Jardin do Centro – café, plantinhas & preço justo

A louca das plantinhas. E dos cafés! As definições de ambiente delicioso foram atualizadas.

Quer combinação mais amorosa que um café cheio de plantinhas? Eu quero! E a Jardin do Centro acertou! Já fazia tempo que queria conhecer essa cafeteria, que também é loja de plantas. Ela fica pertinho do metrô Higienópolis. E é um baita passeio de domingo bão.

Preço justo pra café delicioso

Bom, além do verde e da cafeína, a Jardin ajustou recentemente seus preços… pra baixo! Vi o anúncio no Instagram e me chamou bastante a atenção! Não é todo dia que uma empresa resolve cobrar menos, certo? A ideia deles é preço mais acessível pra receber mais gente, mais vezes. Me gusta.

O café coado que tomei – e estava muito bom! – custou apenas R$3,50.
O método foi Melitta. Aquele coador clássico nosso de cada dia. E os grãos são do Café do Centro, da linha Origens. Eles também tem espresso (3,50), cold brew (7), prensa francesa (9) e cappuccino (6). Hum, já quero voltar pra provar outro dia.

Delícias da casa

Mas… quero compartilhar o que escolhi para acompanhar o café. Gente, por favor, ESSA DUPLA: café coado + sorvete artesanal!!!


   
Plaquinha da alegria: sorvetes artesanais à vista!

Lá tem sabores bem diferentes tipo ‘canela’ e ‘paçoca’ e bem brasucas tipo ‘jabuticaba’.
Eu escolhi o sabor de cupuaçu. Bem Brasil, bem refrescante. E com aquele azedinho do cupuaçu de dupla pro café docinho. Indico essa dupla!

Como fui no horário de almoço, aproveitei pra provar a feijuca vegana deles. Eu confesso que senti falta de um sabor mais marcante… Mas quer saber? Uma das coisas que me conquista nesse café é o quanto eles vendem o que acreditam. E fazem bem e bem servido! (Se liga na fotinha).

 

A alegria no rosto de quem acertou na escolha do sorvete de cupuaçu + café coado ❤

BÔNUS do veludo roxo:

a loja de plantas é no mesmo local da cafeteria. Tem tanta plantinha diferente! Não resisti a esse veludo roxo maravilhoso. Conheci essa planta na casa de uma amiga artista maravilhosa, a Jess. Na Jardin, também tem o vaso e o pratinho. Quite completo e um domingo aproveitado com sucesso:

Tour pelo que vi de incrível na Semana Internacional do Café 2019

Espresso, na Hario, preparo árabe… licor de café, ou cascara?!

Se tem três dias que eu tiro para ficar doidona de cafeína são os da Semana Internacional do Café (SIC)! O maior evento do Brasil dedicado à bebida.

O que vi na SIC 2019? O que chamou a atenção

 
Meditando para decidir quais momentos escolher… Foto: @pokegiu

Cafés bem no meio do Ceará

Para começar, muitos produtores do Ceará! Eu já tinha escrito sobre o Maciço do Baturité em 2015, mas era algo muito distante… até que conheci o Francisco Uchôa. Produtor de café sombreado nessa região ancestral. O café chegou lá entre os séculos 18 e 19! E ainda tem cafeeiro plantado em 1900.

Ele é cafeicultor e levou turismo rural ao Sítio Águas Finas! Tem trilhas e experiências na lavoura. Ah! E crianças de um projeto de música local, que se apresentam pros visitantes. Coisa linda de ouvir ele contando.

Eles também torram, viu? O café arábica da variedade café Typica é embalado em diversas opções do Café Uchôa. Aliás, o presidente da Afloracafé – Associação de Cafeicultores da Serra de Baturité – Frederico Yan, me contou que todos os 16 associados tem marcas de café torrado! É café cearense pra todos os gostos. 

 
Eu e o Seu Uchôa, tomando cafés cearense! ☕🌺 Fotos: Thais Fernandes

Esse encontro bom aconteceu porque pela primeira vez eu mediei um painel! Para mim, que vou a SIC desde 2014, quando cuidava do site CaféPoint (dá uma olhada na última fotinha!), foi uma surpresa deliciosa mediar.

De turismo rural a Airbnb Experiências

O papo ‘Como Agregar Valor ao Seu Negócio’, que participei, me deu a oportunidade de conhecer o Seu Uchôa e a Anna Claudia, do Cafetelier. Ela abriu essa cafeteria em Ouro Preto (MG). E descobriu aos poucos como tornar a paixão algo rentável. Hoje, além do café bem localizado no centro da cidade, a Anna oferece atividades para turistas. Ela criou degustações no Airbnb Experiências. É muito maravilhoso ver uma mulher a frente de um trabalho inovador assim.

