Café com arruda: uma tradição etíope que só descobri indo até lá

mas café com arruda? caaaalma! essa é uma tradição na Etiópia. então senta, que lá vem minhas histórias…

café com leite, café com chocolate, café com açúcar ou sem. tudo isso você já deve ter provado em casa, ou nas cafeterias por aí na forma de cappuccinos, mochas e outras bebidinhas deliciosas. mas café com arruda??? já ouviu falar dessa?

caaaalma… não sou eu que tô inventando moda… foram eles mais uma vez. sim, os etíopes!

senta, que lá vem minhas histórias de quem tá há mais de 10 anos escrevendo sobre café. e, sim, ainda me surpreendo!

viajando para a Etiópia

pra te situar, em 2023, conheci o país que é berço do café arábica! foi uma experiência fantástica. e você pode ler tudinho nestes dois textos:

bom, estando na Etiópia é claro que eu ia visitar produtoras de café! por isso, lá fui eu viajar 6 horas de carro até Sidama.

saímos cedinho de Addis Abeba rumo ao sul do país. e no meio estrada, a gente parou pra almoçar… e, óbvio, tomar um café!

foto: Thais Fernandes.
almoço no restaurante na estrada na etiópia. já falei que come-se muito bem por lá, né? huuum! foto: Thais Fernandes.

um belo de um almoço, viu! mas tava tudo meio vazio e o motorista e o guia, o Assefa, ainda estavam almoçando. aí eu resolvi ir em busca do meu cafézito pós-comilança.

cerimônia do café… com um toque diferente

fui eu até o espaço da cerimônia do café, do lado de fora do restaurante, onde a coffee lady veio me atender. só tinha um probleminha…ela não falava inglês, nem eu falava amárico (quem diria, ein?).

ainda bem que a linguagem da mímica e da simpatia não falham (quase) nunca.

fato é que a gente se entendeu! e ela foi preparar o café com tudo que eu tinha direito na cerimônia! e isso inclui: o incenso, a pipoca. todo um ambiente preparado só pra isso… e, finalmente, uma xícara de café.

coisa linda! eee aí que ela pousou um raminho por cima do meu café. eu não sabia o que era. nunca tinha recebido um café com esse toque diferente.

olhei bem. examinei. e era arruda!

a mesa da cerimônia do café, nesse restaurante na estrada no meio da Etiópia. foto: Thais Fernandes

nossa, ficou tão lindo… e eu pensei ‘vou fazer uma foto. amei essa decoração. agora eu vou só tirar pra poder tomar o café’, pensei enquanto ia aproximando os dedos da folhinha que flutuava no café quente.

PRA QUÊ? quando ela viu minha movimentação, veio correndo do outro lado do espaço, falando quarqué coisa que eu não entendi. porque, afinal, era em amárico! mas o gestual falava tudo.

eu traduziria para algo como: ‘você não ouse fazer isso!’.

eu sou obediente, né (tomei um sustão)… e parei na hora. olhei pra ela e apontei pra arruda que eu já ia tirando com a colher. ela fez que sim, era essa mesma a questão.

como sinal de paz, aí eu coloquei de volta a folhinha de arruda onde estava. por cima do café. ela se acalmou… mas fez com as mãos que ‘não tava o suficiente ainda’. eu devia mexer a bebida, com folha e tudo, com a colher.

“afunda isso aí, fia”, eu posso jurar que ouvi ela falar (só que em amárico). “é pra beber tudo junto”.

e eu aaaaaaaaaaaaaaaahhh, assim?, perguntei enquanto mexia o café quentinho, com a arrudinha mergulhando nele.

ela sorriu, bem satisfeita.

conferindo se tava fazendo tudo certinho, eu provei. e ela finalmente suspirou um “ufa, era isso! foi tão difícil assim? eu ein”. e saiu…

e eu fiquei com essa cara aí que você pode imaginar. de besta. respirei fundo… e senti o sabor. herbal, refrescante. gostoso!

arruda no café: uma tradição etíope

foi assim, com todo esse jeitinho, que eu descobri que tomar café com arruda é bastante típico na Etiópia.

claro que assim como em qualquer cultura, a forma de tomar café dos etíopes é muito diversa. a arruda eu só provei nesse restaurante especificamente//

café com açúcar, ninguém me serviu… mas teve um outro jeito de tomar café bastante peculiar… que eu experimentei lá. se você quiser saber, comente aqui etiópia pra eu escrever um texto só sobre isso!

dá pra fazer arruda com café em casa?

pesquisando depois, entendi que a arruda, como toda planta, tem variedades diversas. essa que nós vemos em geral aqui no Brasil pode ser um pouco diferente das mais comuns no norte da África.

mas a ideia se mantém: mergulhar a arruda no café traz um sabor extra. eu, particularmente achei bem gostosinho e refrescante. minha indicação é ir aos poucos. arruda é uma planta extremamente aromática. se escolher o sabor de um café mais delicado, vá devagar. mas teste, sim! vale a experiência.

aqui, um registro de um dos dias que eu fiz essa mistura, pra matar as saudades dessa viagem. perceba que o café já estava no final! rs
foto: Thais Fernandes.

