Etiópia [parte 2]: como é visitar Sidama, região produtora de café!

depois de boas horas de carro, cheguei aos cafezais no Sul da Etiópia. e que escolha incrível! foi uma aventura memorável na região produtora de Sidama. vem comigo!

ei, antes de ler esse texto… vale a pena visitar a primeira parte da aventura.

agora sim, vamos lá!

de 5 a 6 horas de carro. é o tempo que leva uma viagem da capital, Adis Abeba, até a região de Sidama, no sul do país. mas, pra mim, o tempo passou muuuito rápido. com certeza isso foi por conta das longas conversas com o Assefa, o guia que me acompanhou, um dos homens mais inteligentes que já conheci. e mais animados também! Assefa falava muito, tanto quanto ria. gargalhava.

-você teve muita sorte de encontrar esse guia, viu? – me dizia o guia de Sidama (ou Sidamo, você pode encontrar as duas grafias). e ele estava mais do que certo! (já indiquei aqui a agência de turismo com qual eu viajei, se quiser o contato direto, e mais dicas, fala comigo por aqui @tha.experimentando!)

no caminho, eu vi dromedários! indústrias, casas… passamos por planícies e paramos para eu avistar os três maiores lagos da Etiópia. tudo isso enquanto a paisagem seca ia dando espaço, aos poucos, pra uma região mais alta e úmida.

finalmente, chegamos na cidade de Yirgalem, onde ficava o hotel e a vila de produtores que eu visitaria no dia seguinte. tudo bem próximo a uma área de floresta, e dos lagos Woyima e Gidawo.

você consegue encontrar o macaquinho nesse registro que fiz já em Sidama? 🙂
Fotos: Thais Fernandes©

o hotel charmoso e aconchegante

já ia entardecendo… e um friozinho bom veio quando chegamos no hotel. e que hotel! pense num lugar charmoso. era perto da cidade o suficiente para ouvir os cantos religiosos de lá à noite. e longe o suficiente para ouvir cada passarinho durante o dia.

a Lâmila, uma das funcionárias de lá, me recebeu com um copão de suco natural de manga fresco! aliás, tudo que ela cozinhava era fresquinho e delicioso. ela também foi é a coffee lady de lá. ou seja, a responsável pela cerimônia do café ☕🖤. (Sobre essa cerimônia eu vou falar em um post especial. me segue no instagram para saber quando for lançado!)

tudo fresquinho! e muitas frutas à vista!
Foto: Thais Fernandes©

enfim, teve janta farta, com direto à cerveja. e uma fogueira pra conversar e ser bem recebida demais! (e ouvir as hienas, ao fundo, chamando umas às outras)… além de mim, vi uma família e um grupo de japoneses hospedados por lá também.

ah, e eu não ia ter um quarto. eu ia ter uma morada toda pra mim! como se fosse um chalé, meu quarto era na verdade a reprodução das casas tradicionais de Sidama.

casas do estilo de Sidama

fiquei fascinada quando o Assefa me contou que existe toda uma tecnologia ancestral na construção das casas de Sidama. primeiro, elas são feitas principalmente com um tipo de bambu. material resistente e flexível ao mesmo tempo. na estrada, eu vi várias pessoas trabalhando nas tramas de bambu, aliás.

era uma casa assim que o meu quarto do hotel reproduzia. na verdade, além do telhado em bambu, a decoração era toda feita de itens produzidos ali por artesãos de Sidama. coisa linda de ver!

o quarto por dentro/ e por fora. um primor esse hotel!
Fotos: Thais Fernandes©

nas casas originais, as famílias acendem fogueiras para cozinhar lá dentro e a fumaça ajuda a selar o teto. por isso, os moradores locais só precisam trocar as tramas de década em década. elas seguem muitos anos resistentes a chuva, sol, ventos… tecnologia!

e ainda por cima tem uma trama bem linda, que lembra bastante o formato de algumas teias de aranha. tem um termo na arquitetura que se chama biomimética, que é a técnica de ‘imitar’ formatos e soluções da natureza na hora de construir. eu vi bastante disso por lá.

