles que eu fecho esse texto, cheia de vontade de encontrar cada vez mais cafés de Monte Belo nas minhas andanças por aí! 

Monte Belo: e coloca BELO nisso! (tunduntssss). Foto: acervo Bianca Caldas

bônus: dúvidas sobre café especial e Monte Belo  

quais são os cafés especiais? 

caiu de paraquedas aqui e quer saber o que são os cafés especiais? te explico! existem diferentes categorias de qualidade de café. o café especial é aquele produzido de forma sustentável, incluindo ambientalmente e socialmente.

na definição de café especial também é preciso que esses grãos tenham nota acima de 80 pontos na escala que vai de zero a 100 pontos e foi criada pela SCA (sigla em inglês para Associação de Cafés Especiais). 

idealmente, esses grãos especiais também devem seguir outros critérios, como rastreabilidade. isso quer dizer que quando chegar ao consumidor, a gente ainda precisa saber a origem daquele café, quem produziu, onde e quando. 

onde fica Monte Belo?

Monte Belo fica próximo a cidades como Poços de Caldas e Alfenas. o município faz parte da região do Sul de Minas. já em termos de café, as regiões reconhecidas são Sudoeste de Minas (que Monte Belo faz parte) e Região Vulcânica (bem próximo).

Qual região de Minas tem o melhor café? 

pergunta de 1 milhão de dólares! e a resposta, claro, não existe. qual região de Minas tem o melhor café vai depender de qual o tipo de café que cada consumidor busca. além disso, são tantos detalhes que influenciam um café especial que, também se alternam os vencedores de prêmios de qualidade. 

o fato é que Minas Gerais é o estado que mais produz cafés no Brasil. só os mineiros produziram cerca de 29 milhões de sacas de 60 quilos em 2023. o dado é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 


quer acompanhar mais viagens como essas? posto bastante no instagram @tha.experimentando! também pode ser que você curta a newsletter que envio de quando em quando> assine as Notas Experimentais aqui ó


Etiópia [parte 2]: como é visitar Sidama, região produtora de café!

depois de boas horas de carro, cheguei aos cafezais no Sul da Etiópia. e que escolha incrível! foi uma aventura memorável na região produtora de Sidama. vem comigo!

ei, antes de ler esse texto… vale a pena visitar a primeira parte da aventura.

agora sim, vamos lá!

de 5 a 6 horas de carro. é o tempo que leva uma viagem da capital, Adis Abeba, até a região de Sidama, no sul do país. mas, pra mim, o tempo passou muuuito rápido. com certeza isso foi por conta das longas conversas com o Assefa, o guia que me acompanhou, um dos homens mais inteligentes que já conheci. e mais animados também! Assefa falava muito, tanto quanto ria. gargalhava.

-você teve muita sorte de encontrar esse guia, viu? – me dizia o guia de Sidama (ou Sidamo, você pode encontrar as duas grafias). e ele estava mais do que certo! (já indiquei aqui a agência de turismo com qual eu viajei, se quiser o contato direto, e mais dicas, fala comigo por aqui @tha.experimentando!)

no caminho, eu vi dromedários! indústrias, casas… passamos por planícies e paramos para eu avistar os três maiores lagos da Etiópia. tudo isso enquanto a paisagem seca ia dando espaço, aos poucos, pra uma região mais alta e úmida.

finalmente, chegamos na cidade de Yirgalem, onde ficava o hotel e a vila de produtores que eu visitaria no dia seguinte. tudo bem próximo a uma área de floresta, e dos lagos Woyima e Gidawo.

você consegue encontrar o macaquinho nesse registro que fiz já em Sidama? 🙂
Fotos: Thais Fernandes©

o hotel charmoso e aconchegante

já ia entardecendo… e um friozinho bom veio quando chegamos no hotel. e que hotel! pense num lugar charmoso. era perto da cidade o suficiente para ouvir os cantos religiosos de lá à noite. e longe o suficiente para ouvir cada passarinho durante o dia.