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Etiópia [parte 2]: como é visitar Sidama, região produtora de café!

depois de boas horas de carro, cheguei aos cafezais no Sul da Etiópia. e que escolha incrível! foi uma aventura memorável na região produtora de Sidama. vem comigo!

ei, antes de ler esse texto… vale a pena visitar a primeira parte da aventura.

agora sim, vamos lá!

de 5 a 6 horas de carro. é o tempo que leva uma viagem da capital, Adis Abeba, até a região de Sidama, no sul do país. mas, pra mim, o tempo passou muuuito rápido. com certeza isso foi por conta das longas conversas com o Assefa, o guia que me acompanhou, um dos homens mais inteligentes que já conheci. e mais animados também! Assefa falava muito, tanto quanto ria. gargalhava.

-você teve muita sorte de encontrar esse guia, viu? – me dizia o guia de Sidama (ou Sidamo, você pode encontrar as duas grafias). e ele estava mais do que certo! (já indiquei aqui a agência de turismo com qual eu viajei, se quiser o contato direto, e mais dicas, fala comigo por aqui @tha.experimentando!)

no caminho, eu vi dromedários! indústrias, casas… passamos por planícies e paramos para eu avistar os três maiores lagos da Etiópia. tudo isso enquanto a paisagem seca ia dando espaço, aos poucos, pra uma região mais alta e úmida.

finalmente, chegamos na cidade de Yirgalem, onde ficava o hotel e a vila de produtores que eu visitaria no dia seguinte. tudo bem próximo a uma área de floresta, e dos lagos Woyima e Gidawo.

você consegue encontrar o macaquinho nesse registro que fiz já em Sidama? 🙂
Fotos: Thais Fernandes©

o hotel charmoso e aconchegante

já ia entardecendo… e um friozinho bom veio quando chegamos no hotel. e que hotel! pense num lugar charmoso. era perto da cidade o suficiente para ouvir os cantos religiosos de lá à noite. e longe o suficiente para ouvir cada passarinho durante o dia.

a Lâmila, uma das funcionárias de lá, me recebeu com um copão de suco natural de manga fresco! aliás, tudo que ela cozinhava era fresquinho e delicioso. ela também foi é a coffee lady de lá. ou seja, a responsável pela cerimônia do café ☕🖤. (Sobre essa cerimônia eu vou falar em um post especial. me segue no instagram para saber quando for lançado!)

tudo fresquinho! e muitas frutas à vista!
Foto: Thais Fernandes©

enfim, teve janta farta, com direto à cerveja. e uma fogueira pra conversar e ser bem recebida demais! (e ouvir as hienas, ao fundo, chamando umas às outras)… além de mim, vi uma família e um grupo de japoneses hospedados por lá também.

ah, e eu não ia ter um quarto. eu ia ter uma morada toda pra mim! como se fosse um chalé, meu quarto era na verdade a reprodução das casas tradicionais de Sidama.

casas do estilo de Sidama

fiquei fascinada quando o Assefa me contou que existe toda uma tecnologia ancestral na construção das casas de Sidama. primeiro, elas são feitas principalmente com um tipo de bambu. material resistente e flexível ao mesmo tempo. na estrada, eu vi várias pessoas trabalhando nas tramas de bambu, aliás.

era uma casa assim que o meu quarto do hotel reproduzia. na verdade, além do telhado em bambu, a decoração era toda feita de itens produzidos ali por artesãos de Sidama. coisa linda de ver!

o quarto por dentro/ e por fora. um primor esse hotel!
Fotos: Thais Fernandes©

nas casas originais, as famílias acendem fogueiras para cozinhar lá dentro e a fumaça ajuda a selar o teto. por isso, os moradores locais só precisam trocar as tramas de década em década. elas seguem muitos anos resistentes a chuva, sol, ventos… tecnologia!

e ainda por cima tem uma trama bem linda, que lembra bastante o formato de algumas teias de aranha. tem um termo na arquitetura que se chama biomimética, que é a técnica de ‘imitar’ formatos e soluções da natureza na hora de construir. eu vi bastante disso por lá.

olha só esse vídeo, que explica bem o processo de produção dessa casa:

informações importantes:

separei aqui uma listinha que coisas importantes pra você saber. e bem específicas para a região de Sidama:

  • clima: um friozinho bom demais. foi assim que amanheci em Sidama. a região ali tem uma altitude de cerca de 1.700 metros;
  • seca: quando estive lá, em fevereiro, o país passava por um período mais seco. apesar disso, pegamos chuva na estrada (mas eu costumo atrair chuva em viagens, rs);
  • idioma: a Etiópia é país diverso pra caramba e isso inclui os idiomas. lá a língua de trabalho é o amárico, mas nem todo mundo vai falar essa língua. no caso de Sidama, muitas pessoas falam apenas o idioma homônimo, o Sidama;
  • guia local: por causa de ‘detalhes’ como o do idioma, é importantíssimo ter um profissional local! no meu caso, a agência já tinha contratado um, que fez a tradução inclusive para o Assefa.

ainda quero falar sobre comidas da Etiópia. nossa! um prato cheio (literalmente, rs). sobre a visita à casa de uma produtora de café de Sidama e sua famíia!

e, óbvio, sobre a cerimônia do café! então, me aguardem que virão novos textos sobre esse país rico e maravilhoso. enquanto isso, assine minha newsletter e receba as novidades por seu e-mail:

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