5 cafeterias imperdíveis em Bogotá – Colômbia

em abril desse ano, fiz um bom rolê pela Colômbia… e, como eu já esperava, Bogotá me encantou demais. muuuita gente me perguntou sobre as cafeterias!

então, decidi criar algumas pílulas de conteúdo. aqui vai a primeira, com minha lista de 5 cafeterias incríveis de Bogotá, Colômbia. lembrando que também fiz um post sobre o tour que fiz em 1 fazenda de café na Colômbia! (e foi incrível).

agora, fique com essa lista de cafeterias imperdíveis na capital da Colômbia. e, em seguida, meu review sincero sobre cada uma.

  • Tropicália Tostadores de Café
  • Quindío
  • Divino DV Café Especial
  • Robusta
  • Jaguar

Tropicália Tostadores de Café

próximo da Zona T fica uma das melhores cafeterias que fui em Bogotá. a Tropicália Tostadores de Café entrega uma grande variedade de cafés especiais. são pacotinhos coloridos e um espaço bem ensolarado.


quando você pedir um coado ou um espresso, as/os baristas vão estar prontos pra te explicar detalhes daquela produção. tem até um encarte com foto do/a agricultor/a! achei um cuidado bem massa. e as extrações estavam impecáveis!

Além disso, as comidas são deliciosas! a gente fez um baita brunch e passou uma boa manhã por lá.

📍 Cl. 81a #8-23, Bogotá, Colômbia

Quindío

a Quindío é uma rede de cafeterias e marca de grande alcance na Colômbia.. mesmo sendo uma rede ainda acho que vale muito a pena visitar uma das unidades. eu fui até a Quindío que fica do lado da feira de Usaquén.

particularmente, eu não curti a comida. já os cafés… provamos um da linha Gran Reserva que foi bem surpreendente. eu já tinha ganhado um pacote dessa marca há alguns anos, então sabia que seria bom. e a qualidade se manteve!

📍 CARRERA 7A – #116 – 50 Bogotá D.C. Colombia

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Divino DV Café

DV, ou Divino Café é um espaço super gostosinho, em meio a universidades e o Centro histórico da cidade. o Thiago foi o barista que atendeu a gente e explicou detalheees de métodos e extração. é o tipo de cafeteria que me gusta.

tomamos um v60 de grãos bourbon vermelho. e ele serviu em taças. particularmente, fico com receio de cafés servidos assim… pode parecer meio complicado, sabe? mas enfim, estava bem gostoso. indico!

A DV é, além de cafeteria, um centro de experiências em café. eles promovem essas aulas com frequência. então, você pode ficar de olho nas redes sociais pra pegar uma experiência dessas!

📍 Cl. 12b #4-06, La Candelaria, Bogotá, Colômbia

Robusta bakery coffee

andando mais um pouco ali pelo Centro histórico mesmo… você vai ver uma portinha bem lindinha. ali fica a Robusta bakery coffee. bakery, pra mim, faz todo sentido. assim que você chega, tem um balcão com vários bolos belíssimos. e realmente, pelo menos o que eu provei, estava muuuito bom!

o preparo do café achei bem bom, apesar de não ser incrível. mas ainda assim vale a pena a visita.

📍 CARRERA 6 #10- 37, La Candelaria, Bogotá, Colômbia

Jaguar Coffee Bogotá

Na Jaguar Coffee eles se declaram ‘Productores y Tostadores de café exótico’. isso já explica MUITO sobre essa cafeteria. no melhor estilo maximalista, a Jaguar tem um espaço bem comprido e cheio de coisas e decorações diferentes.

mas não se abale com a quantidade de estímulos visuais, siga em frente… pra chegar até um espaço parecido com um laboratório. ali, você é atendido pelo barista e pode tirar dúvidas e conversar…

e encontra uma das coisas mais legais! uma bela engenhoca, onde você sente os aromas do café moído sem que ele entre em contato com oxigênio! difícil até de explicar, mas você vai conseguir ver num reels que postarei no insta @tha.experimentando.

a cafeteria fica também próxima da Plaza Bolívar e tem também: torrador, máquinas de espresso e muitos métodos de preparo. além disso, a Jaguar também tem uma fazenda. eles oferecem tours na cidade e no campo, basta consultar com antecedência.

📍 Cl. 12b #2-85, La Candelaria, Bogotá, Cundinamarca, Colômbia

quer conhecer + sobre a Colômbia?

gostaram dessa lista? nessa viagem, ainda passei por outras 4 cidades colombianas! então, assine a Newsletter e me segue no Instagram ou TikTok pra receber os novos conteúdos!

Ah, essas cafeterias todas da listinha vão estar no Kafex. esse app serve para você encontrar as melhores cafeterias próximas de você. dá pra avaliar também e ver avaliação de outros amantes de café. e lá também tem espaço com cupons e mimos, além de eventos. eu escrevo pro blog deles 💛 e indico super!

Café sustentável: a bióloga que refloresta e colhe qualidade em Andradas

A bióloga voltou para o sítio da família e investiu em qualidade e, em seguida, em café sustentável, reflorestando plantas nativas da Região Vulcânica.

conhecer lavouras de perto é sempre um ponto alto pra mim. mas chegar ao Sítio Santa Luzia foi um pouquinho melhor. é lá que a Tamires Ribeiro e seus pais cultivam cafés e tem reflorestado parte da propriedade com plantas nativas. é um trabalho que está plantando café sustentável pra colher qualidade como um dos frutos

a lavoura fica em Andradas, na Região Vulcânica. e a visita que eu fiz foi parte de um roteiro turístico que será lançado no Andradas Café Festival. Saiba mais na primeira matéria que fiz sobre esse tour: Andradas Café Festival amplia evento com novo roteiro de agroturismo

eu conheci a Tamires há alguns anos, na primeira vez que estive em Andradas. E foi acompanhando o trabalho dela que fiquei cada vez mais curiosa para ver de perto o reflorestamento e cada detalhe. E, finalmente, esse dia chegou! 

Quem é Tamires Ribeiro, do Café da Tamires 

A Tamires Ribeiro é bióloga e cresceu no Sítio Santa Luzia com os pais Berenice e Fernando. Para estudar, Tamires se mudou e só retornou à propriedade durante a pandemia. O período foi quando muitas pessoas também retornaram ao interior para passar o período de isolamento social.

lá, ela decidiu ficar de vez e entrar de cabeça na produção cafeeira. “Esse sítio sempre foi da minha família. Quando eu voltei, durante a pandemia, vi que tínhamos potencial para produzir cafés especiais e começamos a fazer os primeiros lotes de cafés especiais e comercializar torrado. Trabalhamos juntos, eu e meu pai”, contou ela durante a visita do grupo à propriedade. 

uma das principais mudanças foi quando a produtora começou um trabalho de reflorestamento que dura até hoje. Para isso, Tamires buscou mudas de plantas nativas da região e iniciou o processo em áreas próximas a um córrego que corta a propriedade. 

são árvores como jequitibá, ipê, jatobá, aroeira, pitanga, jabuticabeira e paineira. E boa parte delas está crescida já! A Tamires sempre mostra a evolução delas no instagram (@cafe_da_tamires). 

