Como é que eu fui amar uma semente torrada {vulgo café}?

Em casa, sempre teve. Com açúcar direto na água fervida, tá? Na faculdade, era pra todo lado. Café na cantina e nos estágios. Pra sustentar. Acordar. Mas minha amiga e parceira de casa ganhou uma cafeteira italiana. Aí, meus amigos, descobri que não entendi bulhufas de café. Como funcionava aquilo? A água de cabeça pra baixo. O pó no meio. E pensando bem… Como, afinal, a água extraía cafeína de uma fruta? A fruta, que foi seca. Uma semente que foi torrada. Moída, triturada. Como raios aquilo era a bebida preferida do brasileiro???

Toda hora é hora pra mais café!

Bom, o processo foi lento. Essa cafeteira italiana nunca soube o que é um café bom feito por essas mãos. Mas um dos meus melhores amigos viu. Não café, claro. Mas viu potencial em mim! Ou só uma vaga de emprego mesmo. ‘Revista Espresso’. Hum, parece bom, né? Parecia. E eu me candidatei. Até fiz entrevista! E… não passei.

A surpresa é que alguns meses depois, a diretora da Café Editora me chamou. Aqui, se você não conhece a Mariana Proença (rainha do café), VALE MUITO SEGUIR. Bom, a Mari me escolheu pra uma vaga muito especial. Assumir o CaféPoint. Um portal voltado para agricultura. Não podia ter um espaço melhor pra me apaixonar pelo tal do fruto. Que seca ao sol, ou em secador mecânico. Que fermenta – e isso pode ser tudo de bom! Que passa pelas mãos de toda uma família. E vira a tal da semente torrada. E moída. E extraída… muitas vezes na cafeteira italiana. Degustada!

Foi desse jeitinho que eu comecei a amar café. E ser jornalista. Tudo ao mesmo tempo. E bem misturado. O comecinho desse papo… e lá se vão seis anos.

[Mas como eu saí do campo e caí direto atrás de um balcão? E passei a admirar cafeterias e baristas? Ah… esse é outro papo. Outro aprendizado. Outros laços… Fica pra próxima história]…

Prensa francesa: fazendo café, leite cremoso e chá

Quer um método coringa? Prensa francesa! Dá pra fazer café, leite cremoso e chá!

E eu tô apaixonada pela minha! O modelo é simplão. Mas ela já quebra um galhão! Nessa quarentena, tô morando em Minas. Privilégio! E decidi me dar um método novo de café! Quem não tá precisando de um auto-carinho, né?

Minha prensa é neste modelo aqui: Cafeteira Francesa Pressão French Press Inox E Vidro 600 Ml. (Se for comprar, vem por esse link que você ajuda a manter esse Blog vivo e cheio de conteúdo bão! E não custa nadica a mais pro cê 👩)


Escolhi a prensa francesa ~ a famosinha french press ~ por 2 motivos.
1- Deixar o filtro de papel de lado um cadim. Economizar $ e gerar menos lixo!
2- Café bom e certeiro. Simples, sabe? Bem pique preguiçosa mesmo. E? A prensa cumpriu seu papel!

Massss para dar dicas melhores ainda, perguntei pros queridos do Âncora Coffee House como fazer um cafezão da prensa! Eles inclusive vendem esse método, para quem morar em Poços. (chega no direct deles e conta que veio pelo Blog Experimental 😍).

Prontas pra testar as dicas do Âncora para café na prensa?

-Thais: Qual é a moagem ideal para prensa? O que as pessoas podem entender como moagem grossa? Um bom comparativo é a textura do ovomaltine, por exemplo? Ou sal grosso?

-Âncora: A moagem ideal pra french press ou prensa francesa é a grossa. Similar ao sal grosso sim, ótimo comparativo.
Mói mais grosso pra que não passe na peneirinha que o método possui.



-Thais: Em casa, muita gente vai moer com moedor elétrico tipo Cadence (que é meu caso). Tem algum dica para esses casos? Tipo, moer balançando o moedor para ficar mais uniforme?
ÂncoraEsse moedor realmente não é tão preciso por conta dessa dificuldade na regularidade com as moagens. Nesse caso eu moeria balançando sim, e parando em segundos pra olhar como está. Até chegar no desejado.