Foi muita generosa essa conversa. Esses dois! 💖

A querida Anna Claudia, do Cafetelier contando sua história. E eu, anotando e registrando em fotos, antes do nosso bate-papo com o Seu Uchôa! Foto: Cafetelier
Robustas de Rondônia!

Falando em regiões surpreendentes, você já tomou café de Rondônia? O estado está apostando em qualidade. E da espécia canéfora! Isso, nadica de arábica. Antes de torcer o nariz, sugiro experimentar. Esse ano, os produtores fermentaram o café. Processo de mais de 20 dias. Muita gente envolvida! E um resultado… bem doce na xícara!

Lá, tem café produzido por indígenas! Contei mais sobre isso em uma matéria especial que fiz para a agência onde trabalho. Inclusive, tem os indígenas, robusta, o Seu Uchôa, e um campeão que produz agricultura sintrópica! (Conto mais dessa último aqui nesse texto mesmo, vai rolando a página…)

 
Café é coisa do Brasil todo! Rondônia representou nessa SIC! Fotos: Thais Fernandes

Coffee of The Year

Aliás, quem venceu o Coffee of The Year Canefora (prêmio criado pela SIC) foi o agora BICAMPEÃO Luiz Claudio! Do Espírito Santo, ele produz no Sítio Grãs de Ouro. Sei que é um querido porque já o entrevistei! Honra. E contei a história dele no microlote produzido pelo Santo Grão – que por sinal, já esgotou!
E o de arábica? Willians Valério, do Sítio Recanto dos Tucanos. É o Willians que produz com a agricultura sintrópica! São técnicas agroflorestais. Muita mata nativa. E amor pelo café – claro. História incrível que conheci através da Mariana Proença e da Giuliana Iannaco, da Revista Espresso.
  

 
                   Luiz Claudio: bicampeão no canéfora!                                    Agrofloresta na produção dos campões do arábica!  
Fotos: Thais Fernandes            


LANÇAMENTOS

Licor de café conilon

Mais do que produtores determinados de robusta… teve licor com esses grãos! O lançamento foi da Soul Cafés, de Blumenau, com parceiros locais. Eles já trabalham com licor de grãos arábica. Esse, do conilon, é edição limitadíssima! Só 100 garrafas.

Foto: Thais Fernandes


Novos cafés da Mantissa

Essa fazenda é muito querida. Ali no Sul de Minas, a Mantissa tem um trabalho enorme desde produção de qualidade até torra e venda. Agora, a marca que antes tinha apenas um café nas gôndolas, lançou uma linha inteirinha!

O Léo Custódio, mestre de torrado, provador, que cuida da qualidade da marca… e é um querido!, me preparou o Catuaí Amarelo. E olha como estava fresquíssimo:

  
Fotos: Thais Fernandes

Fotos: Thais Fernandes

Cascara tea, eu tea amo!                                                                                        Eu sou apaixonadaaaa por cascara! O chá feito com a casca de café. E olha só quem encontrei? Essa garrafinha de chazim gelado Cascara! É feita pelo Grandpa Joels Coffe. Eles vendem em Santa Rita do Sapucaí, onde fica a produção própria de café! And, na cafeteria em Santos, litoral paulista.


Mulheres que fazem o café

As produtoras maravilhosas que venceram o Florada Premiada. Concurso patrocinado pela 3 Corações, e que lança cafés das vencedoras! É significativo ver grãos torrados com os nomes delas. No Brasil todo! (E, sim, é o Padre Fabio de Melo nas fotos. Ele é o novo parceiro da marca nesse projeto:) )


  
 Vencedoras: Maria Simone Borges, na categoria via seca; e Daiana Aparecido Silva, em via úmida

Fotos: Thais Fernandes

Falando em mulheres incríveis, fiquem com essa foto de um pedacinho da equipe que faz a Revista Espresso e o CaféPoint acontecerem:

Eu matando a saudade do site que fiz por 3 anos; e as novas donas do conteúdo CaféPoint: Naty Camoleze e Gabi Kaneto ❤

Por que Cândido pintava coisas horríveis?

Vejo ele lá no fundo. primeiro fico feliz. é um reencontro. Vou andando entre os quadros… e penso em Cândido. Penso nas pessoas que ele pintou. eu já conheço elas. mas sempre tem mais uma lágrima ali. muda.