O que é café sustentável? 

a família participa da associação local, a Acafeg, e tem o selo fair trade. Ele determina uma relação de comércio justo entre produtores, trabalhadores e compradores. 

mas Tamires queria ir além do que já era requisitado pela certificação. Como bióloga, faltava para ela a recuperação de áreas através das plantas que antes habitavam lá. “Como começamos a ter outras fontes de renda, como café torrado, investimos em manejos mais sustentáveis, e nas áreas de reflorestamento. Então, foi a partir do café especial que começamos a introduzir sustentabilidade”, lembrou ela.

hoje, a família tem uma propriedade com 11 hectares de café e outra com 10 hectares. E o 1 hectare e meio de reflorestamento está para ser ampliado. “Eu sou bióloga e sempre trabalhei em sustentabilidade e agricultura. Visando isso aqui dentro do sítio, começamos não só o reflorestamento próximo aos córregos e nascentes, mas também a sustentabilidade na área de café. Trabalhamos com planta de cobertura para melhorar a qualidade do solo e ter mais matéria orgânica. Isso é para conseguirmos viver em mais harmonia não só com a produção, mas com o meio ambiente”, explicou Tamires. 

Turismo rural em uma fazenda de café sustentável 

Andradas é um município que já tem fluxo turístico alto, impulsionado por esportes de aventura como trilhas, rapel e cachoeiras. Mas a família Ribeiro tem uma forma de se destacar. No novo roteiro turístico, o papel do Sítio Santa Luzia será mostrar como funciona uma fazenda de café sustentável. E que, sim, é possível produzir qualidade adequando manejos e reflorestando. 

“Nossa intenção é começar a receber as pessoas, porque falamos tanto que fazemos sustentabilidade… e queremos agora mostrar isso na prática também para as pessoas. Para elas saberem que comprando nosso café eles adquirem cafés de qualidade, mas também ajudando a reflorestar”, destaca a produtora. 

No passeio turístico, os visitantes são convidados a passear pelo cafezal, que fica bem próximo da casa. Lá, eles ouvem pai e filha contar sobre suas experiências, enquanto avistam uma lavoura à direta, outra à esquerda, e no meio há uma nascente e córregos que vem da mata nativa no meio do morro. É lá o foco dos trabalhos de sustentabilidade. 

No reflorestamento, a bióloga trabalha com árvores nativas e frutíferas. Como ainda há vacas na propriedade, eles separam as áreas reflorestadas com cercas. A propriedade já se dividiu entre cafeicultura e manejo de gado, mas hoje a família explica que o foco é total em cafés e as vacas e outros animais no local não são comercializados. 

Para os turistas que vem de grandes cidades, porém, os bichinhos são uma atração à parte. Além das vacas, há cavalos, cães (fofos) e até pavões no sítio! 

Café Tamires: linha de cafés sustentáveis de cara nova 

achou que estava faltando alguma coisa nesse passeio? Uma degustação, por exemplo! pois é óbvio que não vai faltar. Em uma clareira charmosa, a família montou uma mesa cheia de delícias e, claro, café coado na hora. 

os turistas vão provar delícias como diferentes bolos caseiros, doce de leite mineiro. e, claro, levar um pacote do Café da Tamires. a nova linha de cafés sustentáveis dela, aliás, está com embalagem renovada. 

“Nós montamos essa embalagem e temos uma parceria de torra. A Mariana Nakagawa também auxiliou com essa parte de embalagem e visual”, contou a produtora.

Os pacotinhos têm o nome da variedade cultivada e cores diferentes para cada perfil sensorial. Tem cafés que vão lembrar mel e avelã tostada, outro com notas de mel e laranja. E ela vende também online. Mas, sinceramente? Se tiver a oportunidade, vá presencialmente. Conhecer essa produção e entender sobre como é possível produzir café sustentável é uma delícia!

Aliás, os roteiros começam no Andradas Café Festival desse ano. Procure pela programação que já foi liberada, que vale a pena esse passeio.

Perguntas frequentes sobre café sustentável 

Qual o impacto ambiental do café? 

O impacto ambiental do café vai depender muito do manejo feito na lavoura. E, claro, de como esse alimento é processado nas outras etapas da cadeia: a indústria, o comércio, as cafeterias e supermercados. No caso da lavoura, quando a produção tem manejos como a cobertura de solo, a produção de outras culturas próximo ou em meio às linhas do cafezal, tudo isso ajuda a diminuir o impacto ambiental. 

O que é café ecológico ou sustentável? 

Café ecológico é um termo um pouco amplo, assim como café sustentável, por isso não existem certificações ou parâmetros certeiros sobre ele. Alguns manejos podem ser considerados ecológicos, como: produção orgânica, ou uso consciente de fertilizantes e outros produtos, agricultura sintrópica, agricultura regenerativa, entre outras.

Andradas Café Festival amplia evento com novo roteiro de agroturismo

a cidade de Andradas já é rota de turistas de diferentes tipos, mas o café e a agricultura vem ganhando cada vez mais espaço. dá pra entender o motivo só por essa foto que abre a matéria? eu fiz ela nos dias que passei nas terras andradenses, nesta lavoura que tem vista para a Pedra do Elefante. é de emocionar!

lançamento do Andradas Café Festival

a organização do Andradas Café Festival organizou um café da manhã na Cafeteria Reduto para lançar a edição deste ano e anunciar a nova data. o evento vai acontecer de 1 a 4 de maio de 2025.

mas uma das principais novidades é que, nesse ano, além de exposição de marcas e palestras, o festival vai para o campo! isso vai acontecer através de um novo roteiro turístico que foi estreado pelo grupo de jornalistas em que eu estive.

a ideia é mostrar na prática como é a agricultura e as paisagens locais. só para se ter uma ideia, as propriedades de café de Andradas tem de 12 a 15 hectares em média. o vinho, outra estrela local, também é de base familiar. e, claro, em torno disso estão produções artesanais de doces, queijos, bolachas e artesanato.

além disso, a cidade tem pontos turísticos de natureza que incluem o Pico do Gavião, a Pedra do Elefante, Pedra da Cruz, Pedra do Pantano, que ficam localizadas na Serra do Pau D’Alho. vem ver os detalhes desses lugares no roteiro a seguir.

novo roteiro de agroturismo de Andradas

em 2022, eu fiz um tour cafeinado bem massa por lá também, mas o passeio não era oficial. agora, esse roteiro vai ser oferecido já durante o Andradas Café Festival desse ano! então, já anota e se prepare porque é muita coisa LINDA pra ver incluindo:

  • café;
  • vinho;
  • gastronomia local;
  • música andradense;
  • turismo de natureza.

Café na Pedra da Cruz

nosso roteiro foi acompanhado pelas explicações e companhia das incríveis Camila Barbosa, gerente de Desenvolvimento Econômico e Agrário de Andradas, e Dalva Sasseron, engenheira agrônoma especializada em agricultura sintrópica e cafés especiais. e a Desbravar Turismo levou a gente para tomar um café nas alturas da Pedra da Cruz. pega essa vista maravilhosa:

sinceramente, imagina que delícia provar um café especial produzido em Andradas e extraído pela Mariana Nakagaw lá no altooo! e, além disso, o que deu um toque especial a esse momento foram as músicas que o cantor Anderson Martins tocou pra gente.

ele é um artista da cidade e tem composições lindinhas sobre Andradas e o café. e, claro, tocou clássicos da nossa música na viola de cabaça. coisa de emocionar mesmo.

foto: Gabriel M. Teixeira | Andradas Café Festival

Passeio na vinícola da Casa Geraldo

um tour com direito a degustação de vinho. tivemos essa experiência e ainda ganhamos taças personalizadas lá na Casa Geraldo, que foi lançada no ano de 2.000. a origem da marca, no entanto, é bem anterior.

na década de 60 o fundador começou a produzir e, anos depois, percebeu que a hospitalidade podia ser seu diferencial e passou a receber turistas na propriedade. e assim é até hoje. um espaço de produção e turismo famoso em toda região.