a Lâmila, uma das funcionárias de lá, me recebeu com um copão de suco natural de manga fresco! aliás, tudo que ela cozinhava era fresquinho e delicioso. ela também foi é a coffee lady de lá. ou seja, a responsável pela cerimônia do café ☕🖤. (Sobre essa cerimônia eu vou falar em um post especial. me segue no instagram para saber quando for lançado!)

tudo fresquinho! e muitas frutas à vista!
Foto: Thais Fernandes©

enfim, teve janta farta, com direto à cerveja. e uma fogueira pra conversar e ser bem recebida demais! (e ouvir as hienas, ao fundo, chamando umas às outras)… além de mim, vi uma família e um grupo de japoneses hospedados por lá também.

ah, e eu não ia ter um quarto. eu ia ter uma morada toda pra mim! como se fosse um chalé, meu quarto era na verdade a reprodução das casas tradicionais de Sidama.

casas do estilo de Sidama

fiquei fascinada quando o Assefa me contou que existe toda uma tecnologia ancestral na construção das casas de Sidama. primeiro, elas são feitas principalmente com um tipo de bambu. material resistente e flexível ao mesmo tempo. na estrada, eu vi várias pessoas trabalhando nas tramas de bambu, aliás.

era uma casa assim que o meu quarto do hotel reproduzia. na verdade, além do telhado em bambu, a decoração era toda feita de itens produzidos ali por artesãos de Sidama. coisa linda de ver!

o quarto por dentro/ e por fora. um primor esse hotel!
Fotos: Thais Fernandes©

nas casas originais, as famílias acendem fogueiras para cozinhar lá dentro e a fumaça ajuda a selar o teto. por isso, os moradores locais só precisam trocar as tramas de década em década. elas seguem muitos anos resistentes a chuva, sol, ventos… tecnologia!

e ainda por cima tem uma trama bem linda, que lembra bastante o formato de algumas teias de aranha. tem um termo na arquitetura que se chama biomimética, que é a técnica de ‘imitar’ formatos e soluções da natureza na hora de construir. eu vi bastante disso por lá.

olha só esse vídeo, que explica bem o processo de produção dessa casa:

informações importantes:

separei aqui uma listinha que coisas importantes pra você saber. e bem específicas para a região de Sidama:

  • clima: um friozinho bom demais. foi assim que amanheci em Sidama. a região ali tem uma altitude de cerca de 1.700 metros;
  • seca: quando estive lá, em fevereiro, o país passava por um período mais seco. apesar disso, pegamos chuva na estrada (mas eu costumo atrair chuva em viagens, rs);
  • idioma: a Etiópia é país diverso pra caramba e isso inclui os idiomas. lá a língua de trabalho é o amárico, mas nem todo mundo vai falar essa língua. no caso de Sidama, muitas pessoas falam apenas o idioma homônimo, o Sidama;
  • guia local: por causa de ‘detalhes’ como o do idioma, é importantíssimo ter um profissional local! no meu caso, a agência já tinha contratado um, que fez a tradução inclusive para o Assefa.

ainda quero falar sobre comidas da Etiópia. nossa! um prato cheio (literalmente, rs). sobre a visita à casa de uma produtora de café de Sidama e sua famíia!

e, óbvio, sobre a cerimônia do café! então, me aguardem que virão novos textos sobre esse país rico e maravilhoso. enquanto isso, assine minha newsletter e receba as novidades por seu e-mail:

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

cafés especiais, cachaça e doces mineiros de Cabo Verde

testei em primeira mão um roteiro turístico da Região Vulcânica! Cabo Verde está preparando tudo pra receber turistas no Caminhos Gerais.

pense numa viagem com simplicidade e, daquela mais que especial. Cabo Verde está preparando tudo pra receber turistas em um roteiro dos Caminhos Gerais

eu amo pegar a estrada e passar uns dias na roça. até aqui, nada de surpreendente, né? falo muito de turismo rural. e tem aumentado TANTO no nosso BR! mas quando se fala em Região Vulcânica, a coisa fica melhor ainda.

há uns 55 quilômetros de Poços de Caldas, fica Cabo Verde. cidadezinha com igreja fofa e uns baita morros. típico Sul de Minas. e com muitos tesouros que vão se tornar um roteiro turístico organizado pelo Caminhos Gerais. sorte a minha que fui convidada para um ‘teste’ desse tour!