Imagem: Reprodução da obra Retirantes, de Cândido Portinari

-ainda não está nada no lugar, cândido.

olho uns bocados de minutos. clico. e ouço um menino:

-Por que ela está tirando foto de uma coisa tão horrível?
-Não é horrível – Uma moça responde.

-é horrível, sim – eu queria responder. eu queria saber rápido o que responder. e eu queria não ter o que responder.
mas só falei com o Cândido.

Retirantes.

-por que mesmo você pintou uma coisa tão horrível?

“… uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. Só o coração nos poderá tornar melhores e é essa a grande função da arte”.
Candido Portinari”

cândido, é dolorido. faz tanto tempo. e ainda é.

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Eu escrevi esse texto acima em uma das minhas idas ao Masp, na Avenida Paulista.
Lá, moram algumas obras do Portinari. Ele me emociona. Em tempos bizarros quanto mais Cândidos, melhor.

E para quem não é de São Paulo… vale muito uma visita virtual. Onde? Pelo projeto do Google. Eles selecionaram as obras de Portinari – que estão espalhadas em museus diferentes.

Espalhemos a arte que nos choca. Porque, talvez, essa seja justamente a sua função:
Recomendo, especialmente, a seleção: “O Pintor Social“.

Moquinha: um mini grão

Mini café.

Cê já ouviu falar de moquinha? Moca! Pros gringos ou quase: peaberry.

São cafés pequenos. Redondos. E, antes da torra, eles são uma só semente com o fruto todo dela! 
A diferença é que, geralmente, cada fruto de café tem 2 sementes. E aí? O moca, com uma só, saí assim: pequeno.

Como se diz no mercado profissional, peneira abaixo de 13. 
É! Café passa por uma seleção em várias ‘peneiras’ mesmo. Cada uma de um tamanho. E o moquinha caía em todas. Não ficava nem na 13 – a menorzinha.



Já teve fama ruim por conta disso… “Café miúdo? Não pode ter valor”, pensavam.
Mas agora tem muitos apaixonados por ele! Por ser menor e com uma semente só, esse grãozinho reuniria mais doçura. Será?

Nesse trabalho de pós-graduação a Renata Cássia chegou nessa conclusão ó:
“No teste de xícara realizado, observou-se que o grão chato apresentou melhor
avaliação global de bebida e o grão moca apresentou melhor pontuação com relação à doçura”.


Então, quer doçura? Vem de moquinha! Um bem gostoso e mais fácil de encontrar é o da Unique Cafés:

Doce ou não, só seu paladar pode te dizer. Bora provar? Conta lá no @blogexperimental.

Kamili Coffee direto da Long Street, em Cidade do Cabo – África do Sul

Vem dar rolê para conhecer as lojas e prédios do centro de Cape Town?
Aproveita. Por ali está a Kamili Coffee. Essa cafeteria fica em avenida movimentada! Ou melhor, na esquina da Long Street com a Shortmarket Street. Inclusive, a Long Street, caso você seja das baladas, deve estar no seu roteiro! Mas, voltando aos cafés…
Se liga na plaquinha: Sim, eles também torram os próprios grãos ❤
O que tem lá? Dois blends da casa! Uma mistura inclui cafés de diferentes países da África, outra une grãos da Etiópia e da Colômbia. Me gusta! E também rolam origens únicas. Tem de Honduras ao Brasil!

O que eu mais curti foi a conexão que eles tem com o próprio continente. ‘Kamili’, inclusive, significa perfeição na língua do povo Swahili. É uma homenagem a uma das línguas africanas mais conhecidas e estudadas do grupo bantu, utilizada na maior parte da África do leste e região central do continente. Além da vibe boa dos atendentes! 
Por lá, você também encontra lanchinhos e pacotes de café para trazer para casa! A Kamili tem, ainda outra unidade em Cape Town. Delícia de parada para o café da tarde!

Onde
29 Shortmarket St & Long St, Cape Town City Centre, Cape Town, 8000
e
48 Harrington St, Zonnebloem, Cape Town, 7925

Audrey Hepburn e Salvador Dalí te encaram na exposição de Irving Penn: centenário

Natureza morta, fotografias em preto e branco mais vivas que muitas que já vi por aí mas o que mais me chamou a atenção na exposição que visitei no IMS – Paulista? As caras que me olhavam no fundo dos olhos. Os retratos de Irving Penn vão te encarar. Eu sei disso, porque me encararam. Rindo-se. Sérios. Profundamente...