o passeio passa pelo parreiral de uva Shiraz, onde aprendemos sobre método dupla poda que possibilitou o cultivo de uvas que produzem os vinhos finos da chamada “colheita de inverno”. esse é um dos destaques, aliás, já que antes a região só conseguia produzir vinhos de mesa e foi essa técnica que revolucionou a agricultura local.

no tour, em meio à lavoura tem degustação de oito vinhos diferentes, entre secos e suaves. no final, acontece também uma harmonização com queijos de Minas e o azeite Extra Virgem da Casa Geraldo (incrível também!). a produção de oliveiras deles no local ainda não teve colheita, mas a empresa tem lavoura em Divinolândia, de onde vem a matéria para fazer o azeite.

só não esquece de ir tomando água entre uma taça e outra. eles vão te dar uma garrafinha no início do passeio, então beba mesmo. é sol na cabeça e vinho na mão, então hidratação é o mínimo. 😅

Gastronomia típica de Andradas

nos dois dias de tour, a gente foi abastecido com comida local da boa. começamos provando simplesmente um prato que é reconhecido como patrimônio cultural andradense. o Virado de Frango! preparado no Taverna Restaurante, ele pode levar coxa, moela e até coração de frango. o caldo é feito com floco de farinha de milho e os relatos é que este prato tem origem na comida de tropeiros que passavam pela região antigamente. eu amei.

e a noite? uma pizza? não sei se dá pra dizer que foi ‘só’ uma pizza, porque que trem maravilhoso que a Pizzaria Tradicionalle faz. as pizzas são artesais, assadas em forno à lenha com massa com longa maturação. a de abobrinha foi a que mais me ganhou, com um recheio suculento e saborosa demais. (mas deixe espaço para a pizza doce de banana com chocolate branco, vai valer a pena!).

ah, o último almoço foi no Mirante of Dreams, com uma comida caseira delícia e a seguinte vista:

Visita aos cafeicultores e cafeicultoras

no dia seguinte, esse mega passeio seguiu com a World Adventure Tur. e a gente foi visitar uma das associações de produtores que eu mais curto o trabalho, a Associação dos Cafeicultores do Bairro Gabirobal (Acafeg). eles trabalham com fair trade, o comércio justo. e desde quando os visitei pela primeira vez, tem expandido e crescido!

o café é incrível e a qualidade é um dos focos, mas o que eu mais valorizo ali é ver o empenho deles em oferecer conhecimento para as cafeicultoras e cafeicultores e contribuir com a comunidade como um todo.

só pra ter uma ideia, além do salão para reuniões e eventos, a Acafeg tem um laboratório de provas de café… e uma sala de pilates! sim, eles construíram esse espaço pensando na saúde dos associados, que trabalham nas lavouras e precisam ter esse tipo de cuidado com o corpo ainda mais reforçado. mas o serviço também é oferecido à toda a comunidade local.

e hoje, entre os cerca de 30 alunos, a maioria é de não-associados, contou a Aline Benevene, que cuida do administrativo da cooperativa e é filha do Seu Sebastião Benevene, presidente da Acafeg.

tá achando que acabou? pois a gente ainda foi conhecer de pertinho o Sítio Santa Luzia, da Tamires Ribeiro. mas essa história é tão bacana que eu vou deixar para contar em um texto todinho dela, tá? fica de olho no meu insta @tha.experimentando e assine [de graça] a Newsletter Experimental para saber em prima mão quando o texto for publicado!

*eu viajei à convite da organização do Andradas Café Festival e fiquei hospedada no Hotel Delainn, no centro da cidade. Vale fazer reserva com antecedência, porque turistas visitam a cidade o ano todo.

SIC 2024: 10 novidades que vi no mercado de café brasileiro

você sabia que o maior evento de café na América Latina acontece no Brasil? a Semana Internacional do Café (SIC) já tá na 14ª edição e acabou de acontecer entre 20 e 22 de novembro, em Belo Horizonte (MG). como ainda tá tudo fresquinho, trouxe aqui um apanhadão com 10 novidades do café na SIC 2024. preparados?

vamos de décima participação na SIC! muitas vivências e aplausos – e algumas críticas

10 novidades bacanas do café que vi na SIC 2024

  1. 👩🏾‍🦱 curadoria com dia dedicado a diversidade: esse golaço é fruto de trabalho e insistência de MUITA gente! entre essas pessoas, a Dandara Renault, que é fundadora do Maloka Kofi Lab e fez a curadoria do primeiro dia da SIC e incluiu (única e exclusivamente por vontade própria) uma intérprete de LIBRAS durante as palestras. é um legado que agora vai ter que rolar em todo evento!
  2. 🌳robustas do Acre: pra mim, essa foi a grande novidade da SIC 2024! eu já imaginava que os cafés produzidos em Rondônia podiam estar ultrapassando os limites do estado… mas fiquei surpresa com o estande imponente que as produtoras e produtores rurais do Acre tiveram já na sua primeira vez do evento. Cerca de 70 cafeicultores integram a caravana amazônica, além de técnicos, extensionistas, professores, pesquisadores e comunicadores.
  3. 💛café laurina: a variedade em si não é novidade, mas o laurina agora tá disponível torrado e vendido por uma cafeteria brasileira. sou fã do Gabriel Agrelli e é ele quem tá por trás dessa linha com a Abigail, cafeteria dele em Campinas. o que tem de especial? a laurina tem, naturalmente, até 50% menos cafeína no fruto do que em outras variedades de café arábica.
  4. 🇧🇷 moedor brazuca: ou seria moeneira??? a marca brasileira walls lançou este ano o modelo moeneira MOW! Ela conta com um sistema único em que a moagem vai acontecendo junto com o peneiramento, garantindo um melhor controle do tamanho do grão moído. pra isso, eles tem diferentes tipos de peneira que o consumidor vai trocando para ter o pó mais grosso ou mais fino. o forte deles é o custo benefício e eu, particularmente, gosto da qualidade de outros produtos que já testei e uso.
  5. 🍾espumante de café: se tem um estande onde cê pode ir todos os anos e vai sempre encontrar café bom e invenções alcoólicasss, é o estande de Cabo Verde! quem traz as inovações de birita é o Henrique Palma, do Café Mãe Cota, que já tem uma bela cachaça, inclusive! a Assprocafe também tem grãos de todos os perfis e até café do jacu, com a marca do Café Corrego Fundo. dá uma espiada nessa terrinha aqui no texto sobre cafés especiais, cachaça e doces mineiros de Cabo Verde.
  6. 📖 lançamento do livro sobre as IGs brasileiras: o título “A Revolução do Café Brasileiro – Regiões com Indicação Geográfica” foi lançado nessa SIC e reúne imagens e entrevistas de 14 regiões brasileiras produtoras de café com IG. um marco importante pra ter nossa história registrada. lá foi vendido por R$100,00.
  7. 🏆café robusta 100 pontos: o Projeto Tribos, da 3Corações, que inclui a venda de pacotes de café robusta amazônico produzido por indígenas brasileiros, também tem uma premiação. acontece que este ano a marca divulgou que um dos cafés do concurso Tribos teve uma nota de 100 pontos (valor máximo), na avaliação de um juiz profissional. “É a primeira vez que tenho chance de pontuar e reconhecer um café robusta exemplar 100 pontos”, foi o que disse Silvio Leite, head judge da premiação e referência no mercado nacional.
  8. 🍵 chás: se minha memória não me engana, é a primeira vez que vi expositor relacionados a chás na SIC, que foi a Namu Matcha. acho bastante interessante essa aproximação entre mercado de café e chá, porque tem muito em comum: preparos, sensoriais e, claro, públicos em potencial. ah, e eles tão mesmo se aproximando do mercado de cafés, porque também participaram do Poços Coffee Week, que cobri esse ano.
  9. 👥blend de arábica e conilon: duas das maiores cooperativas do País, a Cooabriel e a MinaSul, estão construindo um projeto bem massa juntas. na feira, eles levaram um blend das variedades canéfora, produzido pelos capixabas, e arábica, dos agricultores mineiros. ainda em fase de testes, a ideia foi justamente oferecer a degustação para recolher feedbacks do público.
  10. 👁️‍🗨️Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial de Café Torrado: nome grandão pra um tema bem importante. a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) criou esse protocolo e tem divulgado, como fez na SIC. acho bem importante, já que muitas notas que a gente vê nos pacotinhos são de avaliações feitas antes da torra final. ou seja, será que você tá mesmo tomando café de 90 pontos? ou ele já teve 90 pontos em outro momento e não mais agora? 😖

outros anos da SIC

a, como essa é 10ª vez que acompanho de pertinho a SIC, já tem texto por aqui de outro Tour pelo que vi de incrível na Semana Internacional do Café 2019. e em breve sai reportagem especial que fiz este ano para o site Conexão Safra.