conheci três famílias produtoras de café, uma outra que tem seu próprio alambique!, e ainda a associação de artesãs e artesãos locais. prepara o bucho e os olhos para essa experiência:

melhores cafés

NO DIA SEGUINTE à premiação dos melhores cafés de Cabo Verde e da Região Vulcânica? partimos para o tour! no time, pessoas incríveis como a Vânia Marques e a Mariana Proença.

a primeira parada – e banquete – foi na família Palma. lá na Serra de São Bartholomeu, os avós, pais e a Raiza, seu irmão Henrique, além da esposa dele, Marcela, produzem café a 1.150 metros de altitude!

desse agricultura familiar resultaram muitas homenagens, como a marca Café Mãe Cota, que faz menção à avó da família. e como eles experimentam em outrooos cultivos, tem também nome do avô por aí. Conto + depois dessa galeria de fotos:

1: plantação de lúpulo / 2: café mãe cota / 3: e degustação!

pois uma das outras culturas que os Palm produzem é o lúpulo! eu nunca tinha visto isso de perto. a planta vai se agarrando em fios pra crescer. uma espécie de trepadeira mesmo. ali, eles estão experimentando diferentes variedades para descobrir qual se adequa melhor. enquanto isso, eles fazem para consumo próprio… e o Henrique contou que vai provando, né? 😛

cachaça artesanal

e como álcool bom é álcool variado, a família também criou a cachaça João Fortes. o destilado, acredite, leva café no seu processamento! há 3 anos, a família desenvolveu essa técnica que usa o café ainda em formato de fruto para fazer a pinga.

como eles mesmos definem, “destilado fino obtido de cerejas de café”. essa já tem pra vender. eu provei. e, não sou especialista, mas ó: coisa boa!

outra cachaça das boas que descobrimos foi a do seu Ednilson de Paula. ele e a família tem nada menos do que um alambique para chamar de seu! lá no Sítio Santa Bárbara ele e a esposa, Sirlene, e o filho produzem uma cachaça que começaram a desenvolver há 20 anos.

eles produzem a própria cana, e fazem todo o processo até chegar aos carvalhos. lá, a cachaça descansa em tonéis de carvalho ou jequitibá. é coisa de primeira mesmo, viu:

cafés campeões

e se a família Palma ficou em nono lugar, entre os cafés chamados de CD, do concurso da Região Vulcânica… o Jucemar Alves Moreira e sua família, ficaram em oitavo lugar! e o filho, Gustavo, apresentou a lavoura pra gente! a 1.230 metros, o cafezal deles fica no Córrego dos Silva. e tem uma das vistas mais lindas da cidade. café bom e passeio incrível, temos!

quem também ficou entre os top 10, só que na categoria de café natural, foi o Ivan Santana. também passamos pelas lavouras dele, que é também provador e torrador muito bem falado, viu?

para além das lavouras, vimos também outra etapa importante: a secagem do café. aí ficou por conta do Leandro, do Café Córrego Fundo, mostrar seus grãos bem esparramados no terreiro suspenso (foto no topo do texto). arrisco que essa é uma das cenas que mais vai encantar os turistas. e são 30 dias pra secar o café, então tempo vai ter!

docidileite e doces de vó

e pra concluir de um jeito mais doce do mundo? muita arte! e siiim: doce caseiroo! visitamos a Casa do Artesão! e eu saí carregada de doces, porque era óbvio! haha teve pra todo gosto. o clássico doce de figo pro meu pai. um doce de leite clarinho e incrível pra mim. e um doce feito com casca de limão, só pra não dizerem que não experimentei algo totalmente novo!

lá também tinham muitos objetos feitos com madeira de cafezal. coisa linda e fina. com um acabamento e cores… de encantar. além de colchas, e muitos bordados. sou suspeita, sempre quero levar tudo.

os doces são INCRÍVEIS. e olha o cuidado com que as artesãs também fazem as embalagens!