olha só esse vídeo, que explica bem o processo de produção dessa casa:

informações importantes:

separei aqui uma listinha que coisas importantes pra você saber. e bem específicas para a região de Sidama:

  • clima: um friozinho bom demais. foi assim que amanheci em Sidama. a região ali tem uma altitude de cerca de 1.700 metros;
  • seca: quando estive lá, em fevereiro, o país passava por um período mais seco. apesar disso, pegamos chuva na estrada (mas eu costumo atrair chuva em viagens, rs);
  • idioma: a Etiópia é país diverso pra caramba e isso inclui os idiomas. lá a língua de trabalho é o amárico, mas nem todo mundo vai falar essa língua. no caso de Sidama, muitas pessoas falam apenas o idioma homônimo, o Sidama;
  • guia local: por causa de ‘detalhes’ como o do idioma, é importantíssimo ter um profissional local! no meu caso, a agência já tinha contratado um, que fez a tradução inclusive para o Assefa.

ainda quero falar sobre comidas da Etiópia. nossa! um prato cheio (literalmente, rs). sobre a visita à casa de uma produtora de café de Sidama e sua famíia!

e, óbvio, sobre a cerimônia do café! então, me aguardem que virão novos textos sobre esse país rico e maravilhoso. enquanto isso, assine minha newsletter e receba as novidades por seu e-mail:

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

listão de cafés pra se esbaldar (e comprar) no Sul de Minas

é atualização de lista com os melhores cafés para comprar no Sul de Minas que vocês querem? então toma esse listão do que comprei e amei🥳!

(e chama no insta @tha.experimentando para conferir esses @s e um reels com o top 5 de cafés para diferentes níveis de amantes dessa bebida boa demais!)

  • Acafeg – essa associação de produtores de um bairro de Andradas tem marca própria. e com café beeem torrado. lindo de ver! e de tomar.
  • Café Especial da Tamires: essa produtora de Andradas tá mandando cada vez melhor! fiquem de olho! e encomendem pacotinhos dela (que tá bem bonitos).
  • Café Goulart: produzido pelo Ivan Santana e família, em Cabo Verde. o Ivan é produtor e um mestre de torra de mão cheia! (inclusive, vencedor de um prêmio para torrefações). imagina se não vale cada grama do que ele produz e torra?
  • Café Mourisco: é uma bebida que me surpreendeu! desses cafés que poucas vezes eu encontro por aí… e produzido em Poços!
  • Café Podestá: para começar com doçura lá no alto! um belo café chocolatudo, que eu amei tomar.
  • Gamers Coffee: novos cafés! aqueeeela qualidade que, na moral, tem em poucos lugares. sempre falo, porque é meu parceiro, mas acima de tudo porque é bom demais mesmo. (e tem desconto com o cupom: EXPERIMENTAL).
  • Coopfam: se perguntam de cafés orgânicos, eu sempre indico essa cooperativa de Poço Fundo. e, além de orgânico, é especial e delícia. confia!
  • Cafés diversos da Assprocafé: essa associação de Cabo Verde tem muitos produtores com pacotinhos diferentes. e uma opção incrível de drip coffee com os cafés campeões do concurso mais recente. vale a pena demais provar!

Consumo local

quem já acompanha este blog sabe que consumir localmente é uma baita prioridade por aqui. quanto mais pertinho, menor a logística do produto até você. mais se valoriza o produtor/torrefador/indústria da região. e mais barato pode se tornar o café de qualidade!

outra coisa que priorizei na lista foi dar espaço para marcas pequenas, cooperativas e agricultores que se arriscam na empreitada de industrializar sua produção. todos entraram porque são bons! e porque eu acredito nesses trampos.

e aí, o que mais você incluiria nessa lista? sei que preciso muito conhecer iniciativas de outras cidades, como Alfenas, Lavras e por aí vai… então vamos crescer essas sugestões, comentando!

vamos de novo Workshop Cafés Africanos? com direito a degustação de 3 grãos diferentes, em SP!