pra saber de outras matérias que faço como freela, acompanhe lá no insta @tha.experimetando!

o que ainda não vi na SIC, mas quero ver na próxima edição

  • remunerar mediadores e palestrantes: espero – e deixo minha crítica aqui – que a SIC passe a remunerar quem faz o conteúdo desse mega evento acontecer. para quem não sabe, palestrantes e mediadores não recebem para levar conteúdo e debate aos palcos, à exceção são pouquíssimos (e badalados).

    infelizmente, em 2024 a organização regrediu. nem mesmo passagens ou estadia foram oferecidas em diversos casos. triste. falando enquanto jornalista e mediadora em outras edições, e convidada pra mediar esse ano, esse foi um trabalho qu recusei. obviamente, se é trabalho não há motivo para ser de graça em um evento deste porte, com tanto patrocínio e ganhos.

campeões do COY, Florada e Campeonato de Barista

  • Coffee of the Year: O café do Sítio Campo Azul, do Caparaó, em Divino de São Lourenço, produzido por Paulo Roberto Alves, foi o grande campeão da categoria arábica, com 90.25 pontos. Já na categoria canéfora, o grande campeão foi o café do Sítio do Pedrão, em Jerônimo Monteiro, produzido por Antônio Cezar Demartini Landi, com pontuação de 86.42.
  • Florada Premiada: a vencedora foi Sônia Aparecida da Silva Moreira, Sítio Pernambuco, de Caputira (MG).
  • Campeonato Brasileiro de Barista 2024:  Emerson Nascimento, da Coffee Five, do Rio de Janeiro (RJ), conquistou o primeiro lugar.

o evento dura três dias e reúne gente do país todo e exterior. esse foi um apanhado geral, mas super vale a pena se aprofundar em alguns dos temas anteriores. sobre quais você gostaria de ler?

aproveita e já se inscreve pra receber, gratuitamente, as Notas Experimentais, uma cartinha que envio por e-mail contando o que sai por aqui em primeira mão 🙌🏼 (além de cupons e outras indicações bacanas).

Poços de Caldas Coffee Week: 7 combos para provar no festival

essa é a primeira vez que o festival, originalmente chamado Brasil Coffee Week, acontece em Poços. saiba como foi a experiência de visitar sete cafeterias participantes. 

até o dia 24 de novembro a Poços de Caldas Coffee Week está aquecendo o circuito de cafés especiais da minha cidade querida, no Sul de Minas. à convite da organização, eu provei sete dos 20 combos oferecidos nas cafeterias participantes! (amo meu trabalho ou sim?). 

essa é a primeira edição do festival gastronômico em Poços! ele reúne cafeterias, confeitarias e panificadoras para que cada uma crie um menu de valor fixo de R$25. Os menus incluem comida e bebida, mas cada um foi uma surpresa. 

o tanto que eu me esbaldei desse tour… fiz todas as cafeterias em 2 dias! haja cafeína no sangue 😛

teve salgadão + coado on the rocks; salgado + doce + coado; doce grandão + café gelado; porçãozinha + cappuccino… enfim, a especialidade de cada casa em uma curadoria massa. 


Processando…
Sucesso! Você está na lista.

cafeterias para visitar no Poços de Caldas Coffee Week 

no total, são 20 cafés participantes, o que me impressionou muito… mesmo conhecendo o potencial de Poços na cena, foi surpreendente perceber a quantidade de lugares com cafés de qualidade! muitas casas novas surgirem. e muitas tradicionais estão, agora, com café especial! que lindo ver essa evolução. 

O festival vai até dia 24/11, então tanto quem é da região, quanto turistas podem aproveitar finais de semana e feriado (São Paulo), para visitar!  

quer saber onde tomar o combo de café em Poços de Caldas? vem saber da experiência e dos menus que eu provei:

Nita Padaria Artesanal 

combo: café coado + financier + pão de queijo. a bebida é feita com grãos do café Mourisco, uma marca de produtor local que eu estava doida pra provar.

e valeu super a pena. o pão de queijo é um mix de queijinhos, cheiroso e delicioso! e o doce eu provei o financier de pistache, que estava bem suave. 

Café Sete Quedas 

combo: café coado na V60 + bolo gelado + folhado. O café é feito na própria fazenda da dona da cafeteria. muito gostoso e ornou super com o folhado de alho-poró que escolhi. e o bolo gelado de doce de leite? de dar água na bocaaaa.

o ambiente é amplo e delicioso. já as comidas desse combo são um pouco menores, então se vier em dupla peça mais comidinhas para complementar. 

Âncora Coffee House 

combo: focaccia recheada + café do dia gelado. café de qualidade, já habitual na Âncora que é referência em grãos especiais na cidade. Eles também estão usando café Mourisco (do Pedro Lotti) e a torra é do Gamers Coffee (que sempre indico aqui e tenho cupom de desconto EXPERIMENTAL. pode usar que vale a pena!). 

A focaccia também tava delícia e bem servida. Aqui vale a pena vir com tempo porque a cafeteria é bem movimentada, o que pode gerar um pouquinho de demora na entrega do pedido. 

Panedota 

combo: cold brew + croissant de coco com doce de leite de corte regional. Café extraído a frio, o cold brew estava delicoso. como já foi feio gelado, ele segue sem derreter o gelo e é a melhor opção no calorão! A massa do croissant é incrível, trabalho da padeira dona da casa.

Só achei que o doce de leite estava meio durinho e acumulou de um lado só (logo na minha vez haha, porque sei que a qualidade ali é boa e acredito que foi uma experiência pontual). 

Casa do Colono 

combo: Capuccino trufado + pão de queijo com pernil. Um dos combos mais diferentes e que atrai até quem não é focado em cafés especiais. O cappuccino é mais focado em quem gosta de uma bebida com café, mas bem adocicada. (caiu super bem, já que sou uma formiguinha), e o pão de queijo com pernil de-li-ci-o-so!

Vale a pena só consultar antes para saber se está disponível, ou se tem tempo de preparo maior. no dia em que fui aconteceu de ter uma diferença entre a entrega do cappuccino e do pão de queijo, até por isso as fotos são separadas.

Cafétopia 

combo: drip coffee ou cold brew + toast de queijo canastra, mel e castanha + fatia de bolo de iogurte com cobertura de limão. a foto que abre esta matéria do combo do Cafetopia. pensa em um combão! vale a pena ir com fome lá, porque o combo deles vale muito a pena! 

bolo de fundo, cold brew em destaque! e a foto de destaque deste texto mostra também o toast de queijo da canastra com mel. huuuum…

eu provei o cold brew e ele estava mais encorpado do que as outras bebidas geladas que provei no festival. Minha fica é prová-lo junto com o bolo de iogurte com cobertura de limão. o toast de queijo canastra estava diviiino. O café é feito na propriedade da família, também no Sul de Minas. 