-Thais: Quanto tempo vocês recomendam para infusão?
ÂncoraO tempo de infusão na prensa não tem uma receita certa. Utilizamos de 4 a 7 minutos de infusão. Dependendo do que o grão pode oferecer e do gosto de cada um. Mais leve, mais intenso.
A french press é um método bem resistente no sentido de que você pode acertar muito mais do que errar o processo de extração. Deixamos mais tempo em infusão quando queremos extrair mais corpo sim do café.

Cházinho na prensa:

Não é chafé, mores. É chá mesmo. Uma camomila pra aguentar as notícias diárias desse País. Coisa básica. E, adivinha? Dá pra fazer na prenssaaaa!
O Âncora, inclusive, tem uma linha de chás!

Thais: Como são os chás que vocês tem?

Âncora: Servimos aqui os chás chineses, lá da Chaye de São Paulo. São chás bem naturais e selecionados.

Thais: A mesma medida do café vale para o chá? E o tempo de infusão?

Âncora: Poderia sim ser feita a infusão do chá na prensa.
Aqui usamos 3 gramas de chá para 150ml de água quente, a 85graus
Como esse chá possibilita mais infusões com a mesma erva, começamos a primeira infusão entre 1 minuto e 5. Aumento 1 minuto em cada infusão seguinte.

Eu testei um cházinho aqui na minha prensa. E DEU BOM! Mas quero logo comprar esses do Âncora para experimentar ❤

 

Leite cremoso na prensa

Bora para mais uma utilidade da prensa? Minha mãe ficou apaixonada por essa! Dá pra fazer leite cremoso! Dá aquela aerada, manja? Leite fofo. Macio. Fica um aconchego em forma de bebida.

 

Para fazer eu coloco leite até a metade da prensa e vou apertando o pistão pra cima e pra baixo. Nesse movimento já dá pra ver o leite ‘crescer’ o volume. 

É ele ganhando espaço e ficando cremosinho. Já testei com leite frio ou quente e funciona dos dois jeitos 🙂 Quando deu um volume legal e vejo que a textura tá bonita, TCHARÃM: Tá pronto!

ALERTA: Em um outro papo com a Julia Fortini, da Academia do Café, ela me lembrou que a prensa é delicada. Então, “Cuidado para não fazer muuuito e acabar estragando sua prensa”. Tá dado o recado. Palavra de barista campeã de Brewers 2020 (competição de preparo).

Não sei vocês… Eu que não vou exagerar no leite e acabar ficando seu meu café. 👀😂

Orgânico, feminino e macio. O café produzido pelas mulheres da Coopfam

Café macio??? Sim! Exatamente isso. Ou melhor.. não tem nada de exato. É muita história envolvida.

Uma das coisas mais difíceis para mim é sentir o corpo do café. Mas nesse café que recebi da Cooperativa de Cafeicultores de Poço Fundo… ficou clara a sensação do café se espalhando na língua… Um abraço! Foi isso que senti no Café orgânico Feminino da Coopfam.
A percepção é muito pessoal, sabe?  👀👃👅 E eu acho que depende também da gente prestar atenção. Fazer essa busca. Essa pergunta. ‘O que eu tô sentindo?’. Pra mim, o que bateu foi o cheiro. Depois, o gosto: o frescor. Uma sensação de bebida macia. Que enche a boca!

E é incrível ver que é um produto feito da luta de mulheres. 👇
 
Frutinhos de café sustentável crescendo lá em Poços Fundo x Eu feliz com minha xícara cheiiia
Esse pacotinho que provei é fruto da luta das mulheres da cooperativa. Elas criaram um núcleo para discutir suas próprias pautas. O Mobi – Mulheres Organizadas Buscando Independência, onde dividem experiências na plantação de seus cafés, e em artes que fazem usando a palha e a borra.

Como um todo, a Coopfam é feita por agricultores familiares lá de Poço Fundo. Sul de Minas! E são focados em manejos sustentáveis e produção orgânica. Eu estive lá em 2017, quando escrevi uma reportagem para a Revista Espresso (Espia aqui a ‘Raízes da Terra‘).