pensa na minha alegria quando minhas amigas, e fundadoras da Punga Cafés Especiais, torrefação e escola feita por mulheres, me convidaram para fazer um workshop? muita! e o tema tem muito a ver com duas experiências que eu conduzi em 2023. se no ano passado eu foquei na Etiópia, esse ano vai ser maior. 🙂

cafés africanos

lá em Pinheiros, na sede da Punga, vai rolar o Workshop Cafés Africanos, que dá direito a degustação de três grãos diferentes. eles foram produzidos em países como a Etiópia e o Quênia, e torrados pela The Barn, torrefação baseada em Berlim, Alemanha.

os cafés vão preparados pelas fundadoras da Punga, Keiko Sato e Elis Bambil. e, para ir além do sensorial, vai ter muita informação sobre história e cultura desses  países! quem guia o papo sou euzinha, rs, jornalista especializada em cafés. claro que vou também levar registros feitos na minha viagem à região de Sidama, na Etiópia, e muita história do que vi e aprendi por lá.

além dos cafés etíope e queniano, a experiência terá, ainda, um café surpresa. O workshop terá turmas limitadas, já que esses pacotes dessas origens estão esgotados.

desconto para profissionais da área

a Punga oferece um desconto especial para profissionais da cadeia do café. baristas, mestres de torra, produtoras/es, entre outros, terão 15% de desconto, fazendo pagamento em PIX. Para receber mais informações, basta entrar em contato pelo instagram @pungacafes ou pelo e-mail contato@pungacafes.com.br. ou me dá um alô no meu insta @tha.experimentando.

Serviço

Workshop Cafés Africanos

Quando? Dias 17 e 20 de janeiro, das 10h às 11h30

Local: Av. Pedroso de Morais, 794 – Pinheiros – SP

Onde comprar: https://pungacafes.com.br/produto/workshop-cafes-africanos/

Lancei o Direto do Pé! Meu podcast sobre comida no Sul de Minas

depois de 5 meses de muito trabalho, diversão, correria e realização, tá no ar meu novo podcast! o Direto do Pé.

nele, converso com muita gente interessante e falamos sobre alimentação local.
o foco é na região do Sul de Minas e comecei por Poços de Caldas e seu entorno.

vou contar como surgiu tudo isso… mas, pra ouvir já, ele tá disponível no Spotify e Youtube e, claro, nesse blog! ouça, abaixo:

#5 Olha a banana! Produção e curiosidades no Sul de Minas Direto do Pé

A fruta mais consumida do Brasil! E cheia de poesia nos termos, como o coração, a mãe, a filha e a neta. Assim é a banana. Vamos descobrir mais da produção dela aqui no Sul de Minas, falando direto com dois produtores: o Lucas Antônio de Souza e o Pablo Passos Rodrigues.Solta o episódio! 🙂Siga nosso insta: @diretodopepodcastO Direto do Pé℗ é uma criação da jornalista Thais Fernandes (@tha.experimentando), que também assina produção, entrevista e captação.Apoio do programa Acelerando Negócios Digitais.A edição, mixagem e masterização são feitas pelo Leopac no Lab3 Estúdio.
  1. #5 Olha a banana! Produção e curiosidades no Sul de Minas
  2. #4 Comida ancestral
  3. #3 De produtores direto para restaurantes
  4. #2 Cadê os orgânicos?
  5. #1 Qual comida tá na mesa do Sul de Minas?

a história por trás

eu podia começar essa história muuuuito lá atrás. tipo na faculdade. mas acho que o importante mesmo é: corta pra junho desse ano. eu tinha feito a primeira etapa do curso Acelerando Negócios Digitais, do International Center For Journalists (ICFJ) com a META. essa mesmo, a mãe do facebook, instagram, etc…

sempre celebrei cada etapa que passei desse tipo de seleção, porque, honestamente, nunca tive indicação pra nada. e isso, em São Paulo, é sobreviver na selva meeesmo. mas daí que, na segunda etapa, também selecionaram meu projeto pra receber mentoria: o Direto do Pé!

de lá pra cá aconteceu MUITA COISA. fui demitida (e acho importante falar isso, porque a vida não é só vitória, embora sair daquele ambiente corrosivo tenha sido bom pro meu estômago e cabeça). comecei a estruturar o podcast. tirar ele do papel mesmo.