bônus: café do jacu

quem aí já ouviu falar de ‘um dos cafés mais caros do mundo’? frequentemente, alguém me pergunta sobre o café do jacu. esses grãos são coletados por pássaros, os jacus. eles são bem seletivos, só comem os frutos maduros. e daí alguém – sabe lá o que passa na caixola das pessoas – teve a ideia de recolher os grãos que ficam nas fezes do pássaro, higienizá-los, e fazer um lote.

existem cafés processados do mesmo jeito, mas com fezes de outros animais. só posso dizer que nesse caso aqui, ficou muito bom mesmo. o Leandro percebeu as visitas dos jacus na sua lavoura e ficou de olho para conseguir coletar o suficiente pra fazer uma edição limitada.

pra mim, vale a experiência! se os bichinhos foram soltos como é aqui nesse caso, e o processo for bem feito, o resultado é um café doce, mas exótico. difícil de descrever.

mas sabe o que vale mesmo? fazer um roteiro assim. com quem produz te guiando… sabendo as melhores vistas! os detalhes que só quem vive aquilo ali pode te revelar. valeu demais mesmo visitar Cabo Verde.

bom demais dividir esse dia com esses queridos!

tour cafeinado por Andradas, no Sul de Minas

turismo no Sul de Minas? contei tudo do toru por Andradas. tem cafés especiais de agricultura familiar, vinhos e até um irresistível doce de banana. 😛

turismo no Sul de Minas? é pra já! Andradas tem cafés especiais de agricultura familiar, vinhos e até um irresistível doce de banana.

o Sul de Minas foi feito pra visitar. se achegar. e com um cafézin na mão, então… ahhh. é certeza que a mesa vai estar cheia. mas Andradas é uma cidadezinha dessas que guarda bem mais surpresas.

de agricultura familiar a vinhos e até uma barrinha de doce da banana de lamber os beiços! só de cafeicultura, o município mineiro tem maisde 1.200de pequenas propriedades.

A vista a partir do cafezal da Juliana Lanzani e família.

eu tive a sorte de conhecer algumas famílias ali da região. à convite da Associação da Região Vulcânica, este ano, estive por lá com um grupo de mulheres incríveis. e é o nosso tour que vou deixar registrado aqui. se preparem para fotos de paisagens incríveis e ambientes aconchegantes demais da conta (mais abaixo).

a gente fez um roteiro todo pensado pelo Ulisses Ferreira, que é especialista em comércio justo, o Fair Trade, e tá trabalhando muita na Região.

foi de encher os olhos conhecer a Associação dos Cafeicultores do Bairro Gabirobal, a Acafeg. eles também trabalham com comércio justo. e eu amo demais ver o que pequenos produtos conseguem fazer quando se associam! quem nos recebeu lá foi a querida Aline Benevene Manzoli. também conheci lá a Tamires o seu Domingos, e mais gente querida.

visitamos a lavoura da família Crochiquio, que fica na incrível Serra dos Limas. VALE MUITO A VISTA! eles tem o Café Filhos de José e pensavam em investir em uma pousadinha. eu passaria dias lá, viu? também fomos até a propriedade e casa da Juliana Lanzani, que com a filha tem o @emporiothereza.

e aí, ambas as visitas foi aquela recepção mineira, né mores? comida pra mais de metro. café a rodo… pé de árvore frutífera aqui… docinho pra lá… sol se pondo de babar… só amor. espero que dê pra sacar um pouquinho pelas fotos:

cafés

aliás, olha que turminha boa que tava nesse tour! além da Keiko, teve a Mari Proença, o Ulisses, e equipes da CaféBras, da Farmly, e da prefeitura de Andradas.

bananinhas em barra

acreditem ou não, uma das coisas que mais AMEI nesse roteiro foram as bananas. no pé também, claro. mas principalmente as que viraram doce. fizemos essa parada na fábrica de bananinhas e fomos tão bem-recebidos. nossa!

o nome da marca é Doces Lopes. e fica ali no bairro de Gabirobal. Ali, acompanhamos o processo para fazer as barrinhas. e, claro, provamos esse doce delicioso. e levamos caixas e caixas pra casa. LITERALMENTE.