Uma das produtoras que conheci lá foi a Vânia Silva.
E muitas, mas muitas paisagens de dar fôlego novo pra gente

Acredito muito no trabalho deles. Tanto no manejo orgânico, quanto na visibilidade conquistada pelas mulheres ali. E desse encontro, veio toda doçura que eu provei na xícara. Não é incrível? 
Me empolguei e falei um cadim disso nesse vídeo no Instagram.

Deu vontade, né minha filha? E ainda tem outro café nessa linha, feito em manejo sustentável. E muito mais no site da Coopfam. Viva a cafeicultura familiar, o cultivo orgânico e as mulheres unidas.

Cupping: o que é a prova profissional de cafés – e como ‘testar’ em casa!

 
O tal do cupping. E a invenção da prova em casa😋☕. 
Eu e meu irmão estamos em casa, bem sussas… e pensamos “por quê não montar uma mesa de prova?”. O incrível CUPPING.
Mas, calma. O que raios é cupping??? Bora trazer pro português! Cupping é exatamente isso: provar café, só que de um jeito profissional. Isso tudo é feito pra entender as características daquele grão. É doce? E o corpo? Aroma? Merece quantos pontos em determinada escala? É um trabalho incrível, muito comum em cooperativas. Vem aaantes das marcas comprarem. Bem lá no início. Assim, os cafés vão sendo classificados e ganham títulos, como o de especial.


Os provadores profissionais trabalham pra não deixar passar nada. Tá vendo a maneira como as xícaras estão dispostos na mesa ali na foto do início? Triângulo! Sim. Isso é uma das técnicas. A moagem do café? Pensada pra isso! E as tais colherzinhas? Feitas especialmente pra prova! ☕

E o que mais é levado em consideração?
-São escolhidas algumas amostras de cafés diferentes para serem provadas.
-A torra dos cafés é feita para ser a mesma para todos.
-A moagem também precisa ser igual.
-A disposição das xícaras na mesa. Triangularmente, lembra?
-A ordem para provar os cafés… e muitcho mais!

O que os provadores analisam?
-Visual na xícara;
-Aromas, antes e depois de colocar água;
-As infinitas possibilidades de sabores!
Ou seja, é trampo sério. Inclusive, por conta da danada da pandemia, a forma de fazer o cupping mudou. Se liga nessa matéria da Revista Espresso explicando timtim por timtim.

Maaaas aqui nesse caso – como as brincadeiras fazem o mundo mais interessante – virou uma forma incrível pra testar seu sensorial. E fazer a quarentena mais divertida.

Dá pra fazer em casa?

Dá, sim, pra brincar em casa! Claro que fazendo belíssimas adaptações! 🤗 E quem estuda cupping profissionalmente mesmo é o Douglas.
Maaas, se você é um #coffeelover nível hard (tipo eu), já é hora de ir pra testes avançados 😛.
Irmãos que provam unidos permanecem unidos 😎💥


Você vai precisar de:
-Xícaras!
-Colher (nem grila de procurar uma profissional, porque aqui a ideia é brincar, beleza?). Ou, sem colher, se você preferir fazer o café coado normalmente.
-3 cafés diferentes!
-1 moedor (ou quando comprar o café, pedir pra moer do mesmo jeitim 😉 )

Aqui, usamos cafés INCRÍVEIS da Gamers Coffe. Eles vendem 3 perfis diferentes, e tão com uma promoção: cada pacote de 250g sai por 25 reais. Se comprar com eles, manda uma mensagem no inbox dos meninos dizendo “VIM PELO BLOG EXPERIMENTAL” e fortalece nóis! (Mora em Poços ou SP e quer comprar o kit com os 3? Me manda inbox que tenho uma surpresa 💖).
Então, com seus utensílios e cafés em mãos: BORA!
Separa uma mesa e um lugar tranquilo. Mói seus grãos da maneira mais parecida possível, deixando eles mais grossos (se for usar a colher). Tipo:

Perceba que a perfeição não existe kkk mas a experiência é o que vale!