conheci meu mentor, Geraldo Nascimento. a melhor pessoa e profissional que eu podia ter conhecido naquele momento! um cara vibe boa. disposto a ouvir. criativo. foi com ele que a coisa começou a tomar forma e eu retomei minha autoestima profissional. é forte, e é verdade.

no final das contas, o Direto do Pé é sobre colocar no mundo um trampo que eu acredito… e que fiz cada detalhe. ou não, né? a logo é feita pelo meu amigo, designer e ator Gabriel Gonzalez. e reflete cada significado do que é alimentação e jornalismo local pra mim. a edição é do LeoPac, músico poços-caldense que tem um baita ouvido e deu vida sonora para cada episódio.

nasceu

muito inspirada pelas pessoas que já entrevistei ao longo de quase 10 anos cobrindo agricultura e alimentação… e pela transformação que ter uma horta em casa, com meus pais, trouxe na minha vida! foi assim, que veio a semente do Direto do Pé.

5 meses, 15 entrevistas e muitas horas de gravação depois… ele nasceu!

espero que você possa ouvir! e me dá seu feedback? vai ser super importante pra mim se puder compartilhar com seus amigos! e seguir o insta desse projeto @diretodopepodcast.

de 15 dias em 15 dias tem episódio novo! até jájá 🙂

café canéfora: quem você pensa que ele é?

conilon ou robusta. os dois nomes mais comuns de ouvirmos quando o assunto é um café ser antagonista do arábica. mas que rivalidade de diva pop é essa gente? não precisa disso, rs.

os dois são apenas variedades da espécie canéfora. uma de muitas outras espécies que existem além do próprio café arábica. calma lá. vamos conversar mais sobre isso 🙂

café canéfora é uma outra espécie. não tente comparar com arábica. Foto: Thais Fernandes©

fiz um reels falando sobre a importância de tratar do café no plural. são CAFÉS possíveis. não dá pra tratar tudo como uma coisa só.

>>> assista aqui o vídeo: canéfora é uma coisa, arábica é outra.

canéfora é espécie

acontece que até alguns anos atrás poucas pessoas conheciam à fundo o canéfora (ou canephora). eu lembro de entrevistar diversas pessoas que chamavam de conilon (que é a variedade) tudo que não fosse arábica.

hoje, com muito trabalho dos pesquisadores, a gente começa a entender mais da espécie canéfora. e dentro dela, suas variedades: as mais conhecidas aqui são o conilon (agora sim!) e o robusta.

Foto: Thais Fernandes©

entendido isso, também foram institutos de pesquisa, como o Incaper e a Embrapa que investiram pra criar tecnologias de manejo próprias pros canéforas. a planta é muuuuito diferente do arábica. posso escrever sobre isso qualquer dia…

patinho feio dos cafés

tá, mas e a qualidade? ou falta de qualidade, né? é assim que muita gente ainda vê os cafés canéfora… mas isso vem mudando. lembro que lá em 2014, a Mariana Proença, à época diretora da Revista Espresso e minha chefe, pediu para eu entrar em contato com o Artur Fioroti, da Conilon Brasil, pra eles escreverem uma coluna sobre um trabalho pioneiro! esse pessoal já queria mostrar que o conilon podia ter, sim, qualidade.

fico imaginando quantas pessoas torceram o nariz pra eles. Como deve ter sido chegar pros ‘100% arábica’ e lançar um ‘conilon também pode ter qualidade’ lá em 2014…

a coluna que seria para o site que eu era repórter e editora, o CaféPoint, acabou não rolando. mas eu fiquei com um pulguinha atrás da orelha… ‘Qual é o problema desse tal de conilon?’. taí uma das vantagens de ser inexperiente. Eu tinha acabado de chegar no meio do café. estava aprendendo. sabia que existiam essas duas espécies. são diferentes… e e pensava: qual o problema com nisso? foi tentando entender que me aproximei de cooperativas de conilon. dos produtores. e esperei pra descobrir quando é que o patinho feio ia virar cisne.

um espresso incrível e todinho de conilon

aí veio minha primeira experiência marcante com o conilon! cobri a seca de 2017 lá no Espírito Santo, in loco. Fui à Cooabriel, maior cooperativa de conilon do País, eu tomei um café espresso de uma das máquinas automáticas. ‘Huuum… muito bom esse café’. ‘É conilon’, me responderam, orgulhosos.