Prosa & Café Gourmet  

combo: café filtrado no método koar + bolo de café. Uma grata surpresa chegar no shoppig da cidade e encontrar um lugar com várias opções de cafés especiais. O combo do festival estava bem gostoso!

cafezão e bolo! tudo que eu queria pra terminar esse mega tour.

O café é feito com grãos da propriedade dos donos também e foi filtrado no Koar, um método brasileiro e lindão. Também gostei bastante do bolo de café com chocolate. Docin!

As outras cafeteria participantes do evento são: Art Café, Bold Bloom, Café Concerto, D’Gust Confeitaria e Café, Doce na Roça, DuckBill Cookies & Coffee, Floricitá Café, Lascaux Chocolates Rústicos, Lyla Café,  Rotina Café Galeria, Sower e Tradi Café.

vale lembrar que a cada 5 combos, o consumidor pode concorrer a um kit para coffeelovers. se for nas cafeterias, você pode pedir um cartãozinho para os cafés ire carimbando a cada visita.

a Poços de Caldas Coffee Week também contou com workshops sobre cafés especiais e chá. O festival originalmente se chama Brasil Coffee Week e tem chegado a diferentes cidades do país. 

Serviço 

Cardápio completo e programação do festival: www.brasilcoffeeweek.com.br 

Valor de cada combo: R$25,00

Instagram: @brasilcoffeeweek 

descubra mais sobre cafés em Poços e no mundo

se você chegou por aqui recentemente, saiba que escrevo sobre café desde 2014! então, por aqui neste blog e no instagram @tha.experimentando tem muito conteúdo! alguns que selecionei para você começar são:

café especial em Monte Belo: descubra o potencial da região

Monte Belo: cidade com cafés especiais e potencial pra crescer na área.

frutas vermelhas, como morango e amora.  e imaginar que isso tudo estava no café especial de Monte Belo. nas notas da bebida que a família que eu visitei produziu!

lá no alto de 1.200 metros de altitude, as lavouras da família Adolfo venceram o 3º Concurso de Qualidade da Apcemb, a Associação dos Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região. foi com esses produtores que eu fiz um pequeno tour, e vou contar agora o que vi: 

o café especial em Monte Belo 

o município fica na região do Sudoeste de Minas. e, há cinco anos, os produtores se uniram para focar no que muito me interessa: café especial em Monte Belo

foi por causa do trabalho da Apcemb que eu fui fazer esse pequeno tour pela cidade! Monte Belo faz divisa com outros municípios conhecidos pela cafeicultura, como Cabo Verde, cidade que eu conheço e adoro! 

se tem uma coisa que eu amo é viajar para novos lugares. por isso, topei na hora conhecer Monte Belo. lá, acompanhei o concurso e também consegui conhecer a propriedade, vejam só, da família que acabou vencendo a premiação! 

sou pé quente sim, e essa história vai provar: 

Luz da Serra: café especial feito em família 

a produtora que me buscou na rodoviária e me levou para conhecer Monte Belo foi a Bianca Caldas Adolfo! entusiasta dos cafés especiais por ali, conhecer ela me ajudou a ver porquê a cafeicultura de Monte Belo está crescendo.

a família dela cultiva cafés de alta qualidade na Serra Escura, bairro local. e nas alturas: o ponto mais elevado ali gira em torno de 1.200 metros. de lá, saiu o café natural vencedor da Apcemb (85,25 pontos na escala da SCA) e o vice-campeão em Cabo Verde (com 86,68 pontos).

Foto: acervo Bianca Caldas

“Se eu conseguir vender as sacas da minha família a um preço melhor, já será uma realização”, contou ela, que aposta e trabalha pelo café especial na região. 

mas quando era mais nova, a Bianca não se interessava por cafeicultura. só depois, trabalhando com lingeries, outro setor importante para Monte Belo, que ela despertou para o potencial dos cafés especiais.

em uma das reuniões com o Sebrae, Bianca ouviu sobre o incentivo para produtores se unirem visando qualidade.

“quando ouvi que iam criar uma associação para cafeicultores, pensei na hora no meu pai. falei que também tínhamos interesse de participar. dali para frente, fui aprendendo sobre a qualidade e que trabalhar com cafés especiais poderia ser melhor inclusive financeiramente”. 

a Bianca é filha do José Gervásio Adolfo e da Roseli Caldas Adolfo, e irmã da Letícia Conceição Adolfo. os pais sustentaram a família com o trabalho no campo. porém, até poucos anos atrás, não tinham ainda seu próprio pedaço de terra. 

só quando começaram programas governamentais de incentivo a compra de terras por pequenos agricultores é que a família decidiu tentar dar esse passo. a compra acabou saindo de forma direta e é até hoje motivo de orgulho para eles.

Foto: acervo Bianca Caldas

“foi com muito esforço, e ajuda que ele agradece até hoje, que meu pai comprou nossa lavoura. incluindo o ponto mais alto de onde veio o café que ganhou o concurso”, disse ela.

a Bianca, que também trabalha com pedagogia, me contou que a família já criou uma marca para seu café. é o Luz da Serra! “esse nome é porque os tesouros vem de onde há luz”, me contou ela.

a família segue produzindo nas alturas e secando os cafés no terreiro que fica em frente à casa. tudo feito com cuidado e trabalho coletivo, inclusive os processos pós-colheita. e assim é com a maioria dos agricultores da associação.

Produtores de Cafés Especiais de Monte Belo e Região 

em apenas cinco anos de existência, a Apcemb, já tem uma estrutura que me surpreendeu. a sede da associação fica no centro da cidade e já conta com salas de prova e de seleção dos cafés, torradores de amostra, sala de reunião… um baita capricho! 

sede da Apcemb: bom demais ver produtores investindo em qualidade e em conhecer seus próprios cafés. fotos: Thais Fernandes

e com a orientação do Sebrae, os agricultores tem se envolvido em cada etapa da construção dessa marca deles. a grande vantagem da associação, pra mim, está justamente na marca que eles criam juntos. assim, quando o café de um produtor da Apcemb é exportado, ou ganha um prêmio, todos eles são elevados juntos.

foi sobre isso que eu falei durante a cerimônia de premiação deles. Fui lá na frente pra parabenizar a organização e o trabalho coletivo. porque eu vejo, na prática, como isso funciona!

eu e a Bianca durante a minha visita ao cafezal dela & família! foto: Thais Fernandes

como eu disse no evento:

quando um produtor da cidade tem um café reconhecido, todo mundo ganha. Porque o consumidor vai lembrar “o café de Monte Belo é incrível”. e sempre que ver um outro café com essa mesma origem, a tendência é confiar na qualidade! 

por isso, fazer o marketing e comunicar o que se está produzindo é tão importante. e isso a própria cerimônia de premiação já mostrou. nesse ano, o concurso cresceu e eles apostaram em tornar o evento uma festa para a cidade como um todo. na minha opinião um grande acerto!

além do anúncio dos campeões, o concurso também teve um cupping para quem quisesse experimentar os cafés finalistas. fotos: Thais Fernandes

hoje, a Apcemb tem 22 associados que produzem em 16 propriedades diferentes. como o nome já diz, os agricultores são tanto de Monte Belo quanto de municípios próximos. 

o café da família Caldas Adolfo, por exemplo, fica no bairro da Serra Escura, um lugar bem pertinho da divisa de Monte Belo e Cabo Verde. e é com as imagens lindíssimas do sítio deles que eu fecho esse texto, cheia de vontade de encontrar cada vez mais cafés de Monte Belo nas minhas andanças por aí! 