Agora, hora de pegar o pote que sua mãe usa para servir pudim, OPA quer dizer, sua xícara de prova. Você coloca cada café em um deles. Formando aquele triângulo. Por que? A ideia é ir fazendo um zigue zague. Analisa o primeiro café, que está na base, depois o que está no ‘topo’ do triângulo, e acaba no 3, que também está na base.

A ÁGUA FERVENDO! Deixa ferver, amiga. Busca a água, e despeja em cada uma das xícaras até ficar quase cheio.

Tenta não derrubar, como nós derrubamos. Mas se derrubar, a vida segue normalzinha, viu.


E vamos começar esse zigue zague! Com a colher, “quebramos” essa cobertura que fica por cima, sabe? E fomos tirando os grãos mais grossos que sobraram.

Feito isso, começamos sentindo o aroma. E, por fim, com a colher de novo… tcham tcham… a prova! A dica, que já recebi de alguns provadores, é: Faz como se estivesse tomando sopa quente.

Depois de provar cada café, os profissionais… bom, eles cospem em outro copinho separado só pra isso. Mas isso é porque eles provam dezenas por dia. Já pensou aquilo tudo de cafeína? Pois é. Mas, quando eu gosto de um café, tomo mesmo. Sou dessas. 💁

Eu curto anotar as coisas que sinto para ver minha evolução. O aroma, pra mim, ainda é muito complexo. Mas a ideia é curtir os sentidos! É um jeito de relaxar e ouvir nosso próprio corpo. Sentir um sabor e lembrar do momento que provou aquela fruta, ou sentiu aquele cheirinho de flor. Huuuum… e mais uma desculpa pra ir tomando uns cafés bons. ☕

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Vamos conversar mais? Bora trocar experimentações no Instagram: @blogexperimental.

Mini horta caseira nesta quarentena – passo a passo!

Pra desacelerar a ansiedade nesta quarentena… resolvemos fazer uma mini horta caseira! 🍀😻🌱

Sim, o mundo tá numa daquelas descidas desenfreadas na montanha russa que ninguém quis entrar. Fiz uma listinha, inclusive, pra tornar essa quarentena mais solidária (clica para conferir).

E agora, chegou a hora dela. A nossa, que saudades, estimada saúde mental. Eu, como ansiosa de carteirinha e deprêtendenciosa, venho criando estratégias de sobrevivência.

Uma das mais legais foi fazer uma mini hortinha! E, senhoras e senhores, eu lutei por ela. Meu pai é um amante do campo. Já teve horta aqui em casa, quando tínhamos espaço de terra de dar gosto. Mas agora, cabou-se chão de terra. Tudo é acimentado ou com piso frio. E minha brilhante ideia (pra mim, sempre foi brilhante), causou espanto. “Quer plantar onde? No vaso? Não cabe nada aí”.

(Lembramos aqui que essa revolta com meu minimalismo não é de hoje. Em São Paulo, plantei um pé de café. Bem no meio da sala. Se não der fruto? Vai ser meu bonsai, ué. Chique. Diferentão. Café).

Bom, depois de muito resmungo, convenci meu irmão a participar da horta.

Vamos ao passo a passo da mini horta em casa! Usamos:

  • Terra de um campão que o ele leva a cachorrinha dele pra passear.
  • Uma jardineira que ninguém usava e as pedras britas que já estavam nela.
  • Terra de melhor qualidade que estava abandonada em vasos inutilizados aqui em casa.
  • Mudas de alface da Vida Rural Agropecuária. Para quem tá em Poços de Caldas ou Palmeiral: fica a dica!
  • Sementes de couve, também da Vida Rural!

Montamos a hortinha assim:

  • Espalhamos as pedras britas no fundo da jardineira. Elas vão servir para drenar o excesso de água!
  • Ah, a jardineira tem furinhos no fundo. Dá uma olhada se seu vaso também tem, tá? Importante pra não apodrecer as raízes das plantinhas.
  • Terra do campão no fundo. Ela é mais argilosa.
  • Terra melhor por cima! Proporção meio a meio entre as duas terras.
  • Molhaaaa tudo e prepara a terra com um adubo orgânico: casca de ovo triturada + borra de café. Mexe a terra e o adubo vai por baixo. Lembra de tampar o adubo com terra, pra não juntar moscas.