‘É CONILON’. A pulga atrás da minha orelha virava um elefante. Não tinha sentido. É ruim, mas é bom. Aqueeela prosa de mineiro… E assim fui construindo minha própria visão desse café. Mais barato de produzir, porque é mais resistente às pragas. Contudo, com menos cuidado nos processos de pós-colheita… justamente porque a saca valia menos! Um ciclo. Entendi que a maioria dos conilons, é verdade, não tinham qualidade. Mas isso não queria dizer que não PODIAM ter qualidade.

0% Arábica

Mais uns anos se passaram. Me tornei a responsável pela comunicação da rede de cafeterias Santo Grão e aprendi a gostar da outra ponta da cadeia: o consumo. Estava lá, aprendendo tudo de novo. Barista, extração, torra, flat white. E de repente: ‘compramos uma saca de conilon‘. Quase caí das pernas. e foi um processo delicioso (literalmente) fazer a comunicação para aquele café! Por um tempão pensei em nomes… quebramos a cabeça com a descrição. ‘Pipoca doce’. Era o puro sabor doce daquelas pipocas de saquinho rosa. Você sabe do que eu tô falando? Fazia sentido, porque o conilon tem uma gama diferente de sabores e aromas do que o arábica. Mas tinha a danada da pipoca doce. Que mais eu vou querer?

A linha era perfeita: ‘Um Café Diferente’. Eu tava bem satisfeita. Fizemos o descritivo para os consumidores entenderem o que era aquele café. Foto do produtor. Entrevista pra saber o processo. Tudo feito. Pronto. Menos o nome… Acho até que eu tinha pensado em algumas opções. Mas em uma reunião de gerentes, ouvi o Marco Kerkmeester (fundador do Santo Grão), dizer algo como: “Temos esse café. Ele não tem nada de arábica. É 100% conilon”. Anotei… fiquei matutando. Era tudo muito verdade.

O café não tinha nada de arábica. E tinha tudo de conilon. Eu entendi na hora, mas como os garçons iam entender isso? como os consumidores iam achar aquilo tão genial quanto eu? Eu queria chegar em cada um e dizer: Esse café é o contrário de todos naquela gôndola lotada do mercado. Nada de 100% arábica. Mas eu não ia estar lá, então precisava que o nome do café dissesse tudo naqueles 5 segundos em que o cliente gira a embalagem pra ler.

E aí, deslizou pelos meus dedos: 0% arábica. Zero por cento arábica. Acho que é isso. Eu dei o nome apenas para o jornal interno do Santo Grão. Queria que a equipe entendesse e se apaixonasse pelo café. E o Marco leu. E ficou louco! (ele já é um pouco, assim que nem eu, ne? Mas ficou mais hahaha). Quis dar aquele nome para o café. E assim ficou.

0% arábica é isso. não explica coisa nenhuma. Pega a pessoa pelo lado oposto. Pela dúvida. Pelo ‘que diabo é isso?’. ZERO? Não é 100? Escreveram errado? Eu quero saber! Eu quero saber. E finalmente, ela pergunta. E tem tempo e prazer em ouvir a resposta. Veja, a resposta não é simples. Nem rápida. Mas é deliciosa, como aquele conilon espresso que eu tomei em 2017. E nunca mais esqueci.

illycaffè lança café de agricultura regenerativa do Cerrado Mineiro

illy lança café Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro, o primeiro 100% de agricultura regenerativa com certificação regenagri.

O Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro é o primeiro café 100% agricultura regenerativa com certificação regenagri e vai ser vendido globalmente

nessa semana, estive no lançamento de um café pioneiro entre as linhas da illycaffè. a marca italiana lançou seu primeiro produto feito 100% agricultura regenerativa com certificação regenagri. os grãos tem também selo de Denominação de Origem que comprova que é produzido na Região do Cerrado Mineiro. e vai ser vendido globalmente!

o evento aconteceu no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, capital. e tava cheinho, viu? um grupo grande de cafeicultores veio do Cerrado para acompanhar a novidade e ver de perto a mais nova latinha da illy, em parceria com a Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

uma coisa bacana dessa linha é que ela não será limitada. ou seja, a ideia é que o café produzido com uma agricultura regenerativa continue à venda por um bom tempo.

agricultura regenerativa?

não é de hoje que a sustentabilidade é destaque – e necessidade – na produção de alimentos, né? uma das formas de produzir com mais responsabilidade ambiental é a agricultura regenerativa. Samuel Giordano, professor e diretor da Universidade do Café Brasil, explicou em um seminário promovido pela illy, que a agricultura regenerativa é a prática de restauração de áreas produtivas que leve à saúde do ambiente como um todo, estabelecendo o tripé da sustentabilidade: social, econômica e ambiental.

a illy afirma que esse novo lançamento faz parte da busca da empresa em se comprometer em mitigar os efeitos das mudanças climáticas em toda a cadeia de fornecimento. por isso, a marca quer fortalecer o modelo de agricultura regenerativa, que permite regenerar naturalmente o solo e reduzir as emissões de CO2, contribuindo para a produção de um café mais sustentável, saboroso e saudável

lançamento do novo café da illy, e momento de encontrar amigos como o José Cordeiro, gerente de qualidade da illy em SP.

do lado do Cerrado Mineiro, algumas fazendas já vinham trilhando esse caminho, como a Fazenda Três Meninas. é de lá que vem boa parte dos grãos que será vendido agora, e muitas das imagens que estavam sendo mostradas no evento no MIS. além dos produtores, como os donos da Três Meninas, Paula Curiacos e Marcelo Urtado, também estiveram no evento o diretor-geral da illycaffè Sud America, Frederico Canepa, do presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Gláucio de Castro, e Fernando Beloni, presidente da Expocacer. 

Mostra com Degustação de Café no MIS

para quem é de São Paulo, até 15 de outubro, os visitantes do MIS terão a oportunidade de conhecer mais sobre a produção do Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro e ainda degustar o primeiro café proveniente da agricultura regenerativa.

o espaço também conta com uma breve mostra com painéis e imagens sobre a origem desse café tão especial e os visitantes do museu poderão degustar e apreciar o sabor único dos grãos selecionados do Cerrado Mineiro.

Cabo Verde vai ter festival cheio de cafés especiais e oficinas

De coffeelovers à profissionais, vai ter programação para todo mundo no Festival da Terra dos Cafés Especiais de Cabo Verde, Sul de Minas. A 2a edição do evento vai acontecer de 06 a 08 de outubro, reunindo pequenos produtores locais, donos de cafeterias e apreciadores de café de toda a região.

Mas também vale levar a família toda, porque o festival terá, ainda, gastronomia local e desfile de moda. E até passeio rural pelas fazendas locais! Eu já fiz um passeio pela região e escrevi sobre isso, leia aqui para saber como são os cafés especiais, cachaça e doces mineiros de Cabo Verde.

Como fazer um café especial em casa?

Para os coffeelovers de plantão, o festival é um prato cheio. Para começar, será possível conhecer e provar os cafés das marcas expostas pelos dos produtores da Associação de Produtores de Cafés Especiais de Cabo Verde-MG.

Mas tem mais: na sexta-feira (06), vai ter o Workshop de Métodos de Extração, às 19h30. E, no sábado (07), às 9h00, uma Oficina de Provas

Os gestores também terão conteúdo. Além do workshop em Gestão de Pessoas em Cafeterias, na sexta-feira, 19h30, um painel sobre Gestão em 360o acontece no sábado, às 14h00.

O Café Mãe Cota é um dos vááários pacotinhos de marcas de produtores da cidade!

Melhores cafés dessa safra!