Audrey Hepburn – sorrindo e conversando com com você só com os olhos.


Não se perca: a entrada para a exposição fica no terceiro andar! Ao final? Você desce as escadas e continua se encantando no segundo andar! Giro ao contrário. 😛 É tanto foto que são divididas em 12 eixos temáticos. Em cada seção, a curadoria destaca o processo de experimentação que permeia a produção do artista. 

RETRATOS QUE TE ENCARAM 
Em 1947, sob encomenda da Vogue, Penn começou a fotografar intelectuais que viviam em Nova York. Esses retratos, presentes na segunda sala da mostra, foram feitos em um cenário pouco convencional: um canto estreito, formado entre dois tapumes. Isso, pra mim, foi incrivel de ver! Como a gente é diferente e igual enquanto humano. Vulnerável naquele cantinho.

Acuados nesse pequeno espaço, os modelos hesitavam, mas Penn os estimulava a improvisar, “sabendo que acabariam se revelando ao tentarem acomodar seus corpos, egos e expectativas à estrutura”, como afirma Maria Hambourg. Nessa famosa série, o fotógrafo retratou nomes como Igor Stravinsky, Marcel Duchamp, Alfred Hitchcock e Truman Capote. E tem os inconfundíveis Salvador Dalí e Audrey Hepburn (que não resisti, fotografei, e tá ali em cima). 

Outro cenário, nos mesmos tons, era esse fundo aberto. E uma luz incrível que só fotgógrafo sabe arrumar!

Pedacinho interativo! Aqui, um fundo com luz simulando o que Irving usava em seus retratos…
Ao fotografar, Penn dedicava grande atenção aos detalhes, preferindo trabalhar no estúdio, onde se sentia mais confortável para criar. 

QUEM RESISTE TESTAR ESSA LUZ???


A exposição Irving Penn: centenário começou agora em 21 de agosto, e já foi exibida pela primeira vez no Metropolitan Museum of Art (The Met)! A mostra faz um panorama da produção do fotógrafo norte-americano, reunindo mais de 230 fotografias. Irving Penn (1917-2009), além de trabalhos inovadores no campo da moda, produziu retratos, naturezas-mortas, nus femininos, peças publicitárias, entre outras obras. A curadoria é de Maria Morris Hambourg, curadora independente, e de Jeff L. Rosenheim, curador do departamento de fotografia do Met. 

E tem tanto mais! Cola lá. Entrada gratuita aos sábados! 

Se liga no vídeo, produzido pelo IMS Paulista, sobre essa exposição:

Deixe café pago para o próximo na Motherland Coffee – na África do Sul

Por Thais Fernandes 

P
ara aquecer meu coração nesse friozinho… comecei a me lembrar das aventuras em Cape Town, um ano atrás. Deu saudade! Em Cidade do Cabo eu conheci o mundo! Como é que sairia de lá sem conhecer os cafés? Hora de colocar esses grãozinhos para trabalhar a meu favor. Falar inflês e viver! E, fora que já tinha dado aquele café solúvel das escolas, casas... OMG. 


Assuntando com os sul-africanos. Upando o nível de cafeína no organismo. Assim meus dias passaram deliciosamente. E aqui vão minhas lembranças mais quentinhas das melhores cafeterias que visitei na África do Sul. Começando por essa:
  

Motherland Coffee Company – share your love! 

Lembra que Cidade do Cabo é conhecida como Mother City? ❤ Com muita fofura, a Motherland Coffee Company se apropriou do apelido. E criou uma cafeteria no centro da cidade. Clima de inverno lá fora – quentinho lá dentro. Olha só essa belezinha.

Isso aí. Você podia deixar um café pago para o próximo + recadinho compartilhando amor. Muito motherland, sim. E os cafés? Espresso bem tirado pra mim. Cappuccino pra Alice, com direito a latte arte de coração. 

Love this place: 

Como dizia uma das paredes do MotherLand, Africa is the future”. I totally agree!

Onde fica? Mandela Rhodes PlaceWale St & Georges Mall, Cape Town City Centre, Cape Town, 8000, África do Sul 

Al Janiah é Palestina Livre cultural, gastronômica e viva!

Se trata de um mundo com fronteiras. Refugiados para quem? Linhas. Que não existem. A linha do equador existe? E o trópico de capricórnio? Nossas limitações são imaginárias.