E aí é só abrir as covinhas e plantar suas sementes ou mudas! Na embalagem vem bem explicadinho a distância que você pode dar entre uma muda e outra. Nossa alface deve estar boa para colher em 30 dias! 💚 Quem já estou super animada? 🙋. No caso de sementes, pode demorar até 60 dias.

Olha o vídeo com a finalização:

Ah, escolhe um lugar que bata sol. E que seja bem facinho de você ver sua hortinha e lembrar de regar!

Café por uma quarentena solidária

Embora a quarentena ainda seja um privilégio… a gente pode fazer a nossa parte para torná-la mais solidária.

Café em casa/ #ficaemcasa


Cursos on-line

Pura Caffeina. A Gi Coutinho é barista, jornalista e dona de pequeno negócio. O Pura Caffeina faz entregas e cursos! E tem curso online especial! Essa é a MELHOR hora para fortalecer!
A Gi contou: “Criei um curso que são dicas em meia hora, personalizado, para você preparar seu café em casa com os utensílios que tem. Vou falar sobre medidas, temperatura da água, tudo pra ficar bem gostoso esse café da quarentena! ❤ É por Whats ou Skype, o que preferir. Mas um bom jeito pra gente se ver".
Para conhecer e comprar: www.puracaffeina.com.br

Benfeitoria

As cafeterias pequenas precisam pensar em como se manter, mesmo fechadas. O Astronauta Café lançou uma vaquinha on-line no site Benfeitoria. O projeto ‘Ao Infinito e Além’ é um sistema de café pré-pago. A cafeteria montou 5 combos! Tem, por exemplo, pão na chapa + espresso / pacotinho de café + ecobag. Os valores vão de R$10 a R$50. 👽

Quem ajudar, garante seu combo para retirar depois que a crise passar. E ajuda agora a manter o negócio aberto! E outras cafeterias, como a Cupping Café também estão com vaquinha on-line!

Café coado… na sua porta

Aqui em Poços de Caldas (MG) (onde tô passando minha quarentinha), a Âncora Coffee House está fazendo tudo por delivery! Essa galera é ciclista e estão eles mesmos entregando de bike + frete grátis na região central de Poços. De pacotinhos a café coado. Se liga no número para pedidos: (35) 37159951.

Entregas até quando der…

A Revista Espresso é mara! E fez uma lista de pequenos cafés no Brasil todo! E estão fazendo entrega para se sustentar!
Acesse o post da Espresso e contribua! Bora comprar do pequeno?

Conteúdo para degustar e APOIAR

Aliás… aproveite para consumir e apoiar produtores de conteúdo de responsa!
-Podcast COFFEA, colabore aqui ó.
Revista Espresso, assine aqui ó.
-Podcast PuraCaffeina.
-E, por quê não, esse bloguinho que vos escreve? 🙂 Instagram: @blogexperimental.

Curso de Barista do Santo Grão: do zero a ser capaz!

Há alguns meses, fiz pela segunda vez um curso de Barista Básico! HÃN? Duas vezes o mesmo módulo? Sim! Eu podia dizer que sou de Peixes, mas só sou doida mesma. Na primeira vez que acompanhei esse curso, eu trabalhava na comunicação do Santo Grão.

Lá, eu vi o trabalho do barista de um outro jeito. A ponta final desse linha do café. O dia a dia, os clientes. O olho no olho. Vi como pode ser apaixonante! Científico e matemático. E pé no chão. Todos os sentidos à postos.

Mas eu nunca tinha me permitido realmente parar de ver e FAZER. Acompanhei a aula… mas com a cabeça pensando no que escrever… e não em viver o ‘ali’.

Agora, tive uma experiência completamente diferente. E aqui vão as dicas de uma aprendiz de barista de segunda viagem:

Mão na massa!
Esse módulo tem três dias de conhecimento. E muita mão na massa! Por isso eu curti tanto. Escrevo sobre café há anos, mas quando você tá de frente a uma máquina de espresso… é ooooutra coisa. Por isso, indico dar uma pesquisada. O curso que você tá pensando em fazer tem teoria e prática?