Você já viu uma premiação de concurso de cafés especiais? Então, só venha porque é muito emocionante! Esse tipo de competição muda a vida de muitos pequenos e médios produtores, que tem seus cafés reconhecidos.

E nesse ano, a Premiação do 10o Concurso de Qualidade dos Cafés Especiais de Cabo Verde vai acontecer no meio do festival. Vai ser no sábado, às 16h00. 

Gastronomia e passeio

Comidas e bebidas eu já falei que tem demais em Cabo Verde, né? Até por isso o festival vai ter um Concurso de Gastronômico! Já pensou em conhecer um monte de delícias criadas pela comunidade da cidade? Essa é a hora.

Já no domingo um grupo sortudo vai sair para um Passeio Rural, passando pelas fazendas de Cabo Verde, às 8h00. E os ciclistas seguem, em paralelo, pela Trilha Ciclística da cidade. Tem trajetos de 20 km e 45 km.

Eu vou fazer a cobertura lá nos três dias de evento. Você pode acompanhar as novidades pela Instagram @cafesespeciaiscaboverde / e @tha.experimentando

Nos vemos em Cabo Verde?

Serviço

Festival da Terra dos Cafés Especiais, de Cabo Verde

De 06 a 08 de outubro

Praça da Matriz, Cabo Verde, Sul de Minas

Programação completa aqui

Mais informações: (35) 99900-7028

Tocantins vai ganhar torrefação de cafés especiais

A Amoracajú está de mudança para Palmas, capital do estado do Tocantins. A torrefação lançou sua nova marca no Festival Santos Café e carrega, agora, um nome e identidade ainda mais brasileira.

A Amoracajú Cafés Especiais do Brasil ganhou, recentemente, novo nome e identidade e está de mudança para Palmas, no Tocantins. Conheci pessoalmente Mauricio Braga e Mari Antonichen, os fundadores da marca, lá no Festival Santos Café, no começo deste mês.

Lá, a reação de quem provou os cafés da torrefação durante foi um estímulo a mais para os fundadores da empresa. Entre um gole e outro, os feedbacks e a troca com o público mostraram pros dois que a evolução da marca valeu a pena.

Do coração do Brasil para todo o País

Junto à transformação de identidade, com novas cores e o próprio nome simbolizando a grandeza do Brasil, o casal está de mudança para a cidade que é capital do Tocantins, para onde vão levar a torrefação. “Escolhemos estar no centro do Brasil. E isso caminha junto com nosso propósito de ter cafés de todo o País. Inclusive, vamos ter mais grãos da região de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, por exemplo. Queremos trazer mais cafés dessas regiões”, concluiu Maurício.

FOTOs: Giulliana Iannaco

Hoje, os dois são formados em cursos de torra e se dividem nas atividades da torrefação. Juntos, eles também visitam e conhecem de perto cada produtor com quem trabalham. “Eu sempre quis cafés diferentes e das mais variadas regiões. Sou do Paraná, e queria descobrir algum produtor de lá. Então pela internet descobri uma associação e fui até lá conhecer a produtora. Nós sempre vamos pessoalmente”, contou a Mari sobre um dos primeiros microlotes com os quais a Amoracajú trabalhou.

Eu provei os cafés deles por lá, e deu muito bom, viu. Café delícia pro dia a dia. Indico pro cês. Além de ter sido uma experiência muito massa ter trabalhado na comunicação da marca junto com a Giulliana Iannaco e a equipe Mariana Proença.

Quem sabe, em um futuro não tão distante, consiga visitar o espaço da Amoracajú Cafés lá em Tocantins? 🥳

já me segue? 🙂

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futuro da comida: laboratórios ou orgânicos?

a maior feira de alimentação do Oriente Médio. um fórum sobre a comida do futuro. uma das cidades mais cosmopolitas da atualidade. e eu, lá no meio!

em fevereiro, tive + 1 oportunidade DAQUELAS. fui à trabalho pra dubai. cobrir eventos sobre alimentos, agricultura e tecnologia. a Gulfood e Food For Future Summit & Expo (onde tirei a foto de capa desse texto!) e eu vi TANTA coisa! ficou até difícil contar pros amigos e família ‘como foi a viagem?’. então, decidi escrever.

