é tudo cappuccino? [+ uma experiência em cafeteria ‘to go’]

sim, lá vou eu em mais um to go. pega e vaza, enfim. mas dessa vez a expectativa era mais alta!

eu fui em uma unidade de um restaurante que amo. sim, lá vou eu em mais um to go. pega e vaza, enfim. se cê não leu o texto anterior, espia aqui. mas dessa vez a expectativa era mais alta. um espaço daquele lugar que eu gosto tanto, e mais pertinho de casa! afff, que alegria. não é bem uma cafeteria, mas tem, adivinhem, cappuccino!

daí que a comidinha tava bem gostosa! mas a apresentação… ou melhor, a entrega? ah. como é que eu vou dizer? seria ok pra um grab and go SE não fosse dentro de um shopping.

por quê? porque ali tem estrutura para as pessoas se sentarem enquanto comem e AÍ SIM, saírem vazado. é coisa básica. uma bandejinha pra apoiar a comida. um copo de um material mais ok. por mais besta que pareça, foi disso que eu senti falta.

e agora vem o questionamento relacionado ao café em si. essa loja vende alguns tipos dele. e eu pedi meu cappuccino. tinha lá no cardápio, uai. pedi. e chegou? bom, um café com um tanto de espuma de leite por cima.

e isso não é cappuccino? bom, vamos ao *polêmica alert*.

por que não chamar de média?

não tem absolutamente nada de errado com o bom e velho pingado. ou numa média. aquele café com leite, namoralzinha. é afetivo. e, se tem ingredientes bons, fica uma delícia sim!

mas daí as marcas querem falar que vendem cappuccino. mocha. unf, respiros fundos. pra quê, gente? se não vai servir o trem que tão prometendo… pra quê?

vamos dar uma olhada nas medidas:

o que é cappuccino?

a marca italiana illy diz: “Um cappuccino corresponde aproximadamente a 150ml de bebida, composta por um espresso (30 ml) + partes iguais de leite e crema de leite“.

mas há controvérsias. nesse artigo do PDG gringo (traduzido), tem algumas opiniões e vivências de baristas sobre.

pois é. no caso do shopping, algumas coisas decepcionaram. a medida menor do que os 150 ml esperados. e o leite que veio pura espuma. não rolou muita cremosidade… enfim.


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Processando…
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miraram no cappuccino e quase acertaram no macchiato, rs. mas acho que podia ter ficado tranquilamente na brazuca ‘média’, que geralmente acompanha pão na chapa. ia ser lindo! autêntico.

mas a embalagem, olha… ☹️. não por ser descartável, mas por ser de um papel com cara que ia se desfazer.

e aí volta o lance de não ter nem bandeja pra apoiar o pedido, que veio pelando de quente.

a atendente foi muito fofa e me descolou uma bandejinha. mas garantiu que esse não é o costume ali naquela unidade.

ou seja, comida boa. café ok. mas nada exatamente como o ‘combinado’. cappuccino é outro esquema. loja de shopping, pelo menos um pratinho ou bandejinha, é o habitual.

triste. saí com aquela impressão que não valeu, sabe? coisas de uma cliente que, em geral, só não volta mais. e você, já teve experiências assim? ou acha de boas? questão de adaptação aos novos {velhos} tempos?

região vulcânica no coletivo

morar em uma região produtora e ver ela se fortalecendo como coletivo é lindo demais! conto isso e + do que vi no 1º Seminário de Cafés da Região Vulcânica.

o que faz uma região produtora? bom, daria pra ser extremamente técnica. altitude, terroir, limites territoriais… mas em qualquer lista não pode faltar um grupo de pessoas. produtores. e no caso do café, se possível, ao redor deles, torrefadores, baristas, associações e/ou cooperativas.

a palavra região se faz no singular, mas cada vez mais eu tenho visto que na prática, é algo coletivo. plural mesmo.

foi isso que vi no 1º Seminário de Cafés da Região Vulcânica, nessa semana. embora o meu RG diga SP, eu me considero de Poços. cresci aqui. aprendi a ser aqui. e ver essa região se unindo, construindo coisas juntos, é gratificante de verdade.

do solo vulcânico

o evento teve muito conteúdo. só do que eu vi, destaco a palestra sobre o solo vulcânico, com o professor Francisco Ladeira, diretor do Núcleo de Geologia da Unicamp. e sobre cafeicultura conservativa, do Alessandro Guieiro, especialista em microbiologia do solo.

palestra sobre o solo vulcânico.