Eu queria mergulhar no universo dos outros. É tudo coisa da nossa cabeça. Então, conheci o Abraço Cultural – dele, eu falo mais em outro post! por causa disso, eu cheguei até a Al Janiah. 
No muro da Rua Rui Barbosa, 269, um grito: Palestina Livre! 

Palestina livre! Foto: Thais Fernandes

Inventadas nossas línguas, árabe é desenho. Que desenho mais lindo! Logo na porta desse restaurante-resistência, o moço anota meu nome. 
-THAIS, digo, com H.

ثيس  , ele anota
Surpresa desde a porta. Aprendendo. Ele indica as mesas. Lá dentro, tem palco. Às vezes música árabe. No que eu fui? Cantoria Cubana. Antropofagia. A liberdade e diversidade ali é incrível.


No cardápio, muitas comidas típicas. Minha professora e amiga síria, Nour, indica! É referência mesmo do que é comida árabe tradicional. Comidinha da vez: FALAFEL(R$17) Chega a salivar… bom demais! Bolinhos para pedir com os amigos e dividir como aperitivo. (ou comer todos, o que dá vontade). Também por estarmos em turma, teve espaço para Prato Pastas (25), Prato de Taouk (22) eeeee….

Bebidas, amamos: Palestina Libre – tem arak. Essa bebida é tradicional árabe/plaestina. Tem hortelã, pimenta biquinho e um toque de cachaça artesanal. Vale bem, é álcoolica, mas suave! Olha só a cara dele:




Alguns dos nomes também são resistência. Retorno a Haifa (22), por exemplo, cita o nome de uma antiga cidade estratégica de Israel. O drink leva vodka, miturada ao chá o limão.

No final? Mesa com doces. Coloridos. De encher os olhos. Os donos da banca, falantes, contam tudo. 
Doces árabes. Mesa exposta na saída do Al Janiah / Foto: Thais Fernandes
Só sei que ‘refugiado’ é uma palavra inventada. Num mundo onde estamos pra lá e pra cá. Imigrantes e emigrantes todos os dias. Nesse corre-corre, o Al Janiah é refúgio. Encanto. Comidas, bebidas. Pessoas! 


BÔNUS: Do lado de fora, uma biblioteca móvel fica estacionada. Estacionada? Movimentando, cheia de livros lado B. Vale! 

E se a gente se refugiasse na gente? Nazaré Paulista e uma manhã na Uniluz

O que é retiro? E de onde precisamos fugir? 
Cheia de questões, ein? Pois é. 
Tempos e amores líquidos… passando pelas nossas mãos. Parece real demais, bauman 
E pra onde se vai quando não suportamos ficar ‘aqui’? Eu saí de São Paulo por dois dias… e fugi de tudo. Desde a cidade até as pessoas. Desde este meu computador, que agora teclo, até os gritos das pessoas dos prédios. O pessoal dos prédios tá cada dia mais insano. Eu estou perdendo a cabeça – quem me conhece vai se perguntar se um dia eu tive ela no lugar. E eu não tinha. Mas parecia okey assim. 


Eu não fui pra um lugar. Eu só saí de outro. -QUÊ-. Sabe quando você sai sem rumo pra caminhar e pensar? É isso. E fui pra uma pessoa. Um amigo. Um par de ouvidos. Ele está em Nazaré Paulista. Foi pra lá que eu fui. 

“O que é jogar ‘fora’? Não existe ‘fora'”, o  me lembrou. É isso. Que louco. Horas e horas de conversas malucas. Músicas sem sentido: -Alô, é o Ed Motta? Isso, não dá pra entender absolutamente NADA daqueles barulhos do começo das músicas. Isso. Aproveita e passa pro Jorge Vercillo. Manda avisar que da parte dele nem a letra salvou… 




Mas, o que ir visitar meu amigo tem a ver com retiro? Primeiro: nunca tente entender meus amigos. Cada um… olha, cada um faz seu próprio mundo. *morta de orgulho*. O Gabriel viveu coisas que levaram ele até a Nazaré Universidade da Luz. Toda vez que vou explicar onde ele está, por que foi pra lá, quanto tempo fica… é uma dificuldade do pessoal assimilar. 
Gabriel é um publicitário-ummilhãodecoisasmaisdoqueisso. Bicho na faculdade. Pessoa ímpar. Descobriu a Uniluz . Quando ele me falou, não lembro de estranhar… parecia um nome que tinha a ver com ele! E tinha mesmo. A Uniluz é tanta coisa quanto o Gabriel. Mas, vamos resumir? Retiro, Autoconhecimento, Convivência, Aprendizado. 