comer fruta direto do pé é bom. mas você já comeu doce recém-feito na fábrica? :B

flores, vinhos e tanto mais

a real é que meu foco nesse roteiro foi mesmo no café. mas Andradas tem tanto mais! uma das coisas que me encantou ali é a diversidade. de plantações e possibilidades. entre turismo e esportes radicais, a cidadezinha tem, ainda, muito vinho.

prova disso é a Casa Geraldo. conhecida na região, o lugar tem um espaço lindo de degustação. e o melhor: cercado pelos vinhedos. coisa linda que ainda quero muito vivenciar.

fora isso, descobri esse ano que Andradas tá florescendo. literalmente! a cidade se tornou a maior produtora de rosas do País. tem também muito orquidários que, mais uma vez, sou doida pra visitar! e fotografar, claro.

E você, já visitou Andradas? Tem dicas aqui na região? Conta aqui e no instagram.com/tha.experimentando! Aliás, por lá fiz vídeo contando sobre o café da Tamires, uma das agriculturas dessa terrinha que eu conheci! Vem saber mais (e deixar seu like, né?)


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região vulcânica no coletivo

morar em uma região produtora e ver ela se fortalecendo como coletivo é lindo demais! conto isso e + do que vi no 1º Seminário de Cafés da Região Vulcânica.

o que faz uma região produtora? bom, daria pra ser extremamente técnica. altitude, terroir, limites territoriais… mas em qualquer lista não pode faltar um grupo de pessoas. produtores. e no caso do café, se possível, ao redor deles, torrefadores, baristas, associações e/ou cooperativas.

a palavra região se faz no singular, mas cada vez mais eu tenho visto que na prática, é algo coletivo. plural mesmo.

foi isso que vi no 1º Seminário de Cafés da Região Vulcânica, nessa semana. embora o meu RG diga SP, eu me considero de Poços. cresci aqui. aprendi a ser aqui. e ver essa região se unindo, construindo coisas juntos, é gratificante de verdade.

do solo vulcânico

o evento teve muito conteúdo. só do que eu vi, destaco a palestra sobre o solo vulcânico, com o professor Francisco Ladeira, diretor do Núcleo de Geologia da Unicamp. e sobre cafeicultura conservativa, do Alessandro Guieiro, especialista em microbiologia do solo.

palestra sobre o solo vulcânico.

Ah, o solo vivo! salve Ana Primavesi. essa incrível pesquisadora que, inclusive, foi citada pelo Guieiro na palestra dele. se você, que tá lendo, quer iniciar nessas informações sobre a importância do manejo do solo, eu indico dois livros dela:

  • A Convenção dos Ventos: Agroecologia em Contos. livro delícia de ler, introdutório no tema da agroecologia.
  • e Pergunte o Porquê ao Solo e às Raízes. esse segundo, pra mim, é mais avançado. mas a linguagem da Primavesi e os estudos dela valem muito a pena.
  • p.s: comprando os livros nesses dois links, cê apoia esse blog, que é associado da Amazon. ou seja, uma pequena comissão vem pra monetizar meu trabalho ❤ e você não paga nada a mais por isso!

depois de colhido

além de toda troca sobre produção, o evento teve conteúdos sobre qualidade, marketing e preparo de cafés. aqui, posso dizer que vi um baita workshop sobre fermentação! com a Andrea Braga, da Bourbon Specialty Coffee. tem muitas marcas fermentando cafés de formas diferentes, mas vale lembrar que é preciso cuidado e muitos testes (calma lá com os processos, gente).

e, ainda, uma oficina de mídias sociais. importante demais pra todos, né? de produtor até marca de café torrado, esse é um jogo que a gente precisa aprender a jogar.

e sabe o melhor de tudo? teve muitos cafés diferentes pra provar! mas segura aí, que minhas impressões vou deixar para um #experimentandoCafés exclusivo.

enquanto isso, você pode seguir a página do blog no instagram: @tha.experimentando. e assinar a nossa newsletter. te espero lá!

Cíclicos: o café, eu e você

Dentre taaantas coisas, café é planta. E as plantas, a gente sabe, tem ciclos.
Eu tenho mergulhado em conteúdos sobre a ciclicidade feminina. E, quando parei para pensar? Descobri que isso tem tudo a ver com café! Na verdade, com qualquer alimento à base de plantas.