Ah, o solo vivo! salve Ana Primavesi. essa incrível pesquisadora que, inclusive, foi citada pelo Guieiro na palestra dele. se você, que tá lendo, quer iniciar nessas informações sobre a importância do manejo do solo, eu indico dois livros dela:

  • A Convenção dos Ventos: Agroecologia em Contos. livro delícia de ler, introdutório no tema da agroecologia.
  • e Pergunte o Porquê ao Solo e às Raízes. esse segundo, pra mim, é mais avançado. mas a linguagem da Primavesi e os estudos dela valem muito a pena.
  • p.s: comprando os livros nesses dois links, cê apoia esse blog, que é associado da Amazon. ou seja, uma pequena comissão vem pra monetizar meu trabalho ❤ e você não paga nada a mais por isso!

depois de colhido

além de toda troca sobre produção, o evento teve conteúdos sobre qualidade, marketing e preparo de cafés. aqui, posso dizer que vi um baita workshop sobre fermentação! com a Andrea Braga, da Bourbon Specialty Coffee. tem muitas marcas fermentando cafés de formas diferentes, mas vale lembrar que é preciso cuidado e muitos testes (calma lá com os processos, gente).

e, ainda, uma oficina de mídias sociais. importante demais pra todos, né? de produtor até marca de café torrado, esse é um jogo que a gente precisa aprender a jogar.

e sabe o melhor de tudo? teve muitos cafés diferentes pra provar! mas segura aí, que minhas impressões vou deixar para um #experimentandoCafés exclusivo.

enquanto isso, você pode seguir a página do blog no instagram: @tha.experimentando. e assinar a nossa newsletter. te espero lá!

Cold brew nitro e + no Nightjar Coffee [cafés em Dubai]

no calorão de Dubai, só cafeterias como a Nightjar Coffee salvam! lá tem coldbre nitro e pão indiano. vem descobrir tudo isso :).

ah, o Oriente Médio… 30 graus no inverno. Um clima árido, como se eu acordasse com a textura de tijolo nas narinas.

é brincadeira. mas é sério. e contra essa sensação térmica só uma bebida trincando de geladinha. e, por que não, café nessa temperatura? até tentei pedir outros métodos, mas o cold brew reinou na minha estadia em Dubai em fevereiro deste ano.

essa é a segunda vez que vou pra lá à trabalho [proletária fina]. escrevi todos os detalhes do meu primeiro tour cafeinado pelo emirado nessa reportagem para a agência onde trabalho.

e dessa vez eu queria achar novas cafeterias! a verdadeira alma coffee hunter, né mores. peguei dicas com amigos brasileiros, e sugestões com baristas que conheci lá nos Emirados. e lá fui com meu bloquinho. e – literalmente – muita sede.

Nightjar Coffee

um dos lugares que mais amei conhecer foi a Nightjar Coffee. tanto que fui em duas unidades dessa cafeteria \o/. a primeira foi no Alserkal Avenue. esse bairro era um distrito industrial que virou cultural. é, cercado de galerias, pequenas lojas. e até um cinema!

na Nightjar, dei de cara com mais do que um café. o lugar é restaurante, bar, café, torrefação… e de encher os olhos! a arte que estampa os pacotinhos de café deles tá nas paredes em formato de pôsteres, e até em camisetas à venda. (meu maior arrependimento é não ter comprado uma, inclusive).

Foto:  ©Thais Fernandes de Sousa

coldbrew nitro e gastronomia

quando vi as torneiras no estilo de chopp, já sabia que ia pedir uma bebida gelada! mas me surpreendi com as opções. tem até chá gelado. como aqui o foco é café, fui de coldbrew nitro! o café extraído a frio ganha uma dose de nitrogênio.

e que delícia! realmente esse nitro tava daquele jeito: cremoso e doce. o café é torrado e o coldbre feito na própria loja. tem grãos de lugares tããão diferentes quanto Burundi, Indonésia e El Salvador. e claro, café brasileiro! inclusive, esse foi um dos recomendados pelos baristas da casa <3.

 as torneiras de café, kombucha e chá gelado! Foto: © Thais Fernandes de Sousa

pra acompanhar? era hora do almoço e decidi mandar um prato mais robusto. escolhi o frango assado! a coxa e sobrecoxa estavam deliiiciosas, principalmente quando eu adicionei um molho que eles servem junto!

e pra acompanhar o garçom indicou um pão indiano. o paratha é uma massa frita. bem comum também em países como sri lanka e bangladesh. e bem gostoso.

franguinho acompanhado de pão indiano. Foto:  ©Thais Fernandes de Sousa

ah, e a outra unidade do Nightjar que eu fui? infelizmente, fechou esses dias :/. mas o lugar é tão espetacular que ainda vai valer um texto sobre! fica ligado.

café gelado com limão ou laranja dá bom?