Atenção para o agora
Você já meditou? Para mim, viver é meditar. A cabeça começa a viajar… e você percebe. E se lembra do que está vivendo neste momento. E volta para o momento. E o ciclo segue… é a tal da busca pela atenção plena.
Aprender a extrair um espresso, é muita atenção plena! A ideia da presença, inclusive, já foi uma das filosofias do Santo Grão. Acho que para muita coisa segue válida. Inclusive, nos cursos.
Escolher bem para confiar
Tem muitas escolas massas por aí… mas qual delas tem Keiko Sato? Dá pra ver o brilho no olho dessa japinha a cada aluno com quem ela troca experiências! Ela é professora dos cursos do Santo Grão. Cuidadora da qualidade dos cafés da rede. Barista chefa. Mestra de torra. Ufa
E tem uma coisa que eu considero primordial em uma professora. Tranquilidade. Ela dá uma segurança pros alunos, sabe? Sobre a possibilidade de tentar de novo. E, aos poucos, se apaixonar por café também. Maravilhosa. E minha amigona! (E, cara, eu escolho bem meus amigos, visse?).

Tudo é novo
O café é um trenzinho. Planta. Semente. Bebida. Polpa. Casca… É bom se preparar para ampliar sua ideia sobre tudo isso. E aproveitar ao máximo cada um destes três dias! Faz…faz de novo! O bacana do curso do Grão é que cada um vai ter tempo de colocar a mão na massa mesmo. E tirar dúvidas. Calma e se joga!

Treine e treine e treine
🙂 Como a Keiko diz, se você já trabalha em cafeterias… aproveite para colocar o máximo que conseguir em prática!

Eu, por exemplo, estava segurando a xícara de um jeito totalmente desconfortável nos primeiros dias. Veja meu semblante de sofrimento kkkk Ainda bem que a gente pode melhorar com o treino 🙂


Ei, psiu! Tem + conteúdo aqui ó: https://www.instagram.com/blogexperimental/

Jardin do Centro – café, plantinhas & preço justo

A louca das plantinhas. E dos cafés! As definições de ambiente delicioso foram atualizadas.

Quer combinação mais amorosa que um café cheio de plantinhas? Eu quero! E a Jardin do Centro acertou! Já fazia tempo que queria conhecer essa cafeteria, que também é loja de plantas. Ela fica pertinho do metrô Higienópolis. E é um baita passeio de domingo bão.

Preço justo pra café delicioso

Bom, além do verde e da cafeína, a Jardin ajustou recentemente seus preços… pra baixo! Vi o anúncio no Instagram e me chamou bastante a atenção! Não é todo dia que uma empresa resolve cobrar menos, certo? A ideia deles é preço mais acessível pra receber mais gente, mais vezes. Me gusta.

O café coado que tomei – e estava muito bom! – custou apenas R$3,50.
O método foi Melitta. Aquele coador clássico nosso de cada dia. E os grãos são do Café do Centro, da linha Origens. Eles também tem espresso (3,50), cold brew (7), prensa francesa (9) e cappuccino (6). Hum, já quero voltar pra provar outro dia.

Delícias da casa

Mas… quero compartilhar o que escolhi para acompanhar o café. Gente, por favor, ESSA DUPLA: café coado + sorvete artesanal!!!


   
Plaquinha da alegria: sorvetes artesanais à vista!

Lá tem sabores bem diferentes tipo ‘canela’ e ‘paçoca’ e bem brasucas tipo ‘jabuticaba’.
Eu escolhi o sabor de cupuaçu. Bem Brasil, bem refrescante. E com aquele azedinho do cupuaçu de dupla pro café docinho. Indico essa dupla!

Como fui no horário de almoço, aproveitei pra provar a feijuca vegana deles. Eu confesso que senti falta de um sabor mais marcante… Mas quer saber? Uma das coisas que me conquista nesse café é o quanto eles vendem o que acreditam. E fazem bem e bem servido! (Se liga na fotinha).