Monte Belo: e coloca BELO nisso! (tunduntssss). Foto: acervo Bianca Caldas

bônus: dúvidas sobre café especial e Monte Belo  

quais são os cafés especiais? 

caiu de paraquedas aqui e quer saber o que são os cafés especiais? te explico! existem diferentes categorias de qualidade de café. o café especial é aquele produzido de forma sustentável, incluindo ambientalmente e socialmente.

na definição de café especial também é preciso que esses grãos tenham nota acima de 80 pontos na escala que vai de zero a 100 pontos e foi criada pela SCA (sigla em inglês para Associação de Cafés Especiais). 

idealmente, esses grãos especiais também devem seguir outros critérios, como rastreabilidade. isso quer dizer que quando chegar ao consumidor, a gente ainda precisa saber a origem daquele café, quem produziu, onde e quando. 

onde fica Monte Belo?

Monte Belo fica próximo a cidades como Poços de Caldas e Alfenas. o município faz parte da região do Sul de Minas. já em termos de café, as regiões reconhecidas são Sudoeste de Minas (que Monte Belo faz parte) e Região Vulcânica (bem próximo).

Qual região de Minas tem o melhor café? 

pergunta de 1 milhão de dólares! e a resposta, claro, não existe. qual região de Minas tem o melhor café vai depender de qual o tipo de café que cada consumidor busca. além disso, são tantos detalhes que influenciam um café especial que, também se alternam os vencedores de prêmios de qualidade. 

o fato é que Minas Gerais é o estado que mais produz cafés no Brasil. só os mineiros produziram cerca de 29 milhões de sacas de 60 quilos em 2023. o dado é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 


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Desinformação hypada: conteúdo e café feitos rápido demais

vamos falar de criação de conteúdo? e de desinformação hypada e precarização no café?

já fez um café correndo, com a moagem que apareceu na frente, tacando a água de qualquer jeito? e provou como fica depois? então, vamos falar de conteúdos feitos desse jeitinho.

começamos com exemplos práticos dessa desinformação hypada (e precarização) e, depois, a gente vai se aprofundar, combinado?

  1. coar café com uma fatia de bacon (ou qualquer comida que achar). 
  1. termos técnicos jogados e ‘fermentações’ milagrosas. 
  1. compartilhar conteúdo histórico com erros básicos. 
  1. precarizar profissionais de conteúdo = não pagar por palestras, mediações, parcerias e afins. 

1 – Trends bizarras: colocar bacon e outras comidas no café coado 

Isso dá visualização. E como dá! Mas alguém acredita que faz sentido coar um café com uma fatia de bacon junto

Deve ter quem acredite, sim. E até quem goste. Eu tinha um amigo que comia linguiça com leite condensado e adorava. O ponto, então, não é gosto. Mas, sim, o desespero por likes. 

Eu e criadoras que eu admiro (como a @PuraCaffeina) recebemos sempre mensagens diretas (DMs) compartilhando esse tipo de vídeo. Não é nosso estilo. Por que, então, as pessoas compartilham? Pelo absurdo. Pela vontade de dizer: “olha isso, que bizarro”. 

especialista em café. será?  

Eu te respondo: não. Isso não é ser especialista em café, isso é estratégia de crescimento com base no absurdo.

eu sei que é tentador compartilhar as doideiras, masss você pode muito mais! por isso, compartilhe e salve posts de quem estuda e quer democratizar o acesso ao café como alimento de qualidade.

formas de criar conteúdo 

existem diferentes estratégias para criar conteúdo. o modo turbo dos virais requer velocidade. o que muitas vezes significa sair passando a bola pra frente sem pensar. como naquela brincadeira da ‘batata quente’, sabe?

só que todo conteúdo traz uma informação. pode ser através da música, do texto, da fala, da dança… enfim. nenhum vídeo, foto ou post, mesmo os mais rápidos, vem num ‘vácuo’. afinal, é conteúdo. 

por outro lado, tem estilos mais ‘slow content‘. aqueles criadores que aparecem vez em quando, sem necessariamente seguirem trends. um conteúdo que muitas vezes tem aquela carinha de ‘acordei assim’. toda naturalzinha. e esses? bom, eles também tem uma mensagem. mesmo os que parecem mais ‘despretenciosos’. 

e, por fim, chegamos aos conteúdos especializados. ou naqueles que são lidos como especializados. é mais ou menos por aqui que quero estacionar com vocês. bora dar uma olhadinha de perto? e, claro, focando no nosso café de cada dia? 

2- fermentação (nem nada) sozinha não faz verão 

mais uma pequena polêmica. falar ‘difícil’ ou usar termos hypados também é estratégia.  

eu tive um professor que dizia “escrever difícil não é escrever bem”. e é exatamente nisso que eu acredito! só que usar termos técnicos pode, sim, passar uma imagem de ‘especialista’. e quando a pessoa só joga as palavras por aí, sem conhecer mesmo, acaba sendo só enganação.

um exemplo bem atual é falar de fermentação – baita assunto complexo – como se fosse a tábua de salvação de um café. “Ah, tal café é fermentado, por isso é tão bom”.

gente, fermentação pode ser feita de várias formas. é complexo e é caso de saúde. se você é produtor, busque cursos com quem sabe realmente sobre isso. não faça correndo, sem estudar, só porque estão pagando melhor. e se tu é consumidor, vai com calma. confia no seu paladar mais do que nos coachs. 

3 -compartilhar conteúdo histórico com erros básicos. 

é o seguinte, todo mundo está sujeito a errar. isso tá claro. mas produzir visando só os likes… sem pesquisa, sem embasamento, sem noção até (rs)… é muito diferente de errar tentando acertar.

isso acontece em todas as áreas do conhecimento e divulgação. inclusive no café! mas, por favor, se você se propõe a ser criador de conteúdo/influencer… estude. pesquise. diga de onde veio aquela informação. é o mínimo.

se a ideia é informar, e não levar desinformação hypada, pesquisa é só o começo. q é uma delícia, vai por mim. eu amo fazer! se quiser, me contrate 🙂 

4 – você apoia grandes eventos que precarizam profissionais de conteúdo e nem sabe 

uma palestra incrível. um painel com uma baita mediação e convidados que trouxeram muita informação da boa! 

e todos esses trampos não são remunerados. já imaginou? nem precisa. essa é a realidade na maioria dos grandes eventos do café. e eu estou falando de eventos grandes mesmo, tá?

os Mestres de Cerimônia dos campeonatos, por exemplo. já perguntou para algum deles como tá o pagamento pelo trabalhão que dá apresentar uma disputa tão específica?

melhor: vamos começar a perguntar aos organizadores dos eventos:
-Quanto você paga para trazer conteúdos bons? (evento que cobra entrada, cobra espaço de exposição e tem patrocínio, viu).

se a resposta for que não pagam nada, ou pagam muito mal, há algo muito estranho no reino do café especial… concorda?


mais conteúdo em vídeo, foto e algumas reflexões em @tha.experimentando

Como fazer café árabe e o que ele tem de diferente

Para saber como fazer café árabe tradicional, entrevistei uma barista da Arábia Saudita. Ela contou o que esse método tem de diferente do café turco.

Para saber como fazer café árabe tradicional, entrevistei uma barista da Arábia Saudita. Ela contou o que esse método tem de diferente do café turco. 

Café árabe é um dos métodos mais antigos do mundo. Também chamado de qahwa (ou kahwa), que significa ‘café’ no idioma árabe, essa belezinha é cheia de tradição e características próprias no preparo e no sabor. Te conto aqui como fazer café árabe e o que ele tem de diferente dos outros métodos de preparo.