‘hum, mas misturar laranja no café…???” já digo, logo de cara: eu também torcia o nariz. mas agora? NUM CALOR DESSES? me gusta! eu acho que cê vai experimentar e agradecer depois…

masss só tu pode dizer! então, vamo de receitinha?

limão simplão

essa aqui é facin facin. água, CAFÉ DELICIOSO, gelo e limão. a lógica é: o gelo vai derreter depois de um tempinho, então fazer um café concentrado é o ideal.
aqui vai a proporção que eu uso pra ter 1 copo americano:

  • 15 gramas de café
  • 150 ml de água
  • 2 ou 3 rodelas de limão
  • muitcho gelo!

e pra facilitar ainda mais, ó o vídeo:

laranja da elis

e agora participação especial da minha amiga Elis Bambil. a barista curte um café geladim cítrico também. mas ela prefere café com laranja… então, perguntei pra ela: comé que cê faz? e segue a dica dela:

“Miga eu faço que nem cê fez com o limão mesmo. Passo um café mais concentrado, 1:9/1:10 dependendo do café, num copo com gelo e coloco uma rodela e meia de laranja depois do café já pronto. Teve uma época que eu tava mais fancy que eu desidratava a laranja hahahaha”.

FINA né mores? desidratar laranja é outro nível! mas pra iniciar nesse universo, uma boa laranja madura já faz a alegria dos cafeinades.

essas proporções que a Elis citou (1/9 ou 1/10) são as medidas de café (tipo 10 gramas de café) para outro tanto de água (90 ou 100 mls de água). se joga nas continhas e manda a ver aí também! que nem eu fiz, nesse vídeo do instagramhttps://www.instagram.com/p/CY_mQCwpwej/:

mesma proporção, mas dessa vez com laranja… hum!

Harmonizando café com chocolates da Mission

harmonizar alimentos (e não pessoas) é incrível! experimentei unir cafés especiais e chocolates da Mission Chocolate. Se deu bom? IMAGINA!

harmonizar alimentos (e não pessoas) é incrível! com estudo e testes, dá para achar combinações que exaltem o sabor. o aroma. as delícias de cada comidinha ou bebida. pesquisei bastante sobre isso, quando entrevistei a fazedora de chocolates Arcelia Gallardo. ela criou nada menos do que um chocolate ao leite de camela! (aqui cê pode ler a reportagem sobre isso).

bom, daí que quando recebi 4 chocolates diferentes da Mission Chocolate, não tive dúvida. era hora de harmonizar com cafés incríveis!
a harmonização pode ter diferentes técnicas:

  • uma das possibilidades é combinar dois sabores parecidos. doce com doce. salgado com salgado. ácido com ácido.
  • OUTRA? juntar os opostos. uma bebida docinha misturada com um salgado acentuado. um vinho com acidez boa somado a um doce de leite. Huuummm… já dá agua na boca só de pensar.

Chocolate + café – o dream team da harmonização

aqui, a ideia foi complementar. então, busquei um café com características opostas ao do chocolate.
bora lá que vou te contar minhas escolhas. e espero que você se inspire (ou fique com muita vontade) e experimente suas próprias combinações por aí. vamos lá:

1 – Café com acidez e doçura + chocolate ao leite com especiarias

e deu bom! apesar da acidez do café ter ficado menos presente, as especiarias do chocolate foram lá pra cima! e o todo foi doçura boa.

☕ o café que escolhi é o Arara, da rede Santo Grão. a torra é clara e feita pela minha grande amiga Keiko Sato. o resultado é uma bebida docinhaaa e com uma acidez gostosa. eu sinto esse acidinho ainda depois de tomar o café. é o que se chama de retrogosto. chiquérrimo, né?

barras da Mission Chocolate harmonizando com cafés especiais.

🍫 já o chocolate que harmonizei com o Arara foi o Pão de Mel! (passarinho e agora doce?). é, o nome é justamente por conta do projeto da Mission que se chama Sobremesas Brasileiras. nele, a Arcélia, criadora da marca, busca características dos doces nacionais. e, de quebra, ainda apresenta nossas gostosuras pros compradores gringos.

2- Chocolate ao leite de camela + café floralzão

aqui, a ideia foi mesclar a doçura desse chocolatão com a delicadeza de um café com notas florais. deu bom, viu? o chocolate é da marca parceira aqui do blog, a Gamers Coffee (e comprando com cupom EXPERIMENTAL cê tem 10% de desconto). então, capricha na escolha e harmoniza lá.

Chocolate ao leite de camela, e um café floralzão.