Eles têm mais de 30 anos de história… trabalham com Mindfulness, Comunicação Não-Violenta (crush! <3), ioga… e, de novo, tanto mais! 
Enfim,  foi pra lá ser estudante em um curso de três meses. Ficou para ser residente. Hoje, é o profissional da Comunicação desse lugar… inacreditavelmente movido pelo comunitário. 
 Pães de grãos e australiano! Feitos pelos residentes e alunos da Uniluz. Lá, a alimentação a vegetariana. Os alimentos vem em boa parte da horta. Ou são produzidos lá, como estes pãezinhos. DICA: esse de grãos com um requeijãozim ❤ 
No Campus, não é permitido filmar nem tirar fotos. Viver o momento presente é mais importante. – e necessário, né? Então, só visitando as redes da Uniluz para começar a entender… 
Enfim, meu final de semana foi descanso e muita conversa! Falei sobre ser boa em escutar. E fui tão mais ouvida nestes dias! Grata por ter amigos, por ter uma história para contar. Por saber que não existe retiro melhor que um amigo. Não existe início do auto-conhecimento maior do que respirar e se perceber respirando. 
Valeu, também, Ed Motta, Maurício Manieri, PIO Box e – o incrível – Vercilo. Tomar cerveja, ouvir música nonsense e dançar também são terapia. Anote aqui. Dance por aí… 

"Obrigado por emprestar as orelhas"

Obrigado por emprestar as orelhas 
Valeu pela terapia de hoje. 
Ouvi essas duas frases. Na mesma semana! …. e aquela velha dúvida... que barco é esse em que viemos parar?  

Como você se sente quando alguém te escuta?



Corta pro Titanic. Balada grande. Falação. Barco afundando. Todo mundo gritando. Correria. A banda tocando (?). Todo mundo no mesmo lugar. Falando ao-mesmo-tempo. Ninguém ouve ninguém? 
Eein. Nem de balada barulhenta eu gosto. 
Minha dificuldade de falar trouxe um presente: Ouvir. Enquanto a gente naufraga, posso ouvir os pedidos de socorro. Parece presente de grego olhando assim. 
O que a minha escuta pode fazer? Nada. É passivo. E eu pensava que era besteira. 
Umas semanas antes, era eu falando. Fiquei com a sensação que não adiantaria falar. ‘Que besteira’, eu mesma gritava lá dentro. 
Mas, tenho me auto analisado. Depois daquela semana, veio um pouco mais de calma. Não de calmaria, diga-se de passagem. Mas de calma nos meus próprios gritos… talvez porque alguém escutou. Fiquei com vontade de abraçar o Júnior. A Vanessa e a Aline (inclusive mó legal falar mesmo quando não é pra você ouvir). 
Então, continuei escutando. 
O meu amigo da portaria falou uma hora a fio… depois me mandou dormir. 
“Vai dormir, Thais. Obrigado por emprestar as orelhas”. 
A moça do uber, todo nosso trajeto. Uns 25 minutos. 
“Olha, valeu a terapia hoje. Tudo que eu ouço todos os dias, você escutou de volta agora”. 
Eu fui dormir boiando nessa sensação de… ‘por que as pessoas estão agradecendo?’. Eu, literalmente, não fiz nada. A cada 10 palavras, minha resposta era com os olhos. Não eram histórias de se opinar. Mas de ouvir mesmo. Não precisei de ação ativa. 
Fui pro meu dicionário ostentação – comprado naqueles trem do metrô – e aí… 
Escutar (verbo) 
  • 1transitivo direto 
  • estar consciente do que está ouvindo. 
  • “conversando na praia, ouvia o mar, mas não o escutava” 
  • 2transitivo direto 
  • ficar atento para ouvir; dar atenção a. 
  • “escutava com paciência aquelas queixas” 
… entendi o tamanho dessa não-ação. Não falar. Só escutar não é ‘só’. É o que a gente precisa de nós. 
Tenho pra mim que não precisamos de coachs pra isso. É um hábito que se cria. Pra isso, trabalho, disciplina e – aí sim – ferramentas podem ajudarMas, escutar não tem hora marcada. Tem? A gente não precisa transformar mais uma coisa humana em mecanizada, precisa? 
Um abraço pro meu amigo da portaria e pra motorista do uber. 
Escutar vocês foi maravilhoso. E o que vocês falaram no fim? Foi generoso. Me fez pensar. Abraçar a escuta. E, por que não, a minha própria fala? Quando for a hora. A hora que for.