Essa jarra linda é a Dallah, utensílio árabe para o preparo do café. Créditos da foto: ©Sara Alali/That Coffee Shop

O que é ser árabe, afinal?

Antes de mergulhar no método, vamos dar uma pincelada na definição de ‘árabe’ como um todo? Árabe é uma etnia e um idioma. Ser árabe é fazer parte de um povo, e uma das principais definições deles é justamente o idioma árabe clássico.

Quer conhecer mais sobre café? Siga meu perfil no instagram @tha.experimentando.

Mas mesmo dentro dos países tem muita diversidade! Como jornalista, eu escrevi e entrevistei muitas pessoas dessas nações para a agência onde trabalhei, a ANBA. Por isso acabei aprendendo e entendendo um pouquinho sobre esse tema tão complexo.

Existe inclusive uma Liga dos Estados Árabes, que inclui 22 países. Sabia dessa?

Ah, e o alfabeto árabe é diferente do que nós usamos (alfabeto latino). Por isso, a forma de escrita deles é transliterada para as nossas letras. Só assim a gente consegue ler! Mas, por causa disso, acabamos tendo maneiras diferentes de escrever a mesma coisa. Tipo qahwa e kahwa!

O que o café árabe tem de diferente?

O método do café árabe começa bem antes do preparo. Na torra a gente já vê a diferença. Em geral, o café árabe tem uma torra bem clara. Isso pode variar um pouco de um país para outro, já que são 22 nações e muita diversidade. 

O que se mantém sempre é a moagem ou granulometria. Ou seja, o tamanho e como os grãos são moídos. O pó do café árabe é sempre bem fininho. Isso é necessário porque no método árabe o pó vai direto na água fervente e não é filtrado. Daí, com o pó mais fino, ele vai ter mais contato com a água e decantar lá para o fundo. 

Também é muito comum adicionar especiarias ao pó do café. Dá-lhe cardamomo! Mas também pode ter açafrão e muitas outras. 

P.S: Lá no final do texto coloquei um passo a passo para fazer o café árabe! 

Entrevista com Sara Alali, barista árabe

Com um tema tão amplo e cheio de história e cultura, eu quis falar com alguém que vivesse o café árabe de fato. Por isso, entrevistei uma barista incrível e árabe! 

A Sara Alali é barista e treinadora de barismo na AArábia Saudita. Ela também é dona da cafeteria That Coffee Shop, que fica em Riad, capital saudita. Ah, e também é campeã saudita no preparo de café turco (calma, hoje ela vai falar do árabe e até falar das diferenças entre eles). 

Com vocês, Sara Alali:

Sara Alali, barista e treinadora de barismo que dá aula para homens e mulheres da Arábia Saudita. Créditos da foto: ©Sara Alali/Acervo Pessoal

Thais: -Como é a torra do café árabe? Ele é torrado mais claro do que o turco?

Sara: O café árabe é preparado da maneira tradicional na Arábia Saudita é sim torrado em uma escala mais clara em comparação com o que chamamos de ‘café turco’ aqui na região.

Thais: -E dentro dos diferentes países árabes também existem diferenças? Eu ganhei, por exemplo, um café árabe e um libanês e a cor é diferente.

Sara: Isso depende da região e da cultura. O café árabe pode oferecer coisas diferentes para pessoas diferentes.

Thais: -E as especiarias? Eu sei que o café árabe geralmente usa muito cardamomo, por exemplo. 

Sara: Também depende da região e da cultura local, na Arábia Saudita usamos cardamomo inclusive no preparo turco. 

No café árabe (café preparado aqui na Arábia Saudita) usamos principalmente açafrão e cardamomo. Mas na região sul do nosso país eles adicionam mais especiarias, como gengibre e, às vezes, sementes de endro. Já na região Oeste algumas pessoas acrescentam mástique. Na região Norte a torra é mais escura. E na região central as pessoas acrescentam mais cardamomo. 

Thais: -Queria que você falasse mais sobre os utensílios. O Ibrik é turco, mas também pode ser usado na preparação árabe? E a Dallah, que é um pote árabe, como é usada no preparo? 

Sara: O ibrik (o pote) tem nomes diferentes em diferentes regiões do Oriente Médio, alguns o chamam de kanakah, Rakwah, Cezve, Zajwah. Todos são potes pequenos com alça longa, usados para preparar no máximo 1 a 3 xícaras e é o que chamamos café turco

Já a Dallah é um pote árabe de metal de quase um litro com bico longo. Tradicionalmente, nós temos 3 tipos. O primeiro é para ferver o café, o segundo é para adicionar os temperos e o terceiro geralmente mais sofisticado é para servir. 

Hoje em dia as pessoas simplificaram e usam apenas uma dallah para ferver e preparar o café e depois decantam em outra para servir. 

E normalmente você também pode usar nossas xícaras, chamadas finjan. Elas têm um formato específico e não tem as alças. 

Como fazer café árabe: passo a passo

Confira um passo a passo para fazer seu café árabe (e adaptar o que for preciso para fazer em casa): 

  1. Moa o pó bem fininho (ou compre já moído, fino também).
  2. Separe a água filtrada que vai levar ao fogo. Se tiver uma Dallah, lindo! Se não, pode usar sua leiteira habitual. (Sugestão? 1 litro de água)
  3. Se tiver comprado um pacotinho já com as especiarias moídas junto ao pó, maravilha!
  4. Se não, adicione as especiarias que quiser (pelo menos um cardamomo vale comprar pra tornar a experiência mais rica, ein?).
  5. Adicione o pó antes de ligar ou fogo, ou assim que a água ferver (Se quiser uma sugestão: 2 a 3 colheres de sopa – cada uma com cerca de 10 gramas).
  6. Leve sua dallah ao fogo e quando começar a ferver retire para não derramar.
  7. Repita por 3 vezes, deixando a água se manter na temperatura alta (mas sem derramar, né? :P) por cerca de 10 minutos.
  8. Tire o café do fogo.
  9. Se já estiver usando a Dallah, ou tiver reservado a sua para esse momento, a hora é agora. Se não tiver nenhuma por aí, vale escolher uma jarra que tenha o fundo mais largo um bico mais fino, ou pelo menos menor do que a base.
  10. Com seu recipiente com a base mais larga do que o topo, isso vai ajudar o pó do café a não cair na xícara na hora de servir.
  11. Deixe o pó do café decantar por cerca de 2 minutos.
  12. Agora, sirva com cuidado. Você pode usar xícaras comuns, ou uma finjan.
  13. Aprecie seu café! (no final da xícara ainda deve ficar um pouco de pó, então é melhor evitar virar a xícara no final).

Quer ouvir mais sobre essa história, em vídeo? Assista o reels que preparei sobre o tema:

Café árabe e café turco: é tudo igual? 

Os preparos de café árabe e café turco tem muitas semelhanças… mas não são a mesma coisa.

Para começar, é importante explicar que quando se diz ‘café árabe’ ou ‘café turco’, a gente está falando do método de preparo. Mas um pouco mais que isso. A forma que aquele determinado povo criou para fazer seu café também inclui utensílios próprios, o tipo de torra e de moagem e toda a simbologia por trás desse preparo. 

Por isso, o próximo texto aqui será sobre o preparo de café turco e seus utensílios, como o ibrik. Já assina a newsletter para receber por e-mail sempre que sair do forno esse texto novinho! 