 

A alegria no rosto de quem acertou na escolha do sorvete de cupuaçu + café coado ❤

BÔNUS do veludo roxo:

a loja de plantas é no mesmo local da cafeteria. Tem tanta plantinha diferente! Não resisti a esse veludo roxo maravilhoso. Conheci essa planta na casa de uma amiga artista maravilhosa, a Jess. Na Jardin, também tem o vaso e o pratinho. Quite completo e um domingo aproveitado com sucesso:

Tour pelo que vi de incrível na Semana Internacional do Café 2019

Espresso, na Hario, preparo árabe… licor de café, ou cascara?!

Se tem três dias que eu tiro para ficar doidona de cafeína são os da Semana Internacional do Café (SIC)! O maior evento do Brasil dedicado à bebida.

O que vi na SIC 2019? O que chamou a atenção

 
Meditando para decidir quais momentos escolher… Foto: @pokegiu

Cafés bem no meio do Ceará

Para começar, muitos produtores do Ceará! Eu já tinha escrito sobre o Maciço do Baturité em 2015, mas era algo muito distante… até que conheci o Francisco Uchôa. Produtor de café sombreado nessa região ancestral. O café chegou lá entre os séculos 18 e 19! E ainda tem cafeeiro plantado em 1900.

Ele é cafeicultor e levou turismo rural ao Sítio Águas Finas! Tem trilhas e experiências na lavoura. Ah! E crianças de um projeto de música local, que se apresentam pros visitantes. Coisa linda de ouvir ele contando.

Eles também torram, viu? O café arábica da variedade café Typica é embalado em diversas opções do Café Uchôa. Aliás, o presidente da Afloracafé – Associação de Cafeicultores da Serra de Baturité – Frederico Yan, me contou que todos os 16 associados tem marcas de café torrado! É café cearense pra todos os gostos. 

 
Eu e o Seu Uchôa, tomando cafés cearense! ☕🌺 Fotos: Thais Fernandes

Esse encontro bom aconteceu porque pela primeira vez eu mediei um painel! Para mim, que vou a SIC desde 2014, quando cuidava do site CaféPoint (dá uma olhada na última fotinha!), foi uma surpresa deliciosa mediar.

De turismo rural a Airbnb Experiências

O papo ‘Como Agregar Valor ao Seu Negócio’, que participei, me deu a oportunidade de conhecer o Seu Uchôa e a Anna Claudia, do Cafetelier. Ela abriu essa cafeteria em Ouro Preto (MG). E descobriu aos poucos como tornar a paixão algo rentável. Hoje, além do café bem localizado no centro da cidade, a Anna oferece atividades para turistas. Ela criou degustações no Airbnb Experiências. É muito maravilhoso ver uma mulher a frente de um trabalho inovador assim.

Foi muita generosa essa conversa. Esses dois! 💖

A querida Anna Claudia, do Cafetelier contando sua história. E eu, anotando e registrando em fotos, antes do nosso bate-papo com o Seu Uchôa! Foto: Cafetelier
Robustas de Rondônia!

Falando em regiões surpreendentes, você já tomou café de Rondônia? O estado está apostando em qualidade. E da espécia canéfora! Isso, nadica de arábica. Antes de torcer o nariz, sugiro experimentar. Esse ano, os produtores fermentaram o café. Processo de mais de 20 dias. Muita gente envolvida! E um resultado… bem doce na xícara!

Lá, tem café produzido por indígenas! Contei mais sobre isso em uma matéria especial que fiz para a agência onde trabalho. Inclusive, tem os indígenas, robusta, o Seu Uchôa, e um campeão que produz agricultura sintrópica! (Conto mais dessa último aqui nesse texto mesmo, vai rolando a página…)

 
Café é coisa do Brasil todo! Rondônia representou nessa SIC! Fotos: Thais Fernandes

Coffee of The Year

Aliás, quem venceu o Coffee of The Year Canefora (prêmio criado pela SIC) foi o agora BICAMPEÃO Luiz Claudio! Do Espírito Santo, ele produz no Sítio Grãs de Ouro. Sei que é um querido porque já o entrevistei! Honra. E contei a história dele no microlote produzido pelo Santo Grão – que por sinal, já esgotou!
E o de arábica? Willians Valério, do Sítio Recanto dos Tucanos. É o Willians que produz com a agricultura sintrópica! São técnicas agroflorestais. Muita mata nativa. E amor pelo café – claro. História incrível que conheci através da Mariana Proença e da Giuliana Iannaco, da Revista Espresso.
  