Tudo é cíclico. Tudo. Da planta ao ser humano. Do café à mulher. Eu amo acompanhar o cafeeiro crescendo. Chuva induz a florada. Nutriente engorda o chumbinho.. que vira fruto maduro no pé. Já falei que é docinho no pé, ne? E igualzinho o café, eu também preciso de água. De sol. De nutriente. Que coisa doida… E a ciclicidade feminina me lembra a do pé de café. O ano pra ele é o mês pra mim. Hora tô quietinha, guardando energia pro coração ou pro fruto. Hora cresço em disparada. Sinto falta do sol. Mas também preciso da chuva pra florir. É tilelê só se a gente não olhar pros outros seres vivos. Tudo que vive é cíclico. Por que a gente não haveria de ser? 💗😊

O ciclo do café

O cafeeiro (planta do café), leva pelo menos 1 ano para dar fruto. Mas, calma lá, que a safra vai ser boa mesmo… só três anos depois! Aquela clássico ‘tudo tem seu tempo’. Se identificou?

Feliz. Isso é muito auto descoberta: sol e plantas…mudam meu humor!

Os produtores, geralmente, compram diretamente as mudas. As sementes crescem nos viveiros. Com o ambiente protegido o suficiente. Luz. Água. Adubação. Tudo na medida. Sóóó depois elas seguem pro campo aberto, pra enfrentar sozinhas o solão, chuva, e o que mais vier.

Tem uma tabelinha muito massa no livro Guia do Barista sobre o que seria um ‘calendário do café’. Mas, hoje em dia, eu já não acho que uma tabela só dê conta das produções que estão espalhadas no mundo todo. Só no Brasil, são mais de 30 regiões produtoras. Cada uma com um clima diferente. Quem tá na Bahia não recebe o mesmo calor do que quem está no Paraná, certo? Daí, o desenvolvimento também muda.

O calendário vai incluir: o preparo do solo. Correção. Adubação. Plantio. Podas… e colheita! Mas isso tudo segue não só as estações do ano. O clima faz muito pela planta! Por exemplo, só tem florada quando a chuva vem. E a gente que vive reclamando dos torós, ein?

Em geral, a danada da colheita se estende de maio até setembro… Mas já tomei muito cafezão colhido em novembro, visse? 🙂 A colheita tardia!

O nosso ciclo

Sobre o meu próprio ciclo, tenho aprendido muito com perfis como o da Nataly Neri. E, mais recentemente, com a Mandala Lunar. Esse livro-agenda é cheio de conteúdos incríveis. Mas o que acho essencial, a mandala em si, está disponível no site, saca só.

Muito mística fuçando na minha Mandala, recém chegada!

A ferramenta é incrível! Tão incrível quanto simples. Com um calendário feito de forma circular, a ideia é que você registre pontos importantes do seu dia em cada pedacinho. Em paralelo a isso, tem o ciclo lunar! Daí a gente vai entendendo como as sensações, humores, disposição, mudam ao longo do mês. Ao longo da lunação.

É muito auto observação. Como eu tô hoje? O que eu quero para daqui uma semana? O que eu preciso plantar agora? E o que, afinal, eu consigo plantar hoje? De exercício físico a descanso e recolhimento. De chocolate à leitura… Nossos momentos vão e vem.

Escrever, pra mim, é terapêutico. Sei que com anotações eu consigo entender melhor o tempo das minhas plantas.. e é a mesma coisa comigo mesma! Em que fase do meu crescimento eu tô? O que eu preciso é sol, ou repouso e clausura?

No fim, é isso. O cafeeiro, eu e você. Cíclicos. Integrados com tudo que tem ao redor. É papo tilelê? Ah, vai. Aqui é o melhor espaço pra eu te dizer: experimenta! Se observa. Anota, confere se tem um ciclo aí… E depois me diz. 🙂

Ah, acho que essa tirinha resume tudo. Em português, é algo como

“Beba água. Tome sol. Você é, basicamente, uma plantinha com sentimentos mais complicados”