3 – Chocolate Cupuaçu com um café de doçura e corpão!

ahhhh, um café encorpado! nada como esse perfilzão para harmonizar com um chocolate complexo que nem esse. a barra tem até pedacinhos de capuaçu! uma explosão de azedinho e textura. foi muito bem com um café menos delicado, que nem esse que é da Associação de Pequenos Agricultores Familiares de Palmeiral, a Assofé.

Café docinho e chocolate com cupuaçu.

4 – Chocolate Arroz Doce somado a um café frutado

e pra concluir, uma barrinha de chocolate branco! mas não só isso. chocolate branco com sabor de ARROZ DOCE. mais uma barra do projeto Sobremesas Brasileiras da Mission. esse chocolate também vem bastante informação de sabores, viu? e doçura alta! por isso, escolho o cafézão Frutas Amarelas, da UCA café orgânico, pra harmonizar. um café com mais acidez pra contrapor a doçura do chocolate. achei que foi bem!

Chocolate Arroz Doce + café frutas amarelas!

AH! no insta @blogexperimental, fiz uma análise em vídeo dessa harmonização! pra assistir, cola aqui ó.

e aí, o que achou das misturas? dá um alô quem também AMA harmonizar café e chocolate. e, claro, manda suas dicas pra cá também. 💅🏼

Vídeo: faz café e fala sobre UCA orgânico especial

Com muuuito orgulho, apresento a #FazCaféeFala! Uma pequena série de vídeos que são ~quase reviews~ dos cafés que eu tomo! Neles vou contar sobre a produção e história por trás grãos. Mas com aquele jeitinho descontraído que esse blog prega. E com a fala do própria cafeicultora (or) / torrefadora (or) / vendedora (or) de café, quando possível! E vamos ao primeiro cafezão: orgânico e especial, o UCA <3.

⚡️Com muuuito orgulho, apresento aqui a Faz Café e Fala! Uma pequena série de vídeos que são ~quase reviews~ dos cafés que eu tomo! Neles vou contar sobre a produção e história por trás grãos. Mas com aquele jeitinho descontraído que esse blog prega. E com a fala do própria cafeicultora (or) / torrefadora (or) / vendedora (or) de café, quando possível!

Os vídeos vão estar disponíveis no instagram @blogexperimental e no meu canal no Youtube! Diga lá, gostou desse formato? Quais cafés quer ver aqui? Deixa um comentário para eu saber tudim. E vamos ao primeiro cafezão:

UCA – café orgânico especial


O Delmar, vulgo Tuca, nunca tinha trabalhado no campo. Mas depois de fazer faculdade, viajar por lá e estudar sobre cafés especiais, decidiu produzir ele mesmo. Mas não bastava ser especial, ele aprendeu a produzir café orgânico especial.

Nesse primeiro vídeo da série ‘Faz Café e Fala, conto sobre um microlote dele chamado Frutas Vermelhas. E ele mesmo te conta como é essa aventura de produzir organicamente sendo um pequeno agricultor!

Aqui, fiz esse café da UCA no método Koar (já conhece?), enquanto conto essa história. E SPOILER: Ficou muito bom!

Diga lá, gostou desse formato? quais cafés quer ver aqui?

Fichinha técnica do café
Marca: UCA
Produtor: Delmar Benelli
Município onde produz: Caldas (MG)
Nome do microlote: Frutas Vermelhas

Como eu fiz?
Método Koar
Moagem: média, um pouco mais fino do que aquele açúcar mascavo, sabe?
Proporção: 1 medida de café para 14 medidas de água.

Me conta aí, já tomou esse café? Qual a tua receita?

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Truth Coffee – A cafeteria mais estilosa do mundo

Apresento ela: a cafeteria eleita duas vezes uma das 13 melhores cafeterias do mundo pela agência de notícias britânica The Telegraph.

E eleita a mais estilosa do mundo por… mim mesma! 😬 Mas juro que merece o título. Olha só:

Fiz uma enquete no instagram (@blogexperimental, j´á segue?) e o pessoal quis conhecer ela, a cafeteria mais estilosa do mundo! Então, lá vai:

A vida tem dessas surpresas… e um dia desses eu conheci o que me disseram que seria ‘a melhor cafeteria da África do Sul’.
Truth Coffee Roasting. Eleita duas vezes uma das 13 melhores cafeterias do mundo pela agência de notícias britânica The Telegraph.