 
                   Luiz Claudio: bicampeão no canéfora!                                    Agrofloresta na produção dos campões do arábica!  
Fotos: Thais Fernandes            


LANÇAMENTOS

Licor de café conilon

Mais do que produtores determinados de robusta… teve licor com esses grãos! O lançamento foi da Soul Cafés, de Blumenau, com parceiros locais. Eles já trabalham com licor de grãos arábica. Esse, do conilon, é edição limitadíssima! Só 100 garrafas.

Foto: Thais Fernandes


Novos cafés da Mantissa

Essa fazenda é muito querida. Ali no Sul de Minas, a Mantissa tem um trabalho enorme desde produção de qualidade até torra e venda. Agora, a marca que antes tinha apenas um café nas gôndolas, lançou uma linha inteirinha!

O Léo Custódio, mestre de torrado, provador, que cuida da qualidade da marca… e é um querido!, me preparou o Catuaí Amarelo. E olha como estava fresquíssimo:

  
Fotos: Thais Fernandes

Fotos: Thais Fernandes

Cascara tea, eu tea amo!                                                                                        Eu sou apaixonadaaaa por cascara! O chá feito com a casca de café. E olha só quem encontrei? Essa garrafinha de chazim gelado Cascara! É feita pelo Grandpa Joels Coffe. Eles vendem em Santa Rita do Sapucaí, onde fica a produção própria de café! And, na cafeteria em Santos, litoral paulista.


Mulheres que fazem o café

As produtoras maravilhosas que venceram o Florada Premiada. Concurso patrocinado pela 3 Corações, e que lança cafés das vencedoras! É significativo ver grãos torrados com os nomes delas. No Brasil todo! (E, sim, é o Padre Fabio de Melo nas fotos. Ele é o novo parceiro da marca nesse projeto:) )


  
 Vencedoras: Maria Simone Borges, na categoria via seca; e Daiana Aparecido Silva, em via úmida

Fotos: Thais Fernandes

Falando em mulheres incríveis, fiquem com essa foto de um pedacinho da equipe que faz a Revista Espresso e o CaféPoint acontecerem:

Eu matando a saudade do site que fiz por 3 anos; e as novas donas do conteúdo CaféPoint: Naty Camoleze e Gabi Kaneto ❤

Por que Cândido pintava coisas horríveis?

Vejo ele lá no fundo. primeiro fico feliz. é um reencontro. Vou andando entre os quadros… e penso em Cândido. Penso nas pessoas que ele pintou. eu já conheço elas. mas sempre tem mais uma lágrima ali. muda.

Imagem: Reprodução da obra Retirantes, de Cândido Portinari

-ainda não está nada no lugar, cândido.

olho uns bocados de minutos. clico. e ouço um menino:

-Por que ela está tirando foto de uma coisa tão horrível?
-Não é horrível – Uma moça responde.

-é horrível, sim – eu queria responder. eu queria saber rápido o que responder. e eu queria não ter o que responder.
mas só falei com o Cândido.

Retirantes.

-por que mesmo você pintou uma coisa tão horrível?

“… uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende. Só o coração nos poderá tornar melhores e é essa a grande função da arte”.
Candido Portinari”

cândido, é dolorido. faz tanto tempo. e ainda é.

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Eu escrevi esse texto acima em uma das minhas idas ao Masp, na Avenida Paulista.
Lá, moram algumas obras do Portinari. Ele me emociona. Em tempos bizarros quanto mais Cândidos, melhor.

E para quem não é de São Paulo… vale muito uma visita virtual. Onde? Pelo projeto do Google. Eles selecionaram as obras de Portinari – que estão espalhadas em museus diferentes.

Espalhemos a arte que nos choca. Porque, talvez, essa seja justamente a sua função:
Recomendo, especialmente, a seleção: “O Pintor Social“.