comida feita em impressoras 3 D

começando com as expectativas. pré-viagem. olhando algumas companhias que estariam em eventos em dubai… de repente: comida impressa.

sim. uma das empresas está desenvolvendo carne feita em impressoras 3D. ~basicamente~ a ideia deles é utilizar algumas células de um bifão que já existe e, com elas, produzir mais carne. bizarro, né? ainda preciso, francamente, estudar muito mais pra entender a real das impressões em 3D.

inovador é. mas – vide NFT – toda inovação é boa? quanta energia e recursos seriam gastos pra produzir essa carne? qual recurso é esse? pra quem o produto seria acessível? já podemos imaginar algumas respostas.

também é uma solução de alguma forma menos cruel com os animais, já que não seria preciso criar + gado para depois abater. mas a que custo para quem consome? se ultraprocessados já são um problema quando se tornam base da nossa alimentação, imagina como seria o cenário com carnes ‘criadas’ em lab?

todas essas perguntas seguiram em diferentes inovações que vi. a tecnologia vem, claro. mas gosto de pensar que junto vem um questionário. ou seria bom se viesse.

mas quer saber o que + encontrei em dubai no final das contas? orgânicos!! e alimentos produzidos no meio do deserto da Península Arábica. é mole?

orgânicos do deserto

perto do Food For Future eu já tava desconfiada que o jogo ia virar. na Gulfood, eu já visto muito ‘organic‘, ‘vegan’, ‘plant based‘. proporcionalmente, pouco ‘lab’ ou ‘3D’. depois disso, visitei uma feira com pelo menos 3 bancas de produtores orgânicos e locais. COMIDA PRODUZIDA NO DESERTO, literalmente. de mel à vegetais.

claro que aqui há o meu viés pessoal. sou mais atraída por agriculture do que high tech. dá pra pegar a diferença? mas de toda forma, realmente me surpreendi com a quantidade de ‘fazendas’ e projetos de alimentação raiz nos emirados.

só como exemplo: a Emirates Bio Farm. a maior fazenda de produção orgânica do país. e faz delivery direto da produção pros consumidores! a propriedade, em geral, também recebe visitas. uma espécie de turismo rural árabe. infelizmente, por conta da pandemia eles estavam fechados :(.

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café gelado com limão ou laranja dá bom?

‘hum, mas misturar laranja no café…???” já digo, logo de cara: eu também torcia o nariz. mas agora? NUM CALOR DESSES? me gusta! eu acho que cê vai experimentar e agradecer depois…

masss só tu pode dizer! então, vamo de receitinha?

limão simplão

essa aqui é facin facin. água, CAFÉ DELICIOSO, gelo e limão. a lógica é: o gelo vai derreter depois de um tempinho, então fazer um café concentrado é o ideal.
aqui vai a proporção que eu uso pra ter 1 copo americano:

  • 15 gramas de café
  • 150 ml de água
  • 2 ou 3 rodelas de limão
  • muitcho gelo!

e pra facilitar ainda mais, ó o vídeo:

laranja da elis

e agora participação especial da minha amiga Elis Bambil. a barista curte um café geladim cítrico também. mas ela prefere café com laranja… então, perguntei pra ela: comé que cê faz? e segue a dica dela:

“Miga eu faço que nem cê fez com o limão mesmo. Passo um café mais concentrado, 1:9/1:10 dependendo do café, num copo com gelo e coloco uma rodela e meia de laranja depois do café já pronto. Teve uma época que eu tava mais fancy que eu desidratava a laranja hahahaha”.

FINA né mores? desidratar laranja é outro nível! mas pra iniciar nesse universo, uma boa laranja madura já faz a alegria dos cafeinades.

essas proporções que a Elis citou (1/9 ou 1/10) são as medidas de café (tipo 10 gramas de café) para outro tanto de água (90 ou 100 mls de água). se joga nas continhas e manda a ver aí também! que nem eu fiz, nesse vídeo do instagramhttps://www.instagram.com/p/CY_mQCwpwej/:

mesma proporção, mas dessa vez com laranja… hum!