E eleita a mais estilosa do mundo por… mim mesma! 😬

Que lugar, senhoras e senhores! O espaço todo tem um pé direito altíssimo. Bem no centro de Cidade do Cabo, na África do Sul. A cidade já é charmosa, mas a Truth Coffee me surpreendeu. Eles prezam muito pelo ambiente. Uma mistura de futurista com old school. A própria equipe da Truth explica que a cafeteria é inspirada em ‘steampunk‘, um movimento que cresceu na ficção científica e trata justamente de ideias futuristas. Dá um confere no ambiente e diz se a inspiração tá ou não tá bem firmada:

“Não precisa de açúcar, ESTAMOS ENTENDIDOS?”. é mais ou menos esse o recado da barista 😉

E a cafeteria com baristas e garçons mais estilosos do universo (já visitado por mim 😂). Pra começar o hostess, famoso anfitrião, recebeu a gente de cartola e bengala na porta. Lá dentro é tudo tão lindo. TÃO em numa paleta de marrons e ferrugem…

Foto: Thais Fernandes

As luzes amarelas pendem do teto… Dá aquele ar de aconchego – quase mistério. Não sei se é o lugar que eu escolheria para ler ou trabalhar no computador, mas muita gente lá escolhe! Tem mesões para dividir e tomadas espalhadas. E, claro, mesas mais individuais. Eu e minha amiga ficamos em uma mesa em forma de engrenagem. Maior doideira!

Aliás, os móveis lá eram assim. Para sentar, puxamos os banquinhos que ficam encaixados embaixo da mesa. Acoplados mesmo, manja? Parecia tudo parte de uma máquina antiga. Ou de um futuro distópico, quem sabe?

Torra artesanal

Como o nome diz ‘Truth Cofffee Roasting‘, lá eles também torram. Aliás, a máquina de torra está bem no meio do salão! Amo esse estilo. Bem Santo Grão e Suplicy aqui no Brasil, ein?

Lá na Truth, um torradorzão da probat. Eles compram cafés de muitos locais do mundo. Inclusive, quando visitei um dos cafés era daqui de Botelhos, em Minas. E outros grãos da Etiópia, e mais outros da Guatemala! Incrível, né?

Cafés coados do mundo afora

Além de espressos tirados na linda máquina Slayer, eles também servem bebidas diferentonas e criações da casa.

Eeeeeee o meu mais queridinho método: A CLEVER! Você conhece? É uma forma de fazer café que mistura infusão com coado. O pó fica em contato com a água por alguns minutos primeiros (estilo chá mesmo, manja?), e só depois uma travinha abre e libera o café que vai sendo filtrado.

Para medir esse tempo de infusão, a Truth usa pequenas ampulhetas. Eles levam essa belezinha na mesa do cliente, e quando a areia acabar de cair para a parte de baixo? É hora de coar o café. Aí é só encaixar o método na xícara. A magia está feita.

Olha só que lindeza essa foto que fiz do meu café:

Clever e ‘cronômetro’ style, assim como tudo na Truth!

Vendo essas fotos me deu uma baita saudade desse lugar. Da vibe da equipe que trabalha ali… dos cafés, claro. Cidade do Cabo, e a África do Sul em geral, é um lugar muito especial. E você, concordou com a eleição que eu mesma fiz? A Truth Coffee é ou não é a cafeteria mais estilosa do mundo?

Consumindo localmente: cinco marcas de café pra comprar em poços

Tomar café é um ato danado de impactante. Por isso, consumir mais localmente é uma meta. Aqui vão 5 dicas de ótimos pacotinhos pra comprar em Poços de Caldas, Sul de Minas.

Tomar café é um ato danado de impactante. Um dos pilares da minha escolha é: consumir localmente. Uma mistura do ‘Think globally, act locally‘, em português ‘pense globalmente, aja localmente’, com ‘compre do pequeno’.

-O primeiro jargão gringo, traz a estratégia de pensar: ao invés de me desesperar pensando no tamanho do problema, repenso. o que posso fazer aqui, na minha casa? na minha vila? no meu pequeno alcance? Um desses problemões que vejo é gasto enorme de combustível fóssil no mundo. O que posso fazer daqui, da minha vilinha? Comprar de quem tá mais perto é uma pequena possível ação.

-Já o ‘compre do pequeno‘ é um belo slogan do Sebrae. E faz muito sentido! Dou o maior duro pra ganhar meu salário… quero escolher bem pra quem ‘repassar’ a grana. E melhor ainda se esse dinheiro for pros pequenos negócios.

Pensando nisso, quero te ajudar a repensar o café que cê tem aí no armário. Como minha vida se divide entre Poços de Caldas e São Paulo, vamos começar com o lado mineiro?

cafés produzidos perto: fortalece negócios locais! usa menos recursos do planeta (tipo gasolina, que vem do petróleo, que vem da terra….)

Cafés de Poços de Caldas

Poços faz parte de uma macrorregião produtora importante. O Sul de Minas. E, mais especificamente, é o polo da região dos Cafés Vulcânicos. (Se quiser que eu te conte mais sobre isso, deixa um alô nos comentários. Combinado?) Mas hoje quero falar sobre as MARCAS DE CAFÉ TORRADO que você encontra para comprar diretamente em Poços.

  • Café FUCA: Um café pro dia a dia! Esse pacotinho com um design lindo é produzido em Cabo Verde. Também Sul de Minas, bem pertim. E é um café que eu recomendo para quem tá começando a buscar qualidade. Por quê? Ele é bastante equilibrado! Então, esquece aquela conversa de ‘notas disso’, ‘sabores daquilo’. O Fuca é doce, e é café bom! Ainda por cima, produzido por uma família e vendido por uma mina massa! Aliás, contei a história da Sandra neste texto.
    Como comprar? Pelo telefone (35) 9 999 648 436.

  • Tradi Café: uma microtorrefação com diversos pacotinhos? Temos! A maior parte dos grãos da Tradi são do entorno de Poços. É café bão e local pra mais de metro! E sempre tem renovação. Para quem, assim como eu, ama descobrir novos sabores, é o canal!
    Quer saber mais? Também tem texto especial sobre essa marca que produz cafés de Torra fresca em pleno mercadão de Poços!
    Como comprar? No telefone (35) 99704-6930.

  • UCA: Café orgânico de produtor local. Quer mais o que??? Café de qualidade, lógico. Esses grãos são produzidos pelo Delmar Benelli (ou Tuca Mineiro). Ele produz micro e nano lotes. Ou seja, os cafés são separados em ‘pacotinhos pequenos’ ainda no campo. É tudo daqui do Sul de Minas e vendido direto pelo produtor. Massa, né?
    Como comprar? Você pode fazer pedidos no inbox do insta @ucacafeorganicoespecial

  • Âncora Coffee: Tá no auge da vida coffeelover? Ah, então você já deve conhecer a Âncora. Cafeteria voltada aos grãos especiais – às bikes? – no centro da cidade. Com uma equipe super querida e pacotinhos novos de tempos em tempos. É uma boa pedida pra garantir seus cafés frescos e aquecer o mercado local!
    Como comprar? Delivery no telefone (35) 3715-9951 ou iFood!

  • Gamers Coffee: O bônus é pra dar o play nesses cafés! A Gamers tem grãos torrados por um poços-caldense. Isso acontece lá em Franca, mas como ele é daqui – e parceiro deste blog! – os cafés vem pra cá fácil fácil toda semana.
    Como comprar? Com meu cupom EXPERIMENTAL, cê ganha 10% de desconto! É só ir direto no site deles: Gamers Coffee.
    OU se você tá em Poços, me chama aqui thais.blogexperimental@gmail.com ou no instagram @blogexperimental que te conto + como ter desconto e retirar direto aqui no centro da cidade.

Aô trem! Com esse tantão de dica, quero saber: qual você vai escolher???

Por que ter seu próprio moedor de café?

Um amigo pediu pra indicar um primeiro método. Pra iniciar a vida de coffeelover, sabe? Lembrei do V60. Da prensa francesa… da clever. Mil possibilidades! Mas aí esbarrei em: e o moedor? Já tem? Não tinha. OPA. Para tudo, vamos repensar a prioridade.

Só pra aquecer, pega essa informação: Logo depois de moído, o café perde 70% de gás carbônico. Um dos compostos mais voláteis produzidos. Essa perda pode servir como um parâmetro para determinar o “envelhecimento” do grão inteiro após a torra. Isso também pode ser uma referência de percentual de perda dos outros compostos.

Resumindo, é correr contra o tempo. Da torra à moagem. Por isso, moer na hora é uma vantagem e tanto.

Outro motivo pra investir primeiro no moedor é: cada método pede uma moagem!
Pra prensa, por exemplo, a moagem é mais grossa. No V60? Média pra fina… E se você curte um preparo árabe (vai que), vai de grão moído bem fino!

Além disso, moer o café JÁ é uma experiência! E o que é o coffeelover se não um sedento por viver coisas únicas???

É um dos meus momentos preferidos. Porque quando abro o pacote já é bom. Mas quando moo? Aí o trem fica doido. Aí, a dúvida… Por que isso acontece?

O que acontece moendo na hora

Moer é quebrar em micropedaços. Milhões deles. Assim que a gente mói, o café começa a liberar seus bens preciosos. Aromas. Gases (ué, você também libera). São os danados dos voláteis. Óleos ou gases liberados pelos café… e que dão o sabor e aroma! Ou seja, quando eles escapam… lá se vão também as delícias que queremos sentir.

Pra entender melhor isso, eu falei com a pesquisadora Michelle Amaral. Ela tem PHD em Química, e cientista de produtos naturais, alimentos, aromas e fragrâncias, e escreveu um artigo bem legal chamado “O irresistível aroma do café“. Então, ela vem com a parte técnica, e eu com a simplicidade da ´prática, certcho? 😜.

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Pra começar, a Michele lembrou que os “compostos voláteis de aroma” ou “compostos orgânicos voláteis”, começam a ‘fugir’ dos cafés ainda antes da moagem. “A etapa mais determinante para o aroma do café é a torra. Nesse momento, todos os compostos voláteis de aroma são produzidos e o odor é bastante rico e intenso, variando conforme o grau de torra escolhido. A partir daí, os voláteis começam a ser liberados dos grãos”.

A partir daí, abrem-se as portas e tudo que é aroma e sabor quer sair correndo do grão! E quanto mais contato com o oxigênio? Mais os voláteis escapam! “Podemos pensar no grão como uma “cápsula protetora” para os aromas produzidos durante a torra. O processo de moagem, portanto, destrói essa “cápsula”, aumentando a superfície de contato dos grãos com o ar e facilitando a perda dos voláteis e oxidação de lipídios, o que gera a rancidez”, me falou a Michelle.

Café moído na hora… pra quê?

Logo depois de moído, o café perde 70% de gás carbônico! Já no grão inteiro, essa liberação pode levar atééé 30 dias. Baita diferença, ein?

Fuga rápida de aromas e sabores

No caso dos voláteis de café, a Michele frisa: “Estamos falando de mais de 500 compostos”.
Esse estudo aqui conta os cafés perdem até 70% de gás carbônico (CO2) imediatamente após a moagem! Isso tudo só escapa dos grãos inteiros em até 30 dias. “A partir desse dado e considerando que o CO2 é um dos componentes mais voláteis no café torrado, pode-se ter uma noção dos tempos e percentuais máximos para a perda dos outros componentes com a moagem”, explicou a cientista.

Para ficar bem explicado, a Michelle me lembrou que “o CO2 é um gás e é volátil, mas os outros compostos voláteis não são gases. Gases e compostos voláteis são duas coisas diferentes. A importância do CO2 para a bebida está relacionada à formação daquela espuma que aparece em algumas preparações de café. O CO2 é apenas um dos compostos mais voláteis produzidos, cuja perda pode servir como um parâmetro para determinar o “envelhecimento” do grão inteiro após a torra, ou melhor dizendo, determinar há quanto tempo atrás a torra foi feita. Podendo também ser uma referência quanto ao percentual de perda dos outros compostos. Já que ele é um gás, espera-se que ele seja um dos primeiros voláteis a serem perdidos”, explicou ela.

Perguntei para a Michele o que ela acha de moer na hora do consumo. “A importância da torra e moagem na hora do consumo, no final das contas, será determinada pelo consumidor ou o local de venda da bebida. Em analogia, um barista ou um profundo apreciador de café sentirá grande diferença na moagem dos grãos na hora do preparo, da mesma forma que um chef de cozinha sempre opta por ingredientes frescos para o preparo dos pratos. Os chefs, inclusive, também costumam moer ingredientes como a pimenta do reino na hora do uso principalmente pelo mesmo motivo – o aroma”.

Então, moer é coisa de profissional? Para a Michelle, não tem uma coisa melhor ou pior que a outra. “São só expectativas diferentes”, ela disse. Pra mim, moer na hora é pra todos os amantes de café. Alguém que dedica tempo e dinheiro a esse alimento. E se você gasta mais dinheiro pra comprar um café bom… por que perder tanto dele antes de sentir o cheiro?

Vai comprar um moedor?

  • Pega essa dica: Aqui tá o link do moedor que eu uso! <- comprando por aqui, você apoia meu trampo! Tô de associada à Amazon, então quando alguém compra pelo meu link, eu ganho um cadim – e isso não encarece em nada sua compra!
    Moedor elétrico: É um modelo da Cadence. Um dos mais simples e em conta. É elétrico e mói 45 gramas por vez. E atende super bem pra preparos em casa! 🙂 Dica de ouro: quando usar esse modelo, chacoalha! haha É sério. Quando você mexe o moedor, ele deixa a moagem mais uniforme.
  • Se preferir um modelo manual: O moedor da Hario de cerâmica é uma boa. Só prepara o braço, ta? Moer é tipo musculação.
  • Quer começar com um moedor mais robusto? Esse da Philco é uma boa pedida.

Moedores escolhidos? Divirta-se!


Cê também vai gostar de ler:

Café Fuca – pra tomar o dia todo

Um pacotinho com o que a Sandra toma na roça. E que eu tomaria o dia todo. Um café para todos os dias.

Uma das maiores alegrias de estar nas Minas Gerais é provar cafés daqui. E conhecer as histórias de quem é da cidade que me acolheu e me fez mineira (pelo menos, metade de mim 😛). Assim foi com o Café Fuca, da Sandra Ribeiro. Cafézim delícia pra tomar o dia todo. Daqueles que você apresenta para quem quer conhecer os grãos de qualidade. A famosa porta de entrada para um mundo cafeinado mais leve!

Da produção cultural à rural

A produção já está na vida de Sandra há anos. Produtora cultural em Poços de Caldas, foi só depois de anos que ela se entendeu também como produtora rural. “Eu tinha um pouco de vergonha de dizer que era produtora, porque não entendi nada de café”. Mas na lavoura da família, ela já sabia que tinha um tesouro. “Quando comecei a vender o café, eu explicava que era o café que nós mesmos bebíamos, lá na roça. Esse era o slogan”, conta ela sobre quando surgiu o Fuca, lá em 2013.

A roça fica ali, em Cabo Verde, onde ela e a família produzem. “Meu pai começou no café fazendo mudinha. Ele vendia e ia plantando o dele. Meu avô também mexia com café. Mas quando fui aprender sobre qualidade, pensei: onde eu procuro sobre café? Fiquei patinando um pouco”, ela lembra ela. Até hoje o pai, seu Antônio Carlos Ribeiro, é quem cuida da lavoura. E deu pra ela um talhão especial para experimentos. “Sempre que eu conto pra ele algo novo, ele me diz: pode ir lá e fazer! É um espaço para eu testar e é de onde vem os grãos do Fuca”, conta a Sandra.

Nessa época, nascia em Poços o Âncora Coffee. Cafeteria das boas, focada nos especiais. “Fui conhecendo pessoas. Fiz amizade com o pessoal, com a Déa [dona da cafeteria]. Eles até me chamaram pra aprender lá. Fui pro balcão e aprendi sobre água, intensidade, fui entender mais sobre torra”. Uma escola prática que continuou quando a filha de produtores, que pegava seu lote e torrava ali por perto, “pela cor”, se juntou a uma amiga que se tornou mestre de torra. Aí pronto! “Ela comprou equipamentos, fez curso e ia me ensinando. Eu levava o café, e a gente fazia juntas. Um Q-Grader [provador profissional e certificado] provou meu café e vi todos os detalhes que ele encontrou. E aí meu universo se abriu!”, contou a Sandra.

Já lá em 2018, ela conheceu a Semana Internacional do Café (SIC) ao vivo. “Não sabia nem no que me inscrever, era muita coisa. Me informei, fiz cuppings, conheci o famoso Caparaó [região produtora premiada]. Voltei com a cabeça fervilhando!”. A ida ao maior evento de café do Brasil fez ela dar um gás nos ‘pacotinhos’. A caboverdense (e poços-caldense de coração) fez vários cursos. Foi mudando a identidade do café. Mas o nome, Fuca, se manteve. “É um apelido de vó”, lembra ela, com carinho.

Pra Sandra, a marca é uma expressão de si mesma. “É uma forma militância. O Fuca eu prezei para passar a mensagem que é feito por muitas mãos. É uma rede, inclusive com quem consome. Tem essa valorização do pequeno produtor, tudo feito com microlotes”, explica ela.

Nova identidade do Fuca. Mãos que fazem o alimento!

Esse ano, a marca ganhou visual novo. “Todos os desenhos foram feitos por mulheres. E o café bem feito é alimento e medicina. A repercussão do que a gente ingere, é uma medicina da terra. Com ele, aprendi a respeitar o tempo da terra”. Concordo tanto com ela! E olha essa identidade, que trem mais lindo.

Um café equilibrado

Daí, eu provei o Fuca! Tchanãn. E minhas impressões combinam muito com o que a Sandra me falou. É um café do dia a dia! Equilibrado. Tem doçura e acidez bem sussa. Daqueles fáceis de tomar em família. É essa a sensação que tive. E a família aqui concordou.

É bom pra tomar junto com: doces! Fiz ele coado na Hario V60, acompanhado de um panetone… que, olha! Delícia.

Variedade: catuaí
Colheita: manual e com equipamento
Secagem: em média, uma semana rodando os grãos no terreiro de cimento. Depois? Vai pro secador mecânico
Torra: hoje, é feita pelo Sanches Cafés
Valor: 15 reais o pacote com 250 gramas. Tem em grãos ou moído!
Como comprar? Chama no instagram @cafefuca ou no e-mail: contatofuca@gmail.com

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