Etiópia [parte 2]: como é visitar Sidama, região produtora de café!

depois de boas horas de carro, cheguei aos cafezais no Sul da Etiópia. e que escolha incrível! foi uma aventura memorável na região produtora de Sidama. vem comigo!

ei, antes de ler esse texto… vale a pena visitar a primeira parte da aventura.

agora sim, vamos lá!

de 5 a 6 horas de carro. é o tempo que leva uma viagem da capital, Adis Abeba, até a região de Sidama, no sul do país. mas, pra mim, o tempo passou muuuito rápido. com certeza isso foi por conta das longas conversas com o Assefa, o guia que me acompanhou, um dos homens mais inteligentes que já conheci. e mais animados também! Assefa falava muito, tanto quanto ria. gargalhava.

-você teve muita sorte de encontrar esse guia, viu? – me dizia o guia de Sidama (ou Sidamo, você pode encontrar as duas grafias). e ele estava mais do que certo! (já indiquei aqui a agência de turismo com qual eu viajei, se quiser o contato direto, e mais dicas, fala comigo por aqui @tha.experimentando!)

no caminho, eu vi dromedários! indústrias, casas… passamos por planícies e paramos para eu avistar os três maiores lagos da Etiópia. tudo isso enquanto a paisagem seca ia dando espaço, aos poucos, pra uma região mais alta e úmida.

finalmente, chegamos na cidade de Yirgalem, onde ficava o hotel e a vila de produtores que eu visitaria no dia seguinte. tudo bem próximo a uma área de floresta, e dos lagos Woyima e Gidawo.

você consegue encontrar o macaquinho nesse registro que fiz já em Sidama? 🙂
Fotos: Thais Fernandes©

o hotel charmoso e aconchegante

já ia entardecendo… e um friozinho bom veio quando chegamos no hotel. e que hotel! pense num lugar charmoso. era perto da cidade o suficiente para ouvir os cantos religiosos de lá à noite. e longe o suficiente para ouvir cada passarinho durante o dia.

a Lâmila, uma das funcionárias de lá, me recebeu com um copão de suco natural de manga fresco! aliás, tudo que ela cozinhava era fresquinho e delicioso. ela também foi é a coffee lady de lá. ou seja, a responsável pela cerimônia do café ☕🖤. (Sobre essa cerimônia eu vou falar em um post especial. me segue no instagram para saber quando for lançado!)

tudo fresquinho! e muitas frutas à vista!
Foto: Thais Fernandes©

enfim, teve janta farta, com direto à cerveja. e uma fogueira pra conversar e ser bem recebida demais! (e ouvir as hienas, ao fundo, chamando umas às outras)… além de mim, vi uma família e um grupo de japoneses hospedados por lá também.

ah, e eu não ia ter um quarto. eu ia ter uma morada toda pra mim! como se fosse um chalé, meu quarto era na verdade a reprodução das casas tradicionais de Sidama.

casas do estilo de Sidama

fiquei fascinada quando o Assefa me contou que existe toda uma tecnologia ancestral na construção das casas de Sidama. primeiro, elas são feitas principalmente com um tipo de bambu. material resistente e flexível ao mesmo tempo. na estrada, eu vi várias pessoas trabalhando nas tramas de bambu, aliás.

era uma casa assim que o meu quarto do hotel reproduzia. na verdade, além do telhado em bambu, a decoração era toda feita de itens produzidos ali por artesãos de Sidama. coisa linda de ver!

o quarto por dentro/ e por fora. um primor esse hotel!
Fotos: Thais Fernandes©

nas casas originais, as famílias acendem fogueiras para cozinhar lá dentro e a fumaça ajuda a selar o teto. por isso, os moradores locais só precisam trocar as tramas de década em década. elas seguem muitos anos resistentes a chuva, sol, ventos… tecnologia!

e ainda por cima tem uma trama bem linda, que lembra bastante o formato de algumas teias de aranha. tem um termo na arquitetura que se chama biomimética, que é a técnica de ‘imitar’ formatos e soluções da natureza na hora de construir. eu vi bastante disso por lá.

olha só esse vídeo, que explica bem o processo de produção dessa casa:

informações importantes:

separei aqui uma listinha que coisas importantes pra você saber. e bem específicas para a região de Sidama:

  • clima: um friozinho bom demais. foi assim que amanheci em Sidama. a região ali tem uma altitude de cerca de 1.700 metros;
  • seca: quando estive lá, em fevereiro, o país passava por um período mais seco. apesar disso, pegamos chuva na estrada (mas eu costumo atrair chuva em viagens, rs);
  • idioma: a Etiópia é país diverso pra caramba e isso inclui os idiomas. lá a língua de trabalho é o amárico, mas nem todo mundo vai falar essa língua. no caso de Sidama, muitas pessoas falam apenas o idioma homônimo, o Sidama;
  • guia local: por causa de ‘detalhes’ como o do idioma, é importantíssimo ter um profissional local! no meu caso, a agência já tinha contratado um, que fez a tradução inclusive para o Assefa.

ainda quero falar sobre comidas da Etiópia. nossa! um prato cheio (literalmente, rs). sobre a visita à casa de uma produtora de café de Sidama e sua famíia!

mas já contei também sobre ARRUDA NO CAFÉ! siiim, vale muito a pena ler também, tá?

e, óbvio, em breve (algum dia) falo só sobre a cerimônia do café! então, me aguardem que virão novos textos sobre esse país rico e maravilhoso. enquanto isso, assine minha newsletter e receba as novidades por seu e-mail:

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

listão de cafés pra se esbaldar (e comprar) no Sul de Minas

é atualização de lista com os melhores cafés para comprar no Sul de Minas que vocês querem? então toma esse listão do que comprei e amei🥳!

(e chama no insta @tha.experimentando para conferir esses @s e um reels com o top 5 de cafés para diferentes níveis de amantes dessa bebida boa demais!)

  • Acafeg – essa associação de produtores de um bairro de Andradas tem marca própria. e com café beeem torrado. lindo de ver! e de tomar.
  • Café Especial da Tamires: essa produtora de Andradas tá mandando cada vez melhor! fiquem de olho! e encomendem pacotinhos dela (que tá bem bonitos).
  • Café Goulart: produzido pelo Ivan Santana e família, em Cabo Verde. o Ivan é produtor e um mestre de torra de mão cheia! (inclusive, vencedor de um prêmio para torrefações). imagina se não vale cada grama do que ele produz e torra?
  • Café Mourisco: é uma bebida que me surpreendeu! desses cafés que poucas vezes eu encontro por aí… e produzido em Poços!
  • Café Podestá: para começar com doçura lá no alto! um belo café chocolatudo, que eu amei tomar.
  • Gamers Coffee: novos cafés! aqueeeela qualidade que, na moral, tem em poucos lugares. sempre falo, porque é meu parceiro, mas acima de tudo porque é bom demais mesmo. (e tem desconto com o cupom: EXPERIMENTAL).
  • Coopfam: se perguntam de cafés orgânicos, eu sempre indico essa cooperativa de Poço Fundo. e, além de orgânico, é especial e delícia. confia!
  • Cafés diversos da Assprocafé: essa associação de Cabo Verde tem muitos produtores com pacotinhos diferentes. e uma opção incrível de drip coffee com os cafés campeões do concurso mais recente. vale a pena demais provar!

Consumo local

quem já acompanha este blog sabe que consumir localmente é uma baita prioridade por aqui. quanto mais pertinho, menor a logística do produto até você. mais se valoriza o produtor/torrefador/indústria da região. e mais barato pode se tornar o café de qualidade!

outra coisa que priorizei na lista foi dar espaço para marcas pequenas, cooperativas e agricultores que se arriscam na empreitada de industrializar sua produção. todos entraram porque são bons! e porque eu acredito nesses trampos.

e aí, o que mais você incluiria nessa lista? sei que preciso muito conhecer iniciativas de outras cidades, como Alfenas, Lavras e por aí vai… então vamos crescer essas sugestões